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Ibovespa fecha em queda de 1,55% e dólar reduz perdas com Previdência dos militares ofuscando Fomc

Índice chegou a zerar as perdas e dólar perder os R$ 3,75 após a decisão do Fomc, mas o mercado voltou a azedar com a Previdência do militares

Crash
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Com três grandes eventos, a "super quarta" cumpriu com o esperado e deixou o mercado agitado, mesmo que apenas dois destes eventos tenham ocorrido durante o pregão. A decisão do Fomc de manter a taxa de juros e sinalizar que não haverá altas em 2019, derrubou o dólar. Mas logo em seguida, a proposta de reforma da Previdência dos militares desanimou o mercado.

O anúncio do banco central dos Estados Unidos até fez a bolsa brasileira zerar as perdas por um momento, mas isso não durou. Com isso, o Ibovespa fechou com queda de 1,55%, aos 98.042 pontos, praticamente em sua mínima do dia.

Já o dólar comercial ampliou as quedas após o anúncio do Fomc e chegou a R$ 3,7404 na mínima do dia, mas o mau humor com o texto da reforma dos militares fez a moeda amenizar a queda e fechar com perdas de 0,61%, cotado a R$ 3,7661 na venda. Enquanto isso, o dólar futuro com vencimento em abril recuou 0,47%, a R$ 3,772.

O mercado já esperava a adoção de um tom "dovish", que foi confirmado com a sinalização do Fed de que não subirá os juros em 2019 e manterá o tom de "paciência" com o cenário. A autoridade monetária ainda sinalizou que irá terminar o seu processo de redução do volume de ativos no balanço em setembro, encerrando a venda da carteira de Treasuries. 

Mas foi a reforma da Previdência dos militares que azedou de vez o mercado, com investidores não gostando da proposta de economia de R$ 10,45 bilhões em 10 anos, abaixo do esperado inicialmente.

O Ministério da Economia divulgou a proposta da Reforma da Previdência dos militares entregue hoje pelo presidente Jair Bolsonaro ao Congresso. A proposta eleva o tempo de serviço na ativa e também a alíquota de contribuição da categoria. O texto será analisado primeiro por uma comissão especial e, depois, pelo plenário da Câmara.

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Dentre as mudanças propostas pelo governo, estão a elevação da alíquota previdenciária de 7,5% para 8,5% em 2020, para 9,5% em 2021 e para 10,5% de 2022 em diante; elevação do tempo para o militar passar para a reserva (de 30 para 35 anos na ativa) e taxação de 10,5% nas pensões recebidas por familiares de militares.

No mercado de juros futuros, os DIs reverteram o movimento de alta durante a sessão, com o contrato de juros futuros com vencimento de 2021 tendo queda de 4 pontos-base, a 6,87%, enquanto o de vencimento em janeiro de 2023 caiu 7 pontos, a 7,90%.

Enquanto isso, o mercado repercutiu negativamente a notícia da Folha de S. Paulo sobre a possível insatisfação do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) com a organização da base aliada, que ele julga ser formada apenas pelo PSL. 

Vale destacar ainda que hoje, em artigo ao Valor Econômico, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que a Reforma da Previdência é o “centro de gravidade” do governo, acrescentando que pretende colocar todo esforço para que seja “concluída e aprovada o quanto antes" e que não há opções para a retomada sem ela. 

O mercado ainda fica de olho no Copom, que deverá manter a Selic estável em 6,5% na primeira reunião com Roberto Campos Neto no comando do BC nesta quarta. O BC divulga a decisão a partir das 18h. Porém, além da decisão, o mercado ficará de olho principalmente no tom do comunicado de Campos Neto na primeira reunião com Campos Neto no comando. 

Altas e baixas da Bolsa

A Gol segue como destaque de alta após a disparada da véspera. A Câmara dos Deputados deve votar nesta quarta-feira o projeto de lei que reformula dispositivos da política nacional do turismo, liberando a presença de 100% de capital estrangeiro nas companhias aéreas. Apesar da liberação já estar em vigor por meio de medida provisória, ela precisa ser votada pelos parlamentares até 27 de março, caso contrário, perderá seu efeito.

Também em alta,ficaram as ações da Petrobras, que avançaram com os ganhos de mais de 1% do petróleo depois da queda surpreendente de 9,6 milhões dos estoques de petróleo nos EUA na última semana, ante expectativa de aumento de 309 mil barris.

 

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