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Ibovespa Futuro tem leve queda e fica de olho em parecer sobre a Reforma e exterior

Índice tem leve queda após três altas consecutivas, enquanto exterior opera entre perdas e ganhos antes da agenda cheia de amanhã

Ações gráfico
(Shutterstock)

São Paulo - O Ibovespa Futuro tem leve queda nesta terça-feira (9) após uma sequência de três altas do índice à vista, mas o mercado deve ficar volátil à espera de novos catalisadores. No radar, os investidores ficam atentos ao desempenho das commodities, depois das ações ligadas a esse setor serem as grandes responsáveis por manter a Bolsa no positivo ontem. Além disso, as expectativas se voltam para a leitura do parecer sobre admissibilidade da reforma da Previdência na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania). 

Às 9h28 (horário de Brasília), o contrato do Ibovespa para abril caía 0,38% a 97.135 pontos. Enquanto isso, o dólar futuro para maio tinha leve alta de 0,05% a R$ 3,857 No caso dos juros futuros, o DI para janeiro de 2021 sobe três pontos-base a 7,08%, ao passo que o DI para janeiro de 2023 avança dois pontos-base a 8,23%. 

No exterior, as bolsas europeias e os futuros dos índices norte-americanos operam entre perdas e ganhos antes da agenda cheia de amanhã, que conta com ata da última decisão do Federal Reserve em política monetária.  

Ontem, durante evento promovido pelo jornal o Globo e Valor Econômico, o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, prometeram trabalhar pela reforma, mas recusaram o papel de articuladores políticos. No debate, Maia afirmou que perdeu as condições de tratar da reforma e que não falará mais de prazo ou votos para que a PEC seja aprovada, enquanto Guedes sinalizou não ter temperamento para condução da articulação.

No exterior, na Europa, seguem as tensões quanto a um acordo para a saída do Reino Unido da União Europeia. A primeira-ministra britânica, Theresa May buscou ajuda da Alemanha e da França para tentar garantir um atraso para o Brexit até 30/6. A preocupação do mercado recai ainda sobre a safra de balanços dos Estados Unidos que podem trazer resultados corporativos abaixo do previsto. 

Além disso, segue no radar a proposta de Washington de aplicar tarifas sobre produtos europeus no valor de US$ 11 bilhões, como forma de retaliação a subsídios aéreos concedidos no continente. Logo pela manhã, a Airbus já se pronunciou, assim como a União Europeia (UE), que avaliou a reação como "exagerada".

Entre as commodities, o petróleo e o minério operam em alta por conta de preocupações com a oferta dos produtos.

Noticiário político

Na política, o destaque é a demissão do Ricardo Vélez Rodriguez, substituído por Abraham Weintraub no Ministério da Educação. A troca é uma tentativa de colocar fim à crise que se abateu sobre a pasta. A posse está prevista para as 14h00.

Logo cedo, porém, o presidente Jair Bolsonaro vai participar da abertura da Marcha dos Prefeitos e, segundo o Estadão, deverá ser apresentado um cálculo de economia nas despesas de R$ 170,8 bilhões nos próximos dez anos aos municípios por conta da aprovação da reforma da Previdência.

Enquanto isso, a expectativa é de que Bolsonaro faça novas rodadas de encontros com os partidos para tentar formar uma base para a aprovação da reforma da Previdência. Estão programados encontros de Bolsonaro e o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, às 11h30, no Palácio do Planalto, com o líder do PR no Senado, Jorginho Mello, e na Câmara, Wellington Roberto. Às 12h00, Bolsonaro se reunirá com Paulinho da Força, presidente do Solidariedade, e com o líder do partido na Câmara, Augusto Coutinho.

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Na quarta, Bolsonaro deverá receber o PSL, o Novo, o Avante e o Podemos. Segundo a Folha, com exceção do PSL, as demais siglas já anunciaram resistência em aderir a uma coalização governista. O Solidariedade e o Podemos, particularmente, já anunciaram posição de independência.

Em entrevista à TV Jovem Pan às vésperas da marca dos 100 dias de governo, Bolsonaro disse estar confiante que na quinta-feira (11) poderá anunciar o cumprimento de mais de 90% das metas fixadas logo que assumiu o poder.

O presidente disse que a proposta “mais importante” entre as elencadas para os 100 dias de governo é a reforma da Previdência. Segundo ele, o desenvolvimento econômico, a geração de emprego e os avanços do país estão atrelados à reforma. Para Bolsonaro, sem a reforma, ficará impossível administrar o país a partir de 2022. “Acredito que a Previdência será aprovada em pouco tempo”, destacou o presidente. 

Empresas

No noticiário corporativo, o atual CEO da Marcopolo, Francisco Gomes Neto, foi indicado para a presidência da Embraer (EMBR3), sucedendo Paulo Cesar de Souza e Silva. A eleição do novo Presidente ocorrerá em reunião do Conselho após a Assembleia Geral Ordinária (AGO) marcada para o dia 22 deste mês.

De acordo com o presidente do Conselho de Administração da Embraer, Alexandre Silva, Gomes Neto "tem o perfil e competências certas para liderar a Embraer nesse momento de transformação da empresa e do setor aeronáutico global”. 

Já a Vale (VALE3) segue se beneficiando da alta do minério de ferro, que já acumula valorização de cerca de 30% este ano. No entanto, fundos estrangeiros passaram a desmontar posições nas ações da Vale após a tragédia de Brumadinho. O Financial Times, em reportagem do publicada pelo Valor, a destaca que a Union Investment, terceira maior gestora da Alemanha, vendeu todas as suas ações e bônus da mineradora. Outros fundos, como da Igreja Anglicana e do conselho de ética da Suécia, se desfizeram. Segundo a publicação, o fundo de petróleo da Noruega também estuda se desmonta ou não posição na mineradora brasileira.

Os investidores também devem ficar atentos hoje à reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que poderá deliberar e aprovar o acordo entre a Petrobras (PETR3; PETR4) e a União para a revisão do contrato de cessão onerosa, que se arrasta desde 2013, e a definição dos detalhes para o megaleilão dos volumes excedentes. O leilão do excedente da cessão onerosa está marcado para 28 de outubro e poderá atrair as principais petroleiras do mundo para a aquisição de campos no pré-sal.

O assunto gerou polêmica ontem durante evento promovido pelo jornal o Globo e Valor Econômico, quando o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, discordaram em relação a cessão onerosa, o que poderá ampliar o prazo para a assinatura. Segundo o jornal Valor Econômico, Guedes afirmou que não haveria de um aval do Legislativo, enquanto Maia defendeu o contrário. Para o ministro, o acordo se trata de um contrato entre uma empresa privada e o governo. Já Maia afirmou que, na visão da Câmara, o acordo precisa de uma lei.

Ainda segundo o jornal Valor Econômico, o Ministério Público da Suíça anunciou hoje que já restituiu ao Brasil no âmbito da investigação envolvendo a Petrobras e a Odebrecht um total de R$ 1,405 bilhão. Além disso, os valores patrimoniais “atualmente sequestrados” na investigação somam R$ 2,695 bilhões.

 

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