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Os 5 assuntos que vão agitar os mercados nesta terça-feira

Mercado espera por novidades em imbróglio entre China e EUA enquanto acompanha sabatina de novo presidente do BC e articulação de Bolsonaro para aprovação da reforma 

Paulo Guedes e Jair Bolsonaro
(Alan Santos/PR)

SÃO PAULO - O otimismo das bolsas globais com o aparente acerto entre Estados Unidos e China, ao menos para prolongar a trégua que acabaria em 1º de março, durou pouco. A falta de novidades ou até mesmo da confirmação desse adiamento de prazo minou os ânimos dos investidores e o dia é de queda na maior parte das bolsas ao redor do mundo.

Por aqui, as atenções seguem com a articulação política para que a reforma da Previdência apresentada pelo governo de Jair Bolsonaro seja aprovada - e rápido - no Congresso. O presidente tem hoje o que os parlamentares estão chamando de "Dia D" para sua articulação. Às 18h (de Brasília), Bolsonaro receberá os líderes da Câmara no Palácio da Alvorada. 

"Não se costuma sair de uma conversa grande como essa com todos os problemas resolvidos, mas o gesto do presidente é importante e terá efeito se os sinais dados forem sendo confirmados com ações práticas da Casa Civil e do restante de seu ministério na sequência", avalia a equipe da XP Política, em relatório enviado a clientes.

Mesmo que nem todas as perguntas sejam respondidas, vale ficar de olho em quem participará da reunião. Bolsonaro convidou partidos da oposição em um aceno à abertura de diálogo, mas eles viraram as costas. Restará aos aliados avaliar se haverá melhora na comunicação - tão criticada até aqui - do novo governo. O apoio da sociedade também foi medido e avaliação do governo de Bolsonaro será divulgada às 11h pela pesquisa CNT/MDA. 

As atenções ainda estarão voltadas para os bancos centrais. A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado sabatina Roberto Campos Neto, indicado para a presidência do Banco Central, a partir das 10h. Ainda serão sabatinados Bruno Serra Fernandes e João Manoel Pinho de Mello, indicados para as diretorias de política monetária e de organização do sistema financeiro do BC, respectivamente. Além disso, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, fala no painel sobre bancos do Senado, às 11h45. 

Veja no que ficar de olho nesta segunda-feira (25):

1. Bolsas mundiais

As bolsas dos Estados Unidos apontam para uma abertura em queda por cautela com as conversas com a China para colocar fim à guerra tarifária. No domingo (24), o presidente Donald Trump disse que adiaria o prazo para a imposição de tarifas aos produtos chineses no valor de US$ 200 bilhões. 

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Sem novos detalhes sobre as conversas entre China e Estados Unidos, a cautela se impõe também sobre os negócios nas bolsas na Europa, que recuam. As bolsas chinesas fecharam em queda pelo mesmo motivo. 

No mercado de commodities, os preços do petróleo buscam recuperação após a queda na sessão anterior diante do pedido de Trump para que a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) aliviasse os altos preços. O minério de ferro afunda mais de 3% no mercado futuro de Dalian, na China, com os estoques elevados.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 7h58 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA) -0,20%

*Dow Jones Futuro (EUA) -0,24%

*Nasdaq Futuro (EUA) -0,33%

*DAX (Alemanha) -0,07%

*FTSE (Reino Unido) -1,20%

*CAC-40 (França) -0,25%

*FTSE MIB (Itália) -0,06%

*Hang Seng (Hong Kong) -0,65% (fechado)

*Xangai (China) -0,67% (fechado)

*Nikkei (Japão) -0,37% (fechado)

*Petróleo WTI +0,13%, a US$ 55,55 o barril

*Petróleo brent +0,61%, a US$ 65,16 o barril

*Bitcoin US$ 3.802 +0,78%
R$ 14.525 +0,28% (nas últimas 24 horas)

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian -3,180%, a 593,50 iuanes (nas últimas 24 horas) 

2. Reforma da Previdência 

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), disse ontem que a instalação das comissões permanentes da Casa será realizada na semana após o carnaval, a partir do dia 12 de março. Com isso, a contagem de prazo para a tramitação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Reforma da Previdência, na CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania), deve atrasar.

A expectativa inicial, do próprio Maia, era que o colegiado, composto por 66 integrantes, fosse instalado esta semana. A CCJ é a primeira etapa de tramitação da reforma. Cabe à comissão analisar se a proposta está ou não em desacordo com a Constituição Federal, o chamado exame de admissibilidade.

Maia disse que a tramitação da reforma no Parlamento será mais lenta, mas minimizou o adiamento da instalação das CCJ e das demais comissões para a segunda semana de março. Ele explicou também que o governo ainda está formando sua base de apoio no Congresso e o prazo maior para a instalação das comissões dará mais fôlego à articulação política.

Essa articulação política deve ter seu "Dia D" hoje, segundo deputados experientes que falaram com a reportagem do jornal O Estado de S. Paulo. Eles esperam que, na reunião do presidente Jair Bolsonaro com os líderes da Casa, apareçam ao menos diretrizes de como será o relacionamento entre Executivo e Legislativo sob o novo governo. Depende dessa sinalização a definição da relatoria da reforma da Previdência, por exemplo. 

Vale lembrar que a comunicação de Bolsonaro - ou falta dela - vem sendo muito criticada até mesmo por aliados. Caso Bolsonaro não dê indicação de que melhorará a articulação, os líderes do Centrão planejam não assumir o ônus da relatoria do projeto e entregá-la a um parlamentar do PSL, informa o Estadão.

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Ainda segundo o jornal, o presidente ouviu ontem um alerta de seus vice-líderes na Câmara de que precisa azeitar, e logo, sua relação com os parlamentares.

A reunião de hoje terá participação dos deputados Capitão Augusto (PR-SP), Darcísio Perondi (MDB-RS), Coronel Armando (PSL-SC) e José Medeiros (Podemos-MT), além do líder, Major Vitor Hugo (PSL-GO). Em um primeiro movimento em direção aos oposicionistas após a eleição, Bolsonaro convidou o PDT e o PSB. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a ideia é abrir diálogo com siglas que, mesmo fora da base aliada, podem dar votos para aprovar a reforma da Previdência.

A estratégia, porém, não foi bem sucedida até agora. Os líderes das duas legendas já avisaram que não irão ao encontro e criticaram a ausência de convite para os demais partidos de oposição, como o PT, o PSOL e o PCdoB.

Outra etapa aguardada da reforma é o envio das propostas de mudanças no sistema de aposentadoria dos militares. Segundo o jornal Valor Econômico, as alterações poderão ser feitas por meio de uma medida provisória. Originalmente, as alterações seriam enviadas ao Congresso em um projeto de lei, que tinha como base o texto formulado ainda durante o governo do Michel Temer.

A pressão para que a proposta de mudança previdenciária dos militares seja acelerada para tramitar paralelamente ao texto que modificará a Previdência dos civis foi tema de um encontro do presidente Jair Bolsonaro com comandantes das três Forças e o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo, ontem, no Palácio do Planalto, acrescenta a reportagem do Valor. Na reunião, Azevedo prometeu definir nos próximos dias o texto da reforma da Previdência dos militares, que o governo pretende enviar ao Congresso em até duas semanas depois do Carnaval. 

O jornal O Globo traz a informação de que os militares deverão ter asseguradas a paridade (mesmo reajuste salarial dos ativos) e a integralidade (salário igual ao do último posto). A manutenção desses dois benefícios foi acertada entre comandantes das Forças Armadas e a equipe econômica, segundo a reportagem.

Em troca, o tempo na ativa passará dos atuais 30 anos para 35 anos (homens e mulheres) e a contribuição atual para o regime passará dos atuais 7,5% para 10,5% (de forma progressiva, um ponto a cada ano). Pensionistas e alunos em escola de formação (academia) passarão a recolher 7,5% imediatamente.

"A tendência é que o projeto que trata da Previdência dos militares seja enviado ao Congresso antes do dia 20 de março", disse uma fonte próxima ao assunto ao jornal O Globo.

3. Agenda econômica 

A agenda de indicadores é esvaziada no mercado doméstico. Atenção para a divulgação dos balanços de Enel, AES, Marcopolo, Carrefour, Raia Drogasil, Paraná Banco, Wiz, OdontoPrev, SulAmérica e Iguatemi. 

Às 11h (de Brasília) será divulgada pesquisa CNT/MDA sobre a popularidade do presidente Jair Bolsonaro. O levantamento foi feito entre 21 e 23 de fevereiro, após a divulgação da proposta de reforma da Previdência, no dia 20. 

Nos Estados Unidos, além da continuidade das conversas do governo com a China, os investidores ficarão atentos principalmente às publicações do indicador de confiança do consumidor do Conference Board. A busca por mais pistas sobre o rumo dos juros no país continua com a fala de Jerome Powell, presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano), às 11h45 (de Brasília), em painel sobre bancos no Senado dos EUA. 

Clique aqui e confira a agenda completa de indicadores e resultados.

4. Noticiário político

Acontece hoje, às 10h, a sabatina do economista Roberto de Oliveira Campos Neto, indicado pela Presidência para o cargo de presidente do Banco Central, na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado. A decisão sobre sua indicação deverá acontecer ainda hoje com o voto dos integrantes da comissão.

Segundo a GO Associados, a sabatina é a oportunidade de se avaliar também a receptividade dos senadores à proposta de independência do Banco Central, uma das pautas assumidas pelo governo Bolsonaro.

Além disso, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, disse ontem que apresentará a Bolsonaro o resultado sobre o andamento das investigações da Polícia Federal sobre o atentado sofrido pelo presidente em setembro do ano passado , em Juiz de Fora (MG), durante a campanha eleitoral. Ao deixar um seminário sobre segurança pública, no Superior Tribunal de Justiça (STJ), Moro disse que o inquérito está em andamento e não ainda foi concluído. 

5. Noticiário corporativo

>> De acordo com o jornal Folha de São Paulo, que conversou com um dos gerente da Vale (VALE3) , a diretoria executiva da companhia sabia de problemas na barragem que resultou no desastre de Brumadinho (MG). Essa é a primeira vez que um depoimento aponta diretamente para diretores executivos da empresa.

>>  A BrMalls (BRML3) anunciou na noite de ontem a venda de 70% no Shopping Sete Lagoas, em Minas Gerais, por R$ 46,2 milhões. A transação faz parte dos esforços da empresa para reciclar do portfólio de ativos e alocação de capital para gerar valor aos acionistas, afirmou a brMalls, que não identificou o comprador e disse que o valor já foi integralmente pago.

>> A JSL (JSLG3) informou ter apresentado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) o pedido de registro da oferta pública de distribuição primária e secundária de ações ordinárias da Vamos Locação de Caminhões, Máquinas e Equipamentos, sua controlada. O documento aponta que a oferta foi aprovada em assembleia geral extraordinária da Vamos realizada ontem, conjuntamente com o pedido de registro de companhia aberta junto à CVM e com a submissão do pedido de adesão da empresa ao Novo Mercado da B3.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a empresa quer levantar R$ 1,3 bilhão com a oferta. As instituições que vão coordenar a operação já foram contratadas: BB Investimentos, Santander Brasil, Bradesco, BTG Pactual, Bank of America Merril Lynch e XP Investimentos.

>> A CVM negou o pedido de um investidor da Embraer (EMBR3) para suspender a assembleia de acionistas prevista para acontecer nesta terça-feira (26). Apesar da liminar concedida pelo juiz Victorio Giuzio Neto, da 24ª Vara Cível Federal de São Paulo, na última sexta-feira (22), que suspende a assembleia, a companhia tenta mantê-la e, segundo o jornal Valor Econômico, a expectativa é de que o acordo seja aprovado.

“A Companhia tomará todas as medidas judiciais cabíveis para reverter a referida decisão e manterá seus acionistas e o mercado informados acerca de quaisquer desdobramentos relevantes relativos à mesma Ação Civil Pública”, disse a Embraer em nota.

>> A B2W (BTOW3) deu na semana passada, seus primeiros passos rumo ao comércio online internacional. Com um projeto-piloto de marketplace no site da Americanas.com, a companhia passou a oferecer produtos de varejistas e fabricantes americanos e chineses.

>> O grupo Pão de Açúcar (PCAR4) arrecadou R$ 200 milhões ontem com a venda em leilão de 40 milhões de ações ordinárias de sua controlada, a Via Varejo (dona da Casas Bahia e Ponto Frio). Com a operação, que havia sido anunciada ao mercado na quinta-feira (21), a participação da varejista na companhia caiu de 39,36% para 36,27%.

>> O Santander Brasil (SANB11) concluiu a aquisição das ações restantes da Getnet, passando a deter 100% da empresa credenciadora de cartões. As ações pertenciam à Manzat Inversiones e a Guilherme Alberto Berthier Stumpf.

>> O Grupo Notre Dame Intermédica (GNDI3) registrou lucro líquido de R$ 128,4 milhões no 4º trimestre de 2018 - alta de 9,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. O lucro operacional foi de R$ 170 milhões no período (alta de 5,4% na comparação anual), enquanto o ebitda (Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização, na sigla em inglês) atingiu R$ 225,3 milhões - um aumento de 7,6%.

Na opinião do Bradesco BBI, os resultados vieram “sólidos, mas com um ponto de atenção”. “O principal ponto de atenção é a falta de crescimento orgânico, uma vez que GNDI reportou uma perda orgânica de 21 mil vidas, o que pode implicar em um ambiente mais desafiador e competitivo, impactando o futuro crescimento da companhia”, escrevem.

“Por outro lado, ao incorporar Greenline, a GNDI deve ficar mais verticalizada, abrindo espaço para uma queda na perda de vidas ou transferindo sua eficiência no preço, tornando seu produto ainda mais competitivo”, concluem.

>> A Unidas (LCAM3 - ex-Locamerica) registrou um lucro líquido de R$ 62,3 milhões no 4º trimestre de 2018, uma valorização de 170,3% em relação ao mesmo período no ano passado. A receita líquida foi de R$ 896,6 milhões (aumento de 178,8%) e o lucro operacional atingiu R$ 165,8 milhões - alta de 146,5%

Com relação ao Ebitda da locadora de veículos, este atingiu R$ 249,7 milhões, um aumento de 134,1% em relação ao 4º trimestre de 2017.

>> O Grupo Carrefour Brasil (CRFB3) registrou um crescimento de 10,2% nas vendas consolidadas no 4º trimestre de 2018, a R$ 15,8 bilhões, de acordo com prévia operacional. As vendas mesmas lojas (LfL) tiveram um aumento de 6,2% no período, excluindo gasolina - maior nível desde o 1º trimestre de 2017. De acordo com a companhia, a expansão contribuiu com 4,3% no crescimento das vendas no trimestre, principalmente em função das novas aberturas de lojas Atacadão.

(Com Agência Brasil e Agência Estado)

 

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