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Os 5 assuntos que vão agitar os mercados nesta terça-feira

Confira no que ficar de olho na sessão desta terça

Bolsonaro e Paulo Guedes - Sanção da Lei de Cadastro Positivo
(Alan Santos / PR)

O Ibovespa fechou ontem perto da estabilidade, à espera da votação da PEC da Previdência que poderá ser encaminhada nesta terça-feira na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), a partir das 14h30. Para tentar finalmente encaminhar a proposta na comissão, o governo aceitou retirar pontos que não devem afetar a economia de R$ 1,16 trilhão em uma década prevista com a reforma.

A retirada no texto do fim do pagamento de multa do FGTS para aposentados; a possibilidade de se alterar, por projeto de lei, a idade máxima de aposentadoria compulsória; a exclusividade da Justiça Federal do Distrito Federal para julgar processos contra a reforma; e o dispositivo que dá somente ao Executivo a possibilidade de propor mudanças na Previdência foram os aceno do governo aos partidos do “Centrão” para tentar aprovar a PEC na CCJC. Líderes têm mostrado otimismo com a aprovação da Reforma na reunião da Comissão.  

Uma outra fonte de alívio ao governo veio da declaração de representantes dos caminhoneiros que descartaram a possibilidade de greve da categoria após o governo prometer que fiscalizará o cumprimento da tabela de frete e acertar o seu reajuste de acordo com as mudanças no preço do diesel. O acerto deve eliminar o risco de uma paralisação a partir do dia 29 e foi definido ontem após reunião com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas.

No exterior, as preocupações estão concentradas no aperto das sanções dos Estados Unidos ao Irã, que pressiona oito países, entre os quais China, Índia e Turquia, a não comprarem mais o produto do país a partir de 2 de maio. A decisão levam os preços do petróleo a renovar hoje suas máximas em seis meses.

1. Bolsas Internacionais

Na Ásia, as principais bolsas fecharam sem um sinal definido, ainda digerindo os impactos do pico de alta do preço do petróleo. Na China, a bolsa de Xangai registrou o segundo dia consecutivo de perdas refletindo um relatório do South China Morning Post de que Pequim poderia se concentrar em reformas estruturais em vez de oferecer medidas de estímulo após o desempenho econômico apresentado no primeiro trimestre, que veio acima do esperado.

Os mercados europeus, que reabriram após um feriado de quatro dias, operam predominante em baixa diante das incertezas geopolíticas e no aguardo de uma série de resultados corporativos nos Estados Unidos, quando mais de 140 empresas vão divulgar seus resultados nesta semana.

Entre as commodities, novamente o destaque é o petróleo, que ontem havia avançado 3% em Nova York, levando a matéria-prima a acumular uma alta de 30% este ano. Hoje, os preços seguem em alta. O preço do minério, por sua vez, opera em queda, refletindo a expectativa de recomposição da oferta global da commodity.

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As sanções dos norte-americanos podem retirar mais de 1 milhão de barris de petróleo por dia do Irã do mercado. Outra consequência é o travamento do comércio global, por conta de uma ameaça da guarda revolucionária Islâmica, de que poderia fechar uma das passagens no Golfo Pérsico, de transporte de petróleo, prejudicando os embarques da Arábia Saudita.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07:11 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA) -0,09%
*Nasdaq Futuro (EUA) -0,08%
*Dow Jones Futuro (EUA) -0,08%
*DAX (Alemanha) -0,24%
*FTSE (Reino Unido) +0,32%
*CAC-40 (França) -0,24%
*FTSE MIB (Itália) -0,44%
*Hang Seng (Hong Kong) -0,02% (fechado)
*Xangai (China) -0,51% (Fechado)
*Nikkei (Japão) +0,19% (fechado)
*Petróleo WTI +0,73%, a US$ 66,03 o barril
*Petróleo Brent +0,53%, a US$ 74,46 o barril
*Bitcoin US$ 5.564,70, +4,66 %
R$ 21.989, +3,97% (nas últimas 24 horas)
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian recuavam 0,63%, a 629 iuanes (nas últimas 24 horas)

2. Agenda Econômica
No Brasil, é aguardada a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) medido pela FGV, a partir das 8h00.

Nos Estados Unidos estão previstas as divulgações de dados de março sobre o número de vendas de casas novas e de sondagem de manufatura, a partir das 11h00.

No lado corporativo, devem sair os resultados da Coca-Cola, Procter & Gamble, Twitter, Verizon e Snap.


3. Noticiário Político

Na política, as atenções estão voltadas para a votação hoje da PEC da Previdência na CCJC. Após negociação com partidos como PP e PR, a equipe econômica aceitou alterar pontos da proposta que não afetem a economia de R$ 1,16 trilhão esperada pela proposta em uma década. No entanto, a votação pode ter momentos de tensão por conta da polêmica sobre a apresentação das informações técnicas, dos dados e dos números usados pelo governo na formulação da proposta entregue ao Congresso em fevereiro, com a oposição exigindo essa divulgação antes da votação. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, afirmou o governo apresentará estas informações na quinta-feira (24).

Vale destacar que o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, negou ontem um pedido do deputado federal Aliel Machado Bark (PSB-PR) para suspender a votação do parecer da reforma da PEC na CCJC prevista para hoje. Para Mendes, uma intervenção no debate nesse momento seria “prematura” e uma ingerência indevida do Judiciário sobre o Congresso. Bark pedia a paralisação até que o governo indique o impacto orçamentário e a fonte de custeio durante a transição da mudança no regime de aposentadoria.

Ainda no radar político, a Folha destaca que o núcleo militar enxerga uma ação de Bolsonaro contra Hamilton Mourão, após a publicação de um vídeo com ataques de Olavo de Carvalho ao vice-presidente. A ala militar interpretou o material, publicado no final de semana e depois retirado do ar, como uma tentativa de tentar moderar o discurso de Mourão. Sob pressão, Bolsonaro acabou reconhecendo que as “recentes declarações” de Carvalho contra os militares “não contribuem para a unicidade de esforços e objetivos do governo”, em mensagem lida por seu porta-voz.

Para tentar melhorar a articulação política, a Folha afirma que uma minirreforma ministerial já está sendo analisada pelo governo. Segundo a publicação, Bolsonaro estaria avaliando a redistribuição de secretarias e a mudança de atribuições relativas a três pastas que despacham na sede administrativa da Presidência, Casa Civil, Secretaria de Governo e Secretaria Geral. A avaliação de interlocutores de Bolsonaro é a de que o desenho feito na transição não foi o mais adequado e funcional, deixando algumas pastas sobrecarregadas e outras ociosas.

Por fim, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) anunciou que julgará hoje, a partir das 14h, o recurso da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva referente ao processo que o condenou no caso do triplex do Guarujá (SP). A defesa de Lula pediu ao STJ que seja anulada a condenação do petista no caso do triplex do Guarujá, que levou o ex-presidente à prisão, sentenciado a 12 anos e um mês pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Os advogados de Lula defendem que o órgão competente para julgar o caso é a Justiça Eleitoral.

4. Noticiário Econômico

Após mais de quatro horas de reunião com dirigentes das principais entidades sindicais de caminhoneiros autônomos o governo fechou um acordo para evitar uma nova paralisação da categoria, que estava sendo prometida para o dia 29 de abril. O assunto foi acertado com ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, que prometeu implementar uma política de frete mínimo a partir de hoje. Os caminhoneiros, por sua vez, terão de denunciar ao ministério, sem risco de punições, as empresas que descumprirem a tabela de frete.

O jornal Valor Econômico destaca que divergências entre os ministérios da Infraestrutura e da Economia estão impedindo que operadoras privadas de aeroportos e de rodovias devolvam amigavelmente à União concessões consideradas problemáticas. O impasse se refere ao direito de indenização às empresas por conta de investimentos realizados e ainda não amortizados. Entre as concessões que os operadores buscam entregar estão Viracopos e a BR-040.

5. Noticiário corporativo

Os acionistas da CCR aprovaram o plano de R$ 71 milhões para que a companhia indenize 15 ex-executivos, dentro de um Programa de Incentivo à Colaboração (PIC). Dessa forma, eles aceitam colaborar com as investigações de crimes que praticaram na condução dos negócios da companhia, nos estados de São Paulo e no Paraná. A proposta foi aprovada por 68,33 dos presentes, com voto contrário de 32,39%.

O presidente da Gol, Paulo Kakinoff, afirmou em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo que a Avianca poderá custar à empresa US$ 48 milhões. Segundo o executivo, este é o valor da perda à Gol caso o leilão da Avianca, que está em recuperação judicial, não ocorra. Previsto para daqui a 15 dias, Kakinoff argumenta que o risco de prejuízo à Gol evidencia o esforço da companhia em adquirir os ativos da rival em dificuldades financeiras.

Diante da polêmica gerada pela intervenção no preço do diesel, a Petrobras informou ontem que a partir de agora disponibilizará em seu website os preços diários da gasolina e do diesel em cada um de seus pontos de venda em todo o território nacional.

A B3 anunciou ontem que o conselho aprovou a emissão de debêntures no montante total de R$ 1,2 bilhão, com prazo de vencimento em 30 anos.

A Caixa decidiu que vai ter suas ações de suas subsidiárias listadas tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Entre as empresas que devem entrar no processos de duplo IPO estão companhias de seguros, cartões, loterias e gestão de recursos. Segundo reportagem do Valor, a Caixa busca dar mais liquidez aos papéis das subsidiárias e melhorar a precificação.

(Com Bloomberg e Agência Estado) 

 

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