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Ibovespa Futuro sobe e dólar cai a R$ 3,65 por Fed e otimismo com reforma da Previdência

O Fed manteve ontem seus juros básicos, como era amplamente esperado, e reiterou que será paciente ao determinar futuros ajustes nas taxas

Bolsa ações gráfico
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Após voltar a encostar nos 97 mil pontos com a recuperação da Vale e as sinalizações do Federal Reserve, o pregão deve ser de novas alta para o Ibovespa, em meio à continuidade da alta das bolsas mundiais, apesar dos dados ruins da economia chinesa. 

O mercado ainda deve repercutir com otimismo o aceno do governo à inclusão dos militares nas mudanças das regras para a aposentadoria. Se confirmado na proposta final, a inclusão dos militares deve facilitar a negociação com o Congresso.

Às 9h52 (horário de Brasília), o Ibovespa futuro subia 0,76%, a 97.890 pontos. O contrato de dólar futuro com vencimento em fevereiro de 2019 tinha queda de 0,72%, cotado a R$ 3,658, e o dólar comercial recuava 0,35%, para R$ 3,708. 

O Fed manteve ontem seus juros básicos, como era amplamente esperado, e reiterou que será paciente ao determinar futuros ajustes nas taxas. A autoridade monetária também retirou a palavra “gradual” de seu comunicado, sugerindo que poderá demorar para voltar a elevar juros. No ano passado, o Fed aumentou as taxas em quatro ocasiões.

O Ibovespa Futuro é um bom termômetro de como será o pregão, mas nem sempre prevê adequadamente movimentos na Bolsa a partir do sino de abertura

Bolsas mundiais

A sessão é de ganhos para as bolsas europeias, enquanto os índices asiáticos fecharam sem direção única entre o ânimo com o Fed e a nova decepção com os dados econômicos da China. 

O último índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) oficial do setor industrial da China subiu levemente, de 49,4 em dezembro para 49,5 em janeiro, surpreendendo analistas que previam queda do indicador a 49,2. A leitura abaixo de 50, no entanto, mostra que a manufatura chinesa teve contração pelo segundo mês consecutivo. 

Em meses recentes, uma série de dados macroeconômicos mostrou que a China passa por uma significativa desaceleração. Em 2018, o Produto Interno Bruto (PIB) chinês teve expansão de 6,6%, resultado mais fraco desde 1990.

No mercado de commodities, o petróleo caminha para a terceira sessão seguida de alta, enquanto os metais em Londres sustentam alta. A Capital Economics afirma que o minério de ferro pode subir até US$ 100 por tonelada com acidente da Vale, mas deve cair novamente ainda em 2019 com a demanda fraca.

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Vale e a tragédia em Brumadinho

Uma possível troca do comando da Vale depois da tragédia de Brumadinho entrou no radar dos acionistas da mineradora. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, o afastamento de Fábio Schvartsman, que assumiu a presidência da mineradora há pouco mais de dois anos, é visto por alguns acionistas como necessário para dar uma satisfação à opinião pública. Por outro lado, a mudança não pode ser tão rápida que atrapalhe a condução da crise nesse momento.

No final do ano passado, o contrato de Schvartsman na Vale foi renovado por mais dois anos. O novo mandato tem início em maio, e vai até 2021. O presidente do conselho de administração da Vale, Gueitiro Genso, afirmou, no entanto, que essa discussão de troca de comando não está na mesa. "Como presidente do conselho, quero dizer que não existe em absoluto nenhum processo de substituição do atual presidente da Vale", disse.

O conselho de administração da empresa tem se reunido frequentemente desde o rompimento da barragem em Brumadinho. As respostas oferecidas pela Vale, até o momento, foram bem recebidas por pelo governo e Schvartsman trouxe bons resultados para a companhia e sempre foi bem vista pelo mercado financeiro.

Sobre as medidas para minimizar os danos ambientes causados pelo rompimento da barragem, a Vale apresentou ontem ao Ministério Público e aos órgãos ambientais o plano para conter os rejeitos que vazaram. A área impactada foi dividida em três trechos, onde serão feitas diferentes medidas de contenção e recuperação.

Sobre a compensação financeira, os R$ 11 bilhões bloqueados das contas da Vale até agora superam o dobro do que foi gasto pelas mineradoras para atender vítimas e recuperar o meio ambiente após o rompimento da barragem da Samarco, em Mariana (MG), há mais de três anos. Cerca de R$ 5,26 bilhões tiveram essa destinação até o mês passado.

Segundo o Valor Econômico, a Vale quer buscar um acordo com as autoridades em Minas Gerais para antecipar as indenizações às famílias das vítimas da tragédia. O objetivo é chegar de forma rápida a um entendimento que permita pagar essas indenizações. Segundo fontes, existem referências de valores nos tribunais que possibilitam amparar juridicamente um acordo.

A mineradora ainda adiou a divulgação de resultado do quarto trimestre para focar em Brumadinho. A empresa informou que vai divulgar o relatório de produção e vendas no dia 26 de março antes da abertura dos mercados, segundo comunicado ao mercado. O desempenho financeiro será divulgado no dia seguinte,
27 de março, após o fechamento dos mercados. As teleconferências e webcasts serão realizados em 28 de março. A companhia também adiou a assembleia geral extraordinária para 30 de abril.

A Vale diz que decisão decorre de "foco total da companhia nas ações de suporte aos atingidos pelo acidente com Barragem I da Mina Córrego de Feijão em Brumadinho". A divulgação dos resultados estava marcada para 13 de fevereiro.

Agenda econômica

No mercado doméstico, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que a taxa de desemprego no trimestre encerrado em dezembro foi de 11,6% ante 11,9% no trimestre até setembro. 

Nos Estados Unidos, na véspera do relatório de emprego (payroll), serão conhecidos os dados de seguro-desemprego e das vendas de moradias novas, às 11h30.

Clique aqui para conferir a agenda completa de indicadores.

Noticiário político

A Polícia Federal deflagrou hoje (31) a 59ª fase da Operação Lava Jato que mira propina de R$ 22 milhões envolvendo 36 contratos da Transpetro com o Grupo Estre na área ambiental. São cumpridos 15 mandados de busca e apreensão e três de prisão temporária por 60 policiais federais, com o apoio de 16 auditores fiscais da Receita Federal, em São Paulo e Araçatuba (SP).

Há suspeitas de que o esquema criminoso foi possível devido a acordo entre os investigados, que responderão pela prática dos crimes de corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Os presos e o material apreendido serão levados para a Superintendência da Policia Federal em Curitiba (PR).

No radar econômico, o secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, disse ontem que nenhum segmento da sociedade, inclusive os militares, será poupado na reforma das regras de aposentadoria. Ele espera que a proposta seja aprovada pela Câmara e pelo Senado até meados de julho, informa o jornal O Folha de S. Paulo.

"Ninguém vai ficar de fora. O governo vai apresentar um projeto que vai levar em consideração todos os segmentos da sociedade brasileira”, disse Marinho.

Completando um mês na Presidência, Jair Bolsonaro segue internado em São Paulo para se recuperar da cirurgia para retirada da bolsa de colostomia e despachando de uma sala montada especialmente para ele no hospital.  Por recomendação médica, as visitas estão limitadas, assim como conversas. A possibilidade de uma reunião presencial hoje com os ministros de Minas e Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional  para tratar do desastre em Brumadinho (MG) foi adiada.

O mercado aguarda o retorno dos trabalhos do STF (Supremo Tribunal Federal) na sexta-feira (1), já que os ministros têm em mãos uma reclamação do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL) sobre o processo envolvendo o ex-assessor Fabrício Queiroz.

Em 16 de janeiro, o ministro Luiz Fux acatou o pedido e suspendeu a investigação criminal do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, que apura movimentações financeiras suspeitas de Queiroz. A decisão é provisória e deve ser avaliada com o retorno do STF do recesso. 

Na corrida para a votação no Congresso, marcada para sexta-feira (1), o MDB deve decidir hoje, às 17h, a decisão de quem será o candidato à presidência do Senado - Renan Calheiros ou Simone Tebet. (Conheça a senadora que quer ser a primeira mulher a comandar o Congresso). 

Na Câmara, com apoio de 16 legendas, Rodrigo Maia é favorito e já negocia cargos na mesa diretora e comissões.

Noticiário corporativo

>>> O Bradesco registrou lucro líquido contábil de R$ 5,08 bilhões no quarto trimestre de 2018, uma alta de 1,4% em relação aos três meses anteriores. O banco ainda nomeou Leandro de Miranda Araujo como diretor de Relações com Investidores. 

>>> A Petrobras assinou a venda de refinaria de Pasadena para a Chevron por US$ 562 milhões. A companhia ainda anunciou que as reservas provadas caíram para 11,96 bilhões de barris de óleo equivalente em 2018. Por fim, a estatal depositou cerca de R$ 2,5 bilhões em uma conta vinculada à Justiça Federal do Paraná, de acordo com o Ministério Público Federal (MPF). Os valores fazem parte de um acordo firmado entre a estatal e a força-tarefa da Lava Jato, já homologado pelo Judiciário.

>> O Itaú BBA decidiu retirar a Bradespar de seu portfólio de small caps "por enquanto", em meio à expectativa de que a suspensão de dividendos da Vale poderia levar a uma possível redução na base de acionistas da Bradespar. 

>> A Eletrobras foi elevada a ’outperform’ pelo Safra, com preço-alvo de R$ 44,90.

>> A Localiza deve precificar nesta quinta-feira follow-on que pode levantar até R$ 1,7 bilhão. 

>> A Porto Seguro aprovou a recompra de até 5 milhões de ações ordinárias.

>> A Omega Geração aprovou a emissão de até R$ 775 milhões em debêntures. 

>> A Sanepar elegeu Abel Demetrio para diretor financeiro.

(Com Agência Estado, Agência Brasil e Bloomberg)

 

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