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Ibovespa Futuro sobe 1% com exterior e após Vale anunciar fechamento de barragens

A medida anunciada pela Vale vai custar cerca de R$ 5 bilhões e reduzir a produção de minério de ferro em 10% ao ano 

mina de minério de ferro na Austrália - commodities
(Tim Wimborne/Reuters)

SÃO PAULO - O mercado financeiro é influenciado positivamente pelo cenário externo nesta quarta-feira (30) e responde com otimismo à decisão da Vale de acabar com as barragens a montante - tipo de estrutura que se rompeu em Brumadinho e considerada menos segura. 

Às 9h40 (horário de Brasília), o Ibovespa futuro subia 1,11%, a 96.785 pontos. O contrato de dólar futuro com vencimento em fevereiro de 2019 tinha alta de 0,03%, cotado a R$ 3,721, e o dólar comercial recuava 0,01%, para R$ 3,721. 

A medida anunciada pela Vale vai custar cerca de R$ 5 bilhões, reduzir a produção em 40 milhões de minério de ferro e 10 toneladas de pelotas por ano, o que representa 10% da produção da empresa ao ano. Com a notícia, os ADRs da Vale tinham alta de 5,84% por volta de 9h (de Brasília) e os preços do minério de ferro no mercado internacional dispararam até mais de 10% após o anúncio, na maior alta em dois anos. 

No radar dos investidores ainda está a primeira reunião do Fed de 2019 e os balanços de empresas norte-americanas. A expectativa é que o Fed mantenha os juros estáveis e sinalize pausa no seu processo de alta das taxas de juros.

"A dúvida é se o Fed sinalizará uma interrupção do seu processo de redução de balanço, pelo menos em algum momento deste ano – processo de venda de títulos do governo que estão no seu ativo", pontua a XP Research em relatório enviado a clientes. 

"No final de 2018 a mudança no rumo dos juros dos EUA foi o evento mais disruptivo dos mercados: esperava-se que o Fed subiria até quatro vezes os juros em 2019, mas agora a projeção mudou para nenhuma alta. De maneira simplista: quanto mais tempo o juro demorar para subir nos Estados Unidos, mais dinheiro abundante teremos no mercado, o que beneficiará emergentes", afirmam os analistas da Rico em relatório.

O Ibovespa Futuro é um bom termômetro de como será o pregão, mas nem sempre prevê adequadamente movimentos na Bolsa a partir do sino de abertura

Bolsas mundiais

Os índices futuros das bolsas dos Estados Unidos apontam para uma abertura em terreno positivo à espera da primeira decisão sobre juros deste ano do Federal Reserve. Os investidores esperam por uma revisão das expectativas de alta e que os diretores do banco reforcem sua postura "dovish" diante de sinais de desaceleração econômica. 

Balanços corporativos impulsionam as bolsas em Wall Street. Ontem à noite, a Apple disparou mais de 5% no pregão estendido após a empresa anunciar que, apesar da queda nas vendas de iPhone, vendas de outros produtos como IPad e Apple Watch, cresceram.

As bolsas na Europa operam em alta à espera do encontro entre representantes dos governos dos Estados Unidos e China para discutir a guerra comercial instalada entre os dois países. O vice-premiê chinês, Liu He, chega a Washington hoje para o primeiro de dois dias de reuniões com autoridades norte-americanas. 

O secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, disse ontem que espera progressos significativos, porém fontes dizem que ambos lados permanecem distantes em questões-chave.

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As bolsas asiáticas encerraram sem direção definida à espera de novidades com o encontro entre representantes da China e dos Estados Unidos. 

Os preços do petróleo sobem diante da preocupação com a oferta venezuelana após sanções do governo de Donald Trump. Enquanto isso, o minério de ferro tem mais um dia de forte alta, de olho nos efeitos dos anúncios da Vale para a oferta da commodity.

A disparada chegou a quase 10% também após o Goldman Sachs elevar previsão para o preço para US$ 80, com o produto podendo atingir mais de US$ 100 em cenários de corte ainda mais severo da produção.

Vale e a tragédia em Brumadinho

Após reunião com os ministros de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e do Meio Ambiente, Ricardos Salles, o presidente da Vale, Fabio Schvartsman, anunciou na noite de ontem que a empresa vai acabar com dez barragens, como a que se rompeu em Brumadinho. Segundo ele, essas barragens serão descomissionadas.

Descomissionar significa preparar a barragem para que ela seja integrada à natureza. “A decisão da companhia é que não podemos mais conviver com esse tipo de barragem. Tomamos a decisão de acabar com todas as barragens”, disse o executivo. A Folha de S. Paulo aponta que um terço das barragens da Vale tem potencial de dano similar ao de Brumadinho.

O projeto para descomissionar as barragens está pronto e será levado para os órgãos federais e estaduais em 45 dias. Segundo Schvartsman, o prazo para executar as ações é de no mínimo um ano e no máximo 3 anos e a Vale estima que serão aplicados cerca de R$ 5 bilhões para efetivar o plano.

A medida vai reduzir a produção em 40 milhões de minério de ferro e 10 toneladas de pelotas por ano, o que representa 10% da produção da empresa ao ano.

Sobre o comando da mineradora, alguns membros do governo passaram a adotar um tom muito mais brando após ameaças de trocar a cúpula. O ministro da Infraestrutura, Tarcisio Gomes de Freitas, advertiu sobre uma "caça às bruxas" e abordagens simplistas para o desastre, dizendo que qualquer decisão precisa ser tomada depois que a situação se acalmar.

O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, disse que a "golden share não permite interferência na gestão da Vale", reiterando que essa é uma decisão do Conselho de Administração. Ele ainda completou: "não há condição de haver qualquer grau de intervenção até porque essa não seria uma sinalização desejada ao mercado”.

Agenda econômica 

A agenda é esvaziada no cenário doméstico. Fora do Brasil, destaque para a primeira reunião do Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto, em inglês) de 2019, na quarta-feira (30) às 17h, com expectativa de manutenção das taxas básicas de juros. O presidente do Fed, Jerome Powell, concede coletiva de imprensa às 17h30. 

Clique aqui para conferir a agenda completa de indicadores.

Noticiário político 

O presidente Jair Bolsonaro retoma as funções presidenciais às 7h desta quarta-feira, segundo o porta-voz do Palácio do Planalto, Otávio Rêgo Barros. Inicialmente, a previsão de retorno às atividades era entre as 9h e as 10h. Há um dispositivo montado dentro do hospital pelo Gabinete de Segurança Iinstitucional (GSI) com equipamento e possibilidade técnica que permitem a Bolsonaro orientar seus ministros e até despachar.

Sobre a reforma da Previdência, o secretário especial da Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, disse que o texto deverá ser enviado ao Congresso até a terceira semana de fevereiro. O governo pretende aproveitar o texto da proposta de emenda à Constituição (PEC) apresentada ainda durante a gestão do ex-presidente Michel Temer, para agilizar a tramitação, uma vez que já avançou na Câmara.

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A diferença é que o texto de Temer não prevê a criação de um regime previdenciário em que cada trabalhador faça a própria poupança (capitalização), como o governo deverá apresentar em fevereiro, o que pode gerar questionamentos por parte da oposição.

Na corrida para a votação no Congresso, marcada para sexta-feira (1), Rodrigo Maia se posiciona como favorito para a eleição na Câmara, enquanto que Renan Calheiros ganha força para o Senado. A disputa dentro do MDB postergou para amanhã a decisão de quem será o candidato à presidência do Senado - Calheiros ou Simone Tebet.

Noticiário corporativo

>> O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, disse durante evento do Credit Suisse, na terça-feira (29), que defenderá um "mercado vibrante e com competição" na questão dos preços dos combustíveis. De acordo com o executivo, ele não quer mais ouvir a expressão "política de preço". "Vocês já ouviram política de preço do iPhone? Política de preço do feijão? Não existe política de preço. Existe mercado", defendeu.

Ainda sobre Petrobras, o Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) proferiu decisão favorável à Petrobras em processos administrativos que totalizam R$ 11,9 bilhões. Esses processos foram originados por autuações da Receita Federal para cobrança Cide-importação e PIS/Cofins-importação de 2011, além de PIS/Cofins-importação de 2012 sobre remessas ao exterior para pagamento de afretamento de embarcações. De acordo com a Petrobras, essa decisão não altera a expectativa de perda possível.

>> A Eletrobras contratou o BofA (Bank of America Merrill Lynch) e o Bradesco para que os bancos realizem a rolagem de US$ 1 bilhão em bonds da companhia emitidos no exterior com vencimento no segundo semestre.

>> O Santander Brasil registrou lucro líquido gerencial de R$ 3,405 bilhões no quarto trimestre, alta de 23,7% na comparação com o mesmo período de 2017. O lucro societário foi de R$ 3,336 bilhões, aumento de 33,5%. Em 2018, o lucro líquido foi de R$ 12,166 bilhões, alta de 52% frente 2017, quanto totalizou R$ 7,997 bilhões. O lucro gerencial alcançou R$ 12,398 bilhões.

O índice de inadimplência superior a 90 dias foi 3,1% no final de dezembro, ante 2,9% no final do terceiro trimestre. O retorno sobre o patrimônio líquido foi de 19,9% em 2018, 3 pontos percentuais frente 2017. No trimestre, a rentabilidade somou 21,1%.

>> Após a Petrobras sinalizar que pretende deixar o setor petroquímico, a LyondellBasell retomou com mais força as negociações para a compra da Braskem. Segundo o jornal Valor Econômico, os movimentos recentes do novo governo brasileiro e da nova gestão da estatal foram bem recebidos pela Odebrecht e pela multinacional holandesa, que haviam desacelerado as negociações à espera do novo comando do país. 

>> O HSBC revisou a recomendação para três papéis do setor de utilities, reduzindo recomendação de Sabesp (SBSP3), Cemig (CMIG4) e Engie (EGIE3) para neutro, com preços-alvo respectivos de R$ 46, R$ 14 e R$ 40. 

(Com Agência Brasil e Agência Estado)

 

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