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Os 5 assuntos que vão agitar os mercados nesta quinta-feira

Confira no que ficar de olho na sessão desta quinta-feira (21)

Jair Bolsonaro e Rodrigo Maia
(J. Batista / Câmara dos Deputados)

SÃO PAULO - Após a "super-quarta" para os mercados, que teve a tríade Fomc-Copom-reforma dos militares, o investidor segue repercutindo as sinalizações de política monetária.

Ontem, após o fechamento do mercado, o Banco Central anunciou a manutenção da taxa de juros, mas mudou balanço de riscos para simétrico, o que poderia abrir espaço a juros menores, ainda que tenha desencorajado apostas no curto prazo. 

Contudo, o mercado tem contraponto em meio à leitura negativa sobre a reforma da Previdência dos militares, vista como contraditória com o discurso de que os sacrifícios seriam iguais para todos e coincidindo com queda da popularidade de Bolsonaro apontada no Ibope. 

Confira no que ficar de olho nesta sessão: 

1. Bolsas mundiais

As bolsas mundiais registram uma sessão de baixas variações nesta quinta-feira, digerindo a decisão de política monetária do Federal Reserve da véspera,  mas também à espera de novidades sobre o Brexit e da decisão de política monetária do Bank of England e, ao mesmo tempo, de olho nas negociações comerciais entre americanos e chineses.

Como se previa, o Fed manteve ontem seus juros básicos na faixa de 2,25% a 2,50%, mas também indicou que não irá elevar as taxas até o fim de 2019, diante de sinais de desaceleração da economia global e de outros fatores de preocupação.

Nesta manhã, espera-se que o BC inglês (BoE) também deixe seu juro básico no nível atual, de 0,75%, enquanto não clareia a situação do Brexit, como é conhecido o processo para que o Reino Unido se retire da União Europeia.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, enviou ontem carta ao presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, solicitando que o Brexit seja adiado do próximo dia 29 para no máximo até o dia 30 de junho. Em pronunciamento, May disse estar “ao lado do povo” britânico, culpando os parlamentares pelo atraso do divórcio com a UE. Desde o começo do ano, a premiê falhou duas vezes na tentativa de aprovar um acordo de Brexit no Parlamento britânico.

Hoje, o Conselho Europeu vai se reunir em Bruxelas para discutir os cada vez mais intrincados desdobramentos do Brexit. May e Tusk devem ter encontro por volta das 10h30 (de Brasília).

No mercado de commodities, os metais sobem em Londres assim como o minério de ferro após a Vale fechar outra mina no Brasil, enquanto ciclone se dirige à região produtora australiana; já os contratos futuros do minério registram leve queda em Dalian. 

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Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 8h16 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA) -0,04%

*Dow Jones Futuro (EUA) -0,09%

*Nasdaq Futuro (EUA) +0,11%

*DAX (Alemanha) -0,22%

*FTSE (Reino Unido) +0,56%

*CAC-40 (França) +0,07%

*FTSE MIB (Itália) +0,47%

*Hang Seng (Hong Kong) -0,85% (fechado)

*Xangai (China) +0,35% (fechado)

*Nikkei (Japão) +0,20% (fechado)

*Petróleo WTI -0,65%, a US$ 59,84 o barril

*Petróleo brent -0,47%, a US$ 68,12 o barril

*Bitcoin US$ 4.090 +1,14%
R$ 15.499  +0,03% (nas últimas 24 horas)

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian -0,33%, a 612 iuanes (nas últimas 24 horas) 

2. Reações ao Copom

O mercado brasileiro deverá repercute a decisão de política monetária do Copom na noite da última quarta, quando manteve os juros em 6,5% ao ano. O Comitê, que teve a sua primeira reunião comandada por Roberto Campos Neto, apesar de ter expressado mudanças em seu balanço de riscos para a inflação - que passou a ser simétrico - repetiu, em seu comunicado que "os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação".

"O comunicado foi parecido, mas não igual", avalia Daniel Cunha, estrategista-chefe da XP Investimentos, destacando que houve mudanças entre a última reunião conduzida por Ilan Goldfajn e esta primeira sob o comando de seu sucessor na presidência do BC, Roberto Campos Neto.

Segundo Cunha, o destaque foi a demonstração de um novo cenário, que alterou a avaliação da autoridade monetária sobre o balanço de riscos. No comunicado, o BC informou que permanecem fatores de risco para a inflação, tanto para cima quanto para baixo. 

Já Alberto Ramos, do Goldman Sachs, apontou que o balanço de riscos foi neutro. O BC mais preocupado com ritmo de recuperação da economia, mas ao mesmo tempo quer uma avaliação que vai demorar um tempo, dependendo dos dados.

Com isso, a avaliação é de que Campos Neto conseguiu trazer um tom ligeiramente mais dovish - brando - mas sem incitar apostas de corte de juros nas próximas reuniões. Vale ressaltar que, nesta quinta, Campos Neto tem reunião com ministro Paulo Guedes, às 10h, no Ministério da Economia.

3. Reforma dos Militares e noticiário político

Além de suscitar uma reação negativa do mercado ao propor uma economia de apenas R$ 10,45 bilhões nos próximos 10 anos, a reforma da Previdência dos militares proposta pelo governo de Jair Bolsonaro foi recebida com desconfiança por líderes da Câmara.

Deputado Waldir, líder do PSL, destacou que a reestruturação da carreira dos militares vem em um momento difícil e outras categorias também poderão pedir reestruturações. Já o deputado Elmar Nascimento, líder do DEM, afirmou ser preciso dar os mesmos tratamentos a civis e militares, sob pena de contaminar o ambiente.

Nesse sentido, conforme ressalta a XP Política, os parlamentares falam em endurecer o texto dos militares e “fazer aquilo que o governo não teve a coragem de fazer”.

Enquanto isso, após críticas sobre o governo, o presidente da Câmara Rodrigo Maia moderou o tom e diz que governo ainda peca na articulação, mas caminha para solução. Maia disse ontem à noite que ainda não havia visto o projeto dos militares, mas disse que a categoria precisava de uma reestruturação, pois vinha sendo prejudicada desde o governo FHC. 

Falando sobre articulação, segundo levantamento feito pelo Estadão, o governo do presidente Jair Bolsonaro tem hoje pelo menos 180 deputados dispostos a aprovar a reforma da Previdência, desde que sejam feitas mudanças no texto final apresentado ao Congresso. Desse total, apenas 61 votariam a favor da proposta sem sugerir alterações.

Os principais pontos de rejeição são as novas regras para aposentadoria rural e para o pagamento do benefício assistencial a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda.

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4. Agenda de indicadores

A agenda de indicadores econômicos está menos movimentada nesta quinta-feira, mas ainda conta com dados que devem ser observados de perto pelo investidor, principalmente nos EUA. Às 9h30, serão divulgados os pedidos de auxílio desemprego, às 11h os índices antecedentes e ao meio-dia os dados de confiança do consumidor. Já o Bank of England publica a sua decisão de política monetária às 9h. 

5. Noticiário corporativo

O noticiário corporativo é movimentado nesta quinta-feira. A Vale suspendeu de forma preventiva Mina de Alegria, em Mariana, estimando um impacto potencial máximo na produção de aproximadamente 10 milhões de toneladas por ano.

Enquanto isso, na Câmara, foi aprovado o projeto que abre capital estrangeiro em aéreas. Os deputados analisam agora os destaques, pedidos feitos para votar, de forma separada, partes do texto após aprovação do texto principal. Depois de concluída essa etapa, a matéria seguirá para análise do Senado Federal.

A Sabesp celebrou protocolo de intenções com Santo André por dívidas, o Cade prorrogou o prazo para venda de ações da CSN na Usiminas e a Petrobras perdeu disputa no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) e terá de pagar R$ 2,17 bilhões; a estatal informou que irá recorrer da decisão. 

Já o Estadão informa que o governo tenta acelerar privatização da Eletrobras. "Para animar os investidores frustrados depois de sinalização de que o processo ficaria para 2020, ministérios de Economia e de Minas e Energia tentam viabilizar uma solução ainda este ano e o modelo deve ser definido até junho", destacou o jornal. O BB confirmou a captação de US$ 750 milhões, com cupom de 4,75% ao ano.

Na agenda de resultados, Anima, B2W e Lojas Americanas divulgaram seus números do quarto trimestre de 2018. 

(Com Bloomberg, Agência Estado)

 

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