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Ibovespa perde os 95 mil pontos em dia de feriado nos EUA e repercutindo dados da China

Pregão promete liquidez menor que a média recente devido ao fechamento das bolsas em Wall Street pelo feriado no Dia de Martin Luther King

Ibovespa compra venda trader gráfico
(Shutterstock)

SÃO PAULO - A semana começa com o Ibovespa em queda em meio ao fechamento das bolsas em Wall Street pelo feriado no Dia de Martin Luther King. Com isso, o pregão promete liquidez menor que a média. Vale lembrar que hoje é dia de vencimento de opções sobre ações na B3.

O mercado digere os dados sobre o crescimento da China em 2018, de 6,6%, na menor expansão desde 1990, confirmando o arrefecimento econômico do país. No quarto trimestre do ano passado, o PIB (Produto Interno Bruto) da China teve alta de 6,4% na comparação com o mesmo período de 2017, desacelerando levemente dos 6,5% observados no terceiro trimestre.

Neste contexto, às 11h01 (horário de Brasília), o Ibovespa caía 1,16%, a 94.966 pontos. O contrato de dólar futuro com vencimento em fevereiro de 2019 tinha alta de 0,51%, cotado a R$ 3,773, e o dólar comercial avançava 0,37%, para R$ 3,772. 

No mercado de DIs, o contrato de juros futuros com vencimento em janeiro de 2021 subiam de 7,34% para 7,38%, e o contrato para janeiro de 2023 avançava de 8,48% para 8,50%.

Também está no radar dos investidores as expectativas em relação à primeira participação do presidente Jair Bolsonaro no Fórum Econômico Mundial de Davos, entre terça-feira (22) e sexta-feira (25). O evento reúne a elite econômica e política do planeta e será a grande oportunidade para Bolsonaro apresentar seus projetos para os estrangeiros.

O mercado segue ainda à espera de detalhes sobre a reforma da Previdência, suja proposta já foi entregue ao presidente, segundo seu vice, o general Hamilton Mourão, que assume a Presidência da República até sexta-feira (25).

Com o presidente fora do país, seus aliados terão que lidar com os impactos negativos das polêmicas relacionadas a Flávio Bolsonaro no governo. Investigações de cifras milionárias envolvendo o senador eleito respingam no mandato de seu pai e oposição já estuda propor uma CPI.

Destaques da bolsa

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 ESTC3 ESTACIO PARTON 29,25 -3,47 +23,11 7,93M
 CSAN3 COSAN ON 40,81 -3,25 +21,97 9,78M
 GOLL4 GOL PN N2 23,56 -2,68 -6,14 17,50M
 BBSE3 BBSEGURIDADEON 28,92 -2,43 +4,82 13,47M
 BRDT3 PETROBRAS BRON 25,85 -2,19 +0,58 6,22M

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 LOGG3 LOG COM PROPON 19,47 +3,78 +8,05 1,90M
 RENT3 LOCALIZA ON 32,05 +2,79 +7,73 56,99M
 SUZB3 SUZANO PAPELON 45,02 +1,47 +18,22 49,39M
 CIEL3 CIELO ON 10,49 +0,67 +18,00 19,31M
 VVAR3 VIAVAREJO ON 4,89 +0,20 +11,39 7,93M
* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)

Bolsas mundiais

As bolsas asiáticas encerraram em alta com as expectativas de crescimento da China em linha com o ano passado, embora a alta, de 6,6%, seja a menor em 28 anos. 

Apesar de em linha com as expectativas do mercado, o fraco crescimento chinês desanima as bolsas na Europa, que operam em queda também de olho no desfecho do Brexit. A primeira-ministra britânica, Theresa May, deve voltar hoje (21) ao Parlamento para apresentar um “plano B” para o Brexit. Nos últimos dias, ela intensificou as conversas com os parlamentares em busca de consenso para aprovar a alternativa.

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As bolsas nos Estados Unidos ficarão fechadas devido ao feriado pelo Dia de Martin Luther King. No sábado (19), o presidente Donald Trump propôs um plano que será enviado ao Congresso para tentar acabar com o shutdown. A paralisação parcial do governo norte-americano chega ao seu 31º dia, a maior da história.

Os preços do petróleo recuam com a desaceleração da economia chinesa.

Reforma da Previdência

O secretário de Previdência Social do Ministério da Economia, Rogério Marinho, disse que o governo pretende apresentar a reforma da Previdência no plenário da Câmara na segunda semana de fevereiro. Para isso, a estratégia é usar o texto que já está na Casa e propor os ajustes através de uma emenda, evitando que a medida seja novamente discutida por comissões.

A incerteza sobre como os militares se encaixarão no novo texto permanece. O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, defendeu que os militares fiquem de fora da reforma da Previdência. O mercado financeiro teme que a abertura de concessões para alguns trabalhadores diminua o impacto da reforma nas contas públicas e prejudique a reorganização da política fiscal. 

Lorenzoni afirmou, em entrevista ao SBT gravada e transmitida na noite de sábado (19), que a intenção do novo governo é não desidratar a reforma como ocorreu como o texto no governo de Michel Temer. 

O ministro disse que o Congresso vai fazer ajustes no texto, mas não tem "margem muito grande" para estes ajustes. A reforma da Previdência é importante para garantir "previsibilidade" ao investidor, local ou estrangeiro, que queiram aportar recursos no Brasil, afirmou Onyx Lorenzoni.

Embora a proposta de reforma da Previdência já tenha sido entregue pela equipe econômica ao presidente Jair Bolsonaro, o custo das aposentadorias e pensões dos militares da Aeronáutica, Marinha e do Exército é ainda uma caixa-preta dentro do governo.

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O Ministério da Defesa não fornece todos os dados sobre a aposentadoria dos militares para a equipe econômica calcular o peso desses benefícios para as contas públicas no longo prazo. Nos bastidores, alegam que as restrições se devem a questões de segurança nacional e não informam, por exemplo, o número de militares que vão para a reserva e os que serão reformados. O militar na reserva segue à disposição das Forças Armadas enquanto o militar reformado está definitivamente afastado ou aposentado.

Essa conta é importante para planejar a evolução não só das despesas, mas também da dívida pública brasileira. O Tribunal de Contas da União (TCU) quer que as Forças Armadas calculem o chamado "déficit atuarial", que apontará a projeção de despesas com os militares inativos no longo prazo.

Entre 2017 e 2018, o déficit na previdência dos militares foi o que mais cresceu na comparação com o rombo no regime dos servidores públicos da União e do INSS: passou de R$ 35,9 bilhões para R$ 40,5 bilhões.

Agenda econômica da semana

Na agenda de indicadores, a semana será tranquila, com o destaque ficando para o IPCA-15 de janeiro, que será divulgado na quarta-feira (23). Para os analistas da GO Associados, o dado de inflação deve mostrar alta de 0,39%, levando o acumulado de 12 meses para 3,86%. Na semana ainda saem as sondagens da indústria, da CNI, e do comércio e consumidor, da FGV, com expectativas para a economia do país.

A bolsa brasileira não abre na sexta-feira (25) devido ao feriado de aniversário da cidade de São Paulo.

Nos Estados Unidos, os investidores ficarão atentos às publicações da balança comercial de novembro na segunda-feira (21), às vendas do comércio de dezembro, na terça-feira (22), às sondagens PMI de atividade dos setores industriais e de serviços de janeiro na quinta-feira (24) e aos dados dos pedidos de bens duráveis na sexta-feira (25).

Os investidores seguem "divididos" entre EUA e Reino Unido. No primeiro, as atenções ficam para a continuidade do "shutdown" (que ainda não tem pesado no mercado) e as negociações com a China após boatos recentes que o presidente Trump estaria disposto a aliviar as taxas para produtos chineses.

Enquanto isso, os britânicos seguem em sua crise política após a derrota de Theresa May no Parlamento na votação do acordo do Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia). Ela deve apresentar até hoje (21) um novo projeto, mas tem tido dificuldade em conseguir negociar com a oposição. No atual cenário, o governo precisa correr para aprovar um acordo ou adiar o prazo, de 29 de março, para o Brexit.

Clique aqui para conferir a agenda completa de indicadores.

Noticiário político 

As polêmicas em torno do presidente Jair Bolsonaro e sua família continuam no radar. Na noite de sexta-feira, o Jornal Nacional, da TV Globo, revelou que o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL) recebeu R$ 96 mil em um período de cinco dias, entre junho e julho de 2017. Segundo a reportagem, foram 48 depósitos no valor de R$ 2 mil, realizados em espécie no autoatendimento da agência bancária que fica dentro da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio).

Em entrevista à TV Record, Flávio Bolsonaro disse que o pagamento do título bancário se refere à negociação imobiliária. Ele levou papéis, mas não quis mostrá-los, afirmando que a imprensa não é o foro adequado para esse tipo de esclarecimento. Ele afirmou que os depósitos foram fracionados em R$ 2.000 porque esse era o limite aceito no caixa eletrônico. No Itaú, único banco no qual o senador eleito tem conta declarada, o limite para depósito em espécie no caixa eletrônico é de fato R$ 2.000. Na Alerj, onde foram feitos os depósitos, há um autoatendimento do Itaú, informa o jornal Folha de S. Paulo. 

Documentos obtidos em cartórios mostram que Flávio Bolsonaro registrou de 2014 a 2017 a aquisição de dois apartamentos em bairros nobres do Rio de Janeiro, ao custo informado de R$ 4,2 milhões, informa a Folha. Em parte das transações, o valor declarado pelos compradores e vendedores é menor do que aquele usado pela prefeitura para cobrança de impostos.

No período informado, Flávio era deputado estadual do Rio de Janeiro e tinha salário de R$ 25,3 mil brutos. Na entrevista à Record, o filho de Bolsonaro disse que o salário de deputado é a menor parte de seus rendimentos. O maior volume viria da atividade empresarial, mas ele não informou qual seria o negócio.

Diante das polêmicas envolvendo o filho do presidente, a oposição já discute a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para aprofundar a investigação do caso do ex-motorista Fabrício Queiroz, que trabalhou até o ano passado para o gabinete de Flávio Bolsonaro. Em dezembro, o presidente admitiu ter feito um empréstimo de R$ 40 mil ao ex-assessor do filho, sem declarar a operação à Receita. O PT tratará do assunto em reunião nesta segunda (21), segundo a Folha de S. Paulo. 

No âmbito fiscal, o setor de serviços defende que a nova desoneração da folha de pagamentos seja compensada por um tributo que incida sobre as movimentações financeiras, nos moldes do antigo "imposto do cheque". Uma proposta da CNS (Confederação Nacional dos Serviços) foi entregue ao secretário especial da Receita Federal, Marcos Cintra, que já disse que a redução dos encargos sobre a folha de salários será a prioridade do órgão.

A entidade propõe que a contribuição patronal ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS) - cuja alíquota chega a até 20% sobre a remuneração dos empregados - seja zerada e substituída por uma Contribuição Previdenciária sobre Movimentação Financeira.

 

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