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Ibovespa se mantém nos 94 mil pontos entre incertezas com Brexit e expectativa por Previdência

Esboço da reforma deve ser entregue a Bolsonaro até domingo

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(Shutterstock)

SÃO PAULO - Mesmo em um pregão de realização de lucros, o Ibovespa conseguiu se manter acima de 94 mil pontos na véspera e o otimismo com a reforma da Previdência, que deve ter seu primeiro esboço até domingo, permanece.

Neste contexto, às 10h43 (horário de Brasília), o Ibovespa subia 0,11%, a 94.161 pontos. O contrato de dólar futuro com vencimento em fevereiro de 2019 tinha alta de 0,12%, cotado a R$ 3,723, e o dólar comercial recuava 0,05%, para R$ 3,725. 

No mercado de DIs, a busca é por novo equilíbrio após queda nos prêmios nos últimos pregões. O contrato de juros futuros com vencimento em janeiro de 2021 caía de 7,45% para 7,44%, e o contrato para janeiro de 2023 avançava de 8,51% para 8,52%.

A influência vinda das bolsas no exterior é mista, com os desdobramentos do Brexit após derrota de Theresa May, e a China oferecendo mais estímulos à sua economia em uma tentativa de segurar a desaceleração.

Nos Estados Unidos, cresce a preocupação em relação ao impacto do crescimento em decorrência da paralisação parcial do governo. A estimativa é de que os 26 dias de paralisação, até aqui, possam custar de 0,25% a 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto).

Bolsas mundiais

Os índices das bolsas asiáticas encerraram em direções mistas com os investidores digerindo a maior injeção diária de dinheiro (US$ 82,73 bilhões) pelo banco central da China por meio de operações no mercado aberto, em mais uma política de estímulos à economia do país, e as novas incertezas após o Parlamento do Reino Unido rejeitar a proposta da primeira-ministra Theresa May para o Brexit. 

Ontem (14), 423 deputados reprovaram a medida e apenas 202 aprovaram a proposta. A decisão é considerada a pior derrota do governo nos últimos anos na história do Reino Unido. O Parlamento britânico deve se reunir hoje para debater a moção de censura ao governo apresentada pelo Partido Trabalhista. May tem três dias para apresentar nova proposta.

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As bolsas na Europa também operam sem direção definida em meio ao impasse sobre o Brexit. Os índices futuros em Wall Street operam perto da estabilidade digerindo as incertezas na União Europeia e os resultados trimestrais dos bancos. 

O petróleo opera perto da estabilidade dividido pela desaceleração econômica global e cortes na oferta da commodity na tentativa de segurar os preços. O ministro da Energia da Arábia Saudita disse ter certeza de que os estoques começarão a "retornar às médias normais e isso aumentará a confiança” no mercado.

Destaques da bolsa

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 VVAR3 VIAVAREJO ON 5,14 +3,21 +17,08 18,14M
 SUZB3 SUZANO PAPELON 43,46 +2,74 +14,13 89,72M
 LREN3 LOJAS RENNERON 41,57 +1,89 -1,96 4,39M
 SMLS3 SMILES ON 44,45 +1,60 +1,90 1,33M
 RENT3 LOCALIZA ON 29,26 +1,49 -1,65 8,16M

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 EMBR3 EMBRAER ON 21,23 -2,44 -2,08 14,86M
 CMIG4 CEMIG PN 13,65 -1,30 -1,52 12,08M
 ELET3 ELETROBRAS ON 29,79 -0,96 +22,95 8,52M
 RADL3 RAIADROGASILON 64,15 -0,88 +12,25 2,79M
 LOGG3 LOG COM PROPON ES 19,75 -0,75 +9,60 1,19M
* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)

Reforma da Previdência

A equipe econômica pretende fechar o esboço da reforma da Previdência até domingo (20) para apresentar ao presidente Jair Bolsonaro, segundo o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. Ele se reuniu com o ministro da Economia, Paulo Guedes, e com técnicos da área econômica para alinhar alguns pontos e fazer a "sintonia fina" da proposta. Agora, segundo Onyx, "os técnicos precisam calcular".

A ideia é fechar uma minuta antes da viagem de Bolsonaro e Guedes para o Fórum Econômico Mundial em Davos. Na volta, a expectativa é que Bolsonaro dê o sinal verde para a apresentação da proposta na Câmara dos Deputados. 

Sem dar detalhes, Onyx não comentou se os militares estarão na proposta de reforma da Previdência. Os policiais militares dos Estados querem a vinculação de suas regras com as das Forças Armadas. O ministro disse apenas que a ideia é propor um regime de capitalização, possivelmente com diferenças em relação a experiências internacionais nessa área.

Noticiário político 

O presidente da Argentina, Mauricio Macri, e sua comitiva, formada por cinco ministros, passam parte do dia de hoje em Brasília. Macri vai se encontrar, pela primeira vez, com o presidente Jair Bolsonaro. Em pauta, negociações para acordos bilaterais, além de medidas de flexibilização do Mercosul (bloco que reúne Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, uma vez que a Venezuela está suspensa momentaneamente) e a crise na Venezuela.

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Acordos bilaterais deverão ser negociados nas áreas de comércio, combate ao crime organizado e corrupção, indústria de defesa, desenvolvimento espacial e energia nuclear. A discussão sobre o futuro do Mercosul deve incluir a alternativa da adoção de regras que permitam acordos bilaterais entre membros do grupo, outros blocos e países, sem obrigatoriamente passar pela chancela do Mercosul.

Enquanto isso, novas polêmicas envolvem Bolsonaro. Três dias antes de renunciar ao mandato de deputado federal para assumir a Presidência, ele recebeu da Câmara R$ 33,7 mil a título de auxílio-mudança, um salário extra que o Congresso destina todo início e fim de legislatura a parlamentares. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

O benefício foi pago em 28 de dezembro na conta do então presidente eleito. Somado ao seu salário de deputado daquele mês e acrescido à metade do 13º, Bolsonaro recebeu R$ 84,3 mil brutos no mês passado. 

A Folha enviou à Presidência um questionamento sobre as razões do recebimento do auxílio, se Bolsonaro considera adequado o benefício e se ele teve algum tipo de gasto relativo a mudança nos últimos tempos, com discriminação de valores e empresas contratadas. Não houve resposta até a conclusão da edição do jornal desta quarta-feira.

 

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