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Os 5 assuntos que vão agitar os mercados nesta terça-feira

Acordo provisório sobre orçamento dos EUA anima bolsas globais

Donald Trump
(Shealah Craighead/Casa Branca)

SÃO PAULO - Após a quarta queda em cinco pregões observada na véspera, o Ibovespa pode registrar uma sessão de alívio com a influência positiva dos mercados internacionais com a notícia de que os parlamentares norte-americanos chegarem a um acordo provisório, o que evitará uma nova paralisação do governo - por enquanto. 

A expectativa dos investidores fica por conta das negociações entre China e Estados Unidos na tentativa de colocar um ponto final na guerra tarifária entre os países. Os preparativos para fechar o texto da reforma da Previdência também segue no radar. 

Na ata da última decisão do Copom (Comitê de Política Monetária), o Banco Central reiterou que a assimetria em seu balanço de riscos para a inflação persiste, embora menos intensa, motivo pelo qual segue firme em sua cautela em relação à política monetária do país. 

Veja no que ficar de olho nesta terça-feira (12):

1. Bolsas mundiais

Os índices futuros dos Estados Unidos apontam para uma abertura em alta após a notícia de que parlamentares democratas e republicanos chegaram a um acordo provisório em relação ao orçamento dos Estados Unidos, evitando, por enquanto, uma nova paralisação do governo que poderia acontecer no fim desta semana.

"Alcançamos um acordo de princípio sobre segurança interna, entre outros", disse o senador republicano Richard Shelby à imprensa. A discussão que emperra um acordo completo diz respeito à construção de um muro na fronteira com o México. Segundo a imprensa norte-americana, o acordo provisório inclui R$ 1,375 bilhão para a construção de barreiras verticais de aço e não um muro sólido - defendido pelo presidente Donald Trump. 

"Trump ainda não conseguiu os recursos para o tal muro com o México, portanto, o alívio é temporário e os investidores tendem a aproveitar tal momento", destaca Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset.

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Os investidores aguardam agora novas pistas sobre as discussões entre China e Estados Unidos para chegar a um acordo sobre a guerra tarifária entre os dois países. 

As bolsas europeias operam em alta também repercutindo com otimismo o acordo provisório sobre o orçamento dos Estados Unidos. 

As bolsas asiáticas encerraram em alta à espera das negociações entre China e Estados Unidos. Até quarta-feira, autoridades da China e dos Estados Unidos terão conversas preliminares sobre um acordo para colocar fim à guerra tarifária.

Os encontros abrirão caminho para uma missão de alto nível do governo de Donald Trump se reunir na quinta e sexta com uma equipe da China em Pequim. A trégua entre os países vale até o fim deste mês e, se não houver acordo, as tarifas mais altas ao produtos chineses entram em vigor em 1 de março.

No mercado de commodities, os preços do petróleo sobem com o aumento do corte na produção da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e o minério de ferro recua. 

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 8h10 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA) +0,59%

*Dow Jones Futuro (EUA) +0,64%

*Nasdaq Futuro (EUA) +0,73%

*DAX (Alemanha) +1,16%

*FTSE (Reino Unido) +0,32%

*CAC-40 (França) +0,81%

*FTSE MIB (Itália) +0,62%

*Hang Seng (Hong Kong) +0,10% (fechado)

*Xangai (China) +0,68% (fechado)

*Nikkei (Japão) +2,61% (fechado)

*Petróleo WTI +0,82%, a US$ 52,84 o barril

*Petróleo brent +0,85%, a US$ 62,03 o barril

*Bitcoin US$ 3.569 -0,79%
R$ 13.688 +2,59% (nas últimas 24 horas)

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian -2,76%, a 634,00 iuanes (nas últimas 24 horas) 

2. Reforma da Previdência

A estratégia do governo de Jair Bolsonaro para ter sucesso na condução da reforma da Previdência é formular proposta que já responda às quatro principais críticas que teriam tornado politicamente inviável o projeto do governo de Michel Temer, informa o jornal Valor Econômico. Segundo fonte do jornal, chegou-se à conclusão de que um dos motivos do fracasso do projeto de Temer foi o fato de ele ter um viés puramente fiscal, prejudicial aos mais pobres.

Na nova estratégia, deve ser proposta a redução da contribuição previdenciária para as faixas de renda mais baixas, de 8% para 7,5% do salário. As faixas mais altas deverão ter alíquota elevada de 11% para 14%. "Quem ganha mais vai pagar mais", disse a fonte ouvida pelo Valor Econômico. Além disso, o governo pretende incluir os militares na reforma. 

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia disse que a reforma da Previdência pode ser votada em maio deste ano. Os aliados do governo aguardam a saída de Bolsonaro do hospital para dar sequência à reforma.

Segundo o porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros, a possibilidade de o presidente receber a proposta de ainda no Hospital Albert Einstein, onde ele está internado em São Paulo recuperando-se de uma cirurgia de retirada de uma bolsa de colostomia, está descartada a princípio.

O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, chegou a dizer ontem que Bolsonaro teria alta entre quinta e sexta-feira, mas Rêgo Barros foi mais cauteloso e não antecipou uma data. 

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Segundo a colunista Andréia Sadi, do G1, os técnicos do Ministério da Economia devem apresentar hoje ao ministro Paulo Guedes a proposta final sobre o texto da reforma. A equipe do secretário de Previdência, Rogério Marinho, e os responsáveis pela base jurídica da proposta passaram o último fim de semana debruçados sobre o texto. 

3. Agenda econômica 

A agenda é esvaziada nesta terça-feira. Entre os indicadores nos Estados Unidos, sai o relatório JOLTs de abertura de novos empregos durante o mês de novembro. 

O presidente do BoE, banco central da Inglaterra, Mark Carney, fala às 11h (de Brasília) e o presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano), Jerome Powell, fala a estudantes às 14h.

Clique aqui para conferir a agenda completa de indicadores.

4. Noticiário político 

O presidente Jair Bolsonaro recebeu alta ontem da Unidade de Terapia Semi-intensiva, após melhora do quadro clínico, e está internado em apartamento no Hospital Israelita Albert Einstein.  Bolsonaro teve aval de médicos para alta nesta quarta-feira, mas saída do hospital será decidida pelo Planalto, relata o Estadão, atribuindo a informação a médicos.

Em Brasília, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM), reunirá líderes partidários para definir a reforma da Previdência, as presidências das comissões permanentes da Casa e a pauta da sessão deliberativa. Na Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM) receberá líderes partidários para discutir a pauta da semana e, às 16h, deve acontecer a primeira sessão de votações da nova legislatura.

5. Noticiário corporativo

>> A BB Seguridade teve lucro líquido ajustado de R$ 839,8 milhões no quarto trimestre de 2018, 10,7% abaixo na base de comparação anual. Em termos líquidos, o lucro foi de R$ 716,9 milhões, 21% menor na comparação ano a ano. 

“A queda do lucro líquido ajustado no comparativo pode ser explicada pela contração de 43% do resultado financeiro, parcialmente compensada pela alta de 4,1% do resultado operacional não decorrente de juros”, afirmou a BB Seguridade no relatório de resultados.

Além da menor remuneração de seus títulos, dado que a Selic segue na mínima histórica de 6,5% ao ano, a empresa também acusou os efeitos da elevação na taxa de remuneração dos passivos financeiros da Brasilprev atrelados aos planos de previdência tradicionais.

O volume de prêmios caiu fortemente nas comparações sequencial e anual, desde a conclusão da venda de sua fatia numa joint venture para a sócia Mapfre, negócio que inclui seguros automotivo e de grandes riscos, por R$ 2,4 bilhões. Com isso, os negócios de risco e acumulação atingiram R$ 291,9 milhões no quarto trimestre, queda de 42,6%. Em contrapartida, a receita com os negócios de distribuição cresceu 27,8%, para R$ 544,6 milhões. A rentabilidade sobre o patrimônio líquido da BB Seguridade caiu 0,8 ponto percentual, para 41,4%.

Juntamente com os resultados, a BB Seguridade previu crescimento de 5% a 10% de seu lucro ajustado de 2019 ante o ano passado. A empresa também previu aumento de 7% a 10% das reservas de previdência da Brasilprev e de 7 a 12 por cento dos prêmios emitidos pró-forma da BB Mapfre SH1.

"A companhia reportou dados fracos (abaixo de nossas estimativas que já estavam abaixo do consenso). Vimos dados fracos para Brasilprev e BB Mapfre SH2, e o destaque positivo ficou na comissão de incentivo", avalia o Itaú BBA. 

A Comgás teve um lucro líquido de R$ 858,8 milhões, 371% maior na comparação com o mesmo período de 2017, quando registrou um lucro de R$ 182,2 milhões. Já a receita bruta subiu 20,6% no mesmo período, para R$ 2,32 bilhões, enquanto a receita operacional líquida teve alta de 28%, para R$ 1,9 bilhão.

Em 2018, o lucro foi de R$ 1,34 bilhão em 2018, mais que o dobro do registrado no mesmo período de 2017, de R$ 640 milhões, enquanto a receita teve alta  23,5%, para R$ 6,84 bilhões. A companhia registrou uma receita financeira líquida de R$ 78,7 milhões, ante uma perda financeira líquida de R$ 225,5 milhões em 2017. A Comgás também reduziu em 89% suas despesas operacionais, em base anual, para R$ 95,2 milhões.

Vale ressaltar que a Comgás decidiu suspender a divulgação de projeções financeiras (guidance), devido à oferta pública para aquisição de ações (OPA) pela controladora Cosan S.A. Em comunicado ao mercado na noite desta segunda-feira, 12, após a divulgação do balanço do quarto trimestre e do ano de 2018, a distribuidora afirma que “manterá o mercado informado caso decida pela retomada da divulgação ao término de referida operação.”

A OPA é pela totalidade das ações preferenciais classe A da Comgás, cujo leilão está marcado para o dia 8 de março, às 12h. Na publicação do edital, em 31 de janeiro, consta que o preço oferecido por ação é de R$ 82.

>> A São Martinho registrou um lucro líquido de R$ 65,92 milhões referente à safra do terceiro trimestre de 2019, queda de 60,9% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O Ebitda ajustado ficou em R$ 417,3 milhões, queda de 16,1%, enquanto o endividamento líquido teve alta de 26,1%, a R$ 3,1 bilhões. 

Segundo o Itaú BBA, os números foram negativos, com o Ebitda ficou 8,3% abaixo do consenso e 2% abaixo das projeções dos analistas. "O principal destaque foi diluição de custo menor que o esperado, e carryover de estoque de etanol para o próximo trimestre maior que o esperado", apontam os analistas. 

>> A Vale estava ciente no ano passado de que a barragem de rejeitos que entrou em colapso no mês passado, matando pelo menos 165 pessoas, tinha um risco elevado de ruptura, segundo um documento interno visto pela Reuters na segunda-feira.

O relatório, com data de 3 de outubro de 2018, mostra que, segundo a própria Vale, a barragem da mina de minério de ferro Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), tinha duas vezes mais chance de se romper do que o nível máximo tolerado pela política de segurança da empresa.

Ainda no radar da mineradora, o Ibama informou que está multando diariamente a empresa desde sexta-feira (8) e a empresa deve pagar R$ 100 mil por dia até executar um plano de salvamento de fauna silvestre e doméstica.

>> A Tenda reportou seu guidance de pré-vendas de R$ 1.95 bilhão a R$ 2,15 bilhões e margem bruta ajustada entre 34 e 36% para 2019, o que foi visto como positivo pelos analistas do Itaú BBA.

"O guidance de margem bruta ajustada reforça a visão da companhia de que a nova curva de subsídio da faixa 1.5 do Minha Casa Minha Vida não leva necessariamente a uma desaceleração de ROE em 2019", avalia o Itaú BBA, que mantém recomendação de compra para os papéis e preço-alvo de R$ 38,50 por ação para 2019. 

>> Segundo o jornal Valor Econômico, depois de um longo período parado, o processo de venda da Transportadora Associada de Gás (TAG) pela Petrobras entrou em fase de finalização, com uma oferta de US$ 8 bilhões pelo grupo francês de gás e energia Engie, segundo fonte próxima ao tema.

>> Eletrobras: Um incêndio no final da tarde de segunda-feira (11) atingiu um galpão de almoxarifado do Consórcio Construtor de Belo Monte, no Sítio Belo Monte, em Vitória do Xingu (PA).

Segundo nota divulgada pela Norte Energia, a brigada de emergência do canteiro de obras e o Corpo de Bombeiro de Altamira foram acionados e o fogo foi controlado.  Segundo o consórcio Construtor, responsável pela área, não houve vítimas, apenas danos materiais. Por medida de segurança, todos os trabalhadores foram retirados do local.

(Com Agência Brasil e Agência Estado)

 

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