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Ibovespa sobe 2% em sua terceira semana seguida de alta entre exterior e sinais de reformas

Índice teve leve queda nesta sexta-feira, mas conseguiu alta expressiva na semana com falas recentes de integrantes do governo

Painel ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Em dia marcado pela cautela e clima morno nos mercados, o Ibovespa fechou próximo da estabilidade de olho no cenário externo com o shutdown nos EUA, Brexit e desaceleração da China. Por aqui, os investidores também estão de olho nas informações sobre a reforma da Previdência e na aprovação do governo da joint venture entre Embraer e Boeing.

Com isso, o Ibovespa fechou com leve queda de 0,16%, aos 93.658 pontos, encerrando a semana com ganhos acumulados de 1,98% e atingindo sua terceira alta semanal seguida. O volume financeiro neste pregão ficou em R$ 14,871 bilhões.

O contrato de dólar futuro com vencimento em fevereiro, por sua vez, ficou estável em R$ 3,715, enquanto o dólar comercial teve alta de 0,15%, para R$ 3,7145 na venda. Os juros futuros fecharam em queda. Os contratos com vencimento em janeiro de 2021 caíram 2 pontos-base, para 7,44% e os contratos para janeiro de 2023 também recuaram 2 pontos, a 8,47%.

No mercado doméstico, o Palácio do Planalto divulgou nota informando que Bolsonaro não irá exercer o poder de veto a que tem direito no negócio entre a Embraer e a americana Boeing. A nota explica que o presidente foi informado que a proposta final do acordo "preserva a soberania e os interesses nacionais" e, por isso, não irá exercer o poder de veto.

Em nota, a Embraer e a Boeing afirmaram que a aprovação pelo governo brasileiro é bem vinda e que a transação as colocará em posição de acelerar o crescimento nos mercados globais de aeronaves. As empresas acreditam que a transação deve ser concluída até o final de 2019.

Na agenda econômica do dia, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação oficial do país, registrou alta de 3,75% em 2018, dentro da meta estabelecida pelo governo federal para o ano, que era de 4,5% com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. 

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Destaques da Bolsa
As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 CIEL3 CIELO ON 10,71 -3,43 +20,47 347,64M
 BTOW3 B2W DIGITAL ON 45,08 -3,05 +7,28 127,62M
 GOAU4 GERDAU MET PN 7,34 -2,39 +5,76 114,18M
 GGBR4 GERDAU PN 15,22 -2,37 +2,70 444,86M
 LREN3 LOJAS RENNERON 41,71 -2,23 -1,63 127,24M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 GOLL4 GOL PN N2 24,96 +7,35 -0,56 156,86M
 HYPE3 HYPERA ON 32,98 +6,73 +9,21 131,65M
 SBSP3 SABESP ON 39,49 +4,39 +25,37 214,64M
 QUAL3 QUALICORP ON 14,20 +3,80 +10,16 48,17M
 CCRO3 CCR SA ON 13,40 +3,80 +19,64 119,87M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN N2 24,99 -1,07 1,35B 1,89B 87.614 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 17,29 +2,61 1,26B 296,45M 82.408 
 VALE3 VALE ON 52,38 -1,36 652,56M 1,09B 30.921 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN ED 37,60 -0,61 512,14M 716,09M 40.288 
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 41,50 -0,65 448,40M 612,92M 38.510 
 GGBR4 GERDAU PN 15,22 -2,37 444,86M 171,29M 36.459 
 EMBR3 EMBRAER ON 21,53 +2,57 409,40M 80,18M 39.156 
 ITSA4 ITAUSA PN 12,80 -1,23 384,95M 296,39M 50.519 
 CIEL3 CIELO ON 10,71 -3,43 347,64M 121,62M 51.734 
 BBAS3 BRASIL ON 48,70 +0,41 334,68M 463,24M 20.067 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
IBOVESPA

Bolsas mundiais

As bolsas asiáticas encerraram em alta seguindo a melhora no mercado norte-americano no pregão da véspera com o aumento do apetite por risco mesmo em meio às preocupações com o shutdown e a desaceleração econômica chinesa. O "shutdown" é a paralisação do governo e isso ocorre porque o orçamento do atual ano fiscal não foi aprovado.

Por outro lado, Estados Unidos e China darão continuidade a discussões comerciais no fim do mês, o que animou o mercado. O vice-primeiro-ministro da China, Liu He, pretende viajar a Washington e se encontrar com o representante de comércio dos EUA, Robert Lighthizer, e o secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, para retomar o diálogo comercial entre as duas maiores economias do mundo nos dias 30 e 31 de janeiro, segundo fontes citadas pela Dow Jones Newswires.

Já as bolsas na Europa operam perto da estabilidade no desenrolar das discussões sobre o Brexit, mas acompanhando o bom humor global. Os índices futuros norte-americanos têm leve queda à espera dos dados de inflação e de novas informações sobre o shutdown.

Há o receio de que o shutdown atual, que está seu 21º dia, se prolongue diante do impasse que se mantém entre os democratas e o presidente Donald Trump, que pede o financiamento de um muro na fronteira com o México. 

Sem solução para o caso, Trump cancelou sua viagem para Davos, prevista para 22 de janeiro, para a abertura do Fórum Econômico Mundial. O presidente norte-americano usou sua conta no Twitter para atribuir aos democratas a ausência no evento.

Os preços do petróleo sobem pelo 10º dia consecutivo deixando de lado as preocupações com as perspectivas econômicas globais e de olho nos acordos de cortes de produção firmados pelos principais exportadores.

Reforma da Previdência

Para "desengessar" as regras de aposentadoria no Brasil, o governo quer incluir na proposta de reforma da Previdência regras transitórias para alguns pontos. Segundo apuração do jornal O Estado de S. Paulo, a ideia é fixar essas normas deixando um comando para que, no futuro, elas possam ser alteradas por projetos de lei, sem necessidade de nova mudança na Constituição.

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O regime de capitalização previsto na reforma da Previdência deverá incluir um sistema de contas individuais parecido com o Tesouro Direto, informa o jornal Valor Econômico. Uma das fontes de inspiração da proposta em discussão no governo é um texto acadêmico que defende a criação da chamada PIA (Poupança Individual para Aposentadoria).

A ideia é que, em vez do sistema de fundos administrados por entidades abertas e fechadas previdência, os recursos sejam mantidos em contas individuais, movimentados numa plataforma parecida com o Tesouro Direto, em que os cidadãos fazem investimentos em títulos públicos. Essas contas individuais receberiam os mesmos benefícios tributários hoje concedidos para os fundos de pensão e PGBL (Plano Gerador de Benefícios Livres).

O texto acadêmico foi escrito pelos economistas Abraham e Arthur Weintraub, pelo atual ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e pelo professor Giuseppe Ludovico, da Universidade de Milão. 

Sobre o regime de capitalização estudado pelo governo, o sistema deve valer apenas para quem ganha a partir de determinada renda, segundo o jornal O Estado de S. Paulo. O ponto de corte ainda não está fechado pela equipe econômica, mas a vantagem desse modelo é que diminui o custo da transição, pois evita grandes perdas de arrecadação que ocorreriam se todos os novos trabalhadores migrassem e passassem a contribuir apenas pelo novo modelo. 

A capitalização é um regime em que o segurado contribui para uma conta individual, que será remunerada e depois é usada para bancar os benefícios. Hoje o Brasil adota o regime de repartição, em que as contribuições pagas pelos trabalhadores e empregadores ajudam a bancar os benefícios de quem já está aposentado.

Disputa em Brasília

Conexão Brasília desta semana recebe o analista político Ricardo Ribeiro, da MCM Consultores. Na pauta, a disputa pelas presidências da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, as sinalizações e divergências entre forças da base de Jair Bolsonaro acerca da reforma da Previdência e o saldo dos primeiros 10 dias do novo governo. O programa é transmitido ao vivo, a partir das 14h45 (horário de Brasília) na página do InfoMoney no Facebook e no InfoMoney TV

 

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