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Ibovespa segue exterior e cai com tensão geopolítica e de olho em Powell

Cresce o clima de tensão no exterior após o Exército do Paquistão anunciar que derrubou dois caças indianos em seu espaço aéreo

trader gráfico investimentos Ibovespa
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O principal índice da bolsa brasileira segue o mau humor global com a tensão geopolítica que entrou no radar das bolsas internacionais e à espera de novas declarações do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell. A articulação política para a aprovação da reforma da Previdência segue no radar. 

Neste contexto, às 12h04 (horário de Brasília), o Ibovespa tinha queda de 0,62%, a 97.001 pontos. O contrato de dólar futuro com vencimento em março de 2019 tinha queda de 0,13%, cotado a R$ 3,739, e o dólar comercial avançava 0,03%, para R$ 3,746. 

No mercado de juros, o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2021 fica em 7,12%, e o DI para janeiro de 2023 recuava de 8,24% para 8,22%.

No exterior, cresce o clima de tensão após o Exército do Paquistão anunciar que derrubou dois caças indianos em seu espaço aéreo. Vale lembrar que os dois países já estiveram em guerra em 1971, o que eleva ainda mais os riscos. 

Ainda no exterior, os investidores acompanham com atenção o primeiro dia de reunião entre Donald Trump e o líder norte-coreano Kim Jong-Un no Vietnã. Os dois vão discutir as políticas de desnuclearização e a flexibilização das sanções contra a Coreia do Norte.

No Brasil, o mercado monitora a articulação política do governo de Jair Bolsonaro após reunião com líderes da Câmara na véspera e as mudanças que poderão ser feitas na proposta de reforma da Previdência entregue ao Congresso na semana passada. 

Segundo Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset, a reunião demonstra por parte do executivo um início de boa vontade que não havia sido visto até este momento com o Congresso. "Com tal abertura, ainda que sem resultados concretos, as pautas relevantes às reformas podem avançar após o carnaval, mas é nítido que o fisiologismo está muito incomodado com as escolhas técnicas atuais", acrescenta.

O noticiário corporativo também é quente, com a informação de que a Petrobras irá encerrar suas operações no prédio de São Paulo. O presidente da estatal, Roberto Castello Branco, disse que a diretoria não planejou demissões, mas estuda o lançamento de um PDV (plano de demissão voluntária). A petroleira divulga balanço do quarto trimestre hoje, após o fechamento do mercado. 

Bolsas mundiais

O risco geopolítico entra no radar das bolsas internacionais após o Exército do Paquistão anunciar que derrubou dois caças indianos em seu espaço aéreo. Um dia antes, a Índia afirmou que bombardeou acampamentos insurgentes em território paquistanês. Vale lembrar que os dois países já estiveram em guerra em 1971. 

As bolsas dos Estados Unidos apontam para uma abertura em queda em meio a essas tensões e à espera da reunião entre o presidente Donald Trump e o líder norte-coreano Kim Jong-Un no Vietnã. O segundo encontro histórico de Trump e Jong-un, ocorrerá em duas etapas. A primeira será hoje (27) em um jantar e a segunda amanhã (28) com uma série de reuniões. Em discussão estão as políticas de desnuclearização e a flexibilização das sanções contra a Coreia do Norte.

O mercado ainda aguarda pela formalização do adiamento do prazo para a imposição de tarifas dos Estados Unidos aos produtos chineses no valor de US$ 200 bilhões. 

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As bolsas europeias operam em queda, com destaque para os papéis da Air France-KLM que despencam até 10% após notícias de que o governo holandês busca por uma fatia maior no negócio.

As tensões geopolíticas com Paquistão e Índia e a expectativa com a reunião entre os líderes dos EUA e da China levaram ao encerramento sem direção definida das bolsas asiáticas.

No mercado de commodities, os preços do petróleo sobem à medida que a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) se prepara para novos cortes na produção. O minério de ferro teme leve queda no mercado futuro de Dalian, na China, com os estoques elevados.

Reforma da Previdência 

O presidente Jair Bolsonaro reuniu-se na noite de ontem (26), durante quase três horas, com líderes de partidos na Câmara para discutir a reforma da Previdência. No encontro, eles trataram de eventuais mudanças na proposta enviada ao Congresso, sobretudo nas regras previstas para o BPC (Benefício de Prestação Continuada) e a aposentadoria rural.

"A insatisfação em relação ao governo permanece, e somente se dissipará quando a interlocução com o mesmo melhorar, mas sinalizações nessa direção foram dadas ontem. Em linhas gerais, a percepção é que a proposta da Reforma da Previdência já veio com gordura para possibilitar negociações", avalia a equipe de análise da XP Research, em relatório enviado a clientes. 

Os principais pontos de embate parecem ser a aposentadoria rural e o benefício de prestação continuada para idosos de baixa renda, o que poderia diluir a proposta inicial de R$ 1,17 trilhão para algo próximo de R$ 900 bilhão, segundo a XP. enquanto alguma flexibilização na regra de transição também é provável. "Na nossa visão, o cenário base deve ser uma economia de R$ 600 bilhões a R$ 800 bilhões, com o mercado esperando algo próximo à banda inferior", estimam. 

Segundo relatos dos deputados que estiveram no Palácio da Alvorada, o presidente está aberto a críticas e a mudanças na reforma. Participaram do encontro com o presidente 22 deputados federais, além do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

Na contramão desses relatos, o secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, negou que tenha dado qualquer sinalização às bancadas partidárias na Câmara sobre quais pontos poderiam ser flexibilizados na proposta de reforma da Previdência. Ele enfrentou durante todo o dia de ontem uma maratona de reuniões com as bancadas para detalhar os pontos da reforma.

Segundo a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), na sexta-feira (1º), haverá uma reunião entre os líderes do governo e o núcleo político de Bolsonaro para afinar os detalhes da estratégia de articulação política sobre a reforma.

Na reunião com Bolsonaro, os líderes também cobraram a entrega da proposta de reforma para os militares. Eles querem que a proposta já enviada pelo governo espere o texto sobre os militares para começar a tramitar. O martelo não foi batido sobre o assunto, mas Hasselmann, a nova líder do governo no Congresso, acredita que é possível entregar em breve o texto referente aos militares.

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O vice-presidente Hamilton Mourão ressaltou ontem que as mudanças na Previdência dos militares serão de fato encaminhadas por meio de um projeto de lei. A afirmação vai na contramão do líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), que disse, na segunda-feira (25), que está sendo estudada a possibilidade de uma medida provisória.

"Vi que o líder do governo andou falando isso. Ele pode mandar por MP, mas será encaminhada como projeto de lei", disse Mourão, depois de participar de evento no Círculo Militar, em São Paulo.

Agenda econômica 

No Brasil, a pesquisa PNAD Contínua apontou que a taxa de desemprego no mês de janeiro ficou em 12%, ligeiramente acima dos 11,9% da expectativa mediana da Bloomberg. São 12,7 milhões de pessoas desempregadas no país. 

Às 10h30 serão divulgados os números de estoque de crédito e às 14h30 o resultado primário do governo central de janeiro, ambos pelo Banco Central. O resultado primário será o primeiro indicador econômico relativo ao governo Bolsonaro e a mediana da Bloomberg aponta superávit de R$ 28,6 bilhões na arrecadação ante queda de R$ 31,8 bilhões no mês anterior. 

Nos Estados Unidos, além da continuidade das conversas do governo com Kim Jong-Un, os investidores ficarão atentos principalmente às publicações dos números dos pedidos às fábricas e de bens duráveis, ambos relativos ao mês de dezembro e divulgados às 12h.

A busca por mais pistas sobre o rumo dos juros no país continua com a fala de Jerome Powell, presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano), às 12h (de Brasília), no segundo dia do painel sobre bancos no Senado dos EUA. 

Ontem ,Powell manteve o tom considerado de neutro a “dovish” do discurso, indicando principalmente a busca pela inflação como meta principal do Fed, em vista aos desafios da atividade econômica ainda aquecida, apesar dos sinais recentes de contração.

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Noticiário político

A deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) disse que será a nova líder do governo no Congresso. Segundo a deputada, o anúncio foi feito pelo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, na abertura da reunião de Jair Bolsonaro com os líderes partidários, na noite de ontem (26), no Palácio da Alvorada.

A principal missão do líder do governo no Congresso é articular a aprovação do Orçamento Geral da União (OGU) e das demais leis orçamentárias, como a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), além de encaminhar a votação dos vetos presidenciais, em sessão de conjunta dos deputados e senadores.

Ainda sobre o Senado, o plenário aprovou na noite de ontem, por 55 a 6, o nome de Roberto Campos Neto para a presidência do Banco Central. Mais cedo, ele já havia sido sabatinado na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado. Agora, a aprovação será comunicada à Presidência da República, para oficialização.

Os indicados para a diretoria do banco também foram aprovados após acenarem à continuidade da gestão de política monetária iniciada pelo time de Ilan Goldfajn. 

Azeitando a articulação política, Bolsonaro assinou na noite de ontem a revogação do decreto que ampliava o número de servidores autorizados a impor sigilo a documentos públicos. A decisão foi tomada para evitar uma nova derrota política no Senado, uma vez que o decreto foi suspenso pela Câmara na semana passada.

Na agenda política, o ministro da Economia, Paulo Guedes, tem almoço marcado com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o presidente do Senado, e Davi Alcolumbre, às 13h. Na sequência, às 15h, Guedes participa de reunião do CMN (Conselho Monetário Nacional) e às 17h de reunião do Conselho de Defesa Nacional

 

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