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Ibovespa Futuro e dólar ficam estáveis à espera dos três eventos que podem definir o rumo do mercado

Fomc, Copom e reforma dos militares são os eventos a serem monitorados de perto pelo mercado

Mesa operações XP
(Flavio Santana/Biofoto)

SÃO PAULO - Cautela. Essa é a palavra de ordem para os mercados nesta quarta-feira em um dia de agenda bastante movimentada. Com isso, o Ibovespa Futuro registra leves perdas de 0,18%, a 99.810 pontos, e o dólar tem leve baixa, de 0,02%, a R$ 3,7833 na venda, com uma série de eventos importantes no radar. 

São eles: o primeiro Copom com Roberto Campos Neto como presidente do Banco Central, a decisão de política monetária do Fomc (Federal Open Market Committee) e a entrega da proposta de reforma da Previdência dos militares pelo governo Bolsonaro. Enquanto esses eventos não acontecem, os investidores também ficam de olho na China. 

Os mercados futuros norte americanos e as bolsas europeias operam de lado em meio à cautela dos investidores antes da decisão do Fed e monitorando a evolução das negociações entre EUA e China. As bolsas asiáticas também tiveram variações modestas nesta quarta-feira.

Ontem, surgiram relatos de que o governo chinês estaria mostrando resistência a demandas feitas por Washington nas recentes discussões comerciais. No entanto, as apostas ainda são de que EUA e China eventualmente chegarão a algum tipo de acordo comercial, uma vez que autoridades de ambos os lados continuam engajadas nas conversas.

O secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, e o representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer, devem viajar à China na próxima semana para uma nova rodada de negociações com o vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, segundo fontes ouvidas pela Dow Jones Newswires. Na semana seguinte, será a vez de Liu ir a Washington, dizem as fontes.

Sobre o Fomc, espera-se a manutenção de juros e o reforço do tom "dovish"– favorável à manutenção de estímulos – dos últimos meses, diante de sinais de desaceleração dos EUA e de outras grandes economias. 

No mercado de commodities, as mineradoras caem com baixa do minério de ferro após Vale obter de um tribunal permissão para reiniciar operação de uma mina. Já o petróleo tem ligeira baixa e se mantém levemente abaixo dos US$ 59 antes de dados de estoques nos EUA. 

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Política monetária no radar

As decisões de política monetária estão no radar dos mercados. O Copom (Comitê de Política Monetária) deverá manter a Selic estável em 6,5% na primeira reunião com Roberto Campos Neto no comando do BC nesta quarta-feira. O BC divulga a decisão a partir das 18h.

Nos EUA, às 15h (horário de Brasília) sai a decisão sobre juros nos Estados Unidos, resultado da reunião do Fomc (Federal Open Market Committee). A projeção do mercado é que as taxas se mantenham na faixa entre 2,25% e 2,50%, mas a grande expectativa está para a atualização das projeções do Fed e o discurso do chairman, Jerome Powell.

No ano passado, a grande discussão do mercado era quantas vezes a autoridade monetária norte-americana iria subir os juros. Porém, a mudança do cenário econômico do país e os dados mais recentes começaram a elevar as apostas de que o Fed poderá cortar as taxas ainda este ano.

Reforma dos militares

O mercado aguarda a entrega da proposta de reforma da aposentadoria dos militares, que é determinante para o andamento da Previdência no Congresso. Segundo a Bloomberg, o ministro da Economia, Paulo Guedes recebeu o texto na última sexta-feira e aprovou o conteúdo: "esse eu topo", disse.

De acordo com o Estadão, a equipe econômica quer convencer o presidente Jair Bolsonaro a propor uma reforma ainda mais dura para o regime de aposentadoria das Forças Armadas. A intenção é buscar uma economia maior que os R$ 92 bilhões projetados para os primeiros dez anos. O aperto na reforma dos militares é considerado necessário para fazer frente ao custo que a reestruturação das carreiras terá para os cofres públicos.

O projeto entregue pelo Ministério da Defesa resultaria num custo extra líquido de R$ 10 bilhões na primeira década. O saldo ficaria positivo, com economia maior que o gasto com as carreiras, só nos anos seguintes.

O governo já havia se tornado alvo de críticas por ter demorado 30 dias para enviar o projeto dos militares. Para evitar novo mal-estar pelo custo extra, a área econômica agora busca apertar a reforma para a categoria e garantir que haverá impacto positivo para as contas públicas. Essa negociação está sendo conduzida com o Ministério da Defesa. Uma reunião hoje com o presidente selará os últimos detalhes do texto, que deve chegar no mesmo dia ao Congresso. 

O noticiário sobre a articulação política para a reforma está movimentado. Segundo a Folha, o presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ)  mudou o tom na  defesa da reforma em meio à insatisfação com a articulação. 

Vale destacar que Bolsonaro volta a Brasília de sua viagem aos EUA e já fará reunião sobre o tema no Palácio da Alvorada. O presidente deve analisar o texto, acompanhado do vice-presidente Hamilton Mourão, do comandantes do Exército, da Aeronáutica e da Marinha, além do ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva. Integrantes da equipe econômica também são esperados. 

Sobre sua visita aos EUA, Bolsonaro afirmou que portas foram abertas no país e que  houve "aceno positivo de ambas as partes" para que o Brasil se torne aliado preferencial extra-Otan. 

Noticiário corporativo

Em destaque no radar, estão as ações de frigoríficos. Os EUA vão agendar visita técnica para carne brasileira a fim de permitir a retomada das exportações brasileiras. Já o Valor informa que a China recusou habilitação de frigoríficos brasileiros. A decisão chinesa levantou preocupações de que o país esteja retaliando o Brasil pela recente retórica anti-Pequim feita por membros do governo 

A Petrobras, por sua vez, concluiu a emissão de títulos no valor de US$ 3 bilhões, com demanda 3 vezes superior. A Eletrobras adiou a divulgação do balanço para 27 de março, enquanto o Banco Central autorizou o aumento de capital de R$ 8 bilhões, com bonificação de 20% em ações. 

(Com Agência Estado, Agência Brasil e Bloomberg)

 

 

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