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Ibovespa Futuro opera perto de zero e monitora governo após saída de Bebianno

Novas denúncias envolvendo ministro de Bolsonaro, retorno das bolsas em Wall Street e reunião ministerial estão no radar dos investidores

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(Shutterstock)

SÃO PAULO - O mercado doméstico se divide entre a contaminação pelo mau humor nas bolsas internacionais e as expectativas com a reforma da Previdência.

Às 9h22 (horário de Brasília), o Ibovespa futuro subia 0,21%, a 97.600 pontos. O contrato de dólar futuro com vencimento em março de 2019 tinha queda de 0,05%, cotado a R$ 3,734, e o dólar comercial avançava 0,08%, para R$ 3,736. 

Os mercados globais concentram suas atenções na nova rodada de negociações entre China e Estados Unidos para tentar solucionar a guerra comercial. As expectativas com uma resolução até 1 de março, prazo para a trégua entre os países, pesam sobre o humor dos investidores estrangeiros.

Vale lembrar que as bolsas em Wall Street voltam a operar após o feriado na véspera e, com o fim do horário de verão no Brasil, abrem às 11h30 (de Brasília).

No ambiente doméstico, os investidores começam o dia atentos a novas denúncias envolvendo o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, sobre a criação de candidaturas de laranjas para desviar recursos nas eleições de 2018 (leia mais detalhes abaixo).

O presidente Jair Bolsonaro dispensou ontem, no 48º dia da nova administração, o pivô da crise do governo nos últimos dias, Gustavo Bebianno, após tensões envolvendo acusações semelhantes. 

"A notícia era esperada, mas a forma como ela virou manchete foi confusa: alguns aliados não gostaram da condução, a oposição exige explicações sobre o motivo real da saída e o Ibovespa amargou queda de 1,07% [na véspera]", destacam os analistas da Rico Investimentos, Thiago Salomão e Matheus Soares.

"Se isso é um mero ‘ruído de curto prazo’ ou uma grande crise que está surgindo, nós só conseguiremos responder com assertividade após os ‘testes’ que o governo enfrentará esta semana", avaliam. 

Com objetivo de medir o apoio dos deputados à proposta de reforma da Previdência, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), incluiu na pauta de votação desta semana o projeto que permite os estados transformar as dívidas que têm a receber em títulos. Por meio de uma operação conhecida como securitização, esses papéis são oferecidos ao mercado financeiro para antecipação de recursos.

A votação serviria como um "termômetro" do apoio da base do governo. O projeto de securitização exige quórum qualificado de 257 votos favoráveis para ser aprovado. Já a PEC precisa de 308 votos, em dois turnos.

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Enquanto isso, Bolsonaro busca o clima de normalidade no governo e faz sua primeira reunião com os ministros desde que teve alta da cirurgia para a retirada da bolsa de colostomia.

O Ibovespa Futuro é um bom termômetro de como será o pregão, mas nem sempre prevê adequadamente movimentos na Bolsa a partir do sino de abertura

Bolsas mundiais

Todos os olhos dos mercados globais estão na guerra tarifária entre China e Estados Unidos. Os países vão lançar uma nova rodada de negociações a partir de hoje, em Washington, segundo comunicado da Casa Branca. Na semana passada, delegações dos dois países se reuniram em Pequim, mas não chegaram a um acordo comercial, embora ambos os lados tenham falado em "progresso" nas discussões.

Na quinta-feira (21), começa a segunda parte das negociações, envolvendo funcionários de alto escalão. A equipe americana será liderada pelo Representante de Comércio dos EUA, Robert Lighthizer, e incluirá o Secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, e o Secretário do Comércio, Wilbur Ross. O Ministério do Comércio chinês informou que o vice-primeiro-ministro da China, Liu He, participará das conversas.

Neste contexto, os índices futuros dos Estados Unidos apontam para uma abertura com perdas discretas no retorno do feriado da véspera. A divulgação de balanços e a expectativa com a divulgação da ata da última reunião do Fomc, que acontece amanhã, também estão no radar.

As bolsas europeias operam em queda à espera de avanços nas negociações comerciais de Estados Unidos e China. As bolsas asiáticas encerraram em queda também à espera de reuniões entre representantes do governo chinês e norte-americano. A informação vinda de Pequim de que os Estados Unidos estão tentando reduzir seu desenvolvimento tecnológico pesou sobre o humor dos investidores. A alegação é de que os equipamentos chineses de rede móvel de internet podem representar ameaças à segurança cibernética. 

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No mercado de commodities, os preços do petróleo do tipo WTI sobem, enquanto o tipo Brent opera em queda.

Reforma da Previdência e caso Bebianno

Após muito suspense que se estendeu até a tarde de ontem, Gustavo Bebianno foi demitido do cargo de ministro da Secretaria-Geral da Presidência por uma “decisão de foro íntimo” do presidente Jair Bolsonaro, segundo o porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros. A exoneração foi formalizada no Diário Oficial da União de hoje e o general Floriano Peixoto será o novo ministro da Secretaria-Geral da Presidência.

No entanto, o sangramento do governo pode não ter sido totalmente estancado. O PSL de São Paulo, maior diretório do partido do país, criticou a forma como Bolsonaro demitiu Bebianno e, segundo o Valor Econômico, para integrantes do partido, o desgaste público de Bebianno foi "injusto" e "desnecessário", e a demissão gerou uma "queimadura de terceiro grau" no governo. 

Há críticas também sobre a forma mais dura com que Bebianno foi tratado em relação ao ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, que é alvo de denúncias de criação de candidaturas de laranjas para desviar recursos durante a eleição. Em nova reportagem, a Folha de S. Paulo aponta que o ministro sabia do esquema do PSL

“Era o seguinte: nós mulheres iríamos lavar o dinheiro para eles. Esse era o esquema. O dinheiro viria para mim e retornaria para eles”, afirmou a professora aposentada Cleuzenir Barbosa à Folha.

Enquanto isso, o governo tenta tocar o barco e focar no maior interesse do mercado financeiro: a reforma da Previdência, cuja proposta deve ser entregue amanhã ao Congresso. Antes, Jair Bolsonaro irá se reunir nesta manhã com o Conselho de Ministros no Palácio do Planalto. Nessas reuniões, o presidente tem debatido com sua equipe as ações e metas dos primeiros 100 dias de governo. Esta será a primeira reunião ministerial do presidente após a internação para a retirada da bolsa de colostomia. 

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O presidente deve colocar seus ministros a par dos principais pontos da reforma e do processo de articulação da votação da PEC (proposta de emenda constitucional) no Congresso. Está previsto um pronunciamento de Bolsonaro, na quarta-feira (20), para informar a população sobre a necessidade da reforma e o que será alterado no sistema de aposentadorias do país. Os governadores vão se reunir em Brasília, também na quarta-feira, para debater a proposta com o ministro da Economia, Paulo Guedes.

Agenda econômica 

Atenção para o fim do horário de verão, que ocorreu no fim de semana e não irá mudar por enquanto o funcionamento da B3, mas a diferença de horário para os outros mercados será alterada, com atenção especial para as bolsas dos Estados Unidos, que passam a abrir às 11h30 (horário de Brasília). A diferença de horário para as bolsas europeias também mudou, aumentando em uma hora. A FTSE 100 de Londres funciona das 5h até 13h30, no horário de Brasília, mesmo horário do mercado alemão e espanhol. 

No mercado doméstico, destaque para os dados da arrecadação de impostos de janeiro, que serão divulgados às 14h30. A estimativa mediana do mercado, segundo a Bloomberg, é de arrecadação de R$ 157,6 bilhões

A presidente do Federal Reserve de Cleveland, Loretta Mester, fala às 10h50 (de Brasília).

Clique aqui para conferir a agenda completa de indicadores.

Noticiário político

Sérgio Moro, ministro da Justiça e Segurança Pública, deve ir ao Congresso hoje à tarde (19) para protocolar o projeto de lei anticrime, considerado uma das vitrines do novo governo. O projeto prevê alterações em 14 leis, como Código Penal, Código de Processo Penal, Lei de Execução Penal, Lei de Crimes Hediondos, Código Eleitoral, entre outros.

O objetivo, segundo o ministro, é endurecer o combate a crimes violentos, como o homicídio e o latrocínio, e também contra a corrupção e as organizações criminosas. A previsão é que Moro apresente o projeto acompanhado da mensagem assinada pelo presidente Jair Bolsonaro. Antes, o ministro conversa com secretários estaduais de Segurança Pública e participa de reunião ministerial, no Palácio do Planalto.

O projeto de lei de combate ao crime deverá tramitar paralelamente à proposta de reforma da Previdência.

Ainda na esteira das vitrines do novo governo, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Ricardo Lewandowski, disse ao jornal Valor Econômico que deve liberar no início de março a ação que trata das privatizações de empresas públicas para votação em plenário. 

Por fim, nesta terça, a 60ª fase da Lava Jato, chamada de Operação Ad Infinitum, foi deflagrada pela Polícia Federal (PF) para apurar um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo grandes quantias do chamado Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, por meio da atuação de operadores financeiros, entre os anos de 2010 a 2011, O dinheiro destinava a "irrigar campanhas eleitorais e efetuasse o pagamento de propina a agentes públicos e políticos aqui no Brasil”, diz a nota divulgada pela PF.

Noticiário corporativo

>> Segundo informa a coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo, o alto comando da Vale espera para breve, mais precisamente para esta semana, um pedido de prisão para alguém do seu alto comando. "A dúvida é se o pedido do MPF seria feito para toda a diretoria ou apenas para Peter Poppinga, diretor-executivo de Ferrosos, que já responde na Justiça pela tragédia de Mariana", informa a publicação. 

Além disso, o Ministério Público de Minas Gerais recomendou à Vale que adote medidas emergenciais para resgate e proteção dos bens culturais móveis existentes nas áreas sujeitas à ruptura das barragens B3 e B4, da Mina Azul, em Nova Lima, a 45 quilômetros de Belo Horizonte. No sábado (15), por determinação do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, 170 moradores que vivem nos arredores da mina foram retirados da região.

>> O Ministério Público Federal em Brasília, trabalha na denúncia criminal contra alvos da operação Bullish e mapeou um dano superior a R$ 2 bilhões causados pela JBS ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social).

Enquanto a denúncia criminal deve ter como alvo os irmãos Batista, os ex-ministros Guido Mantega e Antônio Palocci e funcionários do banco, uma ação civil vai cobrar o dano superior a R$ 2 bilhões da empresa do setor de alimentos e proteína animal. A informação foi antecipada pelo jornal O Globo e confirmada pelo jornal "O Estado de S. Paulo".

>> Segundo informa o Valor Econômico, ao mesmo tempo em que promete lançar ao mar 13 novas plataformas até 2023, a Petrobras se prepara para começar a enxugar a sua frota. A companhia pretende aposentar uma série de plataformas antigas a partir deste ano.

Isso ocorre, informa o jornal, em meio a lacunas nas regras ambientais, em um momento sensível para a indústria extrativa, no Brasil, depois da tragédia envolvendo os planos de desativação da barragem da Vale em Brumadinho (MG). Segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP), 41% das plataformas que operavam no Brasil em 2018 tinham 25 anos ou mais de operação. São mais de 60 unidades com esse perfil. Só a Petrobras tem planos para desmobilizar oito unidades até 2021, sobretudo no sul da Bacia de Campos.

>> Aéreas: A Justiça de São Paulo suspendeu ontem (18) a proibição imposta à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) de cancelar matrículas de aeronaves operadas pela Avianca, que está em recuperação judicial. De acordo com a decisão do desembargador Ricardo Negrão, da 2ª Câmara Reservada de Direito Empresarial, a agência poderá voltar a exercer integralmente suas atribuições legais, inclusive fazendo o cancelamento de matrículas da Avianca, até o julgamento colegiado do caso.

>> A Smiles deve investir mais de R$ 50 milhões em sua operação na Argentina, incluindo o lançamento de um site exclusivo para as atividades no país. Segundo a empresa, os 300 mil clientes argentinos já cadastrados na plataforma brasileira poderão migrar suas milhas para a conta argentina. O site local permitirá a emissão de passagens da Gol e outras 17 companhias aéreas com 100% de milhas ou milhas e pesos.

>> De acordo com fala da secretária-executiva do MME (Ministério de Minas e Energia), Marisete Pereira, à Folha de S. Paulo, a venda das ações da Eletrobras no mercado financeiro, processo que levará a União a deixar o controle da companhia, não deve ocorrer neste ano, como previa o governo federal. A mudança de rota levou o Tesouro Nacional a rever a sua previsão orçamentária.

Segundo a secretária. o governo está reavaliando o modelo de capitalização da Eletrobras e, com isso, não deve dar tempo de realizar a operação financeira ainda neste ano. "O ministro já afirmou que o processo está mantido. O que estamos discutindo é o modelo, como fazer. Pelo que vejo, deve ficar para 2020", afirmou ela ao jornal.

Cabe ressaltar que o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse ao Valor que deve liberar no início do mês que vem a ação que trata das privatizações de empresas públicas para votação em plenário. Segundo o ministro, o voto está praticamente pronto e terá cerca de 30 páginas, nas quais trará elementos para corroborar a liminar que concedeu em junho do ano passado, proibindo o governo de privatizar estatais sem prévia autorização do Congresso.

>> A Itaúsa divulgou o pagamento de juros sobre capital próprio (JCP) no valor de R$ 0,0081 por ação. O pagamento, que tomou como base a posição acionária no último domingo (17), será feito em 7 de março.

O braço de investimentos do Itaú também anunciou que pagará JCP e dividendos adicionais sobre 2018. Os juros sobre o capital próprio adicionais serão de R$ 0,3111 por ação, enquanto os dividendos adicionais serão de R$ 0,4532 por ação.

>> A Linx registrou um lucro líquido ajustado de R$ 18,5 milhões no quarto trimestre de 2018, 16,3% superior frente o mesmo período do ano anterior, enquanto o Ebitda ajustado foi de R$ 45,7 milhões no trimestre, alta de 16,3% na mesma base de comparação. Já a receita operacional líquida avançou 15,7%, a R$ 182,1 milhões. 

“Essas evoluções são explicadas pelo início da alavancagem operacional dos investimentos ocorridos durante os trimestres anteriores na Linx Pay Hub e Linx Digital, que seguem aumentando o seu mercado endereçável em novos mercados e geografias”, conforme ressaltou a empresa em seu release de resultados. 

>> A Cosan (CSAN3) teve a recomendação reduzida para neutra pelo JPMorgan, com preço-alvo de R$ 47, enquanto a Arezzo (ARZZ3) foi elevada para compra pelo Citi. Já o ADR (American Depositary Receipt) da Vale foi reiniciado com recomendação neutra pelo Goldman Sachs. 

>> Gafisa: Em meio à crise, GWI fecha todos os seus fundos para resgates. A gestora de recursos GWI, do investidor coreano Mu Hak You, fechou seus quatro fundos para resgates por tempo indeterminado.

>> A Randon divulgou seus dados operacionais referentes a janeiro de 2019, apresentando receita bruta total, sem eliminação e com impostos, de R$ 491,6 milhões no mês, alta de 28,6% ante os R$ 382,2 milhões observados no mesmo período do ano passado. A receita líquida consolidada foi de R$ 347,4 milhões, 26% superior frente os R$ 275,6 milhões de janeiro de 2018. 

De acordo com o Itaú BBA, os números foram positivos e mostraram um forte começo de ano, o que leva a reafirmar a recomendação outperform para os ativos, com preço-alvo de R$ 10 para 2019. 

>> A fabricante brasileira de armas Taurus anunciou ter assinado um memorando de entendimento para estudar a viabilidade uma joint venture com um grupo siderúrgico indiano para desenvolver a indústria bélica do país.

O objetivo da joint venture é fabricar e vender armas no território indiano, em conformidade com o programa local "Make in India", informa o comunicado. "A partir da assinatura do MoU, as partes terão até 180 dias para concluir os estudos de criação da joint venture e o plano de negócios a ser desenvolvido", destaca a empresa no documento. 

O acordo, aprovado pelo conselho de administração da Taurus em 14 de fevereiro, engloba uma estratégia global da fabricante brasileira para reestruturação dos negócios visando melhora de indicadores financeiros e operacionais, acrescentou a empresa.

(Com Agência Brasil, Bloomberg e Agência Estado)

 

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