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Buffett vai revelar em breve se dor de cabeça financeira aliviou

O CEO da Berkshire recentemente tem tido dificuldade para encontrar negócios grandes e com bons preços que possam reduzir consideravelmente seu problema de caixa

Warren Buffett - Bloomberg
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(Bloomberg) -- Warren Buffett elogiou o pessimismo, dizendo que ele é amigo dos investidores, mas há um limite para o que um amigo pode fazer.

Como as ações dos EUA fecharam o pior ano desde a crise financeira, a Berkshire Hathaway gastou menos de US$ 2,2 bilhões em compras líquidas de ações ordinárias no quarto trimestre.

Isso significa que sua montanha de dinheiro, que permaneceu acima de US$ 100 bilhões nos últimos cinco trimestres, provavelmente teimou em continuar alta, a menos que tenha havido quantidades extraordinariamente grandes de recompras. E isso gera dúvidas sobre a perspectiva de Buffett antes da divulgação da carta anual da empresa, programada para sábado.

O CEO da Berkshire recentemente tem tido dificuldade para encontrar negócios grandes e com bons preços que possam reduzir consideravelmente seu problema de caixa. Longe de simplesmente esperar de braços cruzados, ele tem abocanhado ações de bancos, como o JPMorgan Chase e o Bank of America.

No entanto, até mesmo no terceiro trimestre, quando ele gastou a maior quantidade de dinheiro em compras líquidas de ações em mais de quatro anos, o caixa ficou em US$ 104 bilhões. Os investidores poderão vislumbrar quanto dinheiro a Berkshire tinha no final do ano com a carta que será divulgada no sábado.

"O dinheiro simplesmente está entrando mais rápido do que ele consegue aplicá-lo", disse David Sims, presidente da Sims Capital Management, que administra US$ 50 milhões, incluindo ações Classe B da Berkshire.

A empresa de Buffett deu um passo em 2018 para abrir outro nível de aplicação de capital ao afrouxar sua política de recompra de ações. Foi uma mudança crítica para uma empresa cujo CEO há muito tempo prefere gastar dinheiro em ações ordinárias ou adicionar negócios a seu conglomerado de US$ 507 bilhões.

A mudança ressaltou o quão difícil é para Buffett colocar dinheiro para trabalhar rápido o suficiente para conseguir acompanhar o ritmo das quantias crescentes de dinheiro que a Berkshire acumula.

"As coisas estão caras", disse Meyer Shields, analista da Keefe, Bruyette & Woods, em uma entrevista. "Tradicionalmente, a Berkshire tem sido bastante cautelosa e muito paciente para não comprar coisas que estiverem caras. Este é um dos elementos do sucesso deles e é a coisa certa a fazer."

A mudança na política de recompra efetuada no ano passado apenas reduziu US$ 928 milhões dos recursos no terceiro trimestre, embora outras possam estar por vir. Os analistas do Morgan Stanley estão estimando US$ 2,5 bilhões em recompras no quarto trimestre e US$ 10 bilhões em 2019.

Outro assunto que também poderia ser mencionado na carta de sábado são as dores de cabeça contábeis.

Buffett alertou os acionistas sobre as oscilações "selvagens" oriundas de uma nova regra contábil que exige que a Berkshire, que tem sede em Omaha, Nebraska, incorpore ganhos e prejuízos não realizados em sua carteira de ações aos números da renda líquida.

Isso poderia contribuir para US$ 22,4 bilhões em prejuízos líquidos para a Berkshire no quarto trimestre, em comparação com um lucro de US$ 32,6 bilhões durante o mesmo período do ano anterior, de acordo com estimativas do Morgan Stanley.

©2019 Bloomberg L.P.

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