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Os 5 assuntos que vão agitar os mercados nesta terça-feira

Novas denúncias envolvendo ministro de Bolsonaro, retorno das bolsas em Wall Street e reunião ministerial estão no radar dos investidores

Paulo Guedes e Jair Bolsonaro
(Alan Santos/PR)

SÃO PAULO - Os investidores começam o dia atentos a novas denúncias envolvendo o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, sobre a criação de candidaturas de laranjas para desviar recursos nas eleições de 2018. Vale lembrar que o governo dispensou ontem, no 48º dia da nova administração, seu pivô da crise dos últimos dias, Gustavo Bebianno, após tensões envolvendo acusações semelhantes. 

Enquanto isso, o presidente Jair Bolsonaro busca o clima de normalidade no governo e faz sua primeira reunião com os ministros desde que teve alta da cirurgia para a retirada da bolsa de colostomia.

Ainda no radar do mercados estão as bolsas em Wall Street, que voltam a operar após o feriado na véspera e, com o fim do horário de verão no Brasil, abrem às 11h30 (de Brasília). Os mercados globais concentram suas atenções na nova rodada de negociações entre China e Estados Unidos para tentar solucionar a guerra comercial.

EWZ (iShares MSCI Brazil ETF), principal ETF brasileiro, mostra queda de mais de 2% no pré market em um movimento de ajuste no retorno das operações nos Estados Unidos, após a queda do Ibovespa na véspera, e o peso de novas denúncias envolvendo o governo.

Veja no que ficar de olho nesta terça-feira (19):

1. Bolsas mundiais

Todos os olhos dos mercados globais estão na guerra tarifária entre China e Estados Unidos. Os países vão lançar uma nova rodada de negociações a partir de hoje, em Washington, segundo comunicado da Casa Branca. Na semana passada, delegações dos dois países se reuniram em Pequim, mas não chegaram a um acordo comercial, embora ambos os lados tenham falado em "progresso" nas discussões.

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Na quinta-feira (21), começa a segunda parte das negociações, envolvendo funcionários de alto escalão. A equipe americana será liderada pelo Representante de Comércio dos EUA, Robert Lighthizer, e incluirá o Secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, e o Secretário do Comércio, Wilbur Ross. O Ministério do Comércio chinês informou que o vice-primeiro-ministro da China, Liu He, participará das conversas.

Neste contexto, os índices futuros dos Estados Unidos apontam para uma abertura com perdas discretas no retorno do feriado da véspera. A divulgação de balanços e a expectativa com a divulgação da ata da última reunião do Fomc, que acontece amanhã, também estão no radar.

As bolsas europeias operam em queda à espera de avanços nas negociações comerciais de Estados Unidos e China. As bolsas asiáticas encerraram em queda também à espera de reuniões entre representantes do governo chinês e norte-americano. A informação vinda de Pequim de que os Estados Unidos estão tentando reduzir seu desenvolvimento tecnológico pesou sobre o humor dos investidores. A alegação é de que os equipamentos chineses de rede móvel de internet podem representar ameaças à segurança cibernética. 

No mercado de commodities, os preços do petróleo do tipo WTI sobem, enquanto o tipo Brent opera em queda.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 8h (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA) -0,16%

*Dow Jones Futuro (EUA) -0,13%

*Nasdaq Futuro (EUA) -0,10%

*DAX (Alemanha) +0,09%

*FTSE (Reino Unido) -0,41%

*CAC-40 (França) -0,25%

*FTSE MIB (Itália) -0,53%

*Hang Seng (Hong Kong) -0,42% (fechado)

*Xangai (China) +0,05% (fechado)

*Nikkei (Japão) +0,10% (fechado)

*Petróleo WTI +0,74%, a US$ 56,00 o barril

*Petróleo brent -0,41%, a US$ 66,23 o barril

*Bitcoin US$ 3.860 +4,36%
R$ 14.490 +6,15% (nas últimas 24 horas)

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian -0,01%, a 631,00 iuanes (nas últimas 24 horas) 

2. Reforma da Previdência e caso Bebianno

Após muito suspense que se estendeu até a tarde de ontem, Gustavo Bebianno foi demitido do cargo de ministro da Secretaria-Geral da Presidência por uma “decisão de foro íntimo” do presidente Jair Bolsonaro, segundo o porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros. A exoneração foi formalizada no Diário Oficial da União de hoje e o general Floriano Peixoto será o novo ministro da Secretaria-Geral da Presidência.

No entanto, o sangramento do governo pode não ter sido totalmente estancado. O PSL de São Paulo, maior diretório do partido do país, criticou a forma como Bolsonaro demitiu Bebianno e, segundo o Valor Econômico, para integrantes do partido, o desgaste público de Bebianno foi "injusto" e "desnecessário", e a demissão gerou uma "queimadura de terceiro grau" no governo. 

Há críticas também sobre a forma mais dura com que Bebianno foi tratado em relação ao ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, que é alvo de denúncias de criação de candidaturas de laranjas para desviar recursos durante a eleição. Em nova reportagem, a Folha de S. Paulo aponta que o ministro sabia do esquema do PSL

“Era o seguinte: nós mulheres iríamos lavar o dinheiro para eles. Esse era o esquema. O dinheiro viria para mim e retornaria para eles”, afirmou a professora aposentada Cleuzenir Barbosa à Folha.

Enquanto isso, o governo tenta tocar o barco e focar no maior interesse do mercado financeiro: a reforma da Previdência, cuja proposta deve ser entregue amanhã ao Congresso. Antes, Jair Bolsonaro irá se reunir nesta manhã com o Conselho de Ministros no Palácio do Planalto. Nessas reuniões, o presidente tem debatido com sua equipe as ações e metas dos primeiros 100 dias de governo. Esta será a primeira reunião ministerial do presidente após a internação para a retirada da bolsa de colostomia. 

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O presidente deve colocar seus ministros a par dos principais pontos da reforma e do processo de articulação da votação da PEC (proposta de emenda constitucional) no Congresso. Está previsto um pronunciamento de Bolsonaro, na quarta-feira (20), para informar a população sobre a necessidade da reforma e o que será alterado no sistema de aposentadorias do país. Os governadores vão se reunir em Brasília, também na quarta-feira, para debater a proposta com o ministro da Economia, Paulo Guedes.

3. Agenda econômica 

Atenção para o fim do horário de verão, que ocorreu no fim de semana e não irá mudar por enquanto o funcionamento da B3, mas a diferença de horário para os outros mercados será alterada, com atenção especial para as bolsas dos Estados Unidos, que passam a abrir às 11h30 (horário de Brasília). A diferença de horário para as bolsas europeias também mudou, aumentando em uma hora. A FTSE 100 de Londres funciona das 5h até 13h30, no horário de Brasília, mesmo horário do mercado alemão e espanhol. 

No mercado doméstico, destaque para os dados da arrecadação de impostos de janeiro, que serão divulgados às 14h30. A estimativa mediana do mercado, segundo a Bloomberg, é de arrecadação de R$ 157,6 bilhões

A presidente do Federal Reserve de Cleveland, Loretta Mester, fala às 10h50 (de Brasília).

Clique aqui para conferir a agenda completa de indicadores.

4. Noticiário político

Sérgio Moro, ministro da Justiça e Segurança Pública, deve ir ao Congresso hoje à tarde (19) para protocolar o projeto de lei anticrime, considerado uma das vitrines do novo governo. O projeto prevê alterações em 14 leis, como Código Penal, Código de Processo Penal, Lei de Execução Penal, Lei de Crimes Hediondos, Código Eleitoral, entre outros.

O objetivo, segundo o ministro, é endurecer o combate a crimes violentos, como o homicídio e o latrocínio, e também contra a corrupção e as organizações criminosas. A previsão é que Moro apresente o projeto acompanhado da mensagem assinada pelo presidente Jair Bolsonaro. Antes, o ministro conversa com secretários estaduais de Segurança Pública e participa de reunião ministerial, no Palácio do Planalto.

O projeto de lei de combate ao crime deverá tramitar paralelamente à proposta de reforma da Previdência.

Ainda na esteira das vitrines do novo governo, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Ricardo Lewandowski, disse ao jornal Valor Econômico que deve liberar no início de março a ação que trata das privatizações de empresas públicas para votação em plenário. 

Por fim, nesta terça, a 60ª fase da Lava Jato, chamada de Operação Ad Infinitum, foi deflagrada pela Polícia Federal (PF) para apurar um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo grandes quantias do chamado Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, por meio da atuação de operadores financeiros, entre os anos de 2010 a 2011, O dinheiro destinava a "irrigar campanhas eleitorais e efetuasse o pagamento de propina a agentes públicos e políticos aqui no Brasil”, diz a nota divulgada pela PF.

5. Noticiário corporativo

>> O Ministério Público de Minas Gerais recomendou à Vale que adote medidas emergenciais para resgate e proteção dos bens culturais móveis existentes nas áreas sujeitas à ruptura das barragens B3 e B4, da Mina Azul, em Nova Lima, a 45 quilômetros de Belo Horizonte. No sábado (15), por determinação do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, 170 moradores que vivem nos arredores da mina foram retirados da região.

>> O Ministério Público Federal em Brasília, trabalha na denúncia criminal contra alvos da operação Bullish e mapeou um dano superior a R$ 2 bilhões causados pela JBS ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social).

Enquanto a denúncia criminal deve ter como alvo os irmãos Batista, os ex-ministros Guido Mantega e Antônio Palocci e funcionários do banco, uma ação civil vai cobrar o dano superior a R$ 2 bilhões da empresa do setor de alimentos e proteína animal. A informação foi antecipada pelo jornal O Globo e confirmada pelo jornal "O Estado de S. Paulo".

>> Aéreas: A Justiça de São Paulo suspendeu ontem (18) a proibição imposta à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) de cancelar matrículas de aeronaves operadas pela Avianca, que está em recuperação judicial. De acordo com a decisão do desembargador Ricardo Negrão, da 2ª Câmara Reservada de Direito Empresarial, a agência poderá voltar a exercer integralmente suas atribuições legais, inclusive fazendo o cancelamento de matrículas da Avianca, até o julgamento colegiado do caso.

>> A Smiles deve investir mais de R$ 50 milhões em sua operação na Argentina, incluindo o lançamento de um site exclusivo para as atividades no país. Segundo a empresa, os 300 mil clientes argentinos já cadastrados na plataforma brasileira poderão migrar suas milhas para a conta argentina. O site local permitirá a emissão de passagens da Gol e outras 17 companhias aéreas com 100% de milhas ou milhas e pesos.

(Com Agência Brasil, Bloomberg e Agência Estado)

 

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