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Os 5 assuntos que vão agitar os mercados nesta segunda-feira

Volta da bolsa chinesa, disparada do minério de ferro, denúncia sobre candidata laranja e expectativa com reunião entre China e EUA estão no radar dos investidores 

Jair Bolsonaro e Paulo Guedes
(Alan Santos/PR)

SÃO PAULO - A semana que começa tem agenda de indicadores mais tranquila, mas o cenário político continua tenso e deve apimentar as oscilações do Ibovespa, que chegou perto da marca de 100 mil pontos, mas passou por forte correção por conta do aumento das preocupações com a reforma da Previdência. 

No radar dos investidores, além do retorno das negociações na bolsa chinesa após um feriado de uma semana, estão a saúde do presidente Jair Bolsonaro, as negociações para colocar em votação a reforma da Previdência, nova polêmica envolvendo o PSL e as expectativas com as negociações entre China e Estados Unidos para colocar fim à guerra comercial.

Enquanto isso, no Congresso, atenção para as negociações em torno do comando das principais comissões permanentes. A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) é uma das mais estratégicas para a tramitação da proposta de reforma da Previdência e tem como principal candidata a senadora Simone Tebet (MDB-MS). Na Câmara, o PSL, almeja o comando desta comissão.

Veja no que ficar de olho nesta segunda-feira (11) nesta semana:

1. Bolsas mundiais

Os índices futuros dos Estados Unidos apontam para uma abertura em alta à espera de novidades sobre a guerra comercial entre o país e a China. Uma missão de alto nível do governo de Donald Trump se reunirá no fim desta semana com uma equipe da China em Pequim para continuar a negociar o fim da guerra tarifária entre as duas potências, segundo a Casa Branca na sexta-feira. 

Ainda nos Estados Unidos, a lei provisória que suspendeu a paralisação do governo Trump termina na sexta-feira (15) e um novo shutdown está no radar dos investidores, uma vez que democratas e republicanos parecem estar distantes de entrar em um consenso sobre a construção de um muro na fronteira com o México - situação que emperra o acordo sobre o orçamento.

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As bolsas europeias operam em alta também movidas pelas expectativas de uma segunda rodada de negociações entre China e Estados Unidos. 

A bolsa chinesa voltou do feriado que manteve os negócios fechados por uma semana com forte alta, enquanto o índice do Japão caiu 2%. 

Já no mercado de petróleo, a expectativa com as negociações entre China e Estados Unidos e os receios com o crescimento das economias globais pressionam os preços, enquanto o minério de ferro dispara cerca de 8% no retorno do feriado do Ano Novo Lunar, seguindo a repercussão do desastre ocorrido em Brumadinho e os desdobramentos envolvendo a Vale. 

A demanda por minério continua forte após o recente desastre da Vale em Brumadinho (MG) e os subsequentes efeitos na produção da mineradora brasileira. A oferta tende a ficar restrita ao menos no curto prazo, uma vez que a maior parte dos embarques de minério da Vale tem a China como destino.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 7h53 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA) +0,46%

*Dow Jones Futuro (EUA) +0,43%

*Nasdaq Futuro (EUA) +0,59%

*DAX (Alemanha) +1,08%

*FTSE (Reino Unido) +1,00%

*CAC-40 (França) +1,04%

*FTSE MIB (Itália) +1,38%

*Hang Seng (Hong Kong) +0,71% (fechado)

*Xangai (China) +1,36% (fechado)

*Nikkei (Japão) -2,01% (fechado)

*Petróleo WTI -0,63%, a US$ 52,39 o barril

*Petróleo brent -0,08%, a US$ 62,05 o barril

*Bitcoin US$ 3.599 +0,01%
R$ 13.350 -0,41% (nas últimas 24 horas)

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian +7,95%, a 652,00 iuanes (nas últimas 24 horas) 

2. Reforma da Previdência

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse na sexta-feira (8) que as mudanças nas regras previdenciárias dos militares irão tramitar junto com a reforma do sistema previdenciário geral. “É um numa semana, outro na outra ou na mesma semana”, declarou. Maia reafirmou ainda a intenção de concluir a votação da reforma até junho deste ano.

O deputado disse que dará continuidade nesta semana a agendas com governadores para dialogar sobre as mudanças na Previdência. Ele negocia um pacote de ajuda aos Estados em troca de apoio à aprovação da reforma da Previdência. Maia propõe a elevação de R$ 3 bilhões para R$ 8 bilhões da transferência de recursos da União em 2019 para os Estados como ressarcimento da lei Kandir.

A pauta deve incluir ainda projetos de securitização da dívida dos Estados (espécie de venda dos débitos por meio de títulos), a prorrogação, de 2024 para 2028, do prazo para Estados e municípios quitarem seus precatórios (cobranças de dívidas do poder público com cidadãos ou empresas após condenação judicial), maior acesso ao programa de socorro do governo federal aos Estados e ajuda financeira de curto prazo.

Enquanto isso, a equipe econômica se prepara para a batalha pela idade mínima igual para aposentadoria, ponto que é uma das principais polêmicas na proposta de reforma vazada na imprensa na semana passada. 

Além da expectativa de vida, que é maior para mulheres, a área econômica reuniu dados salariais dos mais jovens para mostrar que a desigualdade de renda por gênero tem caído de forma acelerada nos últimos anos. Enquanto homens entre 50 e 59 anos ganham em média 41,7% a mais que as mulheres dessa idade, a diferença cai a 6,5% na faixa entre 15 e 19 anos. 

De acordo com assessores ouvidos pelo jornal Valor Econômico, Bolsonaro tem defendido que a reforma precisa considerar as diferenças regionais do país e costuma citar, por exemplo, que é difícil estabelecer 65 anos no Piauí, onde a expectativa de vida é 69.

Ainda segundo o Valor Econômico, Bolsonaro acredita que será mais facilmente aprovada idade mínima de aposentadoria em 62 anos para os homens e 57 para as mulheres, com aumento gradativo até 65 anos, como propôs a equipe econômica.

3. Agenda econômica 

A semana é tranquila entre os indicadores domésticos, com destaque para os índices de atividade de dezembro. Após a produção industrial crescer 0,2% no último mês de 2018, entre quarta-feira (13) e sexta-feira (15) serão divulgados os números do comércio varejista, dos serviços e o IBC-Br, considerado uma prévia do PIB (Produto Interno Bruto).

A GO Associados espera que o IBC-Br de dezembro tenha alta de 0,73% na margem, ficando em 1,26% no ano. Atenção ainda para a ata do Copom (Comitê de Política Monetária) na terça-feira (12), que ganha destaque após o BC manter os juros em 6,5% ao ano e sinalizar que não deve cortar os juros este ano.

Na temporada de resultados, pelo menos 18 empresas irão apresentar seus balanços do quarto trimestre. O destaque fica para o Banco do Brasil (BBAS3), que completa a temporada dos grandes bancos na quinta-feira (14) antes da abertura da bolsa. Entre outras companhias que fazem parte do Ibovespa e que divulgam seus resultados estão: BB Seguridade (BBSE3) nesta segunda; Smiles (SMLS3) e Cosan (CSAN3) na quinta-feira; e Usiminas (USIM5) na sexta, dia 15.

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Entre os indicadores nos Estados Unidos, na terça-feira (12), sai o relatório JOLTs de abertura de novos empregos durante o mês de novembro. Já na quarta-feira (13), os destaques ficarão por conta das publicações da taxa de inflação o do núcleo de inflação de janeiro.

No mesmo dia será publicado balanço fiscal federal do mês de dezembro e os estoques semanais de petróleo. Os dados dos pedidos de bens duráveis relativos ao mês de dezembro e os pedidos por seguro-desemprego serão publicados na quinta-feira (14). Já na sexta-feira (15), saem os dados das vendas do comércio e da produção industrial de janeiro.

Na China, após o longo feriado de ano novo, os destaques serão a divulgação na terça do investimento direito no país e de vendas de veículos. Na quinta-feira, os investidores estarão atentos aos dados do comércio externo, que podem confirmar impacto negativo da guerra comercial com os EUA sobre as exportações e importações na China. No mesmo dia, saem os índices de preços ao consumidor e ao produtor de janeiro.

Clique aqui para conferir a agenda completa de indicadores.

4. Noticiário político 

Jair Bolsonaro completou ontem duas semanas de internação e apresenta "boa evolução", conforme os médicos, e o presidente disse, em entrevista ao SBT, que pretende sair do hospital na terça-feira (12).

Seu retorno deve ser marcado pela tentativa de união de um governo fragmentado, com propostas sem conexão e com agendas próprias, que se desenvolveu enquanto está no hospital. Além disso, a Bloomberg noticiou que tem causado incômodo ao núcleo familiar e a conselheiros de Bolsonaro a movimentação do vice, general Hamilton Mourão, que busca ocupar espaços no governo, levantando nos corredores do palácio presidencial teorias da conspiração das mais diversas.

Polêmico envolvendo seu partido, o PSL, também ganha fôlego neste início de semana após o jornal Folha de S. Paulo revelar que uma candidata laranja teria recebido R$ 400 mil de dinheiro público na eleição de 2018. O valor a torna a terceira maior beneficiada pela verba do PSL em todo o país - mais do que o próprio presidente Jair Bolsonaro e a deputada Joice Hasselmann (SP), essa com 1,079 milhão de votos. A candidata Maria de Lourdes Paixão, que oficialmente concorreu a deputada federal, teve apenas 274 votos.

Gustavo Bebianno, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, negou ter sido o responsável pela decisão de transferir os valores. 

5. Noticiário corporativo

>>  De acordo com duas fontes ouvidas pela revista IstoÉ, o Ministério Público de Minas Gerais já teria pronto o pedido de prisão contra o presidente da Vale, Fabio Schvartsman. Logo após a notícia, por volta das 17h45, os papéis da Vale, que chegaram a subir 4,81% na reta final do pregão de sexta, amenizaram os ganhos, mas ainda fecharam em forte alta na sexta-feira com valorização de 3,77%. O pedido de prisão de Schvartsman ocorre por conta do rompimento da barragem em Brumadinho. 

Se houver prova de que a empresa sabia do risco de desabamento da barragem e não tomou providências, a acusação pode ser por homicídio doloso (com intenção), culposo (sem intenção) ou com dolo eventual (sem intenção, mas consciente dos riscos). Há, ainda, chance de enquadramento na Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/98), que prevê detenção de três meses a um ano em casos de omissão.

Ainda na noite de sexta-feira, a Vale foi intimada a realizar depósito judicial de R$ 7,431 bilhões em cumprimento das ordens de bloqueio de recursos no valor de R$ 10 bilhões. Não houve aumento dos montantes totais de ordens liminares de bloqueio ou de indisponibilidade de recursos, segundo a mineradora.

Por fim, o MP de Minas afirmou que a Justiça levantou sigilo de ação sobre barragens da Vale.  A ação judicial tem por objeto a garantia das condições de segurança e estabilidade das barragens de rejeitos pertencentes à Vale em Minas Gerais.

A ação envolve as barragens Laranjeiras, Menezes II, Capitão do Mato, Dique B, Taquaras, Forquilha I, II e III. A ação judicial tem por objeto a garantia das condições de segurança e estabilidade das barragens de rejeitos pertencentes à Vale em Minas Gerais, informou o Ministério Público de Minas Gerais em nota em seu website.

>> A Petrobras manteve o preço médio do litro da gasolina A sem tributo nas refinarias, válido para este sábado, em R$ 1,5079. Além disso, a estatal anunciou corte de 0,96% no preço do diesel, para R$ 2,0005.

Segundo estudo do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura) a pedido do jornal O Globo, a Petrobras ainda acumula perdas de R$ 9 bilhões nos últimos oito anos com a venda de combustíveis no Brasil.

De acordo com cálculos do instituto, a estatal vendeu gasolina e diesel mais barato que a cotação no mercado internacional entre 2011 e 2014 , acumulando prejuízos de R$ 71,2 bilhões, seguindo determinação do governo de Dilma Rousseff, que usou a estatal para controlar a inflação.

No período posterior, entre 2015 e 2018, a empresa — afetada pelos escândalos de corrupção revelados pela Operação Lava-Jato e em crise financeira — adotou política de alinhamento de preços ao valor do barril do petróleo e ao câmbio. Os ganhos chegaram a R$ 62,2 bilhões, mas não compensaram integralmente as perdas anteriores.

>> O vice-governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (DEM), destacou que o governo paulista defende uma alteração na medida provisória que altera o marco legal do saneamento no País para manter a Sabesp sob administração do Estado e encaminhar um projeto de capitalização. A medida provisória foi editada pelo ex-presidente Michel Temer no final de dezembro e está no Congresso. Se não houver mudanças na medida, o governo paulista acredita que a Sabesp vai perder completividade. Nesse caso, a gestão avalia privatizar a empresa.

>> A Embraer entregou 181 jatos em 2018, dos quais 90 foram jatos comerciais e 91 foram jatos executivos (sendo 64 leves e 27 grandes). O volume de entregas para a aviação comercial ficou dentro da estimativa de 85 a 95 jatos comerciais, enquanto a aviação executiva ficou abaixo da previsão de 105 a 125. No quarto trimestre de 2018, a Embraer entregou 33 jatos comerciais e 36 jatos executivos (24 leves e 12 grandes). Em 31 de dezembro, a carteira de pedidos firmes a entregar totalizava USD 16,3 bilhões. 

>> Segundo informações da coluna Mercado Aberto, da Folha de S. Paulo, advogados que representam controladores da JBS pretendem abrir um processo contra a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) no STF (Supremo Tribunal Federal). Segundo a publicação, a companhia entende que não pode ser punida em decorrência de informações que vieram à tona por meio dos acordos de leniência com o Ministério Público. A comissão instaurou, no dia 28 de dezembro, três inquéritos administrativos para apurar possíveis irregularidades dos controladores da JBS.

>> A Minerva Foods, segunda maior produtora de carne bovina no Uruguai, anunciou que teve suas três plantas localizadas no país habilitadas para exportar a proteína in natura ao Japão. Em comunicado ao mercado, a empresa disse que a capacidade diária de abate nas unidades uruguaias é de 3.200 cabeças. Com base em dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a Minerva ressalta que o Japão é o terceiro maior importador de carne bovina do mundo.

(Com Bloomberg e Agência Estado)

 

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