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Ibovespa desaba 3,7% com Vale perdendo licença e preocupação com atraso na Previdência

Índice acentua perdas na reta final do pregão após notícia de que a mineradora perdeu uma importante licença para operar na mina de Brucutu

Crash
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Em queda durante todo o dia por conta de novos ruídos com a reforma da Previdência, o Ibovespa acelerou as perdas na reta final do pregão desta quarta-feira (6) após a notícia de que a Vale (VALE3) perdeu a sua autorização para operar a Barragem Laranjeiras, crucial para a produção da mina de Brucutu.

Com isso, o Ibovespa fechou com forte queda de 3,74%, aos 94.636 pontos, em seu pior pregão desde 28 de maio de 2018, quando desabou 4,49%. O volume financeiro ficou em R$ 17131 bilhões.

Enquanto isso, o contrato futuro de dólar com vencimento em março subiu 0,87%, para R$ 3,705, ao passo que o dólar comercial fechou com valorização de 1,09%, cotado a R$ 3,7065 na venda.

Além do cancelamento da operação em Laranjeiras, a Vale informou também que foi determinada a suspensão imediata da Mina de Jangada por conta de sua ligação com a licença da mina Córrego de Feijão. A mina em questão, porém, já estava paralisada em consequência da paralisação da operação da mina Córrego de Feijão.

Além disso, o TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) negou um recurso da Vale, que pedia para retomar suas operações da mina e da usina de Onça Puma, no sul do Pará. Entre as medidas impostas pelo Tribunal estão a paralisação das atividades de exploração mineral até que a Vale cumpra obrigações socioambientais.

No noticiário político, mais cedo, informações de que o governo deve enviar uma nova PEC (proposta de emenda constitucional) para a reforma da Previdência, ou seja, não vai aproveitar o projeto do ex-presidente Michel Temer, piorou o ânimo dos investidores, que entendem nisso um atraso para a tramitação da proposta. 

"O governo admite que a reforma deve ser mais abrangente que de Temer e Guedes espera R$ 1 trilhão de impacto em 15 anos, mas divergências entre ele e Bolsonaro sobre idade mínima devem tornar a proposta final mais branda que a minuta vazada", acrescenta a equipe de análise da XP Research.

Vale destacar ainda que a juíza federal Gabriela Hardt condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a 12 anos e 11 meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro na ação penal que trata do sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP).

No cenário doméstico, destaque ainda para a decisão do Copom - que deve manter os juros básicos em 6,50% -,  com atenção especial para os recados que o Banco Central poderá mandar em seu comunicado sobre o rumo da política monetária nos próximos meses.

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"Boa parte do mercado já trabalha com o cenário de manutenção dos juros ao longo e alguns grandes nomes do mercado já começam a enxergar possíveis cortes na Selic", observam os analistas da Rico em relatório enviado a clientes.

Em meio às expectativas, o contrato com vencimento em janeiro de 2021 subiu 2 pontos-base, para 7,02%, enquanto o contrato para janeiro de 2023 avançou 7 pontos, a 8,17%.

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump insiste na construção de um muro na fronteira com o México. Vale lembrar que o assunto foi responsável pela maior paralisação da história do país neste início de ano e que o shutdown pode ser retomado em fevereiro se não houver acordo sobre o orçamento no Congresso, que não quer liberar dinheiro para o muro.

Destaques de ações
Além das notícias acima, a Vale declarou na noite de ontem força maior - instrumento invocado quando uma das partes não consegue cumprir um acordo por um evento imprevisto - em uma série de contratos de venda de minério de ferro e de pelotas.

O anúncio ocorreu após decisão judicial na véspera que determinou a paralisação de barragens em Minas Gerais, com impacto na produção da mina de Brucutu – a segunda maior mina da empresa. A empresa não informou o volume de contratos afetados pela força maior.

A Vale reiterou ainda que não existe fundamento técnico ou avaliação de risco que justifique a decisão de suspender a operação e está adotando as medidas judiciais cabíveis para retomar suas operações o mais rápido possível.

Na segunda-feira, a mineradora informou que o impacto estimado da paralisação temporária da barragem de Laranjeiras na mina de Brucutu (complexo de Minas Centrais) é de aproximadamente 30 milhões de toneladas de minério de ferro por ano.

O jornal O Globo informa que, após a tragédia em Brumadinho, o governo deve adiar a renovação antecipada do contrato de duas ferrovias administradas pela Vale. A intenção da equipe econômica é não “contaminar” o processo de renovação das concessões, que só vencem em 2027, com o desastre. A Vale opera hoje as ferrovias Estrada de Ferro Carajás e Estrada de Ferro Vitória-Minas, cujos contratos se encerram daqui oito anos.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 CIEL3 CIELO ON 10,35 -7,42 +16,42 296,54M
 MRFG3 MARFRIG ON 6,26 -6,43 +14,65 23,86M
 JBSS3 JBS ON 14,03 -6,34 +21,05 125,94M
 CCRO3 CCR SA ON 13,87 -6,22 +23,84 218,54M
 VVAR3 VIAVAREJO ON 5,29 -6,21 +20,50 150,31M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 SUZB3 SUZANO PAPELON 47,85 +1,18 +25,66 208,09M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN N2 25,49 -2,15 1,65B 1,47B 46.259 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN ED 36,40 -4,21 1,45B 852,24M 68.540 
 VALE3 VALE ON 42,46 -4,88 1,28B 1,58B 46.086 
 BBAS3 BRASIL ON 51,32 -6,09 862,19M 516,45M 35.749 
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 43,54 -4,71 760,02M 654,27M 42.262 
 B3SA3 B3 ON 32,20 -2,37 590,92M 355,99M 27.467 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 18,09 -2,95 421,25M 447,48M 38.965 
 ITSA4 ITAUSA PN 12,80 -4,26 361,03M 352,91M 42.482 
 CIEL3 CIELO ON 10,35 -7,42 296,54M 215,22M 58.315 
 PETR3 PETROBRAS ON N2 30,01 -1,77 268,89M 245,79M 15.170 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
IBOVESPA

Bolsas mundiais
Os índices dos Estados Unidos operam em leve queda após o esperado discurso de Donald Trump no Estado da União e à espera de mais balanços corporativos, como General Motors, Toyota e Spotify. As bolsas na Europa operam em queda repercutindo o discurso de Trump e a decepção com os dados de encomendas à indústria na Alemanha e balanços piores que o previsto. 

Diante do Congresso, Trump pediu por um acordo para superar o shutdown (paralisação parcial do governo), mas insistiu na necessidade de construir um muro na fronteira com o México, justamente o tema que vem causando divergências entre os congressistas. 

Na Ásia, as bolsas na China e em Hong Kong permanecem fechadas ao longo desta semana devido ao Ano Novo Lunar. O índice do Japão encerrou em leve alta, com ganhos limitados pelas declarações de Trump.

Os preços do petróleo operam em queda diante dos temores em relação ao crescimento das economias globais e o minério de ferro sobe após decisão da Vale de suspender contratos por motivos de força maior.

Reforma da Previdência

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse ontem que a proposta de reforma da Previdência do governo projeta uma economia de pelo menos um R$ 1 trilhão, em um período de 10 anos. A afirmação foi feita em entrevista coletiva ao lado do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Os dois se reuniram no gabinete de Guedes para tratar da tramitação da reforma e Maia chegou a dizer que o tema poderá ser votado pelos deputados até maio.

"A ideia é que ela [a reforma] chegue pelo menos a R$ 1 trilhão [de economia de gastos]. Simulamos com 15 anos, com 20, com 10. O valor de R$ 1 trilhão é para 10 anos, mas há simulações em que é R$ 1 trilhão em 15 anos também, de valor presente. Isso é o que está sendo calibrado", afirmou o ministro. Ele voltou a criticar o atual sistema previdenciário que, segundo ele, aprofunda desigualdades sociais e contribui para o desemprego.

Perguntado sobre o estabelecimento de uma idade mínima única de 65 anos para homens e mulheres, conforme o trecho vazado na imprensa na segunda-feira (4), do que seria uma das propostas do governo, Guedes reforçou que a decisão final é do presidente da República.

Segundo Maia, o governo pretende conseguir de 320 a 330 votos para aprovar a reforma na Câmara em dois meses. O presidente da Câmara disse ser possível aprovar a reforma até maio, e o Senado aprová-la em junho ou julho, caso a base aliada esteja articulada.

Noticiário político 

Foi publicada nesta manhã, no Diário Oficial da União, a exoneração do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio. O decreto é assinado pelo presidente Jair Bolsonaro. Reportagem do jornal Folha de S.Paulo aponta Marcelo Antônio como integrante de um esquema irregular para lançar candidatos "laranjas", nas eleições, e assim desviar verbas eleitorais do Fundo Partidário, beneficiando-se do sistema.

Reeleito por Minas Gerais, Marcelo Antônio foi o deputado federal mais votado do estado. Há dois dias, na sua conta no Twitter, ele negou qualquer tipo de irregularidade.

O Senado vai se reunir à tarde para eleger os dez cargos vagos da Mesa Diretora. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM), articulou um acordo com os partidos para que o PSDB e o Podemos fiquem com as vice-presidências, o PSD, o MDB e o PSL ocupem três das quatro secretarias.

Se o acordo for fechado, a eleição da Mesa será em votação única, ao contrário da eleição do presidente que exigiu duas sessões e teve até anulação. Se não houver acordo, a votação será feita cargo por cargo. O acerto passa pela articulação envolvendo o PT, PP,  PDT e PSB.

Além da distribuição de cargos na Mesa Diretora, também está em jogo o comando das comissões permanentes e mistas do Congresso. PSDB e MDB têm interesse em ficar com a presidência da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), considerada a mais importante por ser onde começa a tramitação de propostas legislativas.

Sobre as movimentações financeiras atípicas que envolvem o senador Flávio Bolsonaro (PSL), o promotor de Justiça Claudio Calo, do Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro, abriu mão de liderar a investigação. Segundo ele, a decisão foi tomada depois de “profunda reflexão jurídica.”

Em nota, o promotor informou que “juridicamente” entendeu que as investigações devem ser conduzidas pela Promotoria de Justiça de Investigação Penal Tabelar. "Não se trata de declínio de atribuição, pois a atribuição, como se sabe, é da 24ª PIP, mas trata-se de questão de cunho pessoal”, disse em nota o promotor.

 

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