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Ibovespa Futuro cai com crise no governo em dia de feriado nos EUA

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, ainda não teve sua exoneração confirmada

Gustavo Bebianno
( Marcelo Camargo/Agência Brasil)

SÃO PAULO - O mercado de ações deve reagir com pessimismo às incertezas da maior crise do governo de Jair Bolsonaro em dia de vencimento de opções sobre ações e feriado nos Estados Unidos, que deve reduzir a liquidez por aqui. 

Às 9h20 (horário de Brasília), o Ibovespa futuro caía 0,27%, a 97.965 pontos. O contrato de dólar futuro com vencimento em março de 2019 tinha alta de 0,38%, cotado a R$ 3,717, e o dólar comercial avançava 0,41%, para R$ 3,717. 

Os atritos com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, que ainda não teve sua exoneração confirmada, influencia no humor dos investidores. No seu lugar, deve assumir general Floriano Peixoto, atual número dois da pasta.

"A fritura e a busca por sua vaga têm novamente os militares como protagonistas, na tentativa de isolar Onyx Lorenzoni, conhecido pelo seu ‘trato’ com as pessoas", afirma Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset, em relatório enviado a clientes.

Os negócios neste início de semana devem ser influenciados também pela expectativa da assinatura da proposta da reforma da Previdência e envio ao Congresso na quarta-feira (20), mesmo dia em que Bolsonaro fará uma coletiva para dar mais detalhes da proposta, que é mais dura que o anteriormente proposta por Michel Temer - o que agradou o mercado financeiro.

Apesar de esse ainda ser ainda o primeiro passo, deve crescer o debate sobre a viabilidade da proposta e o apoio que o governo conseguirá, trazendo muita agitação para o mercado.

O Ibovespa Futuro é um bom termômetro de como será o pregão, mas nem sempre prevê adequadamente movimentos na Bolsa a partir do sino de abertura

Bolsas mundiais

As bolsas europeias operam em leve queda, em meio a novas complicações para o Brexit e à espera de avanços nas negociações comerciais de Estados Unidos e China.

Os índices estão pressionados por relatos de que um grupo de parlamentares do Partido Trabalhista britânico, de oposição, pretende renunciar em protesto à forma como o líder da legenda, Jeremy Corbyn, vem lidando com a questão do Brexit. O grupo, possivelmente formado por cinco legisladores, deverá fazer o anúncio ainda hoje, após semanas de pressão para que Corbyn mude de estratégia e inicie uma campanha para a realização de um segundo plebiscito sobre a permanência ou não do Reino Unido na União Europeia.

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Corbyn diz que só manterá a opção de um segundo plebiscito "na mesa" se o governo da primeira-ministra britânica, Theresa May, não conseguir garantir com Bruxelas um acordo de Brexit que possa ser aprovado no Parlamento. O prazo final para que o Brexit ocorra é 29 de março.

As bolsas asiáticas encerraram em alta de olho nas reuniões entre representantes do governo chinês e norte-americano com o intuito de colocar fim à guerra tarifária entre os países.

No mercado de commodities, os preços do petróleo do tipo WTI sobem pelo quarto dia seguido com a queda nos embarques da Arábia Saudita, que prometeu cortar sua produção, e da Venezuela, que sofre com sanções dos Estados Unidos. O tipo Brent tem leve queda nos preços após a China reportar queda nas vendas de veículos em janeiro na comparação anual. 

Reforma da Previdência

A proposta de reforma da Previdência deve ser enviada ao Congresso na quarta--feira (20). Logo depois de assinar o texto, o presidente Jair Bolsonaro fará um pronunciamento. Ele explicará a necessidade de mudar as regras de aposentadoria e de que forma a proposta será discutida no Congresso.

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Somente na quarta-feira serão revelados detalhes como a proposta para aposentadorias especiais de professores, policiais, bombeiros, trabalhadores rurais e profissionais que trabalham em ambientes insalubres. Também serão informadas as propostas para regras como o acúmulo de pensões e de aposentadorias e possíveis mudanças nas renúncias fiscais para entidades filantrópicas.

Falta saber ainda como ficarão o fator previdenciário - usado para calcular o valor dos benefícios dos trabalhadores do setor privado com base na expectativa de vida - e o sistema de pontuação 86/96, soma dos anos de contribuição e idade, atualmente usado para definir o momento da aposentadoria para os trabalhadores do setor privado. Em relação aos servidores públicos, ainda não se sabe qual será a proposta para a regra de transição.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM), confirmou ao Broadcast Político que o senador Tasso Jereissati (PSDB) deve ser o escolhido para comandar uma subcomissão do Senado dedicada a acompanhar os debates sobre a reforma na Câmara dos Deputados. A ideia é que o Senado forme um grupo de sete parlamentares, que funcionaria como um colegiado atrelado à Comissão de Constituição e Justiça da Casa, para fazer "sugestões" aos deputados durante a primeira etapa de tramitação do projeto no Congresso.

Na avaliação de Alcolumbre, esta subcomissão vai "queimar etapas" para que o texto chegue mais "arredondado" no Senado e, assim, seja apreciado com mais celeridade.

Também na quarta-feira (20), governadores de todos os estados voltam a se reunir, pela terceira vez, em Brasília, para discutir a agenda econômica do país. Os chefes dos executivos estaduais esperam conversar diretamente com o ministro da Economia, Paulo Guedes. O Planalto não confirmou a presença do presidente Jair Bolsonaro.

Agenda econômica 

Atenção para a temporada de resultados corporativos do 4º trimestre, que vai ganhando força com 26 balanços nos próximos dias. Entre os destaques estão a Itaúsa (ITSA4) nesta segunda e Magazine Luiza (MGLU3), na quinta-feira (21), ambas após o fechamento do mercado.

Entre outros destaques, atenção para Pão de Açúcar (PCAR4), CSN (CSNA3) e Via Varejo (VVAR3) na quarta-feira (20), além de Hypera (HYPE3), Natura (NATU3), Gerdau (GGBR4) e B3 (B3SA3) na quinta-feira (21).

Ainda na Bolsa, atenção para o fim do horário de verão, que não irá alterar o funcionamento da B3 por enquanto (só mudará em 11 de março). Apesar disso, a diferença de horário para os outros mercados será alterada, com atenção especial para as bolsas dos Estados Unidos, que passam a abrir agora às 11h30 no horário de Brasília.

Entre os indicadores, a semana começa mais tranquila por conta do feriado nos Estados Unidos de Dia do Presidente, que deve reduzir o volume do mercado brasileiro.

No Brasil, o principal dado será o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo - 15), na quinta-feira (21) às 9h. Para a equipe de análise da GO Associados, o resultado deve ficar em 0,22%, ante alta de 0,30% registrados no mês anterior.

No exterior, a atenção fica para a ata da última reunião do Fomc, na quarta-feira (20), e a expectativa por maiores informações sobre os próximos passo do Federal Reserve em relação à política de juros nos EUA. Ainda nesta linha, a semana contará com discursos de diversos membros do Fed em dias diferentes, o que também pode movimentar o mercado.

Clique aqui para conferir a agenda completa de indicadores.

Crise no governo

O mercado aguarda a confirmação da exoneração do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno. Sua demissão não consta na publicação regular do Diário Oficial da União, mas a oficialização ainda pode acontecer por meio de uma edição extraordinária do documento ou ainda por comunicado do governo.

Bebianno era presidente do PSL durante a campanha de 2018 e o partido vem sendo questionado pelo uso de R$ 400 mil do fundo partidário em benefício de uma candidata pouco expressiva em Pernambuco. A interferência do vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente, teve efeito incandescente sobre a crise gerada pelas denúncias ao chamar Bebianno de mentiroso e negar que o ministro tivesse falado sobre o caso com Bolsonaro, que endossou a declaração de Carlos. 

Enquanto isso, a cúpula do governo trabalha para tentar reverter a agenda negativa e encerrar a crise o quanto antes. A aposta será principalmente no envio do pacote anticorrupção e na reforma da Previdência ao Congresso , prometidos para os dias 19 e 20, respectivamente. "O assunto terminou. A crise acabou. Ninguém mais vai falar sobre isso", disse uma fonte palaciana ao jornal Valor Econômico.

O vazamento da informação, ainda na sexta-feira (15), de que Bebianno seria demitido hoje serviu para engrossar o caldo da crise. Durante o fim de semana, Bebianno demonstrou estar magoado com Bolsonaro. "É um direito que ele tem exonerar quem ele quiser, é um governo dele", afirmou ontem, acrescentando que não deve dar declarações logo após a confirmação de sua saída. "Agora é hora de esfriar a cabeça", disse.

Embora a saída de Bebianno não tenha sido confirmada, a fila parece já ter andado. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, Bolsonaro convidou o general da reserva Floriano Peixoto a assumir interinamente o Ministério da Secretaria-Geral. 

Noticiário corporativo

>> Por determinação do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, 170 moradores que vivem nos arredores da Mina Mar Azul em Nova Lima, a 45 quilômetros de Belo Horizonte (MG), foram retirados da região. As barragens B3 e B4 pertencem à empresa Vale, que alegou que estão desativadas.

Ainda no radar da mineradora, o Ministério de Minas e Energia definiu, por recomendação da Agência Nacional de Mineração, uma série de medidas de precaução de acidentes nas cerca de mil barragens existentes no país, começando neste ano e prosseguindo até 2021. A medida inclui a extinção ou descaracterização das barragens chamadas "a montante" até 15 de agosto de 2021. 

>> A Cosan negou informações de que esteja em qualquer tipo de tratativas ou negociações com a Previ (Caixa de Previdência dos Empregados do Banco do Brasil) para comprar a participação do fundo de previdência na Vale. 

Ontem, o colunista Lauro Jardim, do jornal “O Globo”, publicou nota informando que Rubens Ometto, dono e presidente do conselho de administração da Cosan, negocia com a Previ para comprar sua fatia na Litel. O fundo de pensão é dono de 80% da Litel, que possui 21% da Vale. 

>> A Gafisa anunciou que a Planner atingiu fatia de 18,45% das ações ordinárias, após o leilão em que a GWI reduziu sua participação de 50,17% para 7,7% das ordinárias e deixou o bloco de controle da companhia.

Além disso, houve mudanças no conselho de administração. No lugar de Mu Hak You à frente da presidência do conselho assumiu o ex-diretor presidente do Pão de Açúcar Augusto Marques da Cruz Filho, que é presidente do conselho da BR Distribuidora, vice-presidente do conselho da BRF e conselheiro da JSL e da General Shopping. A vaga de Thiago You passou a ser ocupada por Oscar Segall, um dos fundadores da Klabin Segall. 

>> A Berkshire Hathaway, do megainvestidor Warren Buffett, pode ficar com uma fatia relevante das ações do IRB Brasil Re colocadas à venda pela Caixa, segundo o Valor. A resseguradora anunciou  uma oferta pública restrita para vender ações detidas pelo Fundo de Garantia de Operações de Crédito Educativo (FGEduc), gerido pela Caixa. Os papéis representam 8,9% do capital do IRB e movimentaria cerca de R$ 2,5 bilhões com base na cotação de quinta-feira. 

A Berkshire negocia a compra de uma parcela grande das ações incluídas na oferta, embora a proporção ainda não esteja definida, segundo disse uma fonte ao jornal. O tamanho da participação começará a ficar mais claro nesta semana, quando serão realizados encontros para apresentar a operação a investidores no Brasil e no exterior.

>> A ação da AES Tiete Energia foi rebaixada de neutra para venda devido ao valuation pouco atraente e o risco de diluição por potencial capitalização caso a companhia adquira o complexo eólico Alto Sertão III da Renova, segundo o analista do UBS, Marcelo Sá, em relatório. Como o histórico de alocação de capital da companhia é fraco, o UBS acredita que os investidores veem como negativa a potencial capitalização.

>> A ação da Ambev foi rebaixada de compra para manutenção pelo Santander com preço-alvo de R$ 19,50. 

(Com Agência Brasil, Bloomberg e Agência Estado)

 

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