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Ibovespa sobe com sinal de continuidade de Campos Neto e fala de Powell

Os investidores aguardam ainda a reunião de articulação política entre Jair Bolsonaro e líderes da Câmara dos Deputados no fim do dia

Roberto Campos Neto
(Pedro França/Agência Senado)

SÃO PAULO - O Ibovespa sobe de olho na sabatina de Roberto Campos Neto, indicado para a presidência do Banco Central, que acenou à continuidade das políticas atual da autoridade monetária, comandada por Ilan Goldfajn. A sinalização agrada ao mercado e os juros futuros caem. 

Neste contexto, às 13h39 (horário de Brasília), o Ibovespa subia 0,52%, a 97.748 pontos. O contrato de dólar futuro com vencimento em março de 2019 tinha alta de 0,15%, cotado a R$ 3,757, e o dólar comercial subia 0,35%, para R$ 3,757. 

No mercado de juros, o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2021 caía de 7,12% para 7,09%, e o DI para janeiro de 2023 caía de 8,24% para 8,20%. Há grande expectativa com as declarações de Campos Neto.

“[Farei] trabalho incansável na busca do cumprimento da missão de assegurar a estabilidade do poder de compra da moeda e um sistema financeiro sólido e eficiente", disse Campos Neto em sabatina que começou às 10h (de Brasília) na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Ele ainda defendeu a autonomia para o Banco Central e disse que o atual governo “está trabalhando para implementar uma agenda modernizadora e liberalizante”.

Ainda sobre bancos centrais, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, disse que a economia dos Estados Unidos está saudável, mas enviando "sinais conflitantes" que justificam uma "abordagem paciente" em futuras mudanças nas taxas de juros. 

"Ao mesmo tempo em que vemos as condições econômicas atuais como saudáveis e as perspectivas econômicas como favoráveis, nos últimos meses vimos algumas contracorrentes e sinais conflitantes", disse Powell durante painel sobre bancos do Senado norte-americano. Como o mercado já esperava, Powell deve reforçou o tom suave em relação à alta de juros.

Os investidores aguardam ainda a reunião de articulação política entre Jair Bolsonaro e líderes da Câmara dos Deputados, prevista para 18h (de Brasília) no Palácio da Alvorada. Dada à importância do encontro para obter apoio para a aprovação da reforma da Previdência, os parlamentares estão chamando esta terça-feira de "Dia D".

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"Não se costuma sair de uma conversa grande como essa com todos os problemas resolvidos, mas o gesto do presidente é importante e terá efeito se os sinais dados forem sendo confirmados com ações práticas da Casa Civil e do restante de seu ministério na sequência", avalia a equipe da XP Política, em relatório enviado a clientes.

Mesmo que nem todas as perguntas sejam respondidas, vale ficar de olho em quem participará da reunião. Bolsonaro convidou partidos da oposição em um aceno à abertura de diálogo, mas eles viraram as costas. Restará aos aliados avaliar se haverá melhora na comunicação - tão criticada até aqui - do novo governo. 

Bolsas mundiais

As bolsas dos Estados Unidos passaram a operar perto da estabilidade após dados acima do esperado da confiança do consumidor. Os investidores seguem cautelosos com as conversas entre EUA e China para colocar fim à guerra tarifária. No domingo (24), o presidente Donald Trump disse que adiaria o prazo para a imposição de tarifas aos produtos chineses no valor de US$ 200 bilhões. 

"Apesar do fato de que Memorandos de Entendimento estão sendo discutidos cobrindo áreas-chave, os detalhes de um acordo permanecem desconhecidos. Sua implementação e monitoramento serão fundamentais para o alivio das tensões entre Washington e Pequim no longo prazo", avalia o time da XP Investimentos.

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Sem novos detalhes sobre as conversas entre China e Estados Unidos, a cautela se impõe também sobre os negócios nas bolsas na Europa, que recuam. As bolsas chinesas fecharam em queda pelo mesmo motivo. 

No mercado de commodities, os preços do petróleo buscam recuperação após a queda na sessão anterior diante do pedido de Trump para que a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) aliviasse os altos preços. O minério de ferro afunda mais de 3% no mercado futuro de Dalian, na China, com os estoques elevados.

Reforma da Previdência 

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), disse ontem que a instalação das comissões permanentes da Casa será realizada na semana após o carnaval, a partir do dia 12 de março. Com isso, a contagem de prazo para a tramitação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Reforma da Previdência, na CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania), deve atrasar.

A expectativa inicial, do próprio Maia, era que o colegiado, composto por 66 integrantes, fosse instalado esta semana. A CCJ é a primeira etapa de tramitação da reforma. Cabe à comissão analisar se a proposta está ou não em desacordo com a Constituição Federal, o chamado exame de admissibilidade.

Maia disse que a tramitação da reforma no Parlamento será mais lenta, mas minimizou o adiamento da instalação das CCJ e das demais comissões para a segunda semana de março. Ele explicou também que o governo ainda está formando sua base de apoio no Congresso e o prazo maior para a instalação das comissões dará mais fôlego à articulação política.

Essa articulação política deve ter seu "Dia D" hoje, segundo deputados experientes que falaram com a reportagem do jornal O Estado de S. Paulo. Eles esperam que, na reunião do presidente Jair Bolsonaro com os líderes da Casa, apareçam ao menos diretrizes de como será o relacionamento entre Executivo e Legislativo sob o novo governo. Depende dessa sinalização a definição da relatoria da reforma da Previdência, por exemplo. 

Vale lembrar que a comunicação de Bolsonaro - ou falta dela - vem sendo muito criticada até mesmo por aliados. Caso Bolsonaro não dê indicação de que melhorará a articulação, os líderes do Centrão planejam não assumir o ônus da relatoria do projeto e entregá-la a um parlamentar do PSL, informa o Estadão.

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Ainda segundo o jornal, o presidente ouviu ontem um alerta de seus vice-líderes na Câmara de que precisa azeitar, e logo, sua relação com os parlamentares.

A reunião de hoje terá participação dos deputados Capitão Augusto (PR-SP), Darcísio Perondi (MDB-RS), Coronel Armando (PSL-SC) e José Medeiros (Podemos-MT), além do líder, Major Vitor Hugo (PSL-GO). Em um primeiro movimento em direção aos oposicionistas após a eleição, Bolsonaro convidou o PDT e o PSB. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a ideia é abrir diálogo com siglas que, mesmo fora da base aliada, podem dar votos para aprovar a reforma da Previdência.

A estratégia, porém, não foi bem sucedida até agora. Os líderes das duas legendas já avisaram que não irão ao encontro e criticaram a ausência de convite para os demais partidos de oposição, como o PT, o PSOL e o PCdoB.

Outra etapa aguardada da reforma é o envio das propostas de mudanças no sistema de aposentadoria dos militares. Segundo o jornal Valor Econômico, as alterações poderão ser feitas por meio de uma medida provisória. Originalmente, as alterações seriam enviadas ao Congresso em um projeto de lei, que tinha como base o texto formulado ainda durante o governo do Michel Temer.

A pressão para que a proposta de mudança previdenciária dos militares seja acelerada para tramitar paralelamente ao texto que modificará a Previdência dos civis foi tema de um encontro do presidente Jair Bolsonaro com comandantes das três Forças e o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo, ontem, no Palácio do Planalto, acrescenta a reportagem do Valor. Na reunião, Azevedo prometeu definir nos próximos dias o texto da reforma da Previdência dos militares, que o governo pretende enviar ao Congresso em até duas semanas depois do Carnaval. 

O jornal O Globo traz a informação de que os militares deverão ter asseguradas a paridade (mesmo reajuste salarial dos ativos) e a integralidade (salário igual ao do último posto). A manutenção desses dois benefícios foi acertada entre comandantes das Forças Armadas e a equipe econômica, segundo a reportagem.

Em troca, o tempo na ativa passará dos atuais 30 anos para 35 anos (homens e mulheres) e a contribuição atual para o regime passará dos atuais 7,5% para 10,5% (de forma progressiva, um ponto a cada ano). Pensionistas e alunos em escola de formação (academia) passarão a recolher 7,5% imediatamente.

"A tendência é que o projeto que trata da Previdência dos militares seja enviado ao Congresso antes do dia 20 de março", disse uma fonte próxima ao assunto ao jornal O Globo.

Noticiário político

A CNT (Confederação Nacional do Transporte) divulgou no final da manhã desta terça-feira (26) os resultados da primeira pesquisa realizada em parceria com a MDA sobre a popularidade de Jair Bolsonaro. Seu governo foi avaliado como ótimo ou bom por 38,9% da população. Os que avaliaram o governo Bolsonaro como regular foram 29%, e os que o avaliaram como ruim ou péssimo foram 19%. 13,1% não souberam opinar sobre o tema.

Com relação à aprovação pessoal do presidente, 57,5% o aprovam, 28,2% o desaprovam e não sabe/não respondeu corresponde a 14,3%. A pesquisa CNT/MDA ouviu 2.002 pessoas entre os dias 21 e 23 em 137 municípios de 25 Unidades Federativas, das cinco regiões do país.

O levantamento aponta que 82,7% dos ouvidos pelo levantamento disseram ter votado em Bolsonaro no pleito de 2018 sendo que, destes, 70,4% afirmaram que estão satisfeitos com o voto, enquanto 15,9% estão muito satisfeitos, enquanto 7,6% se declararam arrependidos. Para 55,4% dos entrevistados, o governo do presidente está sendo melhor do que o de Michel Temer (MDB), para 24,3% está sendo igual e, para 8,7%, pior.

(Com Agência Brasil e Agência Estado)

 

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