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Ibovespa Futuro sobe à espera de divulgação da reforma da Previdência

A aprovação do projeto ajudará o país a colocar a política fiscal nos trilhos

Jair Bolsonaro
(Valter Campanato/Agência Brasil)

SÃO PAULO - O mercado doméstico deve ter um dia positivo diante das expectativas otimistas em relação aos detalhes da proposta da reforma da Previdência, que deve ser divulgada para a imprensa logo na abertura da bolsa e entregue ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, ainda nesta manhã. Se o projeto for robusto e prever uma grande economia, os investidores devem reagir com otimismo generalizado no mercado doméstico. A aprovação do projeto ajudará o país a colocar a política fiscal nos trilhos.

Após várias semanas de discussão entre a equipe econômica e o núcleo do governo, o que se sabe é que ficou decidido que a proposta fixará idade mínima de 65 anos para aposentadoria de homens e 62 anos para mulheres, com um período de transição de 12 anos. O mercado aprovou os números.

Neste contexto, às 9h22 (horário de Brasília), o Ibovespa futuro subia 0,42%, a 98.645 pontos. O contrato de dólar futuro com vencimento em março de 2019 tinha alta de 0,17%, cotado a R$ 3,732, e o dólar comercial avançava 0,35%, para R$ 3,729. 

No mercado de juros, a perspectiva otimista com a reforma e a espera pela ata do Fomc mantém os investidores em compasso de espera e os contratos futuros com vencimento em janeiro de 2021 caíam de 7,02% para 7,01%, e os contratos para janeiro de 2023 recuavam de 8,11% para 8,10%.

Como pano de fundo, segue o imbróglio entre o governo de Jair Bolsonaro com o ex-ministro, Gustavo Bebianno. Os analistas da Rico Investimentos, Matheus Soares e Thiago Salomão, observam que a reforma da Previdência ganhou "ares dramáticos de tensão" após a crise do governo e o vazamento das conversas via Whatsapp entre Jair Bolsonaro e o até então ministro Gustavo Bebianno.

"Embora o conteúdo não tivesse nada comprometedor, ele desmente Bolsonaro, que havia dito que não havia falado com Bebianno", afirmam os analistas em relatório enviado a clientes.

Vale destacar que o mercado "ignorou" o vazamento dos áudios ontem e o Ibovespa seguiu em alta, deixando clara a confiança dos investidores com a reforma a ser apresentada.

Na noite de ontem, Bebianno disse que o vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente, foi o responsável pela sua demissão do governo. Cientistas políticos acendem luz amarela sobre a possibilidade de o caso respingar na reforma da Previdência e colocar sua tramitação em passos lentos. Vale lembrar que o governo sofreu ontem sua primeira derrota na Câmara com a suspensão do do decreto sobre sigilo de documentos. 

Ainda no radar dos investidores está a divulgação da ata da última de política monetária dos Estados Unidos. O documento será conhecido às 16h (de Brasília) e o mercado busca por mais informações sobre os próximos passo do Federal Reserve em relação à política de juros. 

O Ibovespa Futuro é um bom termômetro de como será o pregão, mas nem sempre prevê adequadamente movimentos na Bolsa a partir do sino de abertura

Bolsas mundiais

Os índices futuros dos Estados Unidos apontam para uma abertura perto da estabilidade à espera de novidades sobre a rodada de negociações entre China e Estados Unidos que acontece nesta semana. 

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Amanhã (21), começa a segunda parte das negociações, envolvendo funcionários de alto escalão. A equipe americana será liderada pelo Representante de Comércio dos EUA, Robert Lighthizer, e incluirá o Secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, e o Secretário do Comércio, Wilbur Ross. O Ministério do Comércio chinês informou que o vice-primeiro-ministro da China, Liu He, participará das conversas.

Os investidores aguardam ainda a divulgação da ata do Fomc sobre sua última reunião, na semana passada. Vale lembrar que, no mês passado, o Federal Reserve sinalizou que não haveria mais aumentos nas taxas. 

As bolsas europeias operam em leve alta, também à espera de novidades sobre a guerra comercial entre Estados Unidos e China. As bolsas asiáticas encerraram em alta após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que as negociações com a China estão indo bem, acrescentando que o atual prazo de 1º de março não é uma "data mágica", sinalizando - mais uma vez - que a data para início das tarifas sobre os produtos chineses pode ser adiada. 

No mercado de commodities, os preços do petróleo interrompem a sequência de cinco altas seguidas e têm leve queda e o minério de ferro cai quase 2% no mercado futuro de Dalian.

Reforma da Previdência 

O dia aguardado há meses pelo mercado financeiro chegou. O governo marcou para 10h15 (de Brasília) desta quarta-feira (20) uma coletiva para detalhar a proposta da reforma da Previdência. Segundo o porta-voz da presidência, Otávio Rêgo Barros, o presidente Jair Bolsonaro deve ir às 9h30 ao Congresso para entregar a proposta pessoalmente.

Leia mais: Quatro pontos para monitorar na proposta da reforma da previdência

Após a entrega do texto no Congresso e a coletiva, o ministro da Economia, Paulo Guedes e uma equipe do governo irão se reunir com líderes das bancadas para discutir a proposta. Além disso, o porta-voz ainda afirmou que o presidente Bolsonaro fará um discurso na noite desta quarta em rede nacional de rádio e TV para defender a reforma da Previdência.

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Agenda econômica 

A agenda doméstica é esvaziada e, nos Estados Unidos, a atenção fica para a ata da última reunião do Fomc e a expectativa por mais informações sobre os próximos passo do Federal Reserve em relação à política de juros. O documento será publicado às 16h (de Brasília).

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Noticiário político

Em primeira derrota do governo, a Câmara dos Deputados aprovou ontem a suspensão do decreto sobre sigilo de documentos. Os efeitos do decreto 9.690/19 permitia ocupantes de cargos comissionados classificar informações públicas nos graus de sigilo ultrassecreto ou secreto.

Antes dele, a classificação de informações públicas como ultrassecretas era exclusiva do presidente e do vice-presidente da República, ministros e autoridades equivalentes, comandantes das Forças Armadas e chefes de missões diplomáticas no exterior. O texto segue agora para o Senado.

No entanto, Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset, pondera sobre o tamanho desta derrota. "Muitos entendem a votação da questão de sigilos como um sinal do congresso, e foi, porém, a matéria estava essencialmente fadada à desaprovação. Importante notar tanto a reação com a apresentação hoje da reforma da previdência, quanto à votação dos destaques do importante Cadastro Positivo", avalia.

Sobre o imbróglio envolvendo o agora ex-ministro Gustavo Bebianno, a novela ganha novos capítulos. Bebianno disse, na noite de ontem, que o vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente, foi o responsável pela sua demissão do governo. “Fui demitido pelo Carlos Bolsonaro. Simples assim”, afirmou Bebianno em entrevista à rádio Jovem Pan.

Para Bebianno, Carlos Bolsonaro é uma pessoa com "agressividade acima do normal" e reconhecido como um "destruidor de reputações".  “Minha indignação é ter servido como soldado disposto a matar e morrer e no fim da linha ser crucificado e tachado de mentiroso, porque Carlos Bolsonaro fez macumba psicológica na cabeça do pai”, acrescentou.

Para Ricardo Ribeiro, analista político da MCM Consultores, o clã Bolsonaro fez "tempestade em copo d'água" com o caso Bebianno. "Ao contrário do que normalmente ocorre nesse tipo rusga entre presidente e ministro demitido, Bebianno saiu disparando contra o presidente, fazendo jus à sua nova foto no perfil do Instagram. Parece disposto a aumentar a intensidade da artilharia. Pode se transformar numa bola de neve", alerta o analista.

O receio é que a crise contamine a tramitação da reforma previdenciária. "Acho que já dá para dizer que essa tempestade está afetando o prognóstico para a reforma da Previdência. Não a ponto de descartá-la desde já. Mas aumentou a chance de demorar mais e de sair mais desidratada no final do percurso. Políticos vão se aproveitar da confusão", avalia Ribeiro.

Noticiário corporativo

>> A Engie Brasil Energia registrou lucro líquido de R$ 2,3 bilhões no ano passado, alta de 15,5% na comparação com o ano anterior. No último trimestre de 2018, a empresa teve lucro líquido de R$ 761,6 milhões, alta de 8,1% ante o mesmo período de 2017. A receita operacional líquida cresceu 25,5% no ano passado, para R$ 8,8 bilhões, e o ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) foi de 4,36 bilhões em 2018, aumento de 24,1%.

O conselho da companhia aprovou ainda a proposta de dividendos complementares no valor de R$ 76,7 milhões, a ser ratificada pela assembleia geral ordinária. Assim, o total de proventos relativos a 2018 atingirá cerca de R$ 2,27 bilhões, equivalente a 100% do lucro líquido distribuível ajustado.

>> A Via Varejo, rede controladora das redes varejistas Casas Bahia e Ponto Frio, registrou prejuízo líquido de R$ 279 milhões no quarto trimestre do ano passado, revertendo um lucro líquido de R$ 111 milhões de igual intervalo de 2017. No acumulado de 2018, o prejuízo líquido atingiu R$ 267 milhões, ante um lucro líquido de R$ 168 milhões em 2017.

Segundo a empresa, o prejuízo do quarto trimestre foi impactado, apesar do crescimento das vendas, pela menor margem bruta no período e por outras despesas operacionais, resultantes da reestruturação realizada pela companhia.

>> A Itaúsa, holding de investimentos do Itaú Unibanco, deverá avaliar investimentos no setor de gás, afirmou o presidente do grupo, Alfredo Setubal. Dona da Alpargatas e acionista do gasoduto NTS, a holding também está em um dos consórcios que disputam Transportadora Associada de Gás (TAG), que pertence à Petrobras.

Segundo Setubal, há a expectativa de a Petrobras reabrir a disputa pelo ativo. "Temos olhado bastante o setor de gás, que traz um retorno muito bom", disse o banqueiro, em teleconferência com analistas e investidores após a divulgação de seu balanço.

>> A Telefônica Brasil registrou um lucro líquido de R$ 1,486 bilhão no 4º trimestre de 2018, queda de 2% na base de comparação anual. O ebitda foi de R$ 4,046 bilhões no quarto trimestre, 7,4% superior frente o mesmo período de 2017, com margem de 36,5%, 2,4 pontos porcentuais acima na comparação anual. 

>> A TIM Participações teve lucro líquido normalizado de R$ 592 milhões no quarto trimestre de 2018, queda de 2,1% em relação ao mesmo período de 2017, enquanto a receita líquida foi de R$ 4,479 bilhões, alta de 5,2% na mesma base de comparação. 

O ebitda normalizado foi de R$ 1,868 bilhão, 5,6% acima quando comparado aos últimos três meses de 2017, enquanto a margem Ebitda teve leve alta de 0,2 ponto percentual, para 41,7%. 

"Do lado positivo, a companhia reportou crescimento contínuo na receita vindo de serviços móveis e fixos e menores despesas de rede. Por outro lado, o resultado apresentou aumento nas despesas administrativas e inadimplência. A companhia atingiu seu guidance em 2018 e esperamos uma reação neutra no papel", avalia o Itaú BBA. 

>> A WEG teve lucro líquido de R$ 335,28 milhões no quarto trimestre de 2018, queda de 12,1% na comparação anual, enquanto a receita operacional líquida foi a R$ 3,12 bilhões, 16,9% superior na mesma base de comparação, mas com baixa de 3,5% frente o terceiro trimestre do ano passado. O Ebitda teve leve alta de 0,2%, a R$ 489,806 milhões, enquanto a margem teve aumento de 0,6 ponto percentual, para 15,7%. 

>> O Conselho de Administração da BR Distribuidora aprovou a indicação de Alípio Pinto Júnior, diretor-executivo de Operação e Logística, para acumular interinamente o cargo de diretor-executivo de Mercado Corporativo e Lubrificantes. O antigo diretor, Gustavo Henrique Braga Couto, renunciou ao cargo. 

>> De acordo com fontes ouvidas pela Bloomberg, a Vale estima que levará pelo menos três meses para recuperar a licença para operar uma barragem de rejeitos para produção em sua mina de Brucutu, em Minas Gerais. A licença provisória da Vale para operar a barragem de rejeitos de Laranjeiras foi revogada em 5 de fevereiro.

Brucutu é uma das maiores minas da Vale, respondendo por cerca de 30 milhões de toneladas/ano. A Vale apelou da decisão do tribunal que interrompeu a produção de Brucutu, de acordo com a  fonte, enquanto a assessoria de imprensa da Vale não fez comentários imediatamente sobre a barragem de Laranjeiras. Já a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) de Minas Gerais diz que a Vale pode assinar um acordo que poderia garantir o funcionamento da Laranjeiras novamente, mas não especificou quanto tempo levaria para fazer um acordo.

>> A Estácio anunciou a saída de Orlando Ferreira (antigo diretor responsável pelas operações on-campus) e a substituição por Adriano Pistore (anteriormente responsável pelo ensino a distância). O novo diretor de EAD será Alexandre Aguieiras. "Vemos a notícia como um pouco negativa, pois é outra mudança significativa na liderança em um momento que é o principal ciclo de captação para o ano. Ferreira estava na empresa desde março de 2018", avalia o Itaú BBA. 

(Com Agência Brasil e Agência Estado)

 

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