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Bolsonaro admite intervenção na Petrobras e derruba o Ibovespa, que cai forte; dólar sobe

Mercado reage muito mal a fala do presidente, que vetou reajuste de preços da estatal

Crash
(Shutterstock)

São Paulo - Principal índice de ações da B3, o Ibovespa acelerou fortemente a queda nesta sexta-feira (12), após o presidente Jair Bolsonaro admitir que interferiu na decisão da Petrobras de reajustar o preço do diesel em 5,47%. Bolsonaro disse que ligou para o presidente da estatal, Roberto Castello Branco e disse que se surpreendeu com a decisão da empresa: "liguei para o presidente sim. Na terça, convoquei todos da Petrobras para me esclarecer por que 5,7% de reajuste."

Às 15h09 (horário de Brasília), o Ibovespa tinha baixa de 1,33% a 93.429 pontos. Já o dólar comercial sobe 0,54% a R$ 3,8757 na compra e a R$ 3,8777 na venda. O dólar futuro sobe 0,36% a R$ 3,876.

Mais cedo, a queda da Bolsa havia amenizado com a coluna de Tales Faria, do UOL, afirmando que o governo fechou um acordo com o Centrão para votar a reforma da Previdência na semana que vem na CCJC (Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania). 

Também impacta o índice a investigação da PGR (Procuradoria-Geral da República) contra o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). O inquérito contra Maia se refere a suposta propina de R$ 1,4 milhão que ele e seu pai, César Maia, teriam recebido da Odebrecht. Caberá ao relator da Operação Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Edson Fachin, decidir se estica ou não a apuração por 60 dias como pedido pela PGR.

Segundo o analista da MCM Consultores, Ricardo Ribeiro, as notícias de hoje aumentam a desconfiança em relação à adesão do presidente Jair Bolsonaro à agenda liberal na economia. "Há um receio de movimento dos caminhoneiros, mas, levando em conta o que aconteceu no governo Dilma, o mercado vai ficar mais uma vez ressabiado com Bolsonaro", aponta Ribeiro. 

O analista lembra da pesquisa da XP Investimentos que destacou um mergulho na avaliação "ótimo/bom" do governo Bolsonaro. "Esse tipo de coisa vai alimentar o sentimento de apreensão com o presidente", comenta.

Por outro lado, as preocupações com a reforma da Previdência diminuíram. A inversão da pauta na CCJ para votação do Orçamento Impositivo fará parte do acordo para votar a Previdência. "A inversão era condição imposta por PP, DEM e MDB, entre outros, para não obstruir a votação da Previdência. Se o Centrão aderisse à estratégia de obstrução dos partidos de esquerda, a Previdência corria o risco de não ser votada na Câmara no primeiro semestre", diz colunista do UOL. 

De acordo com a publicação, a inversão da pauta não inviabiliza a votação do relatório da Previdência na Comissão ainda na semana que vem, antes de os deputados deixarem Brasília para o feriado da Semana Santa.

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No exterior, as bolsas operam predominantemente em alta, mesmo com preocupações em relação à guerra comercial dos europeus com os norte-americanos e a desaceleração global. Foi positiva a divulgação das exportações chinesas acima do esperado, contribuindo para a valorização do petróleo.

Os juros futuros, que caíam antes das falas de Bolsonaro, agora sobem. O DI para janeiro de 2021 tem alta de três pontos-base a 7,14%, enquanto o DI para janeiro de 2021 avança quatro pontos-base a 8,27%. 

Exterior

Lá fora, os índices norte-americanos sobem forte, seguindo o bom desempenho das bolsas asiáticas. O principal driver para os mercados internacionais é a balança comercial da China em março, que registrou um superávit de US$ 32,64 bilhões, muito acima da expectativa mediana do mercado, que era de US$ 6 bilhões. 

O bom desempenho foi puxado pelo salto de 14,2% das exportações, contra os 8,7% que eram previstos pelos analistas. Enquanto isso, as importações recuaram 7,6%, quando as projeções eram de queda de 1,2%. 

Ainda na Ásia, o presidente do BoJ (o banco central japonês), Haruhiko Kuroda, disse que a economia global está enfrentando um processo de desaceleração, mas ressaltou que a China deve apresentar uma recuperação no segundo semestre.

Noticiário corporativo

Os investidores não receberam nada bem o recuo no reajuste do preço do diesel anunciado pela Petrobras (PETR3; PETR4). Bolsonaro disse que está preocupado com o transporte de cargas e os caminhoneiros e que ligou para o presidente da estatal para pedir explicações sobre o aumento de preços. "Se a Petrobras me convencer, tudo bem; se não, daremos resposta adequada a vocês."

Um reajuste neste momento, na avaliação do governo, poderia ter um grande impacto na economia. Este seria o primeiro aumento desde que anunciou sua nova política de preços ao diesel, que assegura um intervalo mínimo de 15 dias entre os reajustes.

Já com relação à Vale (VALE3), a Justiça do Pará determinou o bloqueio de R$ 185 milhões das empresas Biopalma da Amazônia, subsidiária da mineradora, e outras companhias, por conta da queda de uma ponte no rio Mojú, no último sábado, informou o Valor Econômico. Apesar disso, as ações sobem com as boas notícias na China e o avanço do dólar, já que é uma empresa exportadora. 

Também deve fazer preço a notícia de que a compra da Netshoes, seja pela B2W (BTOW3) ou Magazine Luiza (MGLU3), poderá custar cerca de US$ 107 milhões às companhias, de acordo com relatório da XP Investimentos. Segundo o Valor Econômico, apesar do interesse, as empresas não estão dispostas a pagar qualquer preço pelas operações da Netshoes, que enfrenta uma série de dificuldades, como vendas em queda, alto consumo de caixa e divergência entre sócios.

 

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