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Os 5 assuntos que vão agitar os mercados nesta terça-feira

Confira no que ficar de olho na sessão desta terça

Bolsonaro e Paulo Guedes - Sanção da Lei de Cadastro Positivo
(Marcos Corrêa/PR)

Após o alívio de ontem, quando o Ibovespa fechou em leve de 0,22%, as atenções se voltam completamente hoje para Brasília, quando a expectativa é de o governo faça algum anúncio em relação à política de preços dos combustíveis para o óleo diesel, enquanto digere a derrota na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC).

A Comissão adiou ontem a votação da reforma da Previdência para depois do feriado de Páscoa ao aprovar por 50 votos a 5 a inversão da pauta, priorizando a votação do orçamento impositivo.

O presidente Jair Bolsonaro vai receber hoje, no Palácio do Planalto, às 16h30, o CEO da Petrobras, Roberto Castello Branco; o diretor-geral da ANP, Décio Oddone; os ministros da Economia, Paulo Guedes, de Minas e Energia, Bento Albuquerque, de Infraestrutura, Tarcísio Freitas, e da Casa-Civil, Onyx Lorenzoni.

No exterior, as bolsa asiáticas avançaram com uma recuperação no preço das ações na China, enquanto é aguardada para a noite de hoje uma bateria de indicadores, como PIB, produção industrial e vendas no varejo. Na Europa, as bolsas abriram predominantemente em alta, mas com investidores cautelosos à espera de dados corporativos nos EUA.

1. Bolsas Internacionais

Os mercados asiáticos tiveram um dia de alta, com destaque para os ganhos expressivos de 2,39% da bolsa de Xangai nesta terça-feira, à espera de uma série de indicadores econômicos previstos para hoje à noite, no horário de Brasília.

A segunda maior economia o mundo vai divulgar o PIB do primeiro trimestre, os dados de produção industrial, vendas do varejo março e os investimentos em ativos não-fixos rurais, ambos de março. Os últimos números chineses de exportação e crédito, publicados na sexta-feira (12), surpreenderam positivamente e aliviaram preocupações com a tendência de desaceleração da segunda maior economia do mundo. 

Ainda na Ásia, o presidente do Banco do Japão sinalizou riscos do aumento do protecionismo e ao crescimento global com o início de uma rodada de negociações comerciais, desta vez entre os Estados Unidos e o Japão.

Na Europa, as bolsas operam sem sinal definido, diante da safra de balanços corporativos que estão para sair nos EUA e no continente. Vários bancos divulgam seus resultados do primeiro trimestre. A cautela é por conta dos desempenhos abaixo do esperado do Goldman Sachs e Citigroup publicados ontem.

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Na Inglaterra, a taxa de desemprego entre dezembro e fevereiro permaneceu em 3,9%, se mantendo no menor nível desde 1975. Já aa Alemanha, o índice de sentimento econômico de abril aponta melhora nas expectativas. Para hoje, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, deverá se pronunciar no Parlamento europeu sobre o Brexit.

Entre as commodities, o minério de ferro registrou queda, em um movimento de correção após as seguidas valorizações das últimas semanas. O petróleo opera em alta, mesmo com declarações do ministro das finanças da Rússia, Anton Siluanov, de que o país e a OPEP podem aumentar a produção para ganhar fatia de mercado dos EUA.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07:27 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA) +0,32%
*Nasdaq Futuro (EUA) +0,42%
*Dow Jones Futuro (EUA) +42%
*DAX (Alemanha) +0,62%
*FTSE (Reino Unido) +0,35%
*CAC-40 (França) -0,01%
*FTSE MIB (Itália) -0,23%
*Hang Seng (Hong Kong) +1,07% (fechado)
*Xangai (China) 2,39% (Fechado)
*Nikkei (Japão) +0,24% (fechado)
*Petróleo WTI +0,21%, a US$ 63,53 o barril
*Petróleo Brent +0,06%, a US$ 71,22 o barril
*Bitcoin US$ 5.096,27, -1,46%
R$ 19.870, -1,48% (nas últimas 24 horas)
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian caiam 3,29%, a 632,50 iuanes (nas últimas 24 horas)

2. Agenda Econômica
No Brasil, a FGV publica às 8h00 o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), enquanto o IBGE traz os números, no mesmo horário, do Índice de preços ao produtor da indústria de transformação.

No exterior, destaque para a divulgação, a partir das 10h00, nos EUA, da produção industrial de março e da taxa de utilização da capacidade instalada, além do índice de confiança das construtoras de abril. Nos Estados Unidos, estão previstas também as divulgações dos balanços do Bank of America, Johnson & Johnson, UnitedHealth, BlackRock, Netflix, IBM e United Continental.


3. Noticiário político
A derrota de governistas na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) deve ampliar o clima de incerteza sobre a agilidade na tramitação da reforma da Previdência no Congresso. Por 50 votos a 5, os deputados inverteram a ordem de prioridades na comissão e decidiram apreciar primeiro o Orçamento Impositivo, que já é uma matéria que causou dor de cabeça ao governo, por praticamente limitar sua margem de manobra sobre o orçamento federal. A intenção do governo era concluir essa primeira etapa da reforma ainda esta semana para evitar atrasos daqui para frente. O projeto ainda precisa passar ainda por uma comissão especial para depois ir para o plenário da Câmara.

Segundo o Estadão, a trapalhada governista na CCJC fez crescer a sensação na Câmara de que a articulação pró-Bolsonaro só vai andar após os dois líderes, Major Vitor Hugo (do governo) e Delegado Waldir (do PSL) deixem seus postos. Parlamentares seguem reclamando da falta de sinais do Planalto e de que ninguém sabe definir ou diferenciar o papel de Lorenzoni e o de Santos Cruz na articulação. O Globo pontua que a fragilidade da articulação ficou evidente quando integrantes do PSL não conseguiram aprovar um requerimento para acelerar o andamento da sessão e evitar obstruções à reforma da Previdência.

Ainda no âmbito político, o governo Bolsonaro pode sofrer com a ameaça do Supremo Tribunal Federal (STF) de investigar o seu ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio que foi acusado de ameaçar de morte a deputada Alê Silva (PSL-MG). Outro foco de crise, está no Meio Ambiente, com a exoneração do presidente do ICMBio, Adalberto Eberhard, após críticas do ministro da pasta, Ricardo Salles, a servidores do instituto responsável pela gestão das unidades de conservação do País.


4. Noticiário Econômico
O Estadão destaca que projeções econômicas já apontam para um PIB negativo no primeiro trimestre deste ano, o que não acontece desde 2016.

Entre os cenários de consultorias está uma queda entre 0,1% e 0,2%, enquanto outras instituições esperam por uma leve alta, mas sem descartar uma retração. O consumo de energia, a confiança e o uso da capacidade instalada mais fracos, aliado a dados do IBC-Br, que apontaram queda da atividade em fevereiro, corroboram essas expectativas. A previsão é de que o PIB para o período entre janeiro e março seja divulgado em 30 de maio.

Outro destaque econômico é a previsão de que o salário mínimo fique sem aumento real em 2020. O projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias do próximo ano prevê salário mínimo de R$ 1.024, o que leva em consideração apenas o reajuste de 4,2% do INPC, sem nenhum ganho real. Hoje, o mínimo é de R$ 998. A alteração muda a regra que vigorou nos últimos anos em que o reajuste era calculado com base no INPC mais a variação positiva do PIB.

O Valor destaca que as primeiras previsões da equipe econômica apontam para um déficit fiscal até o ano de 2022. A indicação contraria a expectativa, dada durante a campanha, de que o déficit poderia ser zerado ainda este ano, como afirmou Paulo Guedes. Para 2020, o déficit primário deverá atingir R$ 124,1 bilhões, acima dos R$ 110 bilhões previstos há um ano.

5. Noticiário corporativo
O jornal O Estado de S. Paulo afirma que o governo pretende alterar a política de preços da Petrobras e uma das propostas apresentadas é a de redução da autonomia gerencial de comercialização da companhia para conceder o reajuste do diesel. Após reunião ontem com Lorenzoni, Castello afirmou que nenhuma decisão sobre manter ou não o reajuste foi tomada, mas acrescentou que a empresa é “livre” e que “tem vida própria”. Segundo a publicação, uma nova metodologia para o cálculo está sendo avaliada. O problema do mecanismo em estudo é que se o preço cair e a Petrobras não acompanhar, a empresa perde mercado para importadores.

O Globo ressalta que o governo deverá anunciar hoje crédito e obras para evitar nova greve dos caminhoneiros e que Bolsonaro ainda não decidiu se vai ou não liberar o reajuste. O pacote poderia incluir locais de repouso nas estradas, melhoria da infraestrutura de rodovias, uma linha de crédito do BNDES e o aumento da fiscalização do cumprimento da tabela de frente. O jornal Valor Econômico que uma das alternativas do governo seria o lançamento do “cartão caminhoneiro”, para a compra de diesel subsidiado. O governo realizará entrevista coletiva às 11h para falar sobre as medidas adotadas em resposta às demandas do setor de transporte ferrovirário. 

O Valor destaca que o plano do Estado de São Paulo de privatização da Sabesp deve ganhar tração com as mudanças que o governo Bolsonaro irá propor hoje ao Congresso, por meio da MP que altera as regas do setor de saneamento básico. O principal ajuste no texto original publicado em dezembro, pelo ex-presidente Michel Temer, é a tentativa de tornar mais equilibrada a concorrência entre empresas privadas e estatais, geralmente estaduais, de água e esgoto. Na versão original, todas as prefeituras precisavam abrir chamadas públicas para a contratação de novos serviços, o que provocava uma situação problemática, pois o setor privado teria interesse apenas por municípios mais rentáveis, deixando as localidades deficitárias nas mãos das estatais.

O pagamento do dividendos da Braskem pode ser adiado diante de uma decisão do Tribunal de Justiça de Alagoas, que determinou a suspensão da análise da distribuição dos proventos, de cerca de R$ 2,7 bilhões, na AGO prevista para amanhã. Segundo o Valor, caso a proposta não seja votada amanhã, um nova convocação para 30 dias deverá ser convocada. A suspensão foi determinada pela justiça até que o mérito de um recurso apresentado pelo MPE e pela defensoria seja apresentado. A causa se refere ao afundamento do solo em três bairros de Maceió.

(Agência Estado e Bloomberg)

 

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