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Os 5 assuntos que vão agitar os mercados nesta sexta-feira

Confira no que ficar de olho na sessão desta sexta

Bolsonaro e Rodrigo Maia - Previdência
(Luis Macedo/Câmara dos Deputados)

O Ibovespa encerrou o pregão da última quinta-feira com queda de 1,25%, na terceira sessão consecutiva de perdas, com as preocupações quanto ao andamento da reforma da Previdência.

Ontem, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, afirmou – durante palestra na XP Investment Conference Brazil: First 100 Days – que o governo está no caminho certo buscando maior diálogo. Contudo, para a PEC andar ainda falta o governo organizar melhor o seu diálogo com o Congresso, reforçando que até o momento não se abriu o detalhamento das economias de R$ 1 trilhão esperada com as mudanças.

As preocupações podem se avolumar hoje após a prorrogação por mais 60 dias das investigações envolvendo Maia na Procuradoria Geral da República e pela inversão das prioridades na pauta da Comissão de Constituição, Justiça e de Cidadania (CCJC), que deverá apreciar antes o orçamento impositivo, ao invés da PEC da Previdência. O movimento é interpretado como uma pressão do “Centrão” e a expectativa é de que o deputado Felipe Francischini anuncie hoje as ordens de votação na reunião da comissão da semana que vem.

Hoje, o presidente Jair Bolsonaro estará em Macapá para a inauguração de um novo terminal de passageiros na capital do Amapá. Ontem, Bolsonaro fez diversos anúncios para marcar os 100 dias de sua administração, tentando impor uma agenda positiva ao seu governo, com destaque para a autonomia do Banco Central, a aprovação de dirigentes de bancos públicos pelo BC e a criação de uma câmara de conciliação para discutir e aplicar multas.

No noticiário corporativo, recuo em reajuste do diesel pela Petrobras também pode gerar desconforto sobre política de preços, mesmo com a companhia tendo reiterado manutenção com paridade internacional. 

No exterior, as bolsas operam predominantemente em alta, mesmo com preocupações em relação à guerra comercial dos europeus com os norte-americanos e a desaceleração global. Pesou positivamente, a divulgação das exportações chinesas acima do esperado, contribuindo para a valorização do petróleo.

1. Bolsas Internacionais

Na Europa, as bolsas operam em alta. O mercado segue repercutindo o acordo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia, ao menos até o final de outubro. Segundo o Financial Times, desde a aprovação do Brexit, em 2016, o País já perdeu mais de US$ 25 bilhões com a fuga de investidores de ações. No entanto, outros fatores limitam maiores altas, como as preocupações sobre a guerra comercial dos europeus com os norte-americanos.

Segundo o ministro das finanças da França, Bruno Le Maire, com o crescimento global desacelerando, iniciar uma disputa sobre bens e serviços seria um erro político e econômico. O presidente dos EUA, Donald Trump, criticou a UE no Twitter, chamando o bloco de “um parceiro desleal”.

Entre os indicadores na Europa, a produção industrial na Zona do Euro recuou 0,2% em fevereiro ante janeiro e caiu 0,3% ante o mesmo mês do ano passado. A retração no indicador de atividade industrial europeu, no entanto, ficou abaixo da esperada pelo mercado.

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As bolsas na Ásia fecharam em alta, com exceção de um leve recuo em Xangai. Na região, há receios com o início da temporada de resultados corporativos nos EUA, assim como pelas preocupações quanto ao ritmo de crescimento global. Na China, as exportações no mês de março na comparação com o mesmo mês do ano passado ficaram acima do esperado, enquanto as importações abaixo do projetado pelo mercado.

Em dólares, houve alta de 14,2% nas vendas externas do país asiático, ao passo que as compras caíram 7,6%. A redução das importações pode sugerir a demanda interna segue fraca. A venda de veículos na China, por exemplo, registrou a nona queda consecutiva.

Entre as commodities, os dados chineses ajudaram a impulsionar a alta do preço do petróleo nesta sexta-feira, que vêm acumulando altas desde o início do ano por conta de uma série de fatores de riscos, como corte de oferta pelos países da OPEP, sanções norte-americanas ao Irã e à Venezuela e combates Líbia. O que limita os ganhos, por outro lado, são os aumentos da produção e dos estoques nos EUA. Já o minério de ferro segue trajetória de alta, acompanhando a redução de oferta no Brasil e na Austrália, além dos dados positivos na China. 

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07:27 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA) +0,46%
*Nasdaq Futuro (EUA) +0,44%
*Dow Jones Futuro (EUA) +0,64%
*DAX (Alemanha) +0,33%
*FTSE (Reino Unido) +0,41%
*CAC-40 (França) +0,33%
*FTSE MIB (Itália) +0,32%
*Hang Seng (Hong Kong) +0,24% (fechado)
*Xangai (China) -0,04% (Fechado)
*Nikkei (Japão) +0,73% (fechado)
*Petróleo WTI +1,38%, a US$ 64,46 o barril
*Petróleo Brent +1,02%, a US$ 71,55 o barril
*Bitcoin US$ 5.030,86, +1,70 %
R$ 19.591, -3,95% (nas últimas 24 horas)
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian subiam +0,69%, a 653,50 iuanes (nas últimas 24 horas)

2. Agenda Econômica

Entre os indicadores previstos para hoje o destaque no Brasil é para o resultado do setor de serviços, medidos pelo IBGE, às 9h. 
No exterior, os Estados Unidos vão divulgar às 9h30 o índice de preços das importações e às 11h00 o resultado da pesquisa de sentimento do consumidor norte-americano, da Universidade de Michigan.

3. Notícias do dia

Ao mesmo tempo em que está nos holofotes em relação à condução da reforma da Previdência, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, agora enfrenta uma extensão por 60 dias do seu inquérito na Procuradoria Geral da República por conta de uma suposta propina paga pela Odebrecht de R$ 1,4 milhão ao parlamentar. As investigações foram iniciadas em abril de 2017 e Maia teria recebido recursos não contabilizados. Segundo Raquel Dodge, foram identificadas três planilhas de delatores da construtora. O Caso está em análise no STF, pelo ministro Edson Fachin. A defesa de Maia afirmou ao G1 que não se manifestaria.

O Jornal Valor Econômico destaca hoje que a Câmara dos Deputados já conta com 201 parlamentares inclinados a votar pela aprovação da reforma da Previdência. Segundo a publicação, são 52 deputados a mais em relação à sondagem de 13 de março. Atualmente, são 98 deputados francamente favoráveis, enquanto outros 103 oferecem um “apoio parcial”. O Valor destaca que são 172 parlamentares indefinidos e 140 opositores convictos. Para ser aprovada, a PEC necessita de 308 votos entre os 513 deputados.

Sobre Previdência, o presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara, Felipe Francischini (PSL-PR), afirmou ao G1 que deve atender ao pedido do "Centrão" e inverter a pauta de votações da semana que vem, votando primeiro a PEC do orçamento, para, somente depois, discutir a reforma da Previdência. Na véspera, a notícia de que poderia acontecer essa inversão de pautas, que atrasaria a votação da Previdência na CCJ, já havia elevado a aversão ao risco no mercado brasileiro. 

Vale destacar que o governo elevou sua previsão de rombo fiscal para 2020, que deverá ficar acima dos R$ 110 bilhões, previsto inicialmente, segundo o Estadão. Com a economia em ritmo lento, a nova estimativa é de que o déficit fique entre R$ 10 bilhões e R$ 15 bilhões do valor estipulado. Sem a reforma da Previdência, o rombo deverá se estender até o último ano do governo Bolsonaro, em 2022.

4. Conexão Brasília

O programa Conexão Brasília desta semana recebe o cientista político Rodrigo Prando, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Na pauta, um balanço dos 100 dias de governo Bolsonaro, as metas e expectativas com a gestão e a queda de popularidade do presidente.

Os obstáculos enfrentados pelo governo com a tramitação da reforma Previdência no Congresso Nacional também são assunto.

O programa é transmitido ao vivo pela IMTV e pela página do InfoMoney no YouTube a partir das 14h45 (horário de Brasília). 


5. Noticiário corporativo

Os investidores devem acompanhar com preocupação hoje o recuo da petroleira no reajuste do preço do diesel, anunciado ontem, de 5,7%, que foi suspenso a pedido do Palácio do Planalto. Segundo o jornal O Globo, ao ser informado do reajuste, Bolsonaro teria pedido que a estatal segurasse o aumento. Um reajuste neste momento, na avaliação do governo, poderia ter um grande impacto na economia. Este seria o primeiro aumento desde que anunciou sua nova política de preços ao diesel, que assegura um intervalo mínimo de 15 dias entre os reajustes.

A Petrobras confirmou hoje cedo que analisa a venda de uma fatia detida na BR Distribuidora, em resposta a ofício da CVM, que questionou o tema. Segundo a petroleira, contudo, não há deliberação acerca da quantidade de participação a ser vendida, nem da efetiva negociação.

A compra da Netshoes, seja pela B2W ou Magazine Luiza, poderá custar cerca de US$ 107 milhões às companhias, afirmou o Valor citando relatório da XP Investimentos. Segundo a publicação, apesar do interesse, as empresas não estão dispostas a pagar qualquer preço pelas operações da Netshoes, que enfrenta uma série de dificuldades, como vendas em queda, alto consumo de caixa e divergência entre sócios.

A Itaúsa e a Ultrapar se organizam para fazer uma proposta pela Liquigás, informa o Estadão. Para a compra da divisão de gás de cozinha da Petrobras, o Grupo Ultra poderia comprar apenas os ativos em regiões nas quais não tem presença para evitar possível veto do Cade. Já a Itausa, que ficou no páreo pela TAG, poderia se unir a Copagaz para fazer uma proposta conjunta.

Já a Justiça do Pará determinou o bloqueio de R$ 185 milhões das empresas Biopalma da Amazônia, uma subsidiária da Vale, e outras empresas, por conta da queda de uma ponte no rio Mojú, no último sábado, informou o Valor Econômico. Segundo a liminar, a Biopalma “não possuía não possuía licença específica para emitir nota fiscal, mas mesmo assim vendeu cerca de 1.800 toneladas do subproduto ‘bucha de dendê’”. A Justiça pede ainda que as empresas forneçam os meios necessários para o restabelecimento do tráfego na região. 

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