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Saída de Bebianno pode ser apenas ruído de curto prazo para a bolsa, avalia Rico

A proposta da reforma deve ser enviada ao Congresso na quarta-feira e o mercado acompanha com atenção os efeitos da crise sobre o tema

Gustavo Bebianno
(Valter Campanato/Agência Brasil)

SÃO PAULO - O foco dos investidores está, neste início de semana, quase que totalmente nos desdobramentos da situação de Gustavo Bebianno, ministro da Secretaria-Geral da presidência e ex-presidente do PSL.

Após acusações de ter usado “laranjas” nas eleições e ser chamado de mentiroso por Carlos Bolsonaro - que teve a declaração endossada pelo presidente -, o mercado esperava que a exoneração de Bebianno aparecesse no Diário Oficial da União desta segunda-feira (18) - o que ainda não aconteceu. A expectativa, então, é que o anúncio seja feito ao longo do dia. No seu lugar, deve assumir general Floriano Peixoto, atual número dois da pasta. Esses desdobramentos estão sendo acompanhados de perto pelo mercado - contudo, pode ser visto apenas como um ruído que não afeta a visão positiva para o mercado. 

"À primeira vista, vemos a notícia como mais um dos 'ruídos de curto prazo' que devem agitar os mercados, por isso mantemos nosso viés bullish (otimista) para o longo prazo. No entanto, acompanharemos bem de perto estes desdobramentos para, se necessário, mudarmos rapidamente de opinião e de posição", afirmam os analistas Matheus Soares e Thiago Salomão, da Rico Investimentos, em relatório enviado a clientes.

Por outro lado, a saída do ministro, por si só, já demonstraria certa fragilidade no governo Bolsonaro, ressaltam os analistas da Rico, porque o presidente tinha em Bebianno um dos principais articuladores dentro do Congresso. Assim, os analistas monitoram se a crise desencadeada por Bebianno terá efeito positivo, negativo ou neutro no andamento da Reforma da Previdência.

Bebianno deu a entender, em entrevistas durante o fim de semana, que, se cair, levará mais gente com ele, o que pode aumentar a tensão política em Brasília. 

"Qualquer sinal de fragilidade do governo num momento como esse pode atrapalhar o andamento deste tópico tão importante [a reforma da Previdência]. O mercado vai acompanhar bem de perto estes desdobramentos", afirmam os analistas. 

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A proposta da reforma deve ser enviada ao Congresso na quarta-feira (20). Logo depois de assinar o texto,  Bolsonaro fará um pronunciamento em que explicará a necessidade de mudar as regras de aposentadoria e de que forma a proposta será discutida no Congresso.

 

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