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Ibovespa cai mais de 1% e perde os 97 mil pontos com "crise Bebianno"; dólar sobe para R$ 3,73

Índice volta a ter queda acentuada com mercado atento aos reflexos do caso da exoneração do ministro

Jair Bolsonaro
(José Cruz/Agencia Brasil)

SÃO PAULO - Em queda durante todo o pregão desta segunda-feira (18), o Ibovespa perdeu os 97 mil pontos diante das incertezas geradas pela maior crise do governo de Jair Bolsonaro com o seu ainda ministro Gustavo Bebianno. Desde o fim de semana há a expectativa da exoneração dele, mas até o fechamento do mercado nada havia sido confirmado. O dia ainda tem feriado nos Estados Unidos.

O Ibovespa fechou com queda de 1,04%, a 96.509 pontos, após chegar a 96.238 pontos na mínima do dia. O volume financeiro ficou em R$ 18,045 bilhões. Apesar do feriado nos EUA, o exercício de opções sobre ações acabou "compensando" o volume ao movimentar R$ 7,68 bilhões no segmento Bovespa, sendo R$ 6,5 bilhões em opções de compra e R$ 1,2 bilhão em opções de venda.

Enquanto isso, o contrato de dólar futuro com vencimento em março de 2019 teve alta de 0,93%, a R$ 3,738, ao passo que o dólar comercial subiu 0,78%, cotado a R$ 3,7324 na venda.

No mercado de juros, os ruídos políticos aumentam o prêmio por risco e os contratos futuros com vencimento em janeiro de 2021 subiram 6 pontos-base, para 7,02%, enquanto os contratos para janeiro de 2023 avançaram 11 pontos, a 8,14%.

Os atritos com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, que ainda não teve sua exoneração confirmada, pesam sobre o humor dos investidores. Apesar de ainda ter sido oficialmente exonerado, a expectativa é que o general Floriano Peixoto, atual número dois da pasta, assuma o cargo.

"A fritura e a busca por sua vaga têm novamente os militares como protagonistas, na tentativa de isolar Onyx Lorenzoni, conhecido pelo seu ‘trato’ com as pessoas", afirma Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset, em relatório enviado a clientes.

Os negócios neste início de semana são influenciados também pela expectativa da assinatura da proposta da reforma da Previdência e envio ao Congresso na quarta-feira (20), mesmo dia em que Bolsonaro fará uma coletiva para dar mais detalhes da proposta, que é mais dura que o anteriormente proposta por Michel Temer - o que agradou o mercado financeiro.

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Apesar de esse ainda ser ainda o primeiro passo, deve crescer o debate sobre a viabilidade da proposta e o apoio que o governo conseguirá, trazendo muita agitação para o mercado.

"À primeira vista, vemos a notícia como mais um dos 'ruídos de curto prazo' que devem agitar os mercados, por isso mantemos nosso viés bullish (otimista) para o longo prazo. No entanto, acompanharemos bem de perto estes desdobramentos para, se necessário, mudarmos rapidamente de opinião e de posição", afirmam os analistas Matheus Soares e Thiago Salomão, da Rico Investimentos, em relatório enviado a clientes.

A saída do ministro, por si só, já demonstraria certa fragilidade no governo Bolsonaro, ressaltam os analistas da Rico, porque o presidente tinha em Bebianno um dos principais articuladores dentro do Congresso. Assim, os analistas monitoram se a crise desencadeada por Bebianno terá efeito positivo, negativo ou neutro no andamento da Reforma da Previdência.

Bebianno deu a entender, em entrevistas durante o fim de semana, que, se cair, levará mais gente com ele, o que pode aumentar a tensão política em Brasília.

Destaques de ações
As maiores baixas, dentre as ações que compõem o índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 BRDT3 PETROBRAS BRON 25,31 -3,51 -1,52 79,33M
 QUAL3 QUALICORP ON 15,15 -3,01 +17,53 36,99M
 CIEL3 CIELO ON 10,66 -2,74 +19,91 74,64M
 ELET3 ELETROBRAS ON 35,43 -2,42 +46,22 113,46M
 UGPA3 ULTRAPAR ON 55,72 -2,33 +4,74 94,25M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 VVAR3 VIAVAREJO ON 5,47 +3,60 +24,60 51,09M
 MGLU3 MAGAZ LUIZA ON 168,54 +2,79 -6,61 77,43M
 CYRE3 CYRELA REALTON 16,80 +1,82 +8,60 18,97M
 CSNA3 SID NACIONALON 10,29 +1,48 +16,40 50,30M
 LAME4 LOJAS AMERICPN 19,75 +1,23 +0,64 51,94M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN N2 26,76 -0,30 1,08B 1,44B 46.553 
 VALE3 VALE ON 45,25 -1,37 810,81M 1,72B 37.720 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN 36,90 -1,60 652,34M 943,90M 25.356 
 BBAS3 BRASIL ON 54,27 -0,99 478,72M 624,47M 22.100 
 BBDC4 BRADESCO PN 44,95 -2,28 446,01M 717,91M 28.359 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 18,19 -1,62 264,18M 444,96M 29.550 
 B3SA3 B3 ON 31,97 -1,08 209,89M 400,80M 17.995 
 ITSA4 ITAUSA PN 12,96 -2,04 207,22M 347,08M 19.601 
 KROT3 KROTON ON 10,80 -0,74 144,67M 154,53M 23.258 
 PETR3 PETROBRAS ON N2 30,69 -1,16 131,22M 242,88M 10.733 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
IBOVESPA

Bolsas mundiais

As bolsas europeias fecharam em leve queda, em meio a novas complicações para o Brexit e à espera de avanços nas negociações comerciais de Estados Unidos e China.

Os índices estão pressionados por relatos de que um grupo de parlamentares do Partido Trabalhista britânico, de oposição, pretende renunciar em protesto à forma como o líder da legenda, Jeremy Corbyn, vem lidando com a questão do Brexit. 

O grupo, possivelmente formado por cinco legisladores, deverá fazer o anúncio ainda hoje, após semanas de pressão para que Corbyn mude de estratégia e inicie uma campanha para a realização de um segundo plebiscito sobre a permanência ou não do Reino Unido na União Europeia.

Corbyn diz que só manterá a opção de um segundo plebiscito "na mesa" se o governo da primeira-ministra britânica, Theresa May, não conseguir garantir com Bruxelas um acordo de Brexit que possa ser aprovado no Parlamento. O prazo final para que o Brexit ocorra é 29 de março.

As bolsas asiáticas encerraram em alta de olho nas reuniões entre representantes do governo chinês e norte-americano com o intuito de colocar fim à guerra tarifária entre os países.

Crise no governo

O mercado aguarda a confirmação da exoneração do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno. Sua demissão não consta na publicação regular do Diário Oficial da União, mas a oficialização ainda pode acontecer por meio de uma edição extraordinária do documento ou ainda por comunicado do governo.

Bebianno era presidente do PSL durante a campanha de 2018 e o partido vem sendo questionado pelo uso de R$ 400 mil do fundo partidário em benefício de uma candidata pouco expressiva em Pernambuco. A interferência do vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente, teve efeito incandescente sobre a crise gerada pelas denúncias ao chamar Bebianno de mentiroso e negar que o ministro tivesse falado sobre o caso com Bolsonaro, que endossou a declaração de Carlos. 

Enquanto isso, a cúpula do governo trabalha para tentar reverter a agenda negativa e encerrar a crise o quanto antes. A aposta será principalmente no envio do pacote anticorrupção e na reforma da Previdência ao Congresso , prometidos para os dias 19 e 20, respectivamente. "O assunto terminou. A crise acabou. Ninguém mais vai falar sobre isso", disse uma fonte palaciana ao jornal Valor Econômico.

O vazamento da informação, ainda na sexta-feira (15), de que Bebianno seria demitido hoje serviu para engrossar o caldo da crise. Durante o fim de semana, Bebianno demonstrou estar magoado com Bolsonaro. "É um direito que ele tem exonerar quem ele quiser, é um governo dele", afirmou ontem, acrescentando que não deve dar declarações logo após a confirmação de sua saída. "Agora é hora de esfriar a cabeça", disse.

Embora a saída de Bebianno não tenha sido confirmada, a fila parece já ter andado. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, Bolsonaro convidou o general da reserva Floriano Peixoto a assumir interinamente o Ministério da Secretaria-Geral. 

Reforma da Previdência

A proposta de reforma da Previdência deve ser enviada ao Congresso na quarta--feira (20). Logo depois de assinar o texto, o presidente Jair Bolsonaro fará um pronunciamento. Ele explicará a necessidade de mudar as regras de aposentadoria e de que forma a proposta será discutida no Congresso.

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Somente na quarta-feira serão revelados detalhes como a proposta para aposentadorias especiais de professores, policiais, bombeiros, trabalhadores rurais e profissionais que trabalham em ambientes insalubres. Também serão informadas as propostas para regras como o acúmulo de pensões e de aposentadorias e possíveis mudanças nas renúncias fiscais para entidades filantrópicas.

Falta saber ainda como ficarão o fator previdenciário - usado para calcular o valor dos benefícios dos trabalhadores do setor privado com base na expectativa de vida - e o sistema de pontuação 86/96, soma dos anos de contribuição e idade, atualmente usado para definir o momento da aposentadoria para os trabalhadores do setor privado. Em relação aos servidores públicos, ainda não se sabe qual será a proposta para a regra de transição.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM), confirmou ao Broadcast Político que o senador Tasso Jereissati (PSDB) deve ser o escolhido para comandar uma subcomissão do Senado dedicada a acompanhar os debates sobre a reforma na Câmara dos Deputados.

A ideia é que o Senado forme um grupo de sete parlamentares, que funcionaria como um colegiado atrelado à Comissão de Constituição e Justiça da Casa, para fazer "sugestões" aos deputados durante a primeira etapa de tramitação do projeto no Congresso.

Na avaliação de Alcolumbre, esta subcomissão vai "queimar etapas" para que o texto chegue mais "arredondado" no Senado e, assim, seja apreciado com mais celeridade.

Também na quarta-feira (20), governadores de todos os estados voltam a se reunir, pela terceira vez, em Brasília, para discutir a agenda econômica do país. Os chefes dos executivos estaduais esperam conversar diretamente com o ministro da Economia, Paulo Guedes. O Planalto não confirmou a presença do presidente Jair Bolsonaro.

 

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