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Dólar cai mais de 1% com alívio político, mas Ibovespa não sustenta ganhos e fecha em leve queda

Índice fecha próximo da estabilidade enquanto dólar perde o nível dos R$ 3,85

Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro
(Wilson Dias/Agência Brasil)

SÃO PAULO - Em dia marcado por forte volatilidade, o Ibovespa fechou próximo da estabilidade nesta segunda-feira (25), com investidores de olho às tentativas do governo em apaziguar os ânimos diante da crise política que pesa para a reforma da Previdência.

Neste cenário, o benchmark da bolsa brasileira fechou com leves perdas de 0,08%, aos 93.662 pontos, oscilando entre mínima de 93.103 pontos e máxima de 94.383 pontos durante o pregão. O volume financeiro ficou em R$ 14,559 bilhões.

O dólar comercial, porém, teve uma forte reação ao "alívio" na crise política e sustentou queda expressiva de 1,15%, cotado a R$ 3,8572 na venda, enquanto o dólar futuro com vencimento em abril caiu 1,32%, a R$ 3,856.

Os principais contratos de juros futuros, por sua vez, reverteram as altas atingidas no início da sessão. O contrato com vencimento em janeiro de 2021 teve queda de 10 pontos-base, a 7,03%, após atingir 7,32%. Já o com vencimento em janeiro de 2023 registrou perdas de 12 pontos, a 8,18%, após atingir os 8,53% na abertura.

O movimento do índice reflete as preocupações do mercado com o ambiente político e a tramitação da reforma da Previdência no Congresso Nacional. Desde que foi encaminhada pelo governo ao parlamento, há pouco mais de um mês, a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) ainda não andou na CCJC (Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania), sem sequer a designação de um relator no colegiado.

O índice chegou a ensaiar reação otimista ao término da reunião entre o presidente Jair Bolsonaro e alguns de seus principais ministros, incluindo Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e Paulo Guedes (Economia). O resultado do encontro foi um discurso de foco na reforma da Previdência e na "pacificação".

Segundo o blog do Valdo Cruz, do G1, participantes da reunião disseram que a avaliação de todos foi na direção de "não jogar mais lenha na fogueira" e "buscar uma pacificação para focar no que importa agora, a reforma da Previdência".

Bolsonaro teria dito ainda que não tem interesse em manter um "clima de rivalidade" com Maia e está disposto a conversar com ele.

Além disso, Bolsonaro pediu na reunião que Onyx Lorenzoni procure líderes partidários para negociar a votação da reforma da Previdência. A ideia é mostrar que, sem a reforma, será muito ruim não só para o governo, mas, principalmente, para o país, e que isso geraria um cenário "grave" na economia brasileira.

Durante a tarde, o ministro da Economia, Paulo Guedes, também buscou minimizar a crise e disse que o que está acontecendo é "perfeitamente natural". Ele avaliou ainda, em tom otimista, que, mesmo que haja agora uma "queda de braço", a reforma será aprovada.

"O Brasil está enriquecendo politicamente e estamos vendendo história ao contrário. Falam em crise, não vejo assim; o que está acontecendo é perfeitamente normal", disse Guedes em evento da FNP (Frente Nacional dos Prefeitos).

A crise política teve novos capítulos no fim de semana, após o presidente retomar ataques à “velha política”, enquanto Maia acusou governo de ser um deserto de ideias. Por outro lado, Maia sinalizou que vai "blindar" a reforma da Previdência, o que dá certo alívio ao mercado nacional após as fortes quedas. 

Enquanto isso, a aversão ao risco segue para os investidores estrangeiros após a forte baixa dos mercados na sexta-feira, em meio aos dados negativos de atividade na Alemanha e EUA. Contudo, as perdas são mais discretas nesta sessão.

O presidente da distrital do Federal Reserve de Chicago, Charles Evans, disse que a inversão da curva de juros no fim da semana passada - quando o spread entre a T-bill de três meses e a T-note de 10 anos ficou negativo pela primeira vez em mais de uma década - indica probabilidade ligeiramente maior de a economia americana entrar em recessão.

Evans ressaltou, porém, que a tendência de achatamento da curva de juros não é uma surpresa.

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Destaques de ações

A Vale movimentou o noticiário corporativo deste fim de semana, após uma barragem da mineradora em Barão de Cocais, na região central de Minas Gerais, entrar em alerta máximo para risco de rompimento na noite de sexta-feira, com o acionamento das sirenes no município. O nível de segurança da barragem sul superior da mina Gongo Soco subiu de 2 para 3, segundo informou a própria mineradora. 

De acordo com a Vale, a medida adotada é preventiva e foi decidida após um auditor independente informar que a barragem apresenta "condição crítica de estabilidade". 

Na temporada de resultados, a Cesp registrou em 2018 um lucro líquido de R$ 294,43 milhões, revertendo o prejuízo líquido de R$ 168,53 milhões em 2017.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 CSAN3 COSAN ON 43,48 -3,78 +29,95 77,95M
 CIEL3 CIELO ON 9,60 -3,52 +10,53 212,69M
 NATU3 NATURA ON 40,10 -3,37 -10,40 185,91M
 BTOW3 B2W DIGITAL ON 41,19 -3,08 -1,98 111,67M
 KLBN11 KLABIN S/A UNT N2 16,78 -2,21 +5,78 80,88M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 KROT3 KROTON ON 11,21 +3,13 +26,38 156,38M
 CMIG4 CEMIG PN 14,14 +2,61 +2,02 92,32M
 ELET3 ELETROBRAS ON 34,60 +2,58 +42,80 166,43M
 ESTC3 ESTACIO PARTON 26,38 +2,13 +11,03 71,42M
 MRFG3 MARFRIG ON 5,84 +2,10 +6,96 20,87M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN N2 27,34 +1,26 2,84B 1,62B 65.989 
 VALE3 VALE ON 49,55 -1,00 786,52M 1,02B 28.871 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN 33,60 +0,15 669,29M 689,97M 39.207 
 BBAS3 BRASIL ON 47,99 +0,71 655,16M 547,66M 36.210 
 BBDC4 BRADESCO PN 41,35 +0,22 542,05M 716,68M 30.942 
 UGPA3 ULTRAPAR ON 48,71 -1,20 497,84M 138,95M 11.345 
 PETR3 PETROBRAS ON N2 30,65 -0,39 388,18M 367,41M 18.927 
 ITSA4 ITAUSA PN 11,96 +0,25 319,03M 369,85M 38.406 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 16,52 -1,20 290,61M 408,36M 31.619 
 SUZB3 SUZANO PAPELON 46,63 +1,83 261,84M n/d 19.502 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
IBOVESPA

Justiça manda soltar Temer e Moreira Franco

O desembargador Antonio Ivan Athié, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, determinou hoje a soltura do ex-presidente Michel Temer e de seu ex-ministro Moreira Franco, ambos presos preventivamente na última quinta-feira pela força-tarefa da operação Lava Jato.

Athié é relator do habeas corpus impetrado pelos advogados de Temer, que contestaram ainda na semana passada o decreto de prisão do juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio.

A decisão também se aplica ao Coronel Lima, apontado como operador financeiro do esquema e de outros quatro alvos da Operação Descontaminação: Maria Rita Fratezi, Carlos Alberto Costa, Carlos Alberto Costa Filho, Vanderlei Di Natalie e Carlos Alberto Montenegro Gallo.

O desembargador havia solicitado que o caso fosse incluído na pauta de julgamento do tribunal na próxima quarta-feira, para que fosse tomada uma decisão colegiada. Com a decisão de libertar os presos, o magistrado contraria a sinalização do próprio TRF2, de que o caso não seria analisado monocraticamente.

"Ao examinar o caso, verifiquei que não se justifica aguardar mais dois dias para decisão, ora proferida e ainda que provisória, eis que em questão a liberdade", explicou Athié em sua decisão.

O magistrado diz, ainda, não ser contra a operação Lava Jato, mas chama atenção para a necessidade da "observância das garantias constitucionais".

Embate entre Maia e Bolsonaro

Após uma sexta-feira tensa para os mercados com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ameaçando deixar a articulação política da Reforma da Previdência, o ambiente negativo continua. 

Neste fim de semana, o embate entre Jair Bolsonaro e Rodrigo Maia teve novos capítulos; Maia subiu o tom da cobrança por maior envolvimento do Planalto na articulação da reforma, mas, em entrevista ao G1, tentou amenizar a crise, dizendo que a reforma está acima do governo.

Em entrevista ao Estadão, Maia afirmou que o governo é um "deserto de ideias" e sem projetos que não sejam a Reforma da Previdência e o pacote anticrime apresentado por Sérgio Moro. 

Maia disse ainda que Guedes tenta intervir na escolha de relator da Previdência, o que indica interferência do Executivo e que o presidente precisa ter convicção, parar de falar que é contra a reforma, o que atrapalha o andamento da mesma. 

Vale ressaltar que, neste fim de semana, Maia se reuniu com aliados como o governador de SP, João Doria. Segundo o blog de Andréia Sadi no G1, ele teria dito aos aliados que vai blindar a reforma. Maia disse ainda que é hora de evitar polêmicas e baixar a temperatura e negou que esteja em curso um troco de parlamentares a Bolsonaro.

Enquanto isso, Bolsonaro, em resposta às críticas de Maia, disse que a responsabilidade agora está com o Congresso e voltou a falar em pressão da velha política. Ele disse que perdoa Maia pela situação pessoal que ele está vivendo. 

Assim, sem trégua aparente, o líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), mandou mensagens ao partido logo depois de seu encontro com o presidente neste domingo reforçando as falas duras de Bolsonaro e dizendo que o presidente não pretende negociar, dizem Folha e Globo.

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