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CCR dispara após fala de Doria e Banco Inter cai 5% com resultado; Via Varejo e Kroton saltam 12% na semana

Confira os destaques do mercado na sessão desta quinta-feira (24)

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(Divulgação/CCR)

SÃO PAULO - Na véspera do feriado em São Paulo, em que a B3 ficará fechada, o Ibovespa bateu um novo recorde ao superar os 97 mil pontos. Na semana, a alta acumulada foi de 1,64%, com os investidores de olho nas sinalizações do governo em Davos.

O destaque de valorização na semana ficou com as ações da Via Varejo (VVAR3), que subiram 12,5% em um período de queda para os seus pares Magazine Luiza (MGLU3) e B2W Digital (BTOW3). Na última terça-feira, a Amazon anunciou sua expansão no Brasil, o que afetou as ações de varejistas e-commerce - mas os papéis da Via Varejo foram exceção. Entre 5 de dezembro de 2018 e 9 de janeiro deste ano, a Via Varejo despencou 22,89% na bolsa. Desde então, vem se recuperando. Esta maré de correção pode ser um motivo para a ação ter “ignorado” a novidade da Amazon. 

Ainda há, nos bastidores, alguma especulação sobre uma potencial compra da Via Varejo (que de fato foi colocada à venda pelo grupo Casino) pela própria Amazon, o que ainda é visto com ceticismo por boa parcela do mercado. Confira a análise clicando aqui. 

Em segundo lugar no ranking de maiores altas da semana, estão as ações da rede de educação Kroton (KROT3), que subiram 12,38% na esteira da divulgação de projeções mais positivas para a companhia em 2019.  

Já entre as maiores quedas da bolsa, estão as ações da Ambev (ABEV3), que desvalorizaram 4,67% no período, com o mercado já de olho nos resultados da empresa. Em seguida, vieram os papéis do Magazine Luiza, com baixa de 3,86%. 

A sessão desta quinta-feira foi marcada pelas primeiras reações à temporada de balanços do quarto trimestre de 2018, com o Banco Inter dando o pontapé inicial ao divulgar seus números para o período. Os resultados ficaram abaixo do esperado e as ações chegaram a cair 7% durante o pregão, para fechar em baixa de cerca de 5%.

Diversas recomendações também ganharam destaque no mercado, com atenção para a revisão do setor elétrico pelo Itaú BBA e a Cielo sendo elevada pelo Citi. Ainda no setor elétrico, a Eletrobras diz não haver mais demandas judiciais contra empresa nos EUA, o que também impulsionou os papéis.  Atenção ainda para as falas do governador paulista João Doria, que impulsionou as ações de concessionárias. 

Confira os destaques do mercado nesta sessão: 

  • CCR (CCRO3) e Ecorodovias (ECOR3)

  • As ações de CCR e Ecorodovias dispararam na bolsa após uma declaração do governador de São Paulo, João Doria, em Davos. Ele afirmou ao Valor que vai renovar as concessões de rodovias administradas pela inciativa privada no Estado que vencem até o fim de seu mandato, em 2022.
  • A lista dos contratos que expiram entre 2019 e 2022 abrange pelo menos quatro estradas: Centrovias (controlada pela Arteris), AB Triângulo do Sol (Atlantia Bertin), ViaOeste (CCR) e Renovias (CCR/Encalso), com o número de concessões podendo até ser ampliado. Entre esses contratos estão os sistemas Anchieta/Imigrantes, que liga a capital à Baixada Santista, e Anhanguera/Bandeirantes.
  • Embraer (EMBR3
    Em entrevista ao Valor, o presidente da Embraer, Paulo Cesar de Souza e Silva, afirmou que prevê que o contrato da operação com a Boeing será finalizado nos próximos dias.
  • Ele acredita que a fabricante americana, ao produzir no país, poderá ter acesso ao financiamento do BNDES. Souza e Silva disse ainda que o contrato da operação entre as duas companhias está sendo finalizado, talvez na semana que vem. Logo depois vai ser convocada uma assembleia geral extraordinária para submeter a operação para a aprovação final pelos acionistas.
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  • Banco Inter (BIDI4)

    O Banco Inter registrou lucro líquido contábil de R$ 22,3 milhões no quarto trimestre de 2018, o que representa um crescimento de 5% em relação ao mesmo período de 2017. No critério recorrente, que exclui a reversão do diferimento de CSLL no quarto trimestre e no ano de 2018, o lucro foi de R$ 26,7 milhões, crescimento de 25,6% em um ano. Em todo 2018, o Banco Inter fechou com ganhos de R$ 74,2 milhões no critério recorrente, alta de 38% ante 2017.

    O retorno sobre patrimônio líquido (ROAE) anualizado ficou em 9,5% no quarto trimestre, ante 22,6% no mesmo período de 2017. Já a rentabilidade recorrente fechou os últimos três meses em 11,3%. No ano todo, o ROAE caiu 4,4 pontos, para 10,4%.

    A carteira de crédito ampliada do Banco Inter cresceu 28,3% em um ano, e 9,4% em três meses, fechando dezembro em R$ 3,338 bilhões. Os ativos totais tiveram aumento de 57,7% em um ano, para R$ 5,641 bilhões, enquanto o patrimônio líquido cresceu 147,7%, para R$ 948,8 milhões.

    O Índice de Basileia da instituição financeira bateu em 29,9% em dezembro, ante 17,2% ao final de 2017 e 31,1% em setembro. Já o Índice de Eficiência passou de 57,3% no fim de 2017 para 66,8% no ano passado. Neste indicador, quanto menor o índice, melhor é a eficiência do banco na relação entre as despesas operacionais e as receitas com prestação de serviços.

    Segundo o Morgan Stanley, apesar da alta do lucro, o resultado foi fraco, destacando os dados operacionais ruins e o aumento das provisões com perdas para empréstimos. Além disso, a alta do lucro ocorreu em meio a impostos mais baixos e subprovisionamento de risco de crédito que proporcionaram um impulso substancial do valor. Confira a análise sobre o banco Inter clicando aqui.  

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  • Vale (VALE3)

  • As ações da Vale fecharam em leve alta entre a recomendação dos ADRs rebaixada de neutra para underperform pelo Exane BNP Paribas e o novo dia de alta do minério de ferro. A commodity à vista negociada em Qingdao registrou alta de 1,1%, a US$ 75,40. 
  • Eletrobras (ELET3;ELET6)

A Eletrobras comunicou ter encerrado o prazo para apresentar recurso contra a decisão que aprovou em definitivo o acordo firmado entre a elétrica e seus acionistas norte-americanos, no âmbito da Class Action nos EUA, "sem que tenha sido interposto nenhum recurso".

"Em decorrência do trânsito em julgado da Class Action, o Acordo já homologado adquire plena eficácia, não existindo mais nenhuma demanda judicial em curso contra a Eletrobras nos Estados Unidos, de conhecimento da Companhia", afirmou a empresa.


Os investidores nos EUA queriam reparação da estatal por alegadas perdas geradas pelo envolvimento da companhia em casos de corrupção descobertos pelas investigações da Operação Lava Jato.

Em junho, as partes apresentaram o acordo que contemplava pagamento de US$ 14,75 milhões em contrapartida à exoneração completa de quaisquer acusações e responsabilidades por parte da Eletrobras e de executivos envolvidos na ação coletiva.

  • Cielo (CIEL3)

  • A Cielo teve a recomendação elevada de neutra para compra pelo Citi, com elevação do preço-alvo de R$ 13,80 para R$ 15, implicando um potencial de valorização de 47% em relação ao fechamento da véspera. O banco espera que os volumes de pré-pagamento da empresa dobrem até 2020 na comparação com 2018, uma vez que o antigo acordo de bloqueio bancário caiu devido a um novo regulamento a partir de dezembro de 2018. 

Elétricas

Em relatório sobre elétricas, o Itaú BBA elevou a recomendação para os papéis de Eneva (ENEV3) e Ômega (OMGE3) para compra e estabeleceram novos preços-alvo para 2019 para os papéis, em R$ 23 e R$ 26, respectivamente.

"Junto com Enel Chile, Eneva é o play preferido do time em geração LatAm, já que a companhia tem uma das melhores plataformas para crescimento no setor e um time qualificado garantindo a execução. Também entendemos que a companhia reduziu drasticamente o risco de oferta de gás natural. Vemos o papel negociando a uma TIR (Taxa Interna de Retorno) real atrativa de 13%. Em OMGE3, vemos a papel negociando a uma TIR real também atrativa de 9.2%, dado o perfil de baixo risco da companhia", afirmam. 

Os analistas também reiteraram recomendação de compra em Energisa (ENGI11) e estabeleceram um novo preço-alvo para 2019 de R$ 47 por ação, além de manter recomendação marketperform em Equatorial com preço-alvo de R$ 91 por ação.

Small caps

Os analistas do Itaú BBA atualizaram o portfólio de Small Caps, aumentando a exposição aos setores domésticos (exceto setor financeiro). Foram retirados os papéis de Alupar (ALUP11), Copasa (CSMG3), Marcopolo (POMO4), Tegma (TGMA3), Valid (VLID3) e Wiz (WIZS3) e adicionados Oi (OIBR3), Totvs (TOTS3), Iochpe (MYPKE3), Mahle (LEVE3), Bradespar (BRAP4) e Arezzo (ARZZ3).

O novo portfólio de small caps contém os seguintes papéis: ARZZ3, BRAP4, LEVE3, MYPK3, TOTS3, OIBR3, GOAU4, TEND3, BEEF3 e SEER3.

Adquirentes

O Itaú BBA também revisou o cenário para as empresas de maquininhas, destacando preferência por PagSeguro e mantendo recomendação marketperform para Cielo (CIEL3) e Stone. 

Oi (OIBR3;OIBR4)

Inquérito instaurado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), para analisar a oferta global de ações da Oi em 2014, detectou pagamento de vantagem indevida a ex-executivos da companhia sem prévia aprovação de assembleia geral ou do conselho de administração, destaca o Valor. Informações sobre os pagamentos foram ocultadas nas demonstrações financeiras da empresa daquele ano, constatou o regulador do mercado de capitais. 

Notre Dame (GNDI3)

A BCBF Participações, controladora da NotreDame Intermédica, emitiu R$ 900 milhões em debêntures com vencimento em 2023, pagando 1% + CDI. 

Conforme destaca o Bradesco BBI, a elevação desse valor da dívida não foi uma surpresa. A empresa anunciou que parte da aquisição da Greenline seria financiada com novas dívidas e, dada a recente aprovação pela ANS e pelo CADE,  o fechamento do negócio está próximo. No terceiro trimestre de 2018, a companhia registrou uma posição de caixa líquido de R$ 6,3 milhões, com uma dívida bruta de R$ 1,2 bilhão. "Em nossa visão, a estrutura de capital da GNDI parece sólida e deve permitir que ela continue executando sua estratégia de crescimento inorgânico por meio de novas aquisições", afirmam os analistas do banco.

 

 

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