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Vale fecha com queda de 1% após notícia sobre denúncia criminal; Cemig salta 4% com recomendação

Confira os destaques da B3 na sessão desta quarta-feira (10)

barragem brumadinho vale paraopeba
(Isac Nóbrega)

SÃO PAULO - O Ibovespa fechou em leve queda entre a baixa de ações de empresas ligadas a commodities, como a Petrobras, Vale e siderúrgicas, como a CSN (CSNA3). O destaque ficou para o movimento de Petrobras (PETR3;PETR4), que abriu em alta de mais de 1% depois de fechar acordo sobre cessão onerosa com a União, com pagamento acertado de R$ 33,6 bilhões para a estatal e também seguindo a alta do petróleo, após a Opep informar que reduziu a produção de petróleo em ritmo mais acentuado em março.

Contudo, em poucos minutos, os papéis viraram para queda, com o mercado digerindo os números: o acordo já era previsto e ficou dentro do esperado. Vale destacar, porém, que a notícia é positiva para a Petrobras, eliminando uma fonte de incerteza para a estatal (veja mais clicando aqui). 

Já a Cemig (CMIG4) subiu com elevação de recomendação pelo JPMorgan e Marfrig (MRFG3) teve leve alta com notícias de que está em tratativas avançadas para se tornar, no médio prazo, o maior fornecedor do McDonald’s no Brasil. Desde 2017, a JBS (JBSS3) é fornecedora exclusiva de hambúrguer ao McDonald's no Brasil e os ativos caem. Naquele ano, a companhia desbancou a BRF (BRFS3), que até então fornecia parte do hambúrguer da rede de fast food. 

As ações da Vale (VALE3), por sua vez, aceleraram as perdas na reta final e fecharam com queda de mais de 1%. Segundo informações do Wall Street Journal, o Ministério Público planeja fazer uma denúncia criminal contra a mineradora sobre o desastre de Brumadinho, ocorrido no último dia 25 de janeiro. O promotor José Adércio Leite Sampaio, que encabeça a investigação, disse que os investigadores encontraram evidências suficientes de que empregados da Vale diretamente envolvidos na operação da mina sabiam que a barragem não era segura. Ele não deu nomes.

Confira os destaques:

Petrobras (PETR3;PETR4)

A União fechou acordo com a Petrobras para encerrar uma disputa de seis anos referente à revisão do contrato de cessão onerosa, após decisão do Conselho Nacional de Pesquisa Energética (CNPE). O valor acertado de US$ 9,058 bilhões, equivalente a R$ 33,6 bilhões, ficou em linha com o aguardado pelo mercado. Na reunião anterior, o conselho já havia marcado o leilão do excedente para 28 de outubro.

“A aprovação contribui para minimizar as incertezas em relação ao leilão (do petróleo excedente). Não existem mais incertezas”, afirmou o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, após a reunião que referendou o acordo. Uma nova reunião no próximo dia 17 vai definir os critérios para o leilão, que dependiam da definição do acordo com a Petrobras, como o valor do bônus de assinatura a ser pago pelos vencedores.

Os recursos vão ingressar no caixa da petroleira após a União destinar os valores que serão obtidos por meio do leilão no quarto trimestre deste ano. O clima positivo dos investidores pode se elevar, já que, em conjunto à valorização do preço do petróleo no mercado internacional, na semana passada, a empresa vendeu a TAG, por um preço recorde de US$ 8,6 bilhões.

A expectativa do presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, é a de que estes recursos sejam utilizados para ampliar os aportes na área de exploração. Ainda sobre Petrobras, segundo a Coluna do Broadcast, a companhia está em conversas com bancos para a captação de debêntures de cerca de R$ 3 bilhões.

BR Distribuidora (BRDT3) e Ultrapar (UGPA3)

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) condenou nesta quarta-feira, 10, a BR Distribuidora e a Ipiranga por terem ajudado postos de combustíveis de Belo Horizonte e cidades de Minas Gerais a formarem cartel. Houve votos divergentes entre os conselheiros e o presidente do órgão, Alexandre Barreto, pediu vistas para que a secretaria calcule o valor das multas, que será anunciado ainda na sessão desta quarta.

Também investigada neste processo, a Raízen foi absolvida pela maioria do conselho das acusações. Em novembro do ano passado, o Cade já havia firmado acordo com a Alesat para encerrar a investigação contra a empresa neste caso, quando a empresa pagou R$ 48,6 milhões e se comprometeu a colaborar com as investigações.

Também foram condenados cerca de 30 postos de combustíveis investigados por formação de cartel. Em 2017, o Cade também firmou neste mesmo caso cinco acordos pelo qual o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Minas Gerais (Minaspetro) e dez postos de combustíveis pagaram juntos R$ 13 milhões em multas.

O julgamento dividiu o conselho tanto em relação à infração cometida pelas empresas quanto ao valor das multas. Em janeiro, o relator do caso, João Paulo Rezende, havia pedido a condenação da BR Distribuidora por formação de cartel. O entendimento do relator é que a empresa havia feito conluio com a Alesat, dividindo mercados e combinando preços.

Rezende pediu ainda a condenação da Ipiranga e Raízen por indução à conduta uniforme, infração econômica quando ocorre quando uma empresa adota medidas para uniformizar a atuação de concorrentes em um mercado. Ou seja, o conselheiro entendeu que Ipiranga e Raízen não combinaram a atuação entre elas (o que seria um cartel), mas praticaram preços e condições que permitiram a atuação de um cartel organizado pelos postos de combustíveis.

A maioria dos conselheiros, no entanto, entendeu que não havia provas de formação de cartel pela BR, nem de atuação irregular da Raízen. Depois de ter pedido vistas do processo, a conselheira Polyanna Vilanova defendeu em seu voto que a BR Distribuidora tinha ciência de que havia um conluio na revenda de combustíveis na região e contribuiu para o esquema uniformizando preços, ajudando na organização do acordo e na divisão do mercado.

Ela, no entanto, concluiu que não houve formação de cartel por parte da BR, que não teria combinado preços com outras distribuidoras, e pediu a condenação da empresa apenas por indução a conduta comercial uniforme. Polyanna também pediu a condenação da Ipiranga por induzir os postos a praticarem preços combinados, assim como o relator havia sugerido. "Houve atuação direta para a facilitação de conduta coordenada pelos postos", afirmou.

Vale (VALE3)

A Vale informou que a BSG Resources foi condenada a pagar à companhia brasileira um montante de US$ 1,246 bilhão, mais juros e despesas, por fraude e violações de garantias, por um tribunal arbitral em Londres. Segundo fato relevante, a empresa brasileira foi induzida a constituir uma joint venture para exploração da concessão de uma mina de minério de ferro na República da Guiné. A Vale pontuou, porém, que não garantias quanto a prazo e a valores de recebimento.

A Vale divulgou ontem ainda que vai publicar o balanço do primeiro trimestre, o primeiro que vai retratar os impactos financeiros e operacionais da tragédia de Brumadinho, no dia 9 de maio, após o fechamento do mercado. Já o relatório de produção será divulgado no dia 8 de maio, antes da abertura do mercado.

Minerva (BEEF3)

A Minerva Foods recebeu o registro de autoridades chilenas para a abertura de capital de sua subsidiária Athena Foods, na bolsa de Santiago. A empresa informou ainda que detentores de bônus com vencimentos em 2026 e 2028 aceitaram exclusão da Athena Foods da posição de garantidora dos títulos. A Minerva vai levar ainda à votação da AGE a proposta de redução de R$ 1 bilhão do capital social, sem cancelamento de ações, para absorção de prejuízo de 2018.

Marfrig (MRFG3)

Segundo o jornal Valor Econômico, a Marfrig está em negociações avançadas para se tornar, no médio prazo, a maior fornecedores de hamburgers ao McDonald’s no Brasil. Desde 2017, o único fornecedores é a JBS (JBSS3). O frigorífico já atende a rede de fast food na Argentina e no Uruguai.

Com cerca de 970 restaurantes no país, a rede consome, mensalmente, 3 mil toneladas de hambúrguer, de acordo com duas fontes. Segundo estimativas de mercado, o produto fornecido para o McDonald's é vendido por aproximadamente R$ 13 por quilo. O contrato anual, portanto, é de mais de R$ 450 milhões.

B2W (BTOW3) e Magazine Luiza (MGLU3)

Os investidores devem ficar atentos ao movimento das ações da B2W e do Magazine Luiza, que estão negociando a compra da Netshoes, publicou ontem o Brazil Journal. Segundo o site, o comprador poderia desembolsar mais de R$ 415 milhões pela empresa, que é listada na NYSE.

AES Tietê (TIET11)

A AES Tietê anunciou a compra do Complexo Eólico Alto Sertão III da Renova Energia. O Complexo Eólico Alto Sertão III é formado por uma “Fase A”, com capacidade de 438 MW em fase pré-operacional e por uma “Fase B”, com capacidade de 305 MW. Faz parte da Operação o já mencionado pipeline de cerca de 1.100 MW. O valor acordado para a aquisição é de até R$ 350 milhões para a Fase A, incluído o pagamento dos créditos vencidos do Complexo, de até R$ 90 milhões para a Fase B, e de até R$ 76 milhões pelo Pipeline, neste último caso a depender de processo de due diligence confirmatório. Além dos valores mencionados, a Companhia assumirá a dívida financeira do projeto, estimada no valor de R$ 988 milhões.

Cemig (CMIG4), Engie Brasil (EGIE3) e Energias do Brasil (ENBR3)

O JPMorgan elevou a recomendação da Cemig para “overweight”, com preço-alvo de R$ 16. Já a Engie Brasil foi rebaixada pelo mesmo banco a “neutra”, com preço-alvo de R$ 45. A Energias do Brasil, por sua vez, teve a recomendação também reduzida a neutra, com preço-alvo de R$ 18. 

JSL (JSLG3)

A Vamos Locação de Caminhões, Máquinas e Equipamentos, do grupo JSL, informou que a oferta pública de ações (IPO) ficará com uma faixa indicativa de preço entre R$ 17 e R$ 21. Dessa forma, a oferta poderia alcançar até R$ 1,2 bilhão.

IMC (MEAL3)

A IMC divulgou em comunicado que tem conversado com o Grupo Sforza para uma fusão, mas afirmou, que, por enquanto, nenhuma negociação foi concluída. A IMC negociou recentemente por um ano, sem sucesso, uma fusão com a Sapore.

Gafisa (GFSA3)

O conselho de administração da Gafisa aprovou um aumento de capital no limite de 71,031 milhões de ações. Ainda não foram definidos os preços e o respectivo bônus de subscrição. O conselho vai encaminhar para a AGE do dia 15 de abril uma recomendação para a contrtação de estudos, negociação e estruturação de até US$ 150 milhões, por meio de bonds, debêntures conversíveis e outros instrumentos.

Direcional (DIRR3)

As vendas liquidas da Direcional subiram 15% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2018, que somaram R$ 287 milhões.  A Direcional lançou 9 empreendimentos/etapas, 8 destes no âmbito do programa MCMV e 1 no segmento média renda, diz o comunicado. O VGV (Valor Geral de Vendas) total de lançamentos foi de R$ 392 milhões. 

Tenda (TEND3)

A Tenda anunciou que iniciará a partir de hoje um programa de recompra de até 10,3 milhões de ações.

(Agência Estado e Bloomberg)

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