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Ibovespa Futuro recua com insistência de Trump em muro e de olho em Vale

No cenário doméstico, destaque para a declaração de força maior pela Vale em alguns contratos e a decisão do Copom

Donald Trump
(Joyce N. Boghosian/Casa Branca )

SÃO PAULO - O clima é de cautela no exterior após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, insistir na construção de um muro na fronteira com o México - assunto que levou o país à maior paralisação da história neste início de ano e que pode ser retomada em fevereiro se não houver acordo com o Congresso. 

Às 9h34 (horário de Brasília), o Ibovespa futuro caía 1,09%, a 97.390 pontos. O contrato de dólar futuro com vencimento em março de 2019 tinha alta de 0,75%, cotado a R$ 3,700, e o dólar comercial subia 0,76%, para R$ 3,696.

A valorização do dólar acompanha o movimento da moeda ante os emergentes após perdas significativas do dólar australiano em meio a mudança na perspectiva de política monetária do país para neutra.

Ontem, o Banco Central da Austrália (RBA, pela sigla em inglês) decidiu manter sua taxa básica de juros na mínima histórica de 1,5%, patamar em que se encontra desde agosto de 2016. A decisão veio em linha com as expectativas, mas o tom do comunicado mudou a sinalização de hawkish (agressiva, um aceno para alta das taxas) para neutra, o que empurrou a moeda para uma queda de 1,4% e aumentou o sentimento de risco.

O reflexo do movimento no câmbio australiano nas moedas de países emergentes ganhou amplitude porque os investidores estão, nesta semana, sem a referência de um importante mercado, o asiático. As bolsas por lá estão fechadas devido ao feriado de Ano Novo Lunar.

O feriado impõe pausa também nas negociações entre China e Estados Unidos para colocar fim à guerra comercial entre os países, deixando o mercado também sem esse importante termômetro para os negócios.

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No cenário doméstico, destaque para a declaração de força maior pela Vale em alguns contratos e a decisão do Copom. Neste caso, a atenção ficará com os recados que o Banco Central poderá mandar em seu comunicado. 

O Ibovespa Futuro é um bom termômetro de como será o pregão, mas nem sempre prevê adequadamente movimentos na Bolsa a partir do sino de abertura

Bolsas mundiais

Os índices futuros dos Estados Unidos apontam para uma abertura em leve queda após o esperado discurso de Donald Trump no Estado da União e à espera de mais balanços corporativos. como General Motors, Toyota e Spotify. As bolsas na Europa operam em queda repercutindo o discurso de Trump. 

Diante do Congresso, Trump pediu por um acordo para superar o shutdown (paralisação parcial do governo), mas insistiu na necessidade de construir um muro na fronteira com o México, justamente o tema que vem causando divergências entre os congressistas. 

Na Ásia, as bolsas na China e em Hong Kong permanecem fechadas ao longo desta semana devido ao Ano Novo Lunar. O índice do Japão encerrou em leve alta, com ganhos limitados pelas declarações de Trump.

Os preços do petróleo operam em queda diante dos temores em relação ao crescimento das economias globais e o minério de ferro sobe após decisão da Vale de suspender contratos por motivos de força maior.

Reforma da Previdência

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse ontem que a proposta de reforma da Previdência do governo projeta uma economia de pelo menos um R$ 1 trilhão, em um período de 10 anos. A afirmação foi feita em entrevista coletiva ao lado do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Os dois se reuniram no gabinete de Guedes para tratar da tramitação da reforma e Maia chegou a dizer que o tema poderá ser votado pelos deputados até maio.

"A ideia é que ela [a reforma] chegue pelo menos a R$ 1 trilhão [de economia de gastos]. Simulamos com 15 anos, com 20, com 10. O valor de R$ 1 trilhão é para 10 anos, mas há simulações em que é R$ 1 trilhão em 15 anos também, de valor presente. Isso é o que está sendo calibrado", afirmou o ministro. Ele voltou a criticar o atual sistema previdenciário que, segundo ele, aprofunda desigualdades sociais e contribui para o desemprego.

Perguntado sobre o estabelecimento de uma idade mínima única de 65 anos para homens e mulheres, conforme o trecho vazado na imprensa na segunda-feira (4), do que seria uma das propostas do governo, Guedes reforçou que a decisão final é do presidente da República.

Segundo Maia, o governo pretende conseguir de 320 a 330 votos para aprovar a reforma na Câmara em dois meses. O presidente da Câmara disse ser possível aprovar a reforma até maio, e o Senado aprová-la em junho ou julho, caso a base aliada esteja articulada.

Agenda econômica 

Na agenda doméstica, destaque para o Copom (Comitê de Política Monetária), que anuncia hoje, logo após o fechamento do mercado, sua decisão sobre a Selic. É praticamente unânime a opinião de que o Banco Central irá manter os juros básicos em 6,5% ao ano. Apesar disso, há uma grande expectativa pelo comunicado, que pode trazer mais detalhes sobre quanto tempo as taxas permanecerão inalteradas e até se o BC avalia um corte de juros.

No exterior, atenção para a divulgação do PIB (Produto Interno Bruto) do quarto trimestre de 2018 dos EUA, na quarta-feira (6). O indicador já devia ter sido publicado, mas acabou adiado devido à paralisação do governo nas últimas semanas.

Clique aqui para conferir a agenda completa de indicadores.

Noticiário político 

Foi publicada nesta manhã, no Diário Oficial da União, a exoneração do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio. O decreto é assinado pelo presidente Jair Bolsonaro. Reportagem do jornal Folha de S.Paulo aponta Marcelo Antônio como integrante de um esquema irregular para lançar candidatos "laranjas", nas eleições, e assim desviar verbas eleitorais do Fundo Partidário, beneficiando-se do sistema.

Reeleito por Minas Gerais, Marcelo Antônio foi o deputado federal mais votado do estado. Há dois dias, na sua conta no Twitter, ele negou qualquer tipo de irregularidade.

O Senado vai se reunir à tarde para eleger os dez cargos vagos da Mesa Diretora. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM), articulou um acordo com os partidos para que o PSDB e o Podemos fiquem com as vice-presidências, o PSD, o MDB e o PSL ocupem três das quatro secretarias.

Se o acordo for fechado, a eleição da Mesa será em votação única, ao contrário da eleição do presidente que exigiu duas sessões e teve até anulação. Se não houver acordo, a votação será feita cargo por cargo. O acerto passa pela articulação envolvendo o PT, PP,  PDT e PSB.

Além da distribuição de cargos na Mesa Diretora, também está em jogo o comando das comissões permanentes e mistas do Congresso. PSDB e MDB têm interesse em ficar com a presidência da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), considerada a mais importante por ser onde começa a tramitação de propostas legislativas.

Sobre as movimentações financeiras atípicas que envolvem o senador Flávio Bolsonaro (PSL), o promotor de Justiça Claudio Calo, do Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro, abriu mão de liderar a investigação. Segundo ele, a decisão foi tomada depois de “profunda reflexão jurídica.”

Em nota, o promotor informou que “juridicamente” entendeu que as investigações devem ser conduzidas pela Promotoria de Justiça de Investigação Penal Tabelar. "Não se trata de declínio de atribuição, pois a atribuição, como se sabe, é da 24ª PIP, mas trata-se de questão de cunho pessoal”, disse em nota o promotor.

Noticiário corporativo

>> A CSN informou que o encerramento das operações da barragem Casa de Pedra, em Congonhas, no Estado de Minas Gerais, faz parte de medidas já adotadas pela sua controlada, a CSN Mineração, em andamento desde 2016, e que visam o processamento a seco do rejeito gerado no processo produtivo de sua mina de Casa de Pedra.

"Atualmente, o tratamento de rejeitos a seco já cobre 40% do volume de seus rejeitos e, até o fim de 2019, a CSN Mineração estará processando 100% dos rejeitos a seco, descartando a utilização de barragens para disposição de rejeitos", afirma a empresa.

>> A Petrobras informa que firmou acordo "único e inédito" no Brasil com o Ministério Público Federal, em decorrência do acordo celebrado com a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC, na sigla em inglês) e com o Departamento de Justiça nos EUA (DoJ, na sigla em inglês), no valor de US$ 682,6 milhões, que corresponde a 80% do valor da resolução celebrada com o DoJ e a SEC.

De acordo com a Petrobras, 50% dos recursos serão revertidos a um fundo patrimonial a ser administrado por uma fundação independente (que será constituída e gerida pelo MPF), para o investimento social em projetos, iniciativas e desenvolvimento institucional de entidades idôneas, educativas ou não, que atuem na promoção da cidadania, ética pública, combate à corrupção, dentre outros temas socialmente relevantes.

Os outros 50% serão utilizados pela Petrobras para atender eventuais condenações da companhia em demandas de investidores ou para pagamento de possíveis acordos. O prazo é de três anos, contados a partir de sua homologação.

Ainda no radar, a Petrobras anunciou alta de 0,59% no preço médio do litro da gasolina A sem tributo nas refinarias, válido para quarta-feira, 6, para R$ 1,5079. Além disso, a estatal manteve sem alteração o preço do diesel, em R$ 2,0198, conforme tabela disponível no site da empresa.

>> A Vale declarou força maior - instrumento invocado quando uma das partes não consegue cumprir um acordo por um evento imprevisto - em uma série de contratos de venda de minério de ferro e de pelotas, após decisão judicial na véspera que determinou a paralisação de barragens em Minas Gerais, com impacto na produção da mina de Brucutu – a segunda maior mina da empresa. A empresa não informou o volume de contratos afetados pela força maior.

A Vale reiterou que não existe fundamento técnico ou avaliação de risco que justifique a decisão de suspender a operação e está adotando as medidas judiciais cabíveis para retomar suas operações o mais rápido possível.

Na segunda-feira, a mineradora informou que o impacto estimado da paralisação temporária da barragem de Laranjeiras na mina de Brucutu (complexo de Minas Centrais) é de aproximadamente 30 milhões de toneladas de minério de ferro por ano.

Já o jornal O Globo informa que, após a tragédia em Brumadinho, o governo deve adiar a renovação antecipada do contrato de duas ferrovias administradas pela Vale. A intenção da equipe econômica é não “contaminar” o processo de renovação das concessões, que só vencem em 2027, com o desastre. A Vale opera hoje as ferrovias Estrada de Ferro Carajás e Estrada de Ferro Vitória-Minas, cujos contratos se encerram daqui oito anos. 

>> A Sanepar teve um lucro líquido de R$ 320 milhões no quarto trimestre de 2018, 107,5% frente ao mesmo período de 2017, enquanto a receita subiu 7,1%, para R$ 1,1 bilhão, em relação aos três últimos meses de 2017.  O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) teve alta de 23,9% no último trimestre do ano, para R$ 475,7 milhões. 

O lucro líquido da Sanepar subiu 30,1% em 2018, atingindo R$ 892,5 milhões. A receita foi de R$ 4,16 bilhões, com alta de 7,6%. O ano acabou com a Sanepar totalizando 3,14 milhões de ligações de água, alta de 1,6%, enquanto as ligações de esgoto subiram 4,9%, para 2,14 milhões.

>> O banco ABC Brasil registrou lucro líquido recorrente de R$ 457,8 milhões em 2018, 5,7% acima na comparação anual, quando lucrou R$ 433 milhões. No quarto trimestre, o lucro foi de R$ 121,4 milhões, alta de 9,8% na base de comparação com os três últimos meses de 2017. Os ativos totais tiveram alta de 13,8% na comparação anual, para R$ 32,72 bilhões.

>> O Itaú BBA aumentou o preço-alvo de R$ 30 para R$ 37,50 para as ações da B3, mantendo recomendação de compra para o papel. 

"Em suma, os dados operacionais dos últimos meses têm sido encorajadores e sugerem uma sólida dinâmica de lucros à frente. Vemos o lucro por ação recorrente expandindo quase 30% na base anual em 2019, seguido por um crescimento de 16% em 2020, devido a maiores volumes e margens. Além disso, esperamos um ano bastante ativo no que diz respeito as ofertas no mercado primário, o que deve impulsionar a negociação de ações. Por fim, o modelo foi ajustado para incorporar nosso último cenário macro, incluindo uma taxa de desconto menor", ressaltam os analistas. 

>> A B2W (BTOW3) teve a recomendação reduzida para neutra pelo JPMorgan, com o preço-alvo sendo elevado de R$ 35 para R$ 46. Já a Oi (OIBR4) foi elevada a outperform pelo Bradesco BBI, com preço-alvo de R$ 1,80, o que implica um potencial de alta de 26% em relação ao fechamento de terça-feira. 

>> A Duratex informou nesta terça-feira que deve fazer ajustes contábeis que farão seus resultados do quarto trimestre terem efeitos negativos extraordinários. Os ajustes terão impactos aproximados de R$ 314 milhões no Ebitda e de R$ 296 milhões no lucro líquido.

As alterações ainda precisam de aprovação do conselho de administração da empresa. Os efeitos virão de medidas como paralisação temporária das operações de painéis de madeira em Botucatu (SP), o encerramento da operação produção de chuveiros elétricos em Tubarão (SC), e o ajuste contábil de ativos intangíveis.

"Esses ajustes terão efeito caixa de aproximadamente R$ 30 milhões no quarto trimestre, com impacto anual positivo estimado em R$ 40 milhões no Ebitda recorrente da companhia, a partir de 2019", informou a fabricante de painéis de madeira e louças sanitárias

>> Conforme informa o Valor, a Saraiva fechou mais três lojas em um mês e somou, em janeiro, um total de 82 pontos em operação, segundo relatório mensal da empresa. Desse total, 30 estão com ações de despejo. De acordo com o plano de recuperação judicial da varejista, enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na noite de segunda-feira, sua dívida total é de R$ 675 milhões. A rede de livrarias pretende terminar suas dívidas em 2034. 

(Com Bloomberg, Agência Estado e Agência Brasil)

 

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