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Saldo da "super quarta": como BC, Fed e Previdência dos militares agitaram o mercado

Dia foi de altos e baixos, com um evento que animou o mercado, outro que elevou o mau humor e um terceiro sem surpresas

Roberto Campos Neto e Jerome Powell
(Reprodução)

SÃO PAULO - Todo mundo já sabia que esta quarta-feira (20) prometia grandes emoções para o mercado, e não foi diferente. Com a decisão do Federal Reserve sobre os juros nos Estados Unidos, a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) e a entrega da reforma da Previdência dos militares no Congresso, a sessão foi de grandes altos e baixos.

O dia foi marcado pela cautela desde a abertura da bolsa, mantendo o Ibovespa em queda e longe de retomar os 100 mil pontos atingidos nos últimos dias. Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o índice registrou sua mínima do dia até então, com investidores apreensivos pela proximidade destes eventos que ocorreriam hoje.

A tendência também foi verificada no exterior, com Wall Street em queda antes da decisão do Fomc, o primeiro evento do dia. E foi ele que trouxe causou um terremoto nos mercados.

Por aqui, o Ibovespa chegou a zerar as perdas e o dólar afundou mais de 1%, para R$ 3,74 após o Federal Reserve manter os juros nos EUA na faixa entre 2,25% e 2,50% ao ano e ainda sinalizar que não deve mais elevar as taxas este ano.

O mercado já esperava a adoção de um tom "dovish", que foi confirmado com o comunicado do Fed e a fala sobre manter o tom de "paciência" com o cenário econômico. A autoridade monetária ainda sinalizou que irá terminar o seu processo de redução do volume de ativos no balanço em setembro, encerrando a venda da carteira de Treasuries.

Mas, aos poucos, a bolsa voltou a desanimar, até que na última meia hora de pregão o índice afundou, fechando praticamente na mínima do dia, com queda de 1,55%, aos 98.041 pontos, enquanto o dólar apagou metade da sua queda, caindo apenas 0,61%, a R$ 3,76. O motivo para tanto mau humor? A reforma da Previdência dos militares.

Os investidores não gostaram nada da proposta de economia de R$ 10,45 bilhões em 10 anos apontado pelo projeto. A reforma ainda eleva o tempo de serviço na ativa e também a alíquota de contribuição da categoria. Em 20 anos, o impacto estimado é de R$ 33,65 bilhões.

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A economia prevista com a mudança nas regras do sistema de proteção social é de R$ 97,3 bilhões. Por outro lado, a reestruturação da carreira nas Forças Armadas custará 86,85 bilhões, o que leva ao saldo de R$ 10,45 bilhões em 10 anos.

Segundo o Ministério da Economia, a reforma na Previdência dos militares também deverão gerar economia de R$ 52 bilhões nos estados. Isso porque, de acordo com a proposta, policiais militares e bombeiros estarão submetidos às mesmas regras de aposentadoria que as Forças Armadas.

Dentre as mudanças propostas pelo governo, estão a elevação da alíquota previdenciária de 7,5% para 8,5% em 2020, para 9,5% em 2021 e para 10,5% de 2022 em diante; elevação do tempo para o militar passar para a reserva (de 30 para 35 anos na ativa) e taxação de 10,5% nas pensões recebidas por familiares de militares.

Fechando a "super quarta", o Copom manteve pela oitava vez seguida a Selic em 6,50% ao ano, mantendo a taxa em seu menor patamar na história. Esta foi a primeira reunião comandada por Roberto Campos Neto, novo presidente da autoridade monetária.

A repercussão do mercado só ocorrerá nesta quinta-feira (21), mas diferente dos dois outros eventos, este não promete agitar muito a bolsa, segundo avaliação dos economistas. Para Daniel Cunha, estrategista-chefe da XP Investimentos, houveram poucas mudanças no comunicado, sendo que o BC evitou dar sinalizações para um corte de juros no curto prazo.

Ele ressalta que a decisão não teve nenhuma novidade e que a alteração do comunicado, que agora aponta que o balanço de risco para a inflação está "simétrico", era algo já esperado pelo mercado diante dos recentes dados da economia. É possível ver algum movimento na curva de juros, mas nada muito significativo nesta quinta.

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