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Os 5 assuntos que vão agitar os mercados nesta quinta-feira

Confira no que ficar de olho na sessão desta quinta

Jair Bolsonaro e Paulo Guedes
(Alan Santos/PR)

SÃO PAULO - Após o Ibovespa recuar 0,35% ontem, puxado por Vale e Petrobras, os investidores locais devem seguir acompanhando os desdobramentos da reforma da Previdência e as primeiras indicações quanto a reforma tributária. O presidente Jair Bolsonaro fará uma solenidade alusiva aos 100 dias de seu governo no Palácio do Planalto, às 8h30, quando poderá anunciar o 13º salário do Bolsa Família, numa tentativa de melhorar sua imagem com os eleitores das regiões do País que mais contam com o benefício.

Preocupações quanto ao andamento da reforma da Previdência podem ser ampliadas com a possível tensão que os partidos do Centrão podem causar diante da insatisfação com a indicação do novo ministro da Educação, atrapalhando a votação da PEC na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na próxima semana. Enquanto isso, Bolsonaro deverá assumir pessoalmente a negociação para que seja aprovada ainda no primeiro semestre.

No exterior, segue o clima de cautela com as bolsas europeias e asiáticas sem direções distintas. Os investires avaliam a ata do Federal Reserve nos EUA, que deixou espaço para um aumento das taxas de juros até o final do ano.

1. Bolsas Internacionais

Na Europa, as bolsas operam sem uma direção definida após os líderes da União Europeia concordarem em estender de forma “flexível” o prazo para o Brexit até o final de outubro. Segundo o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, isso dará aos britânicos um tempo adicional para que encontrem a melhor solução possível. Segundo analistas, a expectativa agora é de que a primeira-ministra britânica, Theresa May, deixe o cargo, após conseguir convencer o parlamento europeu a adiar o Brexit.

Entre as maiores economias do bloco, destaque para Alemanha que divulgou uma alta de 0,4% no índice de preços ao consumidor em março ante fevereiro e de 1,3% na comparação com março de 2018.

Na Ásia, os mercados fecharam sem direção definida. Na China, foram divulgados os índices de preços ao produtor (PPI), que encerram março com alta de 0,4% ante o mesmo mês do ano passado e de 0,1% ante fevereiro, e os índices de preços ao consumidor (CPI), que registraram alta de 2,3%. O PPI veio em linha com as expectativas, enquanto o CPI ficou um pouco abaixo das projeções.

Entre as commodities, o preço do petróleo recua mesmo após a relatório da Agência Internacional de Energia (AIE) divulgar que a produção global diminuiu em março, por conta do corte na oferta por parte da Arábia Saudita e Venezuela. Especialmente sobre o Brasil, a agencia afirmou estar decepcionada com a produção de petróleo neste início de 2019. Já o minério de ferro voltou a registrar uma leve alta hoje, puxados pela restrição na oferta no Brasil e na Austrália.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07h23 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA) +0,10%
*Nasdaq Futuro (EUA) +0,07%
*Dow Jones Futuro (EUA) +0,10%
*DAX (Alemanha) +0,10%
*FTSE (Reino Unido) -0,01%
*CAC-40 (França) +0,53%
*FTSE MIB (Itália) -0,06%
*Hang Seng (Hong Kong) -0,93% (fechado)
*Xangai (China) -1,60% (Fechado)
*Nikkei (Japão) +0,11% (fechado)
*Petróleo WTI -0,93%, a US$ 64,01 o barril
*Petróleo Brent -0,70%, a US$ 71,23 o barril
*Bitcoin US$ 5.105,32, -2,78 %
R$ 20.600, +0,86% (nas últimas 24 horas)
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian subiam 1,16%, a 654,50 iuanes (nas últimas 24 horas)

2. Agenda Econômica

Na agenda de indicadores, destaque apenas para as divulgações nos EUA dos índices de preços ao produtos (PPI) e de seguro desemprego. No Brasil, não há nenhuma indicador relevante a ser publicado.

Contudo, vale ficar atento à agenda da equipe econômica. Paulo Guedes segue com agenda em Washington e terá reuniões com Liu Kun, ministro de Finanças da China, e Steven Mnuchin, secretário do Tesouro dos EUA; fará presentação no JPMorgan Investor Seminar. Já o presidente do Banco Central Roberto Campos Neto tem reunião com Guedes, Marcos Troyjo, Secretário Especial de Comércio Exterior, Erivaldo Gomes, Secretário de Assuntos Econômicos Internacionais, Alexandre Tombini, diretor FMI, Bruno Saraiva, diretor alterno no FMI, Fábio Kanczuk, diretor no Banco Mundial, e Matheus Cavallari, assessor sênior no Banco Mundial.

Ontem, Guedes e Campos Neto estiveram no XP Investments Conference Brazil: First 100 Days. O ministro da Economia voltou a defender a necessidade de reforma da Previdência, com uma economia de cerca de R$ 1 trilhão. Já Campos Neto apontou que Bolsonaro enviará projeto de autonomia do BC ao Congresso. Nesta quinta, o evento contará com a participação do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e Romeu Zema, governador de Minas Gerais. 

3. Noticiário Político

A Folha destaca que o presidente Bolsonaro decidiu assumir pessoalmente a negociação da reforma da Previdência com o Congresso para tentar aprovar ainda no primeiro semestre. Ontem, ele indicou que seguirá mantendo a rotina de abrir o gabinete presidencial para receber deputados e senadores. Outra frente, seria a participação em uma campanha de rádio e televisão sobre as mudanças na aposentadoria.

Enquanto isso, o clima segue pesado quando o assunto é articulação política após a escolha de Abraham Weintraub para o Ministério da Educação. Segundo o Estadão, a indicação gerou descontentamentos no grupo de partidos do Congresso conhecidos como “Centrão”. A expectativa era a de que Bolsonaro pudesse abrir espaço para os partidos no primeiro escalão. Segundo o Estadão, em retaliação, líderes partidários ameaçam atrasar a votação da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados.

4. Noticiário Econômico

O Estadão destaca que o governo vai propor a fusão de impostos e de menos encargos. Segundo a publicação, a reforma tributária prevê a unificação de até cinco tributos federais em um e o fim da contribuição das empresas ao INSS, atualmente de 20% sobre os salários ou parcela da receita bruta. Para compensar a queda na arrecadação, estuda-se a criação de imposto com cobrança de algo entre 0,8% e 1,2% sobre todos os meios de pagamento, incluindo cheques, cartões e dinheiro, ou aumento adicional na alíquota do imposto único. Os tributo que podem ser fundidos são PIS, Cofins, IPI, parte do IOF e talvez a CSLL. Em um segundo momento, a equipe econômica prepara a criação do Imposto de Bens e Serviços (IBS), que unificará ICMS e ISS. As propostas precisam ser aprovadas pelo Congresso.

Em entrevista ao Estadão, o secretário da Receita Federal Marcos Cintra diz que a prioridade do governo é fazer a desoneração total e permanente dos tributos que as empresas pagam sobre a folha de pagamento para estimular a geração de empregos. Cintra afirmou ainda que o retorno da tributação sobre lucro e dividendos ainda gera dúvidas na Receita Federal. De acordo com ele, é necessário avaliar mais os impactos da iniciativa, que acabou sendo tema do debate eleitoral, como uma forma de ampliar a arrecadação. Segundo ele, com a tributação, haverá um impacto muito sério nas companhias atualmente tributadas pelo lucro presumido. Cintra afirmou ainda que a reforma tributária poderá ser trabalhada simultaneamente à PEC da Previdência.

O jornal O Globo destaca que os técnicos do governo já costuram uma nova proposta para que o regime de capitalização possa ser votado. Segundo a publicação, a ideia é a de que a capitalização tenha uma contribuição patronal igual a do empregado. Apesar de Guedes avaliar que a cobrança não deveria ser realizada no início, isso poderia possibilitar um avanço mais rápido da proposta no Congresso. A contribuição previdência patronal poderia cair de 20% para 8,5%. Além disso, parte do valor recolhido iria para um fundo para garantir que os trabalhadores pudessem receber ao menos um salário mínimo quando aposentados.

Outro tema da agenda econômica é a intenção do governo anunciar o envio do projeto de lei ao Congresso de independência do Banco Central. A expectativa é de que o anúncio possa ocorrer ainda hoje. Já o FMI prevê que a adoção do teto de gastos e a aprovação da reforma da previdência ajudarão o País a antecipar em um ano o retorno ao superávit primário, a partir de 2022.

5. Noticiário corporativo

A Petrobras se prepara para vender até 30% de sua participação na BR Distribuidora, apurou o Estadão. A empresa reduziria sua participação na subsidiária de distribuição de combustíveis por meio de uma emissão de ações, cuja expectativa é de que possam ser levantados cerca de R$ 8 bilhões. A fatia da petroleira na BR está avaliada em cerca de R$ 20 bilhões. Ainda sobre Petrobras, o Globo destacou que a empresa poderá se desfazer de mais gasodutos, após a TAG, e que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, não deu garantias de que a liberação dada pelo Ibama para a inclusão de áreas sensíveis no litoral baiano na 16ª Rodada de Licitações receba o licenciamento ambiental para os vencedores.

A Sabesp informou que a agência reguladora (Arsesp) autorizou a aplicação de reajuste anual de 4,72% sobre as tarifas de água e esgoto vigentes. Ainda sobre a Sabesp, o Valor destaca que a empresa de saneamento quer fazer no curto e médio prazo a ampliação da coleta e o tratamento de esgoto nas cidades atendidas. A empresa estuda um modelo de parceria com empresas privadas que devem melhorar a qualidade da água despeja nos rios Tietê e Pinheiros.

A B2W confirmou que analisa a possibilidade de compra das operações da Netshoes. Segundo a empresa, porém, ainda não há qualquer decisão tomada, tampouco qualquer documento vinculante.

O mercado ainda segue sem saber qual será o valor do aumento de capital a ser realizado pela Gafisa, destaca o Valor. Citando relatório do Credit Suisse, a publicação reforça que tudo indica que a capitalização poderá ser maior do que a esperada.

(Agência Estado e Bloomberg)

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