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Ibovespa cai mais de 1% após EUA e China cancelarem reunião; dólar avança 1% e encosta nos R$ 3,80

Índice chegou a ganhar força com a fala do presidente em Davos, mas discurso sem grandes destaques não foi suficiente para sustentar bom humor e intensificou perdas com notícias sobre China e EUA

china
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Em queda desde a abertura, o Ibovespa chegou a esboçar uma reação nesta terça-feira (22) e atingiu sua máxima do dia, próximo da estabilidade, durante o discurso de Jair Bolsonaro em Davos. Apesar disso, o mau humor externo pesa mais, com os índices norte-americanos caindo mais de 1% com as incertezas sob a economia global.

A baixa se intensificou com a notícia do Financial Times de que os EUA teriam rejeitado uma oferta da China nas tratativas preparatórias sobre as negociações comerciais, sendo seguida pela informação da CNBC de que um encontro entre os dois países foi cancelado por divergências sobre o cumprimento das regras de propriedade intelectual.

Desta forma, o Ibovespa passou a ter forte queda, operando em baixa de 1,15%, a 94.902 pontos, às 16h41 (horário de Brasília), após chegar a cair 1,40% na mínima do dia. Já o contrato de dólar futuro com vencimento em fevereiro de 2019 tinha alta de 1,21%, para R$ 3,801, enquanto o dólar comercial avançava 1,04%, cotado a R$ 3,798 na venda.

No mercado de DIs, o contrato de juros futuros com vencimento em janeiro de 2021 caía 12 pontos-base, para 7,23%, enquanto o contrato para janeiro de 2023 recuava 9 pontos-base, a 8,35%.

Vale ressaltar ainda que, em seu primeiro discurso no exterior como presidente, Bolsonaro não empolgou o mercado. Ele defendeu a implementação de reformas estruturais para a economia brasileira, uma agenda rigorosa de combate à corrupção e à lavagem de dinheiro e a compatibilização entre preservação do meio ambiente com o desenvolvimento econômico, mas sem tanta ênfase sobre a Previdência. 

Na abertura da sessão plenária do Fórum Econômico Mundial, em Davos (na Suíça), Bolsonaro buscou se apresentar às elites empresarial e política como uma nova liderança no Brasil, comprometida em recuperar a credibilidade de um país imerso “em uma profunda crise ética, moral e econômica”.

“Esta viagem também é para mim uma grande oportunidade de mostrar para o mundo o momento único em que vivemos em meu país e para apresentar a todos o novo Brasil que estamos construindo”, afirmou. O discurso teve duração de menos de 7 minutos.

O Fórum de Davos é a primeira grande oportunidade de Bolsonaro e de sua equipe entrarem em um contato mais estreito com os investidores estrangeiros, que ainda mostram uma dose de ceticismo para embarcarem de vez no Brasil.

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Para Roberto Secemski, economista do Barclays para Brasil, o discurso foi curto, direto ao ponto e reafirmou pontos de vista já conhecidos, mas sem grandes novidades. "Discurso não afetou mercado, uma vez que não incluiu termos novos do governo sobre planos para economia", disse para a Bloomberg lembrando que a menção à reforma da Previdência só veio na parte das perguntas.

Destaques de ações

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 MRFG3 MARFRIG ON 5,77 -4,31 +5,68 18,44M
 BRFS3 BRF SA ON 23,47 -4,17 +7,02 285,30M
 QUAL3 QUALICORP ON 15,31 -3,53 +18,77 36,08M
 ABEV3 AMBEV S/A ON 17,42 -3,22 +13,26 324,41M
 GOAU4 GERDAU MET PN 7,19 -2,84 +3,60 74,30M

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 BRKM5 BRASKEM PNA 48,29 +2,92 +1,92 168,31M
 VVAR3 VIAVAREJO ON 4,92 +2,50 +12,07 87,74M
 ESTC3 ESTACIO PARTON 29,33 +2,02 +23,44 77,01M
 MRVE3 MRV ON 13,95 +0,72 +12,86 47,57M
 CVCB3 CVC BRASIL ON 59,75 +0,37 -2,34 35,48M
* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)

 

Reforma da Previdência

Enquanto o mercado esperava com ansiedade o discurso de Jair Bolsonaro em Davos, o presidente em exercício, Hamilton Mourão, afirmou ontem que a proposta de reforma da Previdência deverá ser apresentada pelo governo só depois das eleições da Câmara e do Senado. Ele ainda negou que o caso envolvendo o senador eleito Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, atrapalhe a negociação da proposta no Congresso Nacional.

Segundo o jornal Valor Econômico, a equipe econômica de Bolsonaro quer elevar a contribuição previdenciária dos servidores públicos de 11% para 14%. As discussões na área técnica incluem também subir a cobrança sobre os inativos. Ainda não há decisão final sobre o assunto, especialmente porque o presidente nos últimos meses demonstrou clara resistência à ideia.

Também está em estudo, confirmou ontem Hamilton Mourão, mudanças na regra de aposentadoria dos militares. Está sendo considerada a aplicação de uma tributação sobre a pensão recebida por viúvas de militares e o aumento do tempo de permanência no serviço ativo, passando de 30 anos para 35 anos. As declarações de Mourão não deixam claro se as alterações já estariam no texto que será encaminhado ao Congresso Nacional em fevereiro ou se aconteceria depois.

Ainda sobre o rombo na Previdência, o governo federal vai ampliar o poder de fogo do INSS para identificar fraudes em benefícios, o que deve potencializar a economia que será obtida com a medida provisória (MP) editada na semana passada para combater essas irregularidades, disse ao Estadão/Broadcast o secretário de Previdência do Ministério da Economia, Leonardo Rolim.

O texto dá ao INSS acesso às bases de dados da Receita Federal, do SUS e do FGTS, e o cruzamento dessas informações ajudará a apontar outros benefícios com indícios de irregularidade para além dos 3 milhões que já estão no radar da equipe econômica e que passarão por um extenso pente-fino.

(Com Agência Brasil e Agência Estado)

 

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