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Ibovespa Futuro sobe e dólar cai à espera de comissão para debater Previdência

Investidores monitoram nova polêmica envolvendo o presidente Jair Bolsonaro

analista assessor investimentos mercado
(Shutterstock)

SÃO PAULO - A reforma da Previdência volta aos holofotes dos investidores nesta semana com o retorno dos trabalhos no Congresso após a pausa para o Carnaval. O mercado aguarda as indicações dos integrantes da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), que será a primeira a debater a proposta. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, disse que pretende instalar a CCJ na quarta-feira (13).

Neste contexto, às 9h13 (horário de Brasília), o Ibovespa futuro tinha alta de 0,54%, a 96.515 pontos. O contrato de dólar futuro com vencimento em abril tinha queda de 0,39%, a R$ 3,857, e o dólar comercial caía 0,31%, para R$ 3,857, na venda.

Enquanto espera por fatos concretos da reforma, o mercado monitora mais uma polêmica envolvendo o presidente Jair Bolsonaro, após um site de apoiadores publicar um texto que atribui à uma repórter do jornal O Estado de S. Paulo a declaração "a intenção é arruinar Flávio Bolsonaro e o governo", ao tratar da cobertura jornalística das movimentações suspeitas de Fabrício Queiroz, ex-motorista do senador e filho do presidente.

O jornal reitera que as informações reveladas sobre o caso Queiroz se baseiam em fatos e documentos oficiais. O Ministério Público do Rio de Janeiro investiga se o ex-motorista de Flávio Bolsonaro recebeu indevidamente depósitos de funcionários da Assembleia Legislativa do Rio.

Vale destacar que a partir de hoje, o Ibovespa volta a funcionar das 10h até às 17h, com after market até 18h. A mudança ocorre por conta do início do horário de verão nos Estados Unidos. O horário de verão no exterior reduz também o "atraso" entre a bolsa brasileira e a norte-americana. Com isso, Wall Street passa a funcionar das 10h30 (horário de Brasília) até 17h.

O Ibovespa Futuro é um bom termômetro de como será o pregão, mas nem sempre prevê adequadamente movimentos na Bolsa a partir do sino de abertura

Bolsas mundiais

Os índices futuros em Wall Street apontam abertura em queda na Dow Jones, pressionados pela Boeing, enquanto S&P e Nasdaq ficam perto da estabilidade. As ações da companhia aérea chegam a cair até quase 10% no pré-market após um acidente aéreo com o Boeing 737, da Ethiopian Airlines, matar os 149 passageiros e os oito tripulantes. 

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As bolsas europeias operam em alta à espera de rodada decisiva de votações do Brexit. Nos próximos dias, os parlamentares definirão novamente se aceitam o acordo feito entre a primeira-ministra Theresa May e a União Europeia. Caso eles rejeitem, acontecerão rodadas sobre a possibilidade de uma saída sem acordo e uma extensão do prazo do Brexit, marcado para 29 de março (entenda os detalhes clicando aqui).

As bolsas asiáticas encerraram em alta após o banco central chinês prometer mais estímulos à economia com a redução de custos de empréstimos após dados apontarem a queda de financiamentos em fevereiro por fatores sazonais.

Os preços do petróleo sobem com a queda na atividade de perfuração nos Estados Unidos e os cortes na produção da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo). O ministro do petróleo da Arábia Saudita, Khalid al-Falih, disse ontem que seria cedo demais para mudar a política de produção reduzida da Opep na próxima reunião do grupo, marcada para abril. 

O minério de ferro cai 3% no mercado futuro de Dalian, na China.

Reforma da Previdência

A reforma da Previdência deve voltar ao centro das atenções com a grande expectativa de instalação das comissões na Câmara dos Deputados, em especial a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), que será a primeira a debater a proposta.

Ainda não foram definidos os integrantes destas comissões e o projeto da reforma só começará a andar quando houver esta decisão. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, disse na última sexta-feira que pretende instalar a CCJ na quarta-feira (13).

Maia reforçou que os partidos esperam o envio do projeto de lei que altera o regime previdenciário dos militares para que tramite de forma conjunta com a PEC. Segundo ele, o encaminhamento da proposta dos militares pelo governo é fundamental para dar garantia a alguns partidos e para que haja mais conforto na tramitação das duas matérias.

O líder do PSL na Câmara dos Deputados, Delegado Waldir (GO), reiterou que a tramitação da PEC só vai caminhar de fato após o governo federal enviar o projeto dos militares. “Eu penso que o Rodrigo pode até instalar, mas os líderes não vão fazer as indicações para a composição da CCJ enquanto o governo não mandar a proposta dos militares”, disse.

Após passar pelo debate na Câmara, a Previdência passará por uma comissão especial, para depois seguir uma votação em dois turnos no plenário da Casa. Só após este trâmite que a proposta poderá chegará ao Senado.

Enquanto isso, o governo publicou no Diário Oficial da União de hoje (11) a instituição de uma força-tarefa, reunindo 20 profissionais, no âmbito da AGU (Advocacia-Geral da União), para acompanhar as demandas judiciais relacionadas às discussões e aos debates da reforma da Previdência. O grupo terá o nome de "Força-Tarefa de Defesa da Nova Previdência Social - PEC 6/2019" e sua atuação será preventiva. 

A força-tarefa vai atuar na sistematização e disponibilização de subsídios, estudos, pareceres e notas técnicas. Os profissionais vão trabalhar também na organização das teses para subsidiar as manifestações e defesas em juízo, assim como no monitoramento do ingresso de ações judiciais, acompanhado da respectiva atuação em juízo, independentemente de citação, intimação ou notificação.

De acordo com a portaria, o grupo vai atuar na coordenação e supervisão dos respectivos órgãos de execução no acompanhamento das ações judiciais e consolidação dos dados de judicialização.

Agenda da semana

Na agenda doméstica, atenção especial para os indicadores de atividade e para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de fevereiro, que sai na terça-feira (12). Para a equipe da GO Associados, os resultados de atividade devem apresentar taxas de crescimento moderadas e reforçar a visão de uma retomada gradual da atividade econômica.

Para o IPCA de fevereiro, a estimativa da GO Associados é de uma taxa mensal de 0,36%, um resultado ligeiramente acima da taxa registrada no mesmo mês do ano anterior, puxado pelos preços dos alimentos, que subiram 0,94% no IPC-S de fevereiro.

A semana também marca a volta da temporada de resultados corporativos do quarto trimestre do ano passado. Braskem (BRKM5), Embraer (EMBR3) e mais 33 empresas vão divulgar os seus números - veja as datas clicando aqui. 

No exterior, as atenções se voltam para o Reino Unido e uma rodada decisiva de votações do Brexit. Nos próximos dias, os parlamentares definirão novamente se aceitam o acordo feito entre a primeira-ministra Theresa May e a União Europeia. Caso eles rejeitem, acontecerão rodadas sobre a possibilidade de uma saída sem acordo e uma extensão do prazo do Brexit, marcado para 29 de março (entenda os detalhes clicando aqui).

Entre os indicadores, o destaque será a taxa de inflação de fevereiro nos EUA a ser publicado na terça-feira (12). Num contexto no qual o mercado já esta precificando o fim do ciclo de subida da taxa de juros do Federal Reserve, um dado abaixo do esperado poderia alimentar expectativas de um corte dos juros já neste ano.

Noticiário político

O site Terça Livre, que reúne ativistas conservadores e simpatizantes de Jair Bolsonaro, publicou na tarde de domingo, 10, um texto que atribui à uma repórter do jornal O Estado de S. Paulo a declaração "a intenção é arruinar Flávio Bolsonaro e o governo", ao tratar da cobertura jornalística das movimentações suspeitas de Fabrício Queiroz, ex-motorista do senador e filho do presidente.

O próprio presidente insuflou seus seguidores contra a imprensa ao publicar o seguinte texto no Twitter: "Constança Rezende, do 'O Estado de SP' diz querer arruinar a vida de Flávio Bolsonaro e buscar o Impeachment do Presidente Jair Bolsonaro. Ela é filha de Chico Otavio, profissional do 'O Globo'. Querem derrubar o Governo, com chantagens, desinformações e vazamentos".

A conversa, em inglês, tem frases truncadas e com pausas. Apenas trechos selecionados foram divulgados. Em determinado momento, a repórter avalia que "o caso pode comprometer" e "está arruinando Bolsonaro", mas não relaciona seu trabalho a nenhuma intenção nesse sentido.

O jornal publicou que as informações reveladas sobre o caso Queiroz se baseiam em fatos e documentos oficiais. O Ministério Público do Rio de Janeiro investiga se o ex-motorista de Flávio Bolsonaro recebeu indevidamente depósitos de funcionários da Assembleia Legislativa do Rio.

Noticiário corporativo

>> A Petrobras aprovou o que chamou de Plano de Resiliência, que é uma adição ao Plano de Negócios e Gestão 2019-2023. Segundo a companhia, esse novo plano foi estruturado em três alavancas de geração de valor. E a primeira delas é a ampliação do programa de desinvestimentos.

Nesse aspecto, a Petrobras prevê a inclusão de mais campos maduros de petróleo e gás localizados em terra e águas rasas, além de ativos de refino e logística. Segundo a companhia, esse novo plano não contempla ainda a revisão do pacote de desinvestimento de refinarias, que ainda está em estudo.

>> A Vale, responsável pela barragem Mina Córrego do Feijão em Brumadinho, a 57 quilômetros de Belo Horizonte (MG), tem até 4 de abril para apresentar em juízo um relatório parcial sobre os repasses de pagamentos para os atingidos pela tragédia, causada pelo rompimento em 25 de janeiro. Mas, antes, terá de apresentar informações detalhadas sobre pedidos de urgência e abastecimento da região.

>> A Klabin informou que Cristiano Teixeira será diretor-financeiro interino e de relações com investidores da companhia. Ele acumulará tais atribuições até a eleição do novo diretor, informa a companhia em comunicado. A posição era ocupada por Gustavo Henrique Santos de Sousa, que renunciou ao cargo declarando motivos estritamente pessoais.

>> O acidente sofrido pelo Boeing 737 MAX da Ethiopian Airlines que levou a 157 vítimas fatais após sofrer acidente no último domingo impacta as ações da americana no pré-market da NYSE, com queda de cerca de 10%, e também pode impactar os papéis da Gol e da Embraer (que está em processo para realizar uma joint venture com a empresa) nesta sessão. 

A aeronave caiu minutos depois de decolar de Addis Abeba, capital da Etiópia. O voo ET 302 caiu perto da cidade de Bishoftu, ou Debre Zeit, cerca de 50 quilômetros ao sul da capital. É o segundo acidente em cinco meses com esse modelo de aeronave. 

De acordo com a Folha de S. Paulo, o Boeing 737 MAX é também a espinha dorsal da recente expansão internacional da Gol. Com 135 encomendas —dos modelos MAX 8 e 10—, a companhia é a única brasileira a operar essa nova versão, cuja primeira unidade foi recebida pela Gol em junho de 2018. 

Procurada pelo jornal, a companhia afirmou que tem a segurança em primeiro lugar, disse que acompanha a investigação do acidente na Etiópia e ressaltou que cada companhia aérea tem uma operação diferente.

>> Educacionais: Conforme destaca o jornal ZeroHora, do Rio Grande do Sul, a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) já começaram a rastrear convênios e verbas para dar impulso ao que o presidente Jair Bolsonaro anunciou como Lava-Jato da Educação.

Entre os alvos estão importantes iniciativas do governo federal no setor: o Programa Universidade para Todos (ProUni), o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), destaca a publicação. 

>> A Azul informou hoje que assinou uma proposta não vinculante no valor de US$ 105 milhões para a aquisição de certos ativos da Avianca Brasil por meio de uma Unidade Produtiva Isolada (UPI).

>> A Eternit, em recuperação judicial, informou que foi cancelada a retomada da Assembleia Geral de Credores que ocorreria no dia 13 de março de 2019 com a determinação de sua continuidade em outra data.

(Com Agência Estado e Agência Brasil)

 

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