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Da "quase perfeição" às decepções: as análises dos resultados que mexem com o mercado nesta sexta

Magazine Luiza anima com resultado mais uma vez surpreendente e Suzano desaponta mesmo com disparada de lucros

Bolsa ações gráfico
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Uma "enxurrada" de balanços de grandes empresas foi divulgada desde a noite de ontem (21) com gratas surpresas em meio a algumas decepções.

O Magazine Luiza (MGLU3) continuou a mostrar crescimento de dois dígitos ao avançar 14,5% no quarto trimestre de 2018, para R$ 189,6 milhões. O destaque ficou com as vendas do e-commerce, que saltaram 57,4% no período, patamar bem acima do comparado ao crescimento do mercado, de 13,4% (E-bit), e representaram 37,7% das vendas totais.

As ações da empresa chegam a saltar 12% neste pregão, fechando com ganhos de 10,43%. "Foi um ano perto da perfeição", segundo o presidente da companhia , Frederico Trajano, em teleconferência . "Os números mostram uma continuação de fortes tendências de crescimento e até mesmo aceleração no e-commerce, apesar de uma base de comparação difícil", afirmam os analistas do Bradesco BBI, em relatório enviado a clientes.

Além dos números fortes, é provável que os comentários da administração da empresa em torno do desenvolvimento de um "super app" criem entusiasmo com o crescimento futuro do Magazine Luiza e seu potencial para alavancar seus 17 milhões de clientes ativos.

Para o Brasil Plural, as ações do Magazine Luiza têm espaço de valorização de mais 24% neste ano, chegando ao preço-alvo de R$ 195. Veja mais sobre o resultado do Magalu clicando aqui. 

Outro balanço que agradou o mercado foi o da B3 (B3SA3), que registrou lucro líquido de R$ 715 milhões no quarto trimestre, uma alta de 12,5% ante um ano antes. A receita líquida aumentou 27,1%, para R$ 1,31 bilhão. As ações subiram 2,6%. 

A grande surpresa da apresentação de resultados da empresa foi a intenção de distribuir de 120% a 150% de seu lucro líquido em 2019 aos seus acionistas em forma de dividendo, JCP (juro sobre capital próprio) e/ou recompra de ações. A estimativa anterior era que o pagamento seria de 70% a 80% dos lucros. 

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Segundo cálculos do Brasil Plural, essa distribuição corresponde a um dividend yield (valor do provento dividido pelo preço da ação) de 4,9% a 6,2%. 

O pagamento previsto é "generoso", segundo o Brasil Plural, e decorrente dos ganhos de 50% no fluxo de caixa acima dos ganhos contábeis e de uma mudança em sua meta de alavancagem de 1 vez para 1,5 vez na relação entre dívida bruta/ebitda recorrente em 12 meses. 

A XP Research ressalta ainda que vê a B3 como um dos principais players financeiros para capturar o crescimento da economia brasileira e o desenvolvimento do mercado de capitais do país. 

A JHSF (JHSF3) não é uma das gigantes da bolsa, mas seu papel saltou até 11% nesta sessão após a empresa reverter o prejuízo de R$ 27,2 milhões em 2017 em um lucro de R$ 195,4 milhões em 2018.  Os papéis fecharam com alta de 6,70%, a R$ 2,23. Mas o otimismo pode estar exagerado.

Os analistas do Bradesco BBI, contudo, mantiveram a recomendação neutra para os ativos avaliando que, apesar do melhor desempenho operacional de seus shoppings, a JHSF continuará lutando para converter isso em uma forte rentabilidade. Essa análise, além das incertezas relacionadas ao aeroporto executivo a ser lançado este ano, suporta a recomendação. 

As ações da Natura (NATU3) dispararam no pregão de hoje após um salto de 48,7% no lucro líquido da companha no quarto trimestre para R$ 381,7 milhões. "Os resultados mostram um forte progresso em várias frentes", ressalta o Bradesco BBI, avaliando que o principal destaque positivo do resultado é o Brasil, que continua mostrando forte progresso em produtividade e, mais especificamente, em volume. 

"Isso provavelmente dará aos investidores mais confiança na sustentabilidade da recuperação do mercado doméstico. Além disso, o The Body Shop continua a apresentar resultados sólidos e, após 18 meses sob o guarda-chuva da Natura, seu desempenho permanece no caminho certo", avaliam os analistas. 

Já os acionistas da Multiplan (MULT3) parecem não ter dado muita bola para a queda de 16,5% no lucro líquido trimestral da companhia e subiram. 

Enquanto isso, a receita líquida ficou em R$ 348,1 milhões entre outubro e dezembro, uma alta de 7,6% na comparação anual. No ano, a receita subiu 6,3%, para R$ 1,2 bilhão. Já o Ebitda caiu 6,1% no quarto trimestre, a R$ 229,8 milhões, ao passo que em 2018 houve uma alta de 14,7%, para R$ 946,9 milhões.

Segundo o Credit Suisse, a Multiplan entregou um trimestre bastante positivo, com destaque para a alta das vendas nas mesmas lojas e um Ebida acima do esperado. "A Multiplan conseguiu manter o crescimento de aluguel acima da inflação. A combinação de um passo de vendas nas mesmas lojas acima das expectativas, manutenção do crescimento dos aluguéis nas mesmas lojas apesar do impacto da inflação, custos de ocupação em queda e um baixíssimo nível de inadimplência nos levam a ficar mais otimistas com o crescimento de receita nos próximos trimestres", avaliam os analistas. 

As ações da Localiza (RENT3) subiram mesmo com o crescimento tímido de 4% no lucro trimestral da companhia, para R$ 181,4 milhões.  A empresa de aluguel de veículos e de gestão de frotas registrou ainda um Ebitda de R$ 449 milhões no período, alta de 16,2% na base anual. 

"A empresa está bem capitalizada e prepara para o próximo ciclo de crescimento", destacou o Bradesco BBI, que mantém a avaliação outperform para os papéis baseado no aumento de capital recente de R$ 1,8 bilhão, na forte execução da administração da companhia para entregar o crescimento, o foco na lucratividade e a taxa de crescimento de lucro por ação "convincente" de 37% de 2018 a 2021.

O que não agradou o mercado...

Por outro lado, a Suzano (SUZB3)  não empolgou mesmo após seu lucro líquido aumentar incríveis 368% no último trimestre de 2018, para R$ 2,987 bilhões (ao incluir as operações da Fibria). As ações chegaram a cair 2,83%, mas amenizaram a queda durante a sessão e fecharam praticamente estáveis. 

Excluindo a Fibria, a Suzano obteve lucro líquido de R$ 1,462 bilhão, um salto de 308,5% ante lucro de R$ 358 milhões de igual período do ano anterior e revertendo prejuízo de R$ 108 milhões do terceiro trimestre.

O ROIC (Retorno sobre o Capital Investido) pro forma da nova Suzano, principal métrica de desempenho da empresa, passou de 14,5% em dezembro de 2017 para 20,8% no mesmo mês de 2018. Mas o custo da empresa aumentou.

O volume consolidado de celulose no trimestre caiu 28% na base trimestral, para 2,09 megatoneladas ante expectativa de queda de 21% da XP Investimentos, o que levou o custo operacional por tonelada a subir 8%, patamar 4% acima das estimativas da XP. O Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) total consolidado de R$ 3,9 bilhões foi 29% menor quando comparado ao trimestre anterior e 15% abaixo do esperado pelos analistas. 

Porém, as perspectivas são otimistas: "os volumes devem normalizar ao longo do semestre, enquanto que uma contínua retomada potencial dos preços de celulose deve ajudar a dar sustentação ao papel. O foco permanece nas atualizações sobre a integração com a Fibria e no anúncio de sinergias em março", afirma a XP Research em relatório enviado a clientes.

A decepção do dia ficou com a Hypera (HYPE3) após o lucro da companhia encolher 30,4% no trimestre, para R$ 309,8 milhões. A receita caiu 6,5%, para R$ 927,5 milhões. O Credit Suisse, ressalta que os números mostram deterioração no desempenho operacional, com queda na receita, pressão de custo e maior período de conversão de caixa em 50 dias.

A queda de receita foi consequência de uma desaceleração no segmento de antigripais e maior competição em vitaminas. Com isso a margem bruta reduziu em 480 pontos-base e o Ebitda caiu 10% na base anual. Apesar disso, o time de análise destaca que a empresa conseguiu entregar o guidance de 2018 (o que acabou não gerando tanto efeito para o desempenho das ações nesta sessão). 

CVC (CVCB3) também não agradou, mesmo após o crescimento de 31,3% em reservas de viagens no ano passado e o canal online saltar 70% no período.

"O resultado foi bom, sim, mas as despesas com marketing continuam subindo e diluíram novamente o ROIC (Retorno sobre o Capital Investido). Embora a empresa esteja crescendo e tenha espaço para crescer ainda mais, mercado pode questionar esse aumento de custos. Ainda somos otimistas e compradores em qualquer sinal de fraqueza das ações", afirmam os analistas da Rico, Matheus Soares e Thiago Salomão, em relatório.  

Na opinião dos analistas do Itaú BBA, os dados da empresa trouxeram mensagens positivas para as necessidades de capital de giro, uma de suas principais preocupações.

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"Acreditamos que os números não mudam nossa visão sobre a empresa ou nossas estimativas para o próximo ano. Portanto, estamos mantendo nossa recomendação de outperform [expectativa de desempenho acima da média do mercado] e valor justo de R$ 67 para a ação", escreveram os analisas em relatório enviado a clientes. As ações da empresa chegaram na mínima de R$ 60,30.

(Com Agência Estado e Bloomberg)

 

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