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Mau humor global contamina bolsa e Ibovespa Futuro opera em queda

O pessimismo é decorrente das revisões para baixo das estimativas de crescimento das economias pelo FMI   

Mercado queda
(JMiks)

SÃO PAULO - O mau humor generalizado nos mercados internacionais contamina a bolsa brasileira e o Ibovespa Futuro opera em queda nesta terça-feira (22). O pessimismo é decorrente das revisões para baixo das estimativas de crescimento das economias pelo FMI (Fundo Monetário Internacional). 

Neste contexto, às 9h42 (horário de Brasília), o Ibovespa futuro caía 0,86%, a 95.720 pontos. O contrato de dólar futuro com vencimento em fevereiro de 2019 tinha alta de 0,23%, cotado a R$ 3,764, e o dólar comercial avançava 0,11%, para R$ 3,763. 

No mercado de DIs, o contrato de juros futuros com vencimento em janeiro de 2021 caía de 7,34% para 7,31%, e o contrato para janeiro de 2023 recuava de 8,44% para 8,40%.

No mercado doméstico, os investidores acompanham a estreia de Jair Bolsonaro no Fórum Econômico de Davos e esperam, mais uma vez, por novidades relacionadas à reforma da Previdência. 

Bolsonaro terá um lugar de destaque em Davos. Ele será o primeiro presidente latino-americano a falar na sessão inaugural do Fórum Econômico Mundial, às 12h30 (horário de Brasília), e seu discurso será uma espécie de apresentação do presidente à elite das finanças internacionais e à imprensa global. A sessão de abertura costuma ser acompanhada com atenção especial, já que dá o tom do evento.

O Fórum de Davos será a primeira grande oportunidade de Bolsonaro e de sua equipe entrarem em um contato mais estreito com os investidores estrangeiros, que ainda mostram uma dose de ceticismo para embarcarem de vez no Brasil.

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Neste sentido, o fórum de Davos é visto como uma oportunidade única para que o novo líder brasileiro os convença sobre a capacidade de entregar o que tem prometido ao mercado, como uma agenda robusta de reformas que tem como grande destaque a previdência. 

O Ibovespa Futuro é um bom termômetro de como será o pregão, mas nem sempre prevê adequadamente movimentos na Bolsa a partir do sino de abertura

Bolsas mundiais

As bolsas asiáticas encerraram em queda com as preocupações sobre as perspectivas econômicas globais. O FMI (Fundo Monetário Internacional) revisou para baixo suas projeções de crescimento global diante da  desaceleração das economias, que se acentuou no segundo semestre do ano passado em países como Alemanha e Itália, com aperto das condições financeiras em todos os continentes e em meio a um ambiente de disputas comerciais entre Estados Unidos e China. 

A instituição agora acredita que o PIB mundial crescerá 3,5% neste ano, enquanto em outubro a estimativa era de expansão de 3,7%. Já em 2020, as previsões do FMI para o indicador foram cortadas de crescimento de 3,7% para avanço de 3,6%.

O FMI disse ainda que a atividade econômica da China "pode ficar abaixo das expectativas, especialmente se as tensões comerciais não diminuírem". Christine Lagarde reforçou, em Davos, que a economia mundial está crescendo mais lentamente do que o esperado e os riscos estão aumentando.

As preocupações com o crescimento global impactam negativamente também as bolsas na Europa. Por lá, a primeira-ministra Britânica, Theresa May, anunciou seu plano B para o Brexit, que será votado no Parlamento no dia 29 de janeiro. 

Os índices futuros dos Estados Unidos voltam de um feriado apontando para uma abertura em queda. Segue no radar a paralisação parcial do governo de Donald Trump, que chega ao seu 32º dia sem avanços em direção a um acordo. 

As commodities também sentem o baque e os preços do petróleo e do minério de ferro recuam mais de 1%.

Reforma da Previdência

Enquanto o mercado espera com ansiedade o discurso de Jair Bolsonaro em Davos, o presidente em exercício, Hamilton Mourão, afirmou que a proposta de reforma da Previdência deverá ser apresentada pelo governo só depois das eleições da Câmara e do Senado. Ele ainda negou que o caso envolvendo o senador eleito Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, atrapalhe a negociação da proposta no Congresso Nacional.

Segundo o jornal Valor Econômico, a equipe econômica de Bolsonaro quer elevar a contribuição previdenciária dos servidores públicos de 11% para 14%. As discussões na área técnica incluem também subir a cobrança sobre os inativos. Ainda não há decisão final sobre o assunto, especialmente porque o presidente nos últimos meses demonstrou clara resistência à ideia.

Também está em estudo, confirmou ontem Hamilton Mourão, mudanças na regra de aposentadoria dos militares. Está sendo considerada a aplicação de uma tributação sobre a pensão recebida por viúvas de militares e o aumento do tempo de permanência no serviço ativo, passando de 30 anos para 35 anos. As declarações de Mourão não deixam claro se as alterações já estariam no texto que será encaminhado ao Congresso Nacional em fevereiro ou se aconteceria depois.

Ainda sobre o rombo na Previdência, o governo federal vai ampliar o poder de fogo do INSS para identificar fraudes em benefícios, o que deve potencializar a economia que será obtida com a medida provisória (MP) editada na semana passada para combater essas irregularidades, disse ao Estadão/Broadcast o secretário de Previdência do Ministério da Economia, Leonardo Rolim.

O texto dá ao INSS acesso às bases de dados da Receita Federal, do SUS e do FGTS, e o cruzamento dessas informações ajudará a apontar outros benefícios com indícios de irregularidade para além dos 3 milhões que já estão no radar da equipe econômica e que passarão por um extenso pente-fino.

Noticiário político 

O STF (Supremo Tribunal Federal) cancelou a decisão do ministro Luiz Fux que determinou o envio para a primeira instância da Justiça Federal uma ação em que o Movimento Brasil Livre (MBL) pede que o senador Renan Calheiros (MDB-AL) seja impedido de concorrer à presidência do Senado.

No pedido feito ao STF, o MBL alega que Renan Calheiros responde no próprio STF a ao menos nove inquéritos relativos a supostos casos de corrupção, motivo pelo qual sua candidatura feriria os princípios da moralidade pública previstos na Constituição. Em mensagem no Twitter, o senador informou que caberá à bancada decidir quem será candidato. 

Noticiário corporativo

>> O professor Nivio Ziviani foi indicado pelo governo federal para exercer o cargo de membro do Conselho de Administração da Petrobras. A companhia recebeu a comunicação de seu acionista controlador e agora a indicação passará pelos procedimentos internos de governança corporativa, incluindo análises de conformidade e integridade necessárias ao processo sucessório da estatal. 

De acordo com a Petrobras, Ziviani é graduado em engenharia mecânica pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com mestrado em informática pela PUC-RJ e PhD em ciência da computação pela Universidade de Waterloo (Canadá). A nota da companhia informa que o professor é especialista em tecnologia da informação, sendo “destacado acadêmico e empreendedor”.

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>> A Tim antecipou o pagamento de juros sobre capital próprio no valor de R$ 380 milhões, inicialmente previsto para 28 de janeiro, para o dia 24. O valor bruto por ação é de R$ 0,156997806.

>> As vendas totais do Carrefour tiveram alta de 14,9%, para R$ 10,7 bilhões, no quarto trimestre. As vendas nas mesmas lojas subiram 7,4%, no maior aumento trimestral desde o o primeiro trimestre de 2017. A meta anual de 20 novas lojas foi atingida, com seis novas lojas e duas operações de atacado inauguradas nos últimos três meses de 2018. O ritmo de abertura de novas lojas será mantido em 2019. 

"Os dados foram neutros. Embora as vendas nas mesmas lojas do Atacadão tenham superado nossas expectativas, acreditamos que o patamar já estava alto, especialmente depois que o Assaí, seu principal concorrente, reportou 8,9% de SSS", avaliam os analistas do Itaú BBA.

>> Segundo informa o jornal O Estado de S. Paulo, o ministro da Economia, Paulo Guedes começa agenda em Davos nesta terça com reunião que pode destravar a tentativa de unir Braskem e a holandesa LyondellBasell. Em dezembro, a Bloomberg noticiou que LyondellBasell pretendia realizar oferta pela empresa neste ano, mas tinha intenção, antes, de falar com o novo governo brasileiro, segundo fontes a par do assunto.

>> BRF e JBS: De acordo com a Reuters, o Ministério de Comércio da China aceitou uma proposta apresentada por exportadores brasileiros de carne de frango com o objetivo de encerrar uma disputa antidumping. À agência de notícias, a sócia do escritório MPA Trade Law, Claudia Marques, que representa os exportadores brasileiros, disse que a decisão chinesa de aceitar a oferta foi comunicada às partes pelo Ministério do Comércio por meio de um relatório.

O acordo, pelo qual se estabeleceriam preços mínimos para as vendas à China em troca do encerramento de uma investigação sobre dumping que começou em agosto de 2017, entrará em vigor até 18 de fevereiro, segundo ela, marcando o fim dos procedimentos formais sobre o caso.

>> De acordo com a Coluna do Broad, do Estadão, a Caixa Econômica Federal tem pressa em vender sua participação no banco Pan (ex-Panamericano), mas ainda não decidiu o formato. Os caminhos são oferecer para um parceiro estratégico ou partir para uma oferta de ações (follow-on), uma vez que a instituição tem capital aberto.

>> Magazine Luiza e B2W: A Amazon lança nesta terça uma série de novidades para o mercado brasileiro. A partir de agora, 11 categorias de produtos serão vendidas e entregues pela empresa (no modelo chamado 1P ou venda direta), incluindo 4 inéditas no país: Brinquedos, Bebês, Beleza e Cuidados Pessoais. Desde o ano passado essa expansão era aguardada no mercado brasileiro, mas a empresa afirma que o momento do lançamento não tem relação com a conjuntura econômica do país - apenas com maturidade do negócio em si.

Até hoje, a única categoria em que a empresa trabalhava no modelo “vendido e entregue pela Amazon” no Brasil era a de livros. A expansão coloca a varejista em outro patamar no mercado nacional, e pode ser considerada uma ameaça a nomes consolidados, como B2W (cuja ação caiu 3,26% na segunda, com os rumores sobre a novidade) e Magazine Luiza (queda de 4,13%).

>> A Suzano anunciou novos preços de tabela para embarques de celulose para todas as regiões (Ásia, Europa e América do Norte), com vigência imediata. O preço para a Ásia é de US$ 780 a tonelada, US$ 1.010 na Europa e US$ 1.210 para a América do Norte. 

"Consideramos este anúncio como positivo, dado que i) o novo preço anunciado para a Ásia é US$ 30 a tonelada mais alto do que os atuais preços FOEX para a China (cerca de US$ 750 a tonelada); e ii) reforça o compromisso da empresa com a estratégia de 'valor' de longo prazo, uma vez que a Suzano optou por não reduzir seu preço de venda nos mercados à vista", apontam os analistas do Itaú BBA. Eles mantêm a recomendação outperform para a Suzano e para a Klabin, e tem preferência por esta última no curto prazo.

(Com Agência Estado e Agência Brasil)

 

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