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Ibovespa perto de zero entre mau humor externo e otimismo de bancos

Previdência em compasso de espera, área de barragem evacuada e China-EUA sem acordo estão no radar dos investidores

Bancos BB Bradesco Itaú
(Reprodução)

SÃO PAULO - Após duas quedas consecutivas, que deixou o Ibovespa mais distante de atingir os esperados 100 mil pontos, o mercado doméstico tenta uma recuperação em meio a sinais de que um acordo entre China e Estados Unidos está longe de acontecer e de novas complicações para a Vale nesta sexta-feira (8). A valorização das ações de bancos, como Bradesco (BBDC4) e Itaú (ITUB4) ajudam a segurar o índice.

Às 13h40 (horário de Brasília), o Ibovespa caía 0,11%, a 94.302 pontos, após ter descido na mínima de 93.912 pontos. O contrato de dólar futuro com vencimento em março de 2019 tinha alta de 0,20%, cotado a R$ 3,731, e o dólar comercial subia 0,27%, para R$ 3,726. 

A Vale (VALE3) deu início a uma evacuação em Barão de Cocais (MG) - a 100 km de Belo Horizonte - na última madrugada por determinação da ANM (Agência Nacional de Mineração) após uma empresa de consultoria negar a estabilidade da estrutura. Cerca de 500 pessoas serão realocadas e, de acordo com a empresa, as inspeções na barragem estão sendo intensificadas e a evacuação é uma medida é preventiva.

Ainda no radar da mineradora, o G1 teve acesso aos depoimentos dos funcionários e terceirizados que foram presos após o desastre em Brumadinho e publica que os sensores da estrutura da barragem que se rompeu em 25 de janeiro apontaram uma leitura com "anormalidade" no dia 10 de janeiro. De acordo com o depoimento de um geólogo, que já foi solto, as leituras mostravam que, caso o piezômetro não estivesse com problemas, "seria um sinal de que a barragem estaria com problemas".

O mercado acompanha ainda a reforma da Previdência, que está em compasso de espera pelo presidente Jair Bolsonaro. Diagnosticado com pneumonia ontem os médicos estimam extensão da internação por cinco a sete dias. "Isso poderia implicar atrasos na definição da proposta da reforma da Previdência, que dependerá da alta do presidente", observa o time de análise de XP Research. 

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Na agenda econômica, a inflação de janeiro medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) acelerou de 0,15% para 0,32% na comparação com dezembro e alcançou 3,78% no acumulado nos últimos 12 meses. O resultado vem abaixo da expectativa mediana da pesquisa feita pela Bloomberg, que projetava alta de 0,37% ante dezembro e uma variação anual de 3,82%.

Com a aceleração nos preços de serviços reforçando a expectativa de Selic mantida em 6,50%, o contrato com vencimento em janeiro de 2021 subia de 7,15% para 7,23%, e o contrato para janeiro de 2023 avançava de 8,26% para 8,36%.

Destaques da bolsa

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

C?d. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 QUAL3 QUALICORP ON 15,24 -2,37 +18,23 20,24M
 SMLS3 SMILES ON 44,32 -2,31 +1,60 5,70M
 CIEL3 CIELO ON 10,48 -2,06 +17,89 100,58M
 BRAP4 BRADESPAR PN 25,70 -1,95 -17,22 30,54M
 BTOW3 B2W DIGITAL ON 43,33 -1,75 +3,12 36,09M

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

C?d. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 VVAR3 VIAVAREJO ON 5,57 +2,20 +26,88 54,02M
 RENT3 LOCALIZA ON 32,40 +2,02 +8,91 75,14M
 ENBR3 ENERGIAS BR ON 17,59 +1,50 +25,41 32,27M
 ITSA4 ITAUSA PN 13,01 +1,48 +7,70 248,15M
 FLRY3 FLEURY ON 21,29 +1,38 +8,32 31,26M
* - Lote de mil a??es
1 - Em reais (K - Mil | M - Milh?o | B - Bilh?o)

Bolsas mundiais
Os índices futuros dos Estados Unidos operam em em queda diante das preocupações com o comércio global. Na tarde de ontem, o assessor econômico da Casa Branca, Larry Kudlow, disse que os Estados Unidos e a China estão longe de fechar um acordo comercial, azedando os mercados por lá na véspera.

Além disso, é improvável que um encontro entre Donald Trump e o presidente chinês Xi Jinping aconteça antes do término da trégua na guerra comercial entre os países, que termina neste mês. Questionado durante um evento no Salão Oval se haveria uma reunião antes de 1º de março, Trump disse: “não”.

As preocupações com o crescimento global também pesam no humor dos investidores após a Comissão Europeia anunciar o corte drástico de suas previsões para o crescimento do bloco econômico, uma vez que enfrenta uma série de desafios domésticos, além da tensão comercial global. 

As bolsas europeias operam perto da estabilidade e as bolsas asiáticas encerraram em queda com as novas preocupações sobre a guerra comercial entre China e Estados Unidos. Não chegar a um acordo significa que o governo Trump irá impor tarifas adicionais aos produtos chineses. 

Vale lembrar que a bolsa na China permanece fechada ao longo desta semana devido ao Ano Novo Lunar e o mercado de Hong Kong voltou a operar hoje após os quatro dias de feriado.

Os preços do petróleo operam em queda por cautela com crescimento global e incertezas sobre as disputas comerciais entre China e Estados Unidos. 

Os futuros de minério subiram mais de 5% para nível mais alto desde 2014 sob a preocupação de que a crise cada vez mais severa da Vale reduzirá o fornecimento global, trazendo condições mais apertadas ao mercado transoceânico e compensando o impacto de uma desaceleração na China, o maior importador.

O Goldman Sachs alertou que poderia haver "interrupção significativa" para a oferta brasileira no curto prazo, e os preços deverão ser elevados e voláteis, já que a produção em outros lugares não pode ser ajustada com rapidez suficiente para compensar a escassez, de acordo com um relatório do banco.

Conexão Brasília

O Conexão Brasília desta semana recebe Manoel Fernandes, diretor da BITES, empresa especializada na análise de dados digitais. Na pauta, o papel das redes sociais como fator de mobilização da opinião pública e de crescente pressão sobre as atividades do mundo político.

Quais são as virtudes e os riscos que o ganho de importância desta variável traz para a democracia representativa no Brasil? Como as mídias digitais poderão influenciar na construção de governabilidade e na condução de pautas prioritárias da gestão do presidente Jair Bolsonaro? E o que acontece com agendas impopulares nesse contexto?

O programa é transmitido ao vivo, a partir das 14h45 (horário de Brasília), pela IMTV e página do InfoMoney no Facebook.

Reforma da Previdência

O mercado está em atenção com a saúde do presidente Jair Bolsonaro, que pode implicar em atrasos no ritmo da reforma da Previdência. Bolsonaro segue na unidade de tratamento semi-intensivo, com pneumonia e sem prazo para alta. 

Ontem, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que o presidente terá que tomar decisões importantes sobre a reforma quando deixar o hospital e que é preciso respeitar esse período de recuperação. Perguntado se há uma preocupação com as discussões sobre a reforma diante da informação de que Bolsonaro está com pneumonia, ele encerrou a entrevista que ocorria em frente à residência oficial do Senado, informa o jornal Valor Econômico. 

O prolongamento da internação e a resistência interna em ver o vice-presidente general Hamilton Mourão no comando do país colocam em compasso de espera decisões estratégicas para o país, que incluem ainda o acordo sobre a cessão onerosa do excedente da Petrobras e a medida provisória do recadastramento de armas, aponta reportagem do Valor.

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Enquanto isso, os integrantes da equipe econômica foram convencidos de que tentar aprovar a reforma na Câmara em março, como chegou a ser cogitado, poderia causar resistência política e contestação jurídica no STF (Supremo Tribunal Federal) e impôs um recuo no plano. "O risco jurídico e político será infinitamente menor se a tramitação da reforma da Previdência seguir o tiro normal de uma nova PEC", afirmou um ministro ao G1.

Vale lembrar que Rodrigo Maia, presidente da Câmara, afirmou em entrevista à GloboNews que votar a reforma da Previdência sem respeitar os prazos regimentais pode transformar a Câmara em um "campo de guerra". 

 

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