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Os 5 assuntos que vão agitar os mercados nesta quarta-feira

Fechamento de barragens da Vale, disparada do minério de ferro e reunião do Fed estão no radar dos investidores 

vale minério ferro
(divulgação)

SÃO PAULO - O noticiário desta quarta-feira (30) é movimentado na Bolsa. O mercado financeiro tende a responder positivamente à decisão da Vale de acabar com as barragens a montante - tipo de estrutura que se rompeu em Brumadinho e considerada menos segura. O presidente da Vale disse que "não podemos mais conviver" com esse tipo de barragem. 

Com a notícia, os ADRs da Vale tinham alta de 4,88% por volta de 8h (de Brasília) e o EWZ (iShares MSCI Brazil ETF), principal ETF brasileiro, subia 0,37% no pré market. Os preços do minério de ferro no mercado internacional dispararam até mais de 10% após o anúncio, na maior alta em dois anos. 

A medida vai custar cerca de R$ 5 bilhões, reduzir a produção em 40 milhões de minério de ferro e 10 toneladas de pelotas por ano, o que representa 10% da produção da empresa ao ano.

No radar dos investidores ainda está a primeira reunião do Fed de 2019 e os balanços de empresas norte-americanas.

Veja no que ficar de olho nesta quarta-feira (30):

1. Bolsas mundiais

Os índices futuros das bolsas dos Estados Unidos apontam para uma abertura em terreno positivo à espera da primeira decisão sobre juros deste ano do Federal Reserve. Os investidores esperam por uma revisão das expectativas de alta e que os diretores do banco reforcem sua postura "dovish" diante de sinais de desaceleração econômica. 

As bolsas na Europa operam em alta à espera do encontro entre representantes dos governos dos Estados Unidos e China para discutir a guerra comercial instalada entre os dois países. O vice-premiê chinês, Liu He, chega a Washington hoje para se reunir com autoridades norte-americanas. 

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As bolsas asiáticas encerraram sem direção definida à espera de novidades com o encontro entre representantes da China e dos Estados Unidos. Já nos mercados futuros americanos, a sessão é de alta. Ontem à noite a Apple disparou mais de 5% no pregão estendido após a empresa anunciar que, apesar da queda nas vendas de iPhone, vendas de outros produtos como IPad e Apple Watch, cresceram.

Os preços do petróleo sobem diante da preocupação com a oferta venezuelana após sanções do governo de Donald Trump. Enquanto isso, o minério de ferro tem mais um dia de forte alta, de olho nos efeitos dos anúncios da Vale para a oferta da commodity. A disparada chegou a quase 10% também após o Goldman Sachs elevar previsão para o preço para US$ 80, com o produto podendo atingir mais de US$ 100 em cenários de corte ainda mais severo da produção.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 8h02 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA) +0,25%

*Dow Jones Futuro (EUA) +0,30%

*Nasdaq Futuro (EUA) +0,79%

*DAX (Alemanha) -0,18%

*FTSE (Reino Unido) +0,83%

*CAC-40 (França) +0,59%

*FTSE MIB (Itália) +0,19%

*Hang Seng (Hong Kong) +0,40% (fechado)

*Xangai (China) -0,72% (fechado)

*Nikkei (Japão) -0,52% (fechado)

*Petróleo WTI +0,13%, a US$ 53,38 o barril

*Petróleo brent +0,26%, a US$ 61,48 o barril

*Bitcoin US$ 3.411 +0,99%
R$ 12.732 -2,06% (nas últimas 24 horas)

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian +5,58%, a 587,00 iuanes (nas últimas 24 horas) 

2. Vale e a tragédia em Brumadinho

Após reunião com os ministros de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e do Meio Ambiente, Ricardos Salles, o presidente da Vale, Fabio Schvartsman, anunciou na noite de ontem que a empresa vai acabar com dez barragens, como a que se rompeu em Brumadinho. Segundo ele, essas barragens serão descomissionadas.

Descomissionar significa preparar a barragem para que ela seja integrada à natureza. “A decisão da companhia é que não podemos mais conviver com esse tipo de barragem. Tomamos a decisão de acabar com todas as barragens”, disse o executivo. A Folha de S. Paulo aponta que um terço das barragens da Vale tem potencial de dano similar ao de Brumadinho.

O projeto para descomissionar as barragens está pronto e será levado para os órgãos federais e estaduais em 45 dias. Segundo Schvartsman, o prazo para executar as ações é de no mínimo um ano e no máximo 3 anos e a Vale estima que serão aplicados cerca de R$ 5 bilhões para efetivar o plano.

A medida vai reduzir a produção em 40 milhões de minério de ferro e 10 toneladas de pelotas por ano, o que representa 10% da produção da empresa ao ano.

Sobre o comando da mineradora, alguns membros do governo passaram a adotar um tom muito mais brando após ameaças de trocar a cúpula. O ministro da Infraestrutura, Tarcisio Gomes de Freitas, advertiu sobre uma "caça às bruxas" e abordagens simplistas para o desastre, dizendo que qualquer decisão precisa ser tomada depois que a situação se acalmar.

O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, disse que a "golden share não permite interferência na gestão da Vale", reiterando que essa é uma decisão do Conselho de Administração. Ele ainda completou: "não há condição de haver qualquer grau de intervenção até porque essa não seria uma sinalização desejada ao mercado”.

3. Agenda econômica 

A agenda é esvaziada no cenário doméstico. Fora do Brasil, destaque para a primeira reunião do Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto, em inglês) de 2019, na quarta-feira (30) às 17h, com expectativa de manutenção das taxas básicas de juros. O presidente do Fed, Jerome Powell, concede coletiva de imprensa às 17h30. 

Clique aqui para conferir a agenda completa de indicadores.

4. Noticiário político 

O presidente Jair Bolsonaro retoma as funções presidenciais às 7h desta quarta-feira, segundo o porta-voz do Palácio do Planalto, Otávio Rêgo Barros. Inicialmente, a previsão de retorno às atividades era entre as 9h e as 10h. Há um dispositivo montado dentro do hospital pelo Gabinete de Segurança Iinstitucional (GSI) com equipamento e possibilidade técnica que permitem a Bolsonaro orientar seus ministros e até despachar.

Sobre a reforma da Previdência, o secretário especial da Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, disse que o texto deverá ser enviado ao Congresso até a terceira semana de fevereiro. O governo pretende aproveitar o texto da proposta de emenda à Constituição (PEC) apresentada ainda durante a gestão do ex-presidente Michel Temer, para agilizar a tramitação, uma vez que já avançou na Câmara.

A diferença é que o texto de Temer não prevê a criação de um regime previdenciário em que cada trabalhador faça a própria poupança (capitalização), como o governo deverá apresentar em fevereiro, o que pode gerar questionamentos por parte da oposição.

5. Noticiário corporativo

>> O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, disse durante evento do Credit Suisse, na terça-feira (29), que defenderá um "mercado vibrante e com competição" na questão dos preços dos combustíveis. De acordo com o executivo, ele não quer mais ouvir a expressão "política de preço". "Vocês já ouviram política de preço do iPhone? Política de preço do feijão? Não existe política de preço. Existe mercado", defendeu.

Ainda sobre Petrobras, o Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) proferiu decisão favorável à Petrobras em processos administrativos que totalizam R$ 11,9 bilhões. Esses processos foram originados por autuações da Receita Federal para cobrança Cide-importação e PIS/Cofins-importação de 2011, além de PIS/Cofins-importação de 2012 sobre remessas ao exterior para pagamento de afretamento de embarcações. De acordo com a Petrobras, essa decisão não altera a expectativa de perda possível.

>> A Eletrobras contratou o BofA (Bank of America Merrill Lynch) e o Bradesco para que os bancos realizem a rolagem de US$ 1 bilhão em bonds da companhia emitidos no exterior com vencimento no segundo semestre.

>> O Santander Brasil registrou lucro líquido gerencial de R$ 3,405 bilhões no quarto trimestre, alta de 23,7% na comparação com o mesmo período de 2017. O lucro societário foi de R$ 3,336 bilhões, aumento de 33,5%. Em 2018, o lucro líquido foi de R$ 12,166 bilhões, alta de 52% frente 2017, quanto totalizou R$ 7,997 bilhões. O lucro gerencial alcançou R$ 12,398 bilhões.

O índice de inadimplência superior a 90 dias foi 3,1% no final de dezembro, ante 2,9% no final do terceiro trimestre. O retorno sobre o patrimônio líquido foi de 19,9% em 2018, 3 pontos percentuais frente 2017. No trimestre, a rentabilidade somou 21,1%.

>> Após a Petrobras sinalizar que pretende deixar o setor petroquímico, a LyondellBasell retomou com mais força as negociações para a compra da Braskem. Segundo o jornal Valor Econômico, os movimentos recentes do novo governo brasileiro e da nova gestão da estatal foram bem recebidos pela Odebrecht e pela multinacional holandesa, que haviam desacelerado as negociações à espera do novo comando do país. 

>> O HSBC revisou a recomendação para três papéis do setor de utilities, reduzindo recomendação de Sabesp (SBSP3), Cemig (CMIG4) e Engie (EGIE3) para neutro, com preços-alvo respectivos de R$ 46, R$ 14 e R$ 40. 

(Com Agência Brasil e Agência Estado)

 

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