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Ibovespa cai seguindo pessimismo global e à espera de Bolsonaro em Davos

Bolsonaro em davos
(Alan Santos/PR)

SÃO PAULO - O mau humor generalizado nos mercados internacionais contamina a bolsa brasileira e o Ibovespa opera em queda nesta terça-feira (22). O pessimismo é decorrente das revisões para baixo das estimativas de crescimento das economias pelo FMI (Fundo Monetário Internacional). 

Neste contexto, às 10h12 (horário de Brasília), o Ibovespa caía 0,33%, a 95.693 pontos. O contrato de dólar futuro com vencimento em fevereiro de 2019 tinha alta de 0,08%, cotado a R$ 3,758, e o dólar comercial avançava 0,13%, para R$ 3,764. 

No mercado de DIs, o contrato de juros futuros com vencimento em janeiro de 2021 caía de 7,34% para 7,30%, e o contrato para janeiro de 2023 recuava de 8,44% para 8,40%.

No mercado doméstico, os investidores acompanham a estreia de Jair Bolsonaro no Fórum Econômico de Davos e esperam, mais uma vez, por novidades relacionadas à reforma da Previdência. 

Bolsonaro terá um lugar de destaque em Davos. Ele será o primeiro presidente latino-americano a falar na sessão inaugural do Fórum Econômico Mundial, às 12h30 (horário de Brasília), e seu discurso será uma espécie de apresentação do presidente à elite das finanças internacionais e à imprensa global. A sessão de abertura costuma ser acompanhada com atenção especial, já que dá o tom do evento.

O Fórum de Davos será a primeira grande oportunidade de Bolsonaro e de sua equipe entrarem em um contato mais estreito com os investidores estrangeiros, que ainda mostram uma dose de ceticismo para embarcarem de vez no Brasil.

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Neste sentido, o fórum de Davos é visto como uma oportunidade única para que o novo líder brasileiro os convença sobre a capacidade de entregar o que tem prometido ao mercado, como uma agenda robusta de reformas que tem como grande destaque a previdência. 

Bolsas mundiais

As bolsas asiáticas encerraram em queda com as preocupações sobre as perspectivas econômicas globais. O FMI (Fundo Monetário Internacional) revisou para baixo suas projeções de crescimento global diante da  desaceleração das economias, que se acentuou no segundo semestre do ano passado em países como Alemanha e Itália, com aperto das condições financeiras em todos os continentes e em meio a um ambiente de disputas comerciais entre Estados Unidos e China. 

A instituição agora acredita que o PIB mundial crescerá 3,5% neste ano, enquanto em outubro a estimativa era de expansão de 3,7%. Já em 2020, as previsões do FMI para o indicador foram cortadas de crescimento de 3,7% para avanço de 3,6%.

O FMI disse ainda que a atividade econômica da China "pode ficar abaixo das expectativas, especialmente se as tensões comerciais não diminuírem". Christine Lagarde reforçou, em Davos, que a economia mundial está crescendo mais lentamente do que o esperado e os riscos estão aumentando.

As preocupações com o crescimento global impactam negativamente também as bolsas na Europa. Por lá, a primeira-ministra Britânica, Theresa May, anunciou seu plano B para o Brexit, que será votado no Parlamento no dia 29 de janeiro. 

Os índices futuros dos Estados Unidos voltam de um feriado apontando para uma abertura em queda. Segue no radar a paralisação parcial do governo de Donald Trump, que chega ao seu 32º dia sem avanços em direção a um acordo. 

As commodities também sentem o baque e os preços do petróleo e do minério de ferro recuam mais de 1%.

Reforma da Previdência

Enquanto o mercado espera com ansiedade o discurso de Jair Bolsonaro em Davos, o presidente em exercício, Hamilton Mourão, afirmou que a proposta de reforma da Previdência deverá ser apresentada pelo governo só depois das eleições da Câmara e do Senado. Ele ainda negou que o caso envolvendo o senador eleito Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, atrapalhe a negociação da proposta no Congresso Nacional.

Segundo o jornal Valor Econômico, a equipe econômica de Bolsonaro quer elevar a contribuição previdenciária dos servidores públicos de 11% para 14%. As discussões na área técnica incluem também subir a cobrança sobre os inativos. Ainda não há decisão final sobre o assunto, especialmente porque o presidente nos últimos meses demonstrou clara resistência à ideia.

Também está em estudo, confirmou ontem Hamilton Mourão, mudanças na regra de aposentadoria dos militares. Está sendo considerada a aplicação de uma tributação sobre a pensão recebida por viúvas de militares e o aumento do tempo de permanência no serviço ativo, passando de 30 anos para 35 anos. As declarações de Mourão não deixam claro se as alterações já estariam no texto que será encaminhado ao Congresso Nacional em fevereiro ou se aconteceria depois.

Ainda sobre o rombo na Previdência, o governo federal vai ampliar o poder de fogo do INSS para identificar fraudes em benefícios, o que deve potencializar a economia que será obtida com a medida provisória (MP) editada na semana passada para combater essas irregularidades, disse ao Estadão/Broadcast o secretário de Previdência do Ministério da Economia, Leonardo Rolim.

O texto dá ao INSS acesso às bases de dados da Receita Federal, do SUS e do FGTS, e o cruzamento dessas informações ajudará a apontar outros benefícios com indícios de irregularidade para além dos 3 milhões que já estão no radar da equipe econômica e que passarão por um extenso pente-fino.

(Com Agência Brasil e Agência Estado)

 

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