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Os 4 fatores que fizeram o Ibovespa subir quase 2% e retomar os 96 mil pontos

Índice passou o dia em alta e combinação de fatores externos com otimismo pela alta de Bolsonaro e disparada da Vale ajudaram na arrancada da bolsa

Investidor comemorando
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa, que já vinha em uma sessão otimista desde a manhã, foi ganhando força durante a tarde com uma combinação de quatro boas notícias para o mercado, duas nos Estados Unidos envolvendo o risco de novo "shutdown" e as negociações com a China, novidades sobre a Previdência e a disparada das ações da Vale.

Em meio a tudo isso, o Ibovespa fechou com alta de 1,86%, aos 96.166 pontos, após chegar a saltar 2,29% na máxima do dia, para 96.571 pontos. Este foi o melhor pregão da bolsa desde o dia 2 de janeiro, quando saltou 3,56%. O volume financeiro ficou em R$ 16,588 bilhões.

O contrato de dólar futuro com vencimento em março teve queda de 1,28%, a R$ 3,715, enquanto o dólar comercial caiu 1,31%, cotado a R$ 3,7137 na venda.

No mercado de juros, os contratos futuros com vencimento em janeiro de 2021 caíram 4 pontos-base, para 7,18% e os contratos para janeiro de 2023 recuaram 6 pontos, a 8,26%. O alívio no exterior e a possibilidade de que o texto da reforma da Previdência ganhe velocidade no cronograma colaboraram para a queda das taxas de juros futuros.

Ainda sobre juros, na ata da última decisão do Copom (Comitê de Política Monetária), o Banco Central reiterou que a assimetria em seu balanço de riscos para a inflação persiste, embora menos intensa, motivo pelo qual segue firme em sua cautela em relação à política monetária do país. 

O Banco Central voltou a pontuar que, em seu cenário básico, existem fatores de risco em ambas as direções: a desinflacionária e a inflacionária. No primeiro caso, o BC repetiu que "o nível de ociosidade elevado pode produzir trajetória prospectiva abaixo do esperado".

Os 4 fatores que fizeram a bolsa subir
A primeira boa notícia do dia veio ainda pela manhã, com o presidente Donald Trump sinalizando que pretende apoiar o acordo fechado entre parlamentares democratas e republicanos - e que precisa do seu aval - sobre o orçamento dos EUA. A medida evita, por enquanto, uma nova paralisação do governo que poderia acontecer no fim desta semana.

Durante uma reunião em seu gabinete Trump disse que não está feliz com os termos do acordo temporário, mas que não haverá novo shutdown. O acordo provisório inclui R$ 1,375 bilhão para a construção de barreiras verticais de aço e não um muro sólido - defendido por Trump.

Ainda no exterior, o segundo fator de otimismo veio sobre a guerra tarifária entre China e EUA, com Trump afirmando que considera adiar o prazo de 1º de março para fechar um acordo comercial com o país. O presidente norte-americano disse que a China "quer muito fazer um acordo" e que ele tem "uma grande equipe" no país tentando chegar a uma resolução.

Por aqui, a reforma da Previdência é o grande assunto do dia. Rodrigo Maia disse à reportagem do jornal O Globo que a reforma proposta pelo ministro da Economia Paulo Guedes pode ser votada ainda em maio deste ano, ressaltando que o governo precisa, até lá, ter votos suficientes para passar pela Câmara. São necessários 308 votos em dois turnos de votação.

Além disso, o secretário especial da Previdência e Trabalho, Rogério Marinho afirmou que o texto-base da reforma foi concluído pela equipe de governo e agora aguarda a análise do presidente Jair Bolsonaro, que segundo a GloboNews deve ter alta nesta quarta às 14h (horário de Brasília).

Por outro lado, o médico cirurgião Antônio Luiz Macedo disse à Agência Brasil que a equipe médica ainda não tomou a decisão de quando será a alta do presidente em razão dos medicamentos e exames que estão sendo realizados. No entanto, ele disse que o presidente está muito bem de saúde e que a previsão é que Bolsonaro saia do hospital ainda esta semana.

Esta alta do presidente é bastante aguardada exatamente porque agora depende dele para que a reforma da Previdência possa ser entregue no Congresso e começar a tramitar para ser aprovada o mais rápido possível.

Por fim, ajudou ainda na alta da bolsa a arrancada dos papéis da Vale (VALE3) após entrevista coletiva do diretor de relações com investidores da mineradora, Luciano Siani, e do gerente-executivo de planejamento e desenvolvimento de ferrosos e carvão, Lúcio Cavalli.

Eles destacaram que a situação da barragem nos dias que antecederam o evento era estável, não havendo nenhuma medição fora do normal, afrontando a narrativa de que a empresa estava ciente dos riscos de rompimento da barragem.

A Vale confirmou que a barragem não recebia rejeitos desde 2016 e que a empresa tomou medidas para assegurar a segurança do empreendimento, como retirada da água da barragem, desvios de nascentes, automatização de 46 piezômetros, bem como a instalação de câmeras, sirenes e radares.

"A entrevista ajuda a reduzir a percepção de risco em relação aos potenciais litígios futuros", ressalta a equipe de análise da XP Research.

Destaques de ações
As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 BBAS3 BRASIL ON 53,29 +6,16 +14,63 961,90M
 VALE3 VALE ON 44,30 +5,43 -13,14 1,58B
 BRAP4 BRADESPAR PN 27,48 +4,89 -11,49 98,93M
 BTOW3 B2W DIGITAL ON 46,40 +4,62 +10,42 75,70M
 LREN3 LOJAS RENNERON 44,66 +3,86 +5,33 240,45M

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 LAME4 LOJAS AMERICPN 19,92 -3,16 +1,51 234,26M
 SUZB3 SUZANO PAPELON 45,35 -2,87 +19,09 345,78M
 KLBN11 KLABIN S/A UNT N2 18,21 -2,83 +14,67 84,33M
 MRFG3 MARFRIG ON 5,58 -2,28 +2,20 21,94M
 HYPE3 HYPERA ON 30,07 -2,27 -0,43 86,75M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN N2 25,72 +3,54 1,86B 1,33B 58.155 
 VALE3 VALE ON 44,30 +5,43 1,58B 1,69B 62.417 
 BBAS3 BRASIL ON 53,29 +6,16 961,90M 536,69M 37.618 
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 45,30 +2,00 917,85M 652,39M 33.971 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN ED 37,77 +2,39 833,18M 936,30M 33.265 
 SBSP3 SABESP ON 38,15 -0,26 478,17M 155,75M 35.375 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 18,67 -0,21 449,56M 463,52M 31.876 
 BBSE3 BBSEGURIDADEON 28,92 -2,13 377,40M 134,94M 44.282 
 B3SA3 B3 ON 31,12 +1,10 366,17M 403,41M 22.290 
 SUZB3 SUZANO PAPELON 45,35 -2,87 345,78M n/d 19.497 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
IBOVESPA

Bolsas mundiais

Os índices em Wall Street subiram mais de 1% com o noticiário positivo para a economia norte-americana. As bolsas europeias fecharam em alta também repercutindo com otimismo o acordo provisório sobre o orçamento dos Estados Unidos. 

As bolsas asiáticas encerraram em alta à espera das negociações entre China e Estados Unidos. Até quarta-feira, autoridades da China e dos Estados Unidos terão conversas preliminares sobre um acordo para colocar fim à guerra tarifária.

Os encontros abrirão caminho para uma missão de alto nível do governo de Donald Trump se reunir na quinta e sexta com uma equipe da China em Pequim. A trégua entre os países vale até o fim deste mês e, se não houver acordo, as tarifas mais altas ao produtos chineses entram em vigor em 1 de março.

No mercado de commodities, os preços do petróleo têm forte alta diante do aumento do corte na produção da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e o otimismo generalizado nos mercados globais.

 

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