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Os 5 assuntos que vão agitar os mercados nesta quinta-feira

Conversas entre China e EUA, decisão do BCE e polêmicas do governo Bolsonaro estão no radar dos investidores

Jair Bolsonaro
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O mau humor no exterior pode pesar mais uma vez sobre o mercado doméstico, enquanto os investidores avaliam a extensão dos danos políticos do polêmico vídeo postado pelo presidente Jair Bolsonaro.

Lá fora, permanece a cautela diante da ausência de novidades sobre as conversas entre China e Estados Unidos para colocar fim à guerra tarifária. Donald Trump disse ontem que as conversas "têm evoluído bem", mas não deu mais detalhes. O mercado aguarda ainda pela fala de Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu, nesta manhã. 

No radar político, o saldo da postagem de um vídeo obsceno por Bolsonaro em seu perfil no Twitter é visto como negativo pela cúpula de seu governo. Agora, o mercado calcula os efeitos desse arranhão na imagem do presidente na capacidade do governo em conseguir avançar com as conversas para aprovação da reforma da Previdência com a menor desidratação possível. 

Novas denúncias de candidaturas laranja envolvendo o ministro do Turismo também atingem o governo Bolsonaro.

Veja no que ficar de olho nesta quinta-feira (7):

1. Bolsas mundiais

As bolsas dos Estados Unidos apontam para uma abertura em queda após a divulgação de dados do déficit comercial - que aumentou para US$ 59,8 bilhões em dezembro - evidenciando os efeitos negativos da guerra comercial com a China.

Com mais essa informação, os investidores aguardam com ansiedade pelo desfecho das conversas entre o governo de Donald Trump e a China para tentar colocar fim à disputa tarifária. Vale lembrar que o aumento nas tarifas a produtos chineses que deveria ter início em 1 de março foi adiado.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse ontem que as conversas com a China sobre comércio "têm evoluído bem", mas não deu mais detalhes. O Wall Street Journal publicou nesta semana que os países caminham para um acordo, mas não há nenhuma confirmação oficial.

As tensões entre os países ganha novo ingrediente após a Huawei iniciar um processo contra os Estados Unidos alegando que a lei de Trump que proíbe a empresa de vender equipamentos para agências do governo é inconstitucional. A Huawei se diz vítima de uma "lei de confisco". 

As bolsas europeias operam em queda também à espera de detalhes das negociações entre China e Estados Unidos e de fala do presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi. Há ainda forte componente político influenciando as bolsas após o governo italiano sinalizar que o futuro do Brexit ainda é incerto.

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Os principais índices das bolsas asiáticas encerraram em queda, com exceção da China. A bolsa chinesa alcançou sua máxima em 9 meses diante das expectativas de estímulos para o crescimento da economia.  Pequim irá reduzir a chamada lista negativa, que estabelece restrições para investidores estrangeiros, e continuará fazendo aberturas experimentais nas zonas de livre comércio do país.

No mercado de commodities, os preços do petróleo sobem diante dos cortes na produção da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e das sanções dos Estados Unidos contra a Venezuela e o Irã. O minério de ferro sobe no mercado futuro de Dalian, na China.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07h54(horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA) -0,23%

*Dow Jones Futuro (EUA) -0,32%

*Nasdaq Futuro (EUA) -0,24%

*DAX (Alemanha) -0,62%

*FTSE (Reino Unido) -0,53%

*CAC-40 (França) -0,47%

*FTSE MIB (Itália) -0,21%

*Hang Seng (Hong Kong) -0,89% (fechado)

*Xangai (China) +0,14% (fechado)

*Nikkei (Japão) -0,65% (fechado)

*Petróleo WTI +0,76%, a US$ 56,65 o barril

*Petróleo brent +1,06%, a US$ 66,69 o barril

*Bitcoin US$ 3.843 +0,05%
R$ 14.831 +2,30% (nas últimas 24 horas)

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian +0,73%, a 623,50 iuanes (nas últimas 24 horas) 

2. Vídeo polêmico

A ala militar do governo Bolsonaro classificou a postagem de um vídeo obsceno e escatológico no perfil do presidente no Twitter como "desnecessário" e de "baixo nível", informa o jornal Valor Econômico. Com a repercussão, o Palácio do Planalto divulgou uma nota na noite de ontem em que afirma que o presidente não pretendia "criticar o Carnaval de forma genérica". 

Na nota, o Planalto diz que as cenas postadas "escandalizaram, não só o próprio Presidente, bem como grande parte da sociedade". "É um crime, tipificado na legislação brasileira, que violenta os valores familiares e as tradições culturais do carnaval", afirma o texto.

Para o jurista Miguel Reale Júnior, um dos autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, a postagem de Bolsonaro configura quebra de decoro e poderia também justificar um pedido para sua saída do cargo. "O que eu destaco é a absoluta desnecessidade de enviar este vídeo abjeto ao povo brasileiro para denunciar algo que tinha sido visto, previamente, por algumas centenas de pessoas", disse o jurista ao jornal O Globo, destacando que o crime de praticar ato obsceno em público é menos grave do que sua divulgação, conforme o Código Penal. 

Para membros do Centrão, nenhuma declaração de Bolsonaro será grave o suficiente para ensejar um pedido de impeachment antes do desafio de mudar a Previdência, segundo o jornal O Estado de S. Paulo. No entanto, integrantes da cúpula do Parlamento avaliam que Bolsonaro está, aos poucos, minando sua credibilidade para liderar mudanças estruturais, informa o jornal Folha de S. Paulo. 

"A falta de liturgia com a instituição da presidência e por fim, com o cargo de presidente tem levado Bolsonaro aos ‘pecados’ mais recentes, em especial os de comunicação, assemelhando-se finalmente ao pior da figura de Donald Trump", afirma Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset. 

3. Agenda econômica 

A temporada de resultados corporativos do quarto trimestre dá uma pausa nesta semana, sem balanços relevantes hoje e amanhã. Já na agenda econômica, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação na cidade de São Paulo, subiu 0,54% em fevereiro, desacelerando levemente em relação ao ganho de 0,58% observado em janeiro, segundo dados publicados hoje pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas).

No exterior, atenção especial para o relatório de emprego na sexta-feira. Considerado um dos principais indicadores para o Federal Reserve, o dado será precedido pelos números dos pedidos de seguro-desemprego hoje, às 10h30. Mais tarde, às 14h15, o mercado acompanha a fala de Lael Brainard, que é membro do Federal Reserve.

Na Europa, atenção especial para a reunião do Banco Central Europeu, que se depara com o aumento da debilidade do crescimento na Zona do Euro. A expectativa do presidente Mario Draghi de começar a subida gradual da taxa de juros no verão europeu de 2019 tem perdido força e o mercado segue atento a cada reunião. A expectativa do mercado é que as taxas fiquem inalteradas na reunião que termina às 9h45 (de Brasília). Draghi fala às 10h30. 

Clique aqui e confira a agenda completa de indicadores.

4. Noticiário político

Novas denúncias de candidaturas laranja estão no radar do governo. Reportagem da Folha de S. Paulo informa que uma integrante do PSL em Minas Gerais acusa o atual ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, de tê-la chamado pessoalmente para ser uma candidata laranja na eleição de 2018, com o compromisso de que ela devolvesse ao partido parte do dinheiro público do fundo eleitoral.

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Zuleide Oliveira, inscrita na disputa a deputada estadual, fez uma denúncia ao Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais em 19 de setembro, mas obteve apenas uma resposta protocolar da Justiça Eleitoral. A candidata é a primeira a implicar diretamente o hoje ministro no esquema de desvio de dinheiro público por meio de candidaturas de laranjas do PSL, partido de Jair Bolsonaro.

Procurado pela reportagem, o ministro do Turismo diz não se lembrar da reunião com Zuleide.

5. Noticiário corporativo

>> A Azul informou seus números operacionais do mês de fevereiro. Houve aumento de 18,4% na tráfego de passageiros (RPK), enquanto a oferta de assentos (ASK) subiu 16,9%, isso na comparação com o mesmo mês de 2018. Assim, em um ano, a taxa de ocupação dos voos passou de 80,1% para 81,1%.

A melhora no mês de fevereiro foi impulsionada pelos voos domésticos, com RPK em alta de 24,4%, e ASK subindo 20,1%. Assim, a taxa de ocupação avançou 2,9 pontos, para 82,1%. Nos voos internacionais, a demanda teve aumento de 1,3%, ante 7,4% de alta na oferta. Isso resultou numa queda de 4,7 pontos na taxa de ocupação, para 78%. 

>> A Gol registrou alta de 6,9% na demanda doméstica em fevereiro, na comparação com igual mês do ano passado, enquanto a oferta aumentou 1,3%. A taxa de ocupação doméstica foi a 82,4%, um aumento de 4,3 pontos porcentuais (p.p.) em relação a fevereiro de 2018.

O volume de decolagens reduziu 0,8% e o total de assentos aumentou 4,0%, na mesma base de comparação. A demanda por voos internacionais, por sua vez, teve alta de 17,8%, enquanto a oferta cresceu 23,8%, levando a taxa de ocupação a 74,4%, queda de 3,8 p.p. em relação a fevereiro de 2018.

>> A Klabin anunciou ontem o cancelamento de uma assembleia de acionistas para votar a proposta da incorporação da Sogemar. “A companhia lamenta informar haver recebido nesta data, da Sogemar, correspondência comunicando que, à luz da campanha lançada por um único investidor da Klabin contra a incorporação e para que não haja dúvida de que atuou todo o tempo exclusivamente em reação às discussões provocadas pela diretoria da companhia, decidiu retirar o consentimento à sua incorporação pela companhia”, afirma a empresa em fato relevante.

(Com Agência Estado)

 

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