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Ibovespa Futuro vira para queda e se descola do exterior, enquanto dólar sobe com notícia de reforma dos militares

Nesta sessão, alguns eventos serão monitorados de perto pelos mercados, como o leilão de 12 aeroportos que, embora não inclua os maiores do país, poderá ser um teste para a confiança do investidor

Crash
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Apesar do ânimo dos principais mercados mundiais, o Ibovespa Futuro abriu a sessão desta sexta-feira (15) com uma tímida alta, sem grandes catalisadores para ganhos após atingir recorde na última quarta-feira.

E, ao longo da primeira hora de operação, virou para queda. Enquanto isso, o dólar tem novamente um dia de ganhos. Às 9h29 (horário de Brasília), o contrato do índice futuro com vencimento em abril tinha queda de 0,39%, a 98.660 pontos, enquanto o dólar futuro com vencimento no mesmo mês tinha alta de 0,65%, a R$ 3,871. Já o dólar comercial avança 0,54%, a R$ 3,868 na venda, de olho nas notícias sobre a reforma da Previdência. 

Nesta sessão, alguns eventos serão monitorados de perto pelos mercados, como o leilão de 12 aeroportos que, embora não inclua os maiores do país, poderá ser um teste para a confiança do investidor. Além disso, após instalação da CCJ, a reforma da Previdência encontra apoio crítico de governadores nordestinos, enquanto a reforma dos militares segue no foco do mercado.   

O Estadão destaca que o projeto de lei de pensão militar proposto pelas forças armadas e atualmente sendo analisado pelo Ministério da Economia do governo aumentaria os gastos em R$ 10 bilhões em 10 anos antes de começar a gerar qualquer economia.  

As forças armadas propuseram um aumento de salário, bônus de fim de carreira e a criação de outro cargo para aceitar a necessidade de trabalhar 35 anos antes da aposentadoria em vez de 30 anos. Se chegar ao Congresso como está, é improvável que o projeto de lei seja bem recebido pelos legisladores e pelo público em geral. 

Já no exterior, os dados da indústria e Universidade de Michigan nos EUA serão acompanhados de perto pelo mercado. Enquanto os números não são revelados, as bolsas europeias e o S&P futuro avançam enquanto os receios de desaceleração global parecem se amenizar.

Enquanto isso, os mercados asiáticos fecharam em alta à medida que o sentimento na região melhorou após notícias de que houve avanço nas negociações comerciais entre Estados Unidos e China. Investidores também acompanharam a decisão de política monetária do Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês) e a aprovação parlamentar no Reino Unido do adiamento do Brexit.

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Segundo a agência de notícias oficial chinesa Xinhua, o vice-primeiro-ministro da China, Liu He, conversou por telefone com o Secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, e o Representante do Comércio dos EUA, Robert Lighthizer, e os dois lados fizeram progresso significativo nas discussões comerciais.

Mnuchin, porém, disse também que uma reunião de cúpula para selar um acordo comercial entre os presidentes dos EUA, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, não acontecerá no fim deste mês, como foi cogitado anteriormente. Os mercados asiáticos também tiveram ganhos após o governo de Pequim dizer que pode cortar impostos de valor agregado, reforçando as expectativas de uma eventual recuperação da 2ª maior economia do mundo.

No mercado de commodities, o petróleo sustenta a marca dos US$ 58 e caminha para alta semanal; cobre e níquel têm leve ganho em Londres e minério de ferro em Dalian fecha no maior nível em três semanas. 

Vale ressaltar que  a Anac leiloa concessões para operação de 12 aeroportos que devem gerar R$ 3,5 bilhões em investimentos nos próximos 30 anos. O leilão está marcado para começar às 10h na B3. Conforme ressalta o Estadão, a primeira licitação do presidente Bolsonaro vai definir a administração de quase 10% do mercado doméstico.

Atenção ainda para  a agenda econômica. Nos EUA, dado de Empire Manufacturing fica abaixo do previsto, enquanto produção industrial e o sentimento de Michigan nos EUA estão entre os que podem trazer mais impacto nos ativos no dia. 

Já no Brasil, os dados de volume de serviços ficaram acima do esperado ao subirem em janeiro 2,1% na comparação anual, ante expectativa de alta de 1,7%. Isso, somado ao IGP-10, que superou a estimativa ao acelerar 1,40% em março, ante projeção de 1,22%, após 0,40% na medição anterior; alimentos voltam a pressionar. Com isso, os principais contratos de juros futuros têm um dia de ganhos, com o contrato com vencimento em janeiro de 2021 avançando 3 pontos-base, a 6,98%, enquanto o com vencimento em janeiro de 2023 sobe 5 pontos, a 8,13%. 

Conexão Brasília na IMTV

O Conexão Brasília desta semana recebe Suelma Rosa, vice-presidente do conselho deliberativo do Irelgov (Instituto de Relações Governamentais).

Na pauta, os obstáculos para o governo Jair Bolsonaro construir uma base sólida de apoio no Congresso Nacional para aprovar a reforma da Previdência, os recentes atritos entre diferentes grupos que compõem a coalizão governista e o papel esperado das redes sociais e da opinião pública digital na política ao longo dos próximos anos.

O programa é ao vivo, com transmissão pela IMTV e pela página do InfoMoney no Facebook a partir das 14h15.

Noticiário político

No radar político, atenção para a live feita por Bolsonaro na noite de ontem pelo Facebook. Ao comentar a viagem que fará aos Estados Unidos no próximo domingo, o presidente Jair Bolsonaro disse que quer se aproximar do país, mas ressaltou que a China é o principal parceiro comercial do Brasil. 

O ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, disse que a visita aos EUA vai marcar a "retomada de uma parceria natural". "Infelizmente, nos últimos tempos essa parceria foi negligenciada. Parecia que qualquer parceria era boa até entrar os EUA", avaliou Araújo. O ministro disse que a parceria "pode voltar a ser essencial". "Evidentemente sem a exclusão de outras parcerias nossas", ponderou. Araújo também citou brevemente a Venezuela. O ministro afirmou que a situação do país vizinho também será assunto de reuniões com o governo norte-americano.

Nesta segunda transmissão ao vivo pelo Facebook desde que se tornou presidente, Bolsonaro ignorou a reforma da Previdência. A proposta não foi sequer mencionada nos cerca de 17 minutos da live. 

Falando em Previdência, conforme aponta o Estadão, os estados do Nordeste defendem a necessidade de reforma, mas criticam pontos da proposta como capitalização e BPC de R$ 400. 

As atenções se voltaram ainda para o STF, onde a Operação Lava Jato sofreu uma derrota após a Corte decidir que crimes como corrupção e lavagem de dinheiro serão julgados pela Justiça Eleitoral e não pela Federal, quando tiverem conexão com casos eleitorais, por exemplo o caixa dois de campanha.

Noticiário corporativo

A temporada de balanços agita o radar corporativo desta sexta-feira. A Marisa registrou lucro de R$ 159,5 milhões no quarto trimestre de 2018, com as vendas no e-commerce registrando crescimento de 77,5%. 

A Estácio, por sua vez, lucrou R$ 16,3 milhões no período. BR Malls, Valid, Mills, Ecorodovias e Tupy também divulgaram os números do quarto trimestre. 

A IRB ainda anunciou que vai pagar dividendos adicionais brutos de R$ 578,9 milhões enquanto que, na Multiplus, o Conselho aprovou OPA para cancelamento do registro.

Por fim, o Valor Econômico informa que os bancos estatais terão chairman do mercado. Paulo Guedes, diz o jornal, escolheu Luiz Fernando Figueiredo, ex-BC e sócio da Mauá, para presidência do conselho do BB, Hélio Magalhães, ex-Citi, o da Caixa e Gustavo Franco, ex-BC e sócio da Rio Bravo, o do BNDES.

(Com Agência Estado, Agência Brasil e Bloomberg)

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