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Ibovespa futuro opera perto do zero de olho no Brexit; dólar cai após dado de inflação nos EUA

Índice segue humor externo enquanto investidores ficam de olho por aqui nas articulações da reforma da Previdência

Brexit
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Após a euforia da véspera, o Ibovespa futuro registra perdas nesta terça-feira (12) seguindo o clima de maior tensão global por conta da votação decisiva do acordo do Brexit. Enquanto isso, investidores seguem atentos às articulações do governo para conseguir a aprovação da reforma da Previdência.

Neste cenário, às 9h38 (horário de Brasília), o Ibovespa futuro tinha alta de 0,20%, aos 98.800 pontos. O contrato de dólar futuro com vencimento em abril, por sua vez, tinha queda de 0,47%, a R$ 3,825, enquanto o dólar comercial recuava 0,27%, para R$ 3,8316 na venda, acentuando as perdas após o dado de inflação dos EUA, medido pelo CPI, ficar em 0,2% em fevereiro, em linha com as expectativas.

Os índices globais operam sem direção única nesta sessão antes do Parlamento britânico votar mais uma vez o acordo da primeira-ministra Theresa May sobre o Brexit. Em uma última tentativa de persuadir seus opositores, ela voltou a negociar com autoridades da União Europeia e conseguiu algumas garantias juridicamente vinculativas sobre a parte mais problemática do acordo, o backstop irlandês.

A libra esterlina subiu após o anúncio, mas virou novamente para queda depois que os procurador-geral do Reino Unido, Geoffrey Cox, comentou o acordo de May. Segundo ele, os riscos legais para o Brexit ainda permanecem apesar das concessões da União Europeia nesta madrugada. Ele acrescentou que o documento revisado não deu à Grã-Bretanha qualquer meio legal de sair unilateralmente dos acordos de "apoio irlandês".

Caso o acordo seja rejeitado nesta terça, é esperada uma nova votação na quarta, desta vez para definir se os parlamentares aceitam um "Brexit sem acordo". Caso esta proposta também seja derrotada, ainda nesta semana eles irão decidir se pedem um adiamento do prazo, marcado para 29 de março, para a saída definitiva dos britânicos da União Europeia (entenda os detalhes clicando aqui).

Enquanto isso, o presidente Donald Trump disse ao governo alemão que limitará o compartilhamento da inteligência norte-americana com Berlim se a empresa chinesa de tecnologia Huawei for autorizada a construir a infraestrutura de internet móvel 5G da Alemanha, segundo informações do Wall Street Journal.

Ainda na Alemanha, o ministro das Finanças, Olaf Scholz, confirmou na segunda-feira que os dois maiores bancos do país, o Deutsche Bank e o Commerzbank, estão estudando uma possível fusão, de acordo com informações da Reuters.

As bolsas asiáticas fecharam em alta em reflexo do pregão positivo nos Estados Unidos na véspera e também impulsionados com a recuperação da libra na madrugada após a notícia de que May conseguiu um ajuste de última hora no acordo do Brexit junto à UE.

As ações das companhias de petróleo da Ásia conseguiram ganhos expressivos conforme os preços do petróleo continuam a se recuperar nesta semana, impulsionados pelos comentários do ministro da Energia da Arábia Saudita, Khalid al-Falih, que disse que o fim dos cortes de oferta da Opep é improvável antes de junho.

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Reforma da Previdência
Enquanto o mercado aguarda a possível instalação das comissões na Câmara dos Deputados, em especial a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), as conversas parlamentares sobe a reforma da Previdência ganham destaque.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia formalizou a convocação para instalar a CCJ nesta quarta-feira. A líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann, disse na segunda que já está definido que a presidência da CCJ é do deputado Felipe Francischini (PSL-PR). Já a deputada Bia Kicis, também do PSL de Bolsonaro, é cotada para vice da comissão.

Enquanto isso, líderes da Câmara criticaram a articulação do governo, que tenta negociar cargos com o Congresso para aprovação da Nova Previdência, e também deram sinais negativos sobre a aprovação da PEC, refutando declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, de que faltariam poucos votos para passar a medida.

O líder do PRB, Jhonantan de Jesus (RR), afirmou que, do jeito como está posta hoje, seu partido votaria contra a PEC. "Não há base ainda para aprovar a Previdência. Há apenas os votos do PSL", disse. Ele insinuou também que o partido espera saber a quais cargos terá direito para avançar nas tratativas sobre a proposta. Para ele, o governo precisa ceder para criar sua base.

O líder da Oposição, Alessandro Molon (PSB-RJ), por sua vez, classificou como "escandalosa" a tentativa do governo de negociar cargos para aprovar a Previdência. Ele criticou também a PEC do Pacto federativo. Para ele, a medida pode comprometer a destinação de recursos para áreas como saúde e educação.

Já o líder do PSDB, Carlos Sampaio (SP), disse que seu partido é a favor da Previdência, mas que há uma questão fechada sobre o BPC. Os tucanos não querem que haja mudança nas regras e reforçou que o impacto fiscal previsto para esse ponto é praticamente nulo.

Em meio a tudo isso, para agradar os deputados que analisarão a reforma da Previdência, o presidente Jair Bolsonaro liberou R$ 1 bilhão em emendas parlamentares. Um levantamento feito pelo Palácio do Planalto mostrou que havia cerca de R$ 3 bilhões em emendas impositivas que não haviam sido pagas.

Indicadores e resultados
Na agenda doméstica, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), ficou em 0,43% em fevereiro, acima dos 0,38% projetados pelos economistas consultados pela Bloomberg. O resultado também ficou acima dos 0,32% de janeiro.

No acumulado de 12 meses, o índice oficial de inflação do país ficou em 3,89%, acima dos 3,78% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores.

Entre os balanços corporativos, o dia é mais tranquilo, com a divulgação dos números do quarto trimestre da Minerva (BEEF3), Tenda (TEND3), Sierra Brasil (SSBR3), LIQ (LIQO3) e Trisul (TRIS3).

Noticiário político
O governo divulgou na noite de segunda uma edição extra do "Diário Oficial da União" em que exonera seis integrantes do alto escalão do Ministério da Educação. A portaria foi assinada por Abraham Weintraub, ministro-chefe substituto da Casa Civil.

Deixaram o cargo: Tiago Tondinelli (chefe de gabinete do ministro); Eduardo Miranda Freire de Melo (secretário-executivo adjunto da Secretaria-Executiva do Ministério); coronel Ricardo Wagner Roquetti (diretor de programa da Secretaria-Executiva do Ministério); Claudio Titericz (diretor de programa da Secretaria-Executiva do Ministério); Silvio Grimaldo de Camargo (assessor especial do ministro); e Tiago Levi Diniz Lima (diretor de Formação Profissional e Inovação da Fundação Joaquim Nabuco).

Ainda na mesma edição do Diário, foram nomeados novos funcionários para três dos seis cargos vagos. Enquanto isso, os cargos de assessor especial e os dois diretores de programas do MEC não tiveram novas nomeações.

Josie Priscila Pereira de Jesus será a nova chefe de gabinete do Ministério; Robson Santos da Silva será diretor de Formação Profissional e Inovação da Fundação Joaquim Nabuco; e Rubes Barreto da Silva será secretário-executivo adjunto da diretor de Formação Profissional e Inovação da Fundação Joaquim Nabuco.

Em nota, o MEC disse que "as movimentações de pessoal e de reorganização administrativa, levadas a efeito nos últimos dias, em nada representam arrefecimento no propósito de combater toda e qualquer forma de corrupção" e que "ademais, envolveram cargos e funções de confiança, de livre provimento e exoneração".

Enquanto isso, aumentam as chances de queda do ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, que vê sua situação ficar cada vez mais insustentável. E quem articula sua queda é exatamente a mesma pessoa que o indicou para o comando da pasta três meses atrás: Olavo de Carvalho.

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Segundo informações da jornalista Vera Magalhães, do jornal O Estado de S. Paulo, o ideólogo indicou para o lugar de Vélez o atual secretário de alfabetização do Ministério da Educação, Carlos Nadalim. Ele é conhecido por defender o ensino domiciliar e ser dono da página da internet "Como Educar seus Filhos".

Noticiário corporativo
>> A companhia aérea Gol anunciou que suspendeu temporariamente o uso do modelo 737 MAX 8, da Boeing, após terem ocorrido dois acidentes com aeronaves do mesmo modelo pelo mundo. Segundo comunicado, não serão usados os sete modelos que fazem parte da frota da empresa. O Procon havia recomendado que a companhia suspendesse as operações com esses aviões da Boeing.

>> A Petrobras anunciou alta de 1,48% no preço médio do litro da gasolina A sem tributo nas refinarias, válido para esta terça-feira, para R$ 1,7542. Além disso, a estatal manteve sem alteração o preço do diesel, em R$ 2,1871, conforme tabela disponível no site da empresa.

>> A M. Dias Branco encerrou o quarto trimestre com um lucro líquido de R$ 139,8 milhões, uma queda de 30,8% ante os R$ 201,9 milhões registrados um ano antes. Enquanto isso, a receita líquida avançou 15,8% no mesmo período, para R$ 1,58 bilhão. No acumulado de 2018, o lucro foi de R$ 723,5 milhões, queda de 14,3%.

>> A Iochpe-Maxion fechou o quarto trimestre com lucro líquido de R$ 76,7 milhões, uma alta de 549,5% em um ano, enquanto a receita líquida avançou 25,6% no mesmo período, para R$ 2,45 bilhões. O Ebitda, por sua vez, subiu 22% e atingiu R$ 242,5 milhões entre outubro e dezembro do ano passado.

>> A Vale informou a suspensão temporária das atividades portuárias no Terminal da Ilha Guaíba após receber uma notificação da Prefeitura Municipal de Mangaratiba, Rio de Janeiro. Em nota, a mineradora disse que possui todas as licenças necessárias para a regular operação do terminal, emitidas pelas autoridades competentes e, nesse sentido, irá adotar todas as medidas cabíveis para garantir o restabelecimento das suas atividades no TIG.

 

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