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Ibovespa "ajustado" ainda está longe das máximas - mas o jogo começou a virar

Índice registrou uma performance ruim na comparação com outros investimentos no acumulado da última década, mas desempenho desde 2016 mostra que o mercado de ações está ficando mais atrativo

Mercado
(Shutterstock)

SÃO PAULO - 94, 95, 96, 97 mil pontos. Só neste ano, o Ibovespa já bateu sucessivos recordes de pontuação - se for considerado o valor nominal do índice.

Contudo, muitos alegam que a visão de que o Ibovespa está nas máximas é enganosa uma vez que, ao descontar o desempenho do benchmark da bolsa pela inflação, desempenho do dólar ou CDI, ele ainda estaria bem longe das máximas históricas.

Esse desconto seria justificado uma vez que, para saber o desempenho de uma aplicação, é feito um ajuste para saber se o determinado investimento vale mesmo a pena ou não. Exemplo: em 2018, a poupança rendeu 4,62% ao ano mas, em termos reais, considerando o IPCA, o retorno foi muito mais baixo, de menos de 1%, uma vez que a inflação foi de 3,75% no mesmo período. 

Assim, caso os descontos fossem aplicados para o Ibovespa, o índice não teria superado ainda o patamar de 20 de maio de 2008, quando atingiu os 73.516 pontos. Em termos nominais, contudo, esse recorde foi quebrado em setembro de 2017, quando o índice passou de 74.000 pontos e, desde então, vem renovando máximas.

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O gráfico abaixo, elaborado por David Cohen, gestor da Paineiras Investimentos, e divulgado em seu Twitter na última semana, ajuda a ilustrar a questão. 

Se fosse deflacionado pelo IPCA, o Ibovespa estaria em 48.424 pontos (segundo cotação do último dia 16). Ou na casa dos 33 mil pontos caso fosse corrigido pelo CDI do período. Em dólares, o índice estaria perto dos 41 mil pontos e, corrigido pelo PIB nominal, em 45 mil pontos. Ou seja, entre 34% e 55% abaixo da máxima de maio de 2008.

Confira no gráfico abaixo:

Mas o que esses descontos significam? Mostram que os investidores não estão tão otimistas quanto parecem? Ou que há espaço para a bolsa subir mais?

Apesar de ser recorrente o argumento de que há pouco efeito prático em utilizar o Ibovespa ajustado uma vez que os operadores usam o gráfico nominal para analisar o mercado, David Cohen ressalta um bom motivo para fazer esse ajuste. 

"Ele explica, em grande parte, a razão pela qual a alocação em ações ainda é baixa no Brasil. Afinal, ela vinha perdendo de quase todos os investimentos de 2007 a 2017", afirma o gestor.

Essa performance ruim da bolsa em comparação à inflação e CDI justificam o porque o Ibovespa está em um patamar abaixo do registrado em 2008 quando ajustado pelos fatores colocados no gráfico, mostrando que investir em ações no Brasil nos últimos dez anos foi "pior do que parece" por uma avaliação relativa.

Isso ocorreu porque, além das grandes crises globais e locais, estes foram anos de um governo brasileiro que "tratava mal o mercado e os empresários", aponta Cohen.

Esse cenário, porém, começou a mudar. O gráfico mostra que, de 2016 para cá, o Ibovespa valorizou mesmo quando ajustado por inflação, dólar, IPCA e PIB. E as perspectivas para o mercado acionário são positivas. 

“Daqui para frente, com os juros baixos, um governo liberal pró-mercado e com a volta do crescimento sem pressionar a inflação, deveremos ter o Ibovespa como o melhor investimento, recuperando este terreno perdido no gráfico", avalia o gestor. Cohen reforça que a cultura de investimentos está mudando e a alternativa de investimento em bolsa, o CDI, não é mais tão trivial como já foi no passado. 

Assim, olhar o Ibovespa descontado não teria tantos efeitos práticos, mas pode ser uma boa indicação do espaço que ele tem para subir quando comparado com os outros investimentos. Isso porque, dado o novo cenário, a expectativa é de que o investimento no mercado de ações possa ficar ainda mais atrativo.

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