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Ação da Ambev cai mais de 6% e Energias do Brasil despenca 7% após balanços; Burger King salta 5% e mais destaques

Confira os destaques da B3 na sessão desta quinta-feira (28)

cervejas
(Tânia Rêgo/ABr)

SÃO PAULO - A sessão desta quinta-feira (28) foi bastante negativa para o índice, com o mercado repercutindo as declarações de Jair Bolsonaro sobre "suavizar" alguns pontos da proposta do governo para a reforma da Previdência.

A queda do Ibovespa desta quinta, de 1,77%, foi responsável por boa parte da baixa de fevereiro, de 1,86%, com o grande destaque negativo do período ficando para a Via Varejo (VVAR3) com os resultados fracos e a venda de ações pelo Pão de Açúcar (PCAR4), enquanto a CSN (CSNA3) saltou mais de 28% no período também na esteira dos resultados e anúncio de elevação dos preços do aço. 

Os grandes destaques na Bolsa nesta quinta-feira (28) também ficaram com a temporada de resultados: a Petrobras reverteu prejuízo e tem 1º resultado positivo anual desde 2013, mas as ações acabaram fechando em queda, a Ambev registrou lucro ajustado de R$ 3,724 bilhões, mas não agradou o mercado, enquanto o Burger King viu lucro subir 283% no 4º trimestre e fez os papéis dispararem. Mais 9 balanços do 4º trimestre também estão no radar. 

Confira esses e mais destaques corporativos de hoje:

Petrobras (PETR3; PETR4)

As ações preferenciais da companhia chegaram a subir 2,47% logo no início do pregão, na esteira do resultado considerado positivo da estatal (veja a análise clicando aqui), mas logo diminuíram os ganhos e viraram para o negativo. Porém, o que chama mesmo a atenção é a forte diferença de desempenho entre a classe de ações preferenciais em relação às ordinárias. 

Esse movimento se explica em grande parte pela fala do CEO (Chief Executive Officer) da estatal, Roberto Castello Branco, em teleconferência de resultados. Ele reiterou a sua visão de que não planeja elevar a distribuição de proventos da Petrobras além do mínimo enquanto a empresa continuar com o endividamento elevado.

"Acreditamos que essa fala é uma das razões da queda mais acentuada da PETR3 em comparação à PETR4, haja visto que o dividendo mínimo assegurado das preferenciais é superior ao das ordinárias", destaca a equipe de análise da XP Research. 

O CEO apontou que uma empresa endividada como a Petrobras deveria pagar menos dividendos. "Mas somos obrigados pela lei a pagar o dividendo mínimo", afirmou Castello Branco. A lei estipula a distribuição mínima de 25% do lucro, enquanto o executivo disse que a estatal poderia usar parte dos recursos para continuar reduzindo a dívida.

Além disso, o governo decidiu marcar o megaleilão de óleo excedente da cessão onerosa para o dia 28 de outubro deste ano. A decisão foi divulgada pelo Ministério de Minas e Energia, após reunião do Conselho Nacional de Política Energética. Na reunião, o governo decidiu que o leilão será feito pelo regime de partilha de produção. As áreas leiloadas serão Atapu, Búzios, Itapu e Sépia, na Bacia de Santos.

O vencedor deverá pagar à Petrobras uma compensação pelos investimentos realizados pela companhia nas áreas. Como contrapartida, ele vai adquirir uma parte dos ativos e da produção. O valor dessa compensação, no entanto, ainda não foi definido e o vencedor e a Petrobras deverão celebrar um acordo para disciplinar a unificação da operação.

Na noite de ontem, a companhia reportou seu primeiro resultado anual positivo desde 2013 e lucrou R$ 25,8 bilhões em 2018. No trimestre, a empresa reverteu o prejuízo de R$ 5,48 bilhões registrou um lucro líquido de R$ 2,10 bilhões entre outubro e dezembro de 2018. Confira a matéria completa neste link.

No período, a companhia somou um Ebitda (Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização, na sigla em inglês) de R$ 29,16 bilhões, uma alta de 124,55%. Já a margem Ebitda passou de 17%, para 31%.

"Nós temos uma avaliação levemente positiva dos resultados da Petrobras no 4T18, dado que o EBITDA ajustado da companhia veio em linha com nossa estimativa, mas acima do consenso de mercado. Destacamos também a sólida geração de caixa no trimestre e a redução do endividamento, e notamos que a empresa conseguiu superar a sua meta de redução da relação Dívida Líquida / EBITDA de 2,5x ao final de 2018", escreve Gabriel Francisco, analista da XP Research.

Ainda no radar da companhia, a Petrobras afirmou não reconhecer responsabilidade sobre as alegações de investidores que entraram com 5 pedidos de arbitragem contra a empresa na Câmara de Arbitragem de Mercado da B3.

Por outro lado, a Petrobras disse que poderia usar metade do valor já pago por conta do acordo de assunção de compromissos celebrado com o Ministério Público Federal, “para satisfazer eventuais condenações nestas arbitragens”.

Ambev (ABEV3)

A Ambev registrou um lucro líquido de R$ 3,36 bilhões entre outubro e dezembro de 2018. As vendas líquidas somaram R$ 16,02 bilhões, acima da maior estimativa compilada pela Bloomberg, de R$ 15,55 bilhões. Já o Ebitda ajustado ficou em R$ 7,48 bilhões, com margem de 46,7%.

Já o lucro líquido ajustado, que exclui eventos extraordinários do resultado, foi de R$ 3,724 bilhões no quarto trimestre, queda de 17,3% na base anual e totalizando R$ 11,591 bilhões no consolidado do ano.

No acumulado do ano, a companhia teve lucro de R$ 11,4 bilhões, uma receita líquida de R$ 50,2 bilhões e um Ebitda ajustado de R$ 21,1 bilhões, com margem de 42%.

Segundo a equipe de research da XP Investimentos, os resultados vieram “mistos”, com forte Ebitda, mais fraco lucro. “O lucro líquido normalizado foi 19,5% abaixo de nossas estimativas em R$ 3.725 milhões devido a despesas financeiras mais altas que o esperado (10% abaixo do consenso e 17% abaixo do ano anterior)”, escreve a analista Betina Roxo.

Vale (VALE3)

No final do pregão da véspera, a agência de classificação de risco Moody’s rebaixou o rating das debêntures de infraestrutura da Vale de ‘Baa3’ para ‘Ba1’ em escala global e para ‘Aaa.br’ em escala nacional. A perspectiva para as notas é negativa.

De acordo com a Moody’s, o rebaixamento deve-se ao aumento dos riscos de crédito após a tragédia em Brumadinho, assim como as “consideráveis incertezas’ associadas ao impacto total.

Burger King (BKBR3)

O Burger King apurou um lucro líquido de R$ 83,6 milhões no 4º trimestre de 2018, um aumento de 283% em relação ao mesmo período do ano anterior. Segundo a companhia, o resultado é reflexo de um crescimento da receita operacional, alavancagem operacional e ao efeito não recorrente do reconhecimento do imposto de renda deferido ativo no valor de R$ 30 milhões.

A receita líquida da companhia fechou o trimestre em R$ 718,1 milhões (+37,4%), enquanto o Ebitda (Lucros Antes e Juros, Impostos, Depreciação e Amortização, na sigla em inglês) somou R$ 109 milhões no trimestre, alta de 62,7%.

De acordo com os analistas do Bradesco BBI, os resultados vieram fortes, com lucro acima das expectativas, crescimento robusto de Vendas Mesmas Lojas e aumento de Ebitda. "Apesar do forte desempenho das ações nos últimos seis meses, o Burger King continua sendo um dos nossos nomes favoritos devido ao passo acelerado de sua expansão, forte execução de iniciativas de marketing e sua posição em uma categoria ainda pouco consolidada, que toma uma parte crescente dos gastos do consumidor", escrevem os analistas.

Marfrig (MRFG3)

A Marfrig apurou um lucro líquido atribuído ao controlador de R$ 2,2 bilhões no último trimestre de 2018. A receita líquida no período foi de R$ 10,4 bilhões, alta de 236% na comparação anual. O Ebitda ajustado, por sua vez, somou R$ 877 milhões (+215%).

Apesar da forte alta, a avaliação predominante do mercado é de que os números foram neutros, com o Ebitda 9% abaixo da estimativa do Itaú BBA, abaixo do consenso. "No entanto, atribuímos maior importância à dívida líquida, que estava estritamente em linha com a nossa estimativa. A Marfrig gerou um fluxo de caixa livre positivo no quarto trimestre, conforme esperado", afirmam os analistas do banco. 

Vale ressaltar que, em agosto de 2018, a Marfrig fechou a venda da Keystone, unidade internacional de alimentos processados, para a Tyson Foods por US$ 2,4 bilhões.

De acordo com Eduardo Miron, CEO global da empresa, foi graças a essa venda que dívida caiu mais de 40% no período, o que fez com que a alavancagem da empresa atingisse 2,39 vezes – ante meta de 2,5 vezes. “Vendemos a empresa com um múltiplo de 10 vezes antes da crise do mercado de aves”, comemora o executivo em entrevista ao InfoMoney. “Agora, somos a empresa com menor alavancagem do setor”. Confira a entrevista clicando aqui. 

A Marfrig ainda pode considerar uma oferta de ações dos EUA entre as opções para destravar valor e reduzir o custo de crédito, conforme ressaltou seu diretor executivo. “Podemos olhar para o mercado americano se fizer sentido - não descartamos nada”, afirmou, desta vez em entrevista à Bloomberg. 

Fleury (FLRY3)

O grupo Fleury teve um lucro líquido de R$ 58,2 milhões no 4º trimestre, queda de 10% na comparação anual. No período, a receita líquida somou R$ 654,8 milhões (+12,5%) e o Ebitda ficou em R$ 145,4 milhões (+11,2%), com margem de 22,2%.

"Os números de Fleury não trouxeram nenhuma grande novidade e ficaram em linha com a nossa expectativa tanto em receita líquida quanto em Ebitda, enquanto o Ebitda ficou cerca de 13% abaixo do consenso e acabou sendo impactado por um maior gasto com despesas financeiras", afirma o Credit Suisse. A equipe de análise ressalta que as margens vêm se comportando bem, mas o avanço nas depreciações e amortizações merece atenção.

"Nós não vemos uma virada e a nossa maior preocupação esta no quanto a empresa consegue segurar o nível de rentabilidade com um mix mudando tao rápido", avaliam.

Movida (MOVI3)

A Movida reportou um lucro líquido de R$ 52 milhões no 4º trimestre de 2018, alta de 160% em relação ao mesmo período de 2017. A companhia teve uma receita líquida de R$ 713 milhões (+25%) e um Ebitda de R$ 142 milhões (+66%).

“A Movida reportou números saudáveis e levemente acima das expectativas, trazendo mais um trimestre de melhora sequencial nos volumes e nas margens”, escreve a equipe de research da XP Investimentos.

Energias do Brasil (ENBR3)

A EDP registrou no 4º trimestre do ano passado um lucro líquido de R$ 524 milhões, crescimento de 161,3%. A receita líquida recuou 16,1%, para R$ 2,97 bilhões, enquanto o Ebitda somou R$ 847,3 milhões (+50,8%), com margem de 28,7%.

No acumulado de 2018, a companhia registrou seu maior lucro da história: R$ 1,27 bilhão, alta de 108% em relação ao resultado de 2017. A receita líquida, excluindo receita de construção, foi de R$ 12,8 bilhões (+9,6%) e o Ebitda ficou em R$ 2,76 bilhões (+26,6%).

Os analistas do Itaú BBA já apontavam para uma reação negativa aos resultados da companhia. "Continuamos tendo uma visão construtiva com a tese da companhia e precisaremos de mais 'cores' da administração para determinar se precisaremos incorporar estimativas mais conservadoras", escreve o analista Raul Cavendish.

Já os analistas do Morgan Stanley ressaltam que a empresa teve um trimestre relativamente mais fraco em termos de desempenho operacional, representando uma pausa na tendência sequencial de controle de custos que a Energias do Brasil tem conseguido entregar ao longo dos últimos trimestres. "A melhoria do desempenho do negócio de distribuição versus parâmetros regulatórios é um fator-chave para a reavaliação de ações", afirmam os analistas. 

 

Gol (GOLL4)

A Gol apurou uma receita líquida de R$ 3,2 bilhões no 4º trimestre de 2018, alta de 10,1% com relação ao mesmo período do ano anterior. A companhia atribui o resultado à maior demanda com otimização na precificação. No período, o lucro operacional foi de R$ 672 milhões e o Ebitda somou R$ 851 milhões (+60,6%).

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"Expurgando o efeito da venda dos jatos, a performance da operação aérea foi pressionada por custos ainda altos de combustível, com aumento de 40% no preço do litro. Esperamos que o efeito positivo da queda do preço do combustível impacte positivamente a companhia no primeiro trimestre de 2019 apenas. Por outro lado, a receita de passageiro unitária cresceu cerca de 8% na base anual", destacamos analistas da XP. 

Time for Fun (SHOW3)

A Time for Fun viu seu lucro líquido afundar 77%, para 10,6 milhões em 2018 na comparação com 2017. No acumulado do ano, a companhia registrou um Ebitda de R$ 37,4 milhões, queda de 50%, com margem de 6,3%.

BRF (BRFS3)

A BRF apurou um prejuízo líquido de R$ 2,1 bilhões no 4º trimestre de 2018, alta de 171% na comparação anual. A receita líquida totalizou R$ 9,5 bilhões (+7,2%) e o Ebitda ajustado foi de R$ 841 milhões (+30,3%), com margem de 8,8%.

No acumulado de 2018, a companhia registrou um prejuízo líquido de R$ 4,5 bilhões, alta de 306,4% em relação ao ano de 2017. A receita líquida ficou em R$ 34,5 bilhões (+3,2%), enquanto o Ebitda ajustado somou R$ 2,6 bilhões, queda de 8,4%, com margem de 7,6%.

Conforme destaca a XP Research, os resultados para Brasil e Halal (voltados ao mercado árabe) foram piores do que o esperado, enquanto os resultados internacionais foram melhores, ainda que abaixo do esperado.

Vale ressaltar que, após os resultados, o Bradesco BBI cortou o preço-alvo para os papéis de R$ 34 para R$ 30, mas segue com recomendação outperform para os ativos, vendo um potencial de valorização importante para as ações. 

Oi (OIBR3;OIBR4)

A Oi subiu até 9,30% (papéis ON) após a companhia obter uma vitória na Justiça. A brasileira, que herdou a posição da antiga Portugal Telecom na operadora móvel Unitel, comunicou que tem a receber da empresa mais de 600 milhões de euros referentes a dividendos em falta e à desvalorização da participação de 25% na empresa.

 

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