Os 4 fatores que fizeram o Ibovespa fechar acima de 93 mil pontos pela primeira vez na história

Índice se manteve com ganhos de mais de 1% durante quase todo o dia, ganhando força na reta final do pregão e fechando na máxima

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SÃO PAULO – O Ibovespa segue quebrando suas máximas históricas neste início de 2019 e nesta quarta-feira (9) já conseguiu fechar acima de 93 mil pontos pela primeira vez, sustentado por quatro fatores principais combinados entre a política doméstica e eventos externos.

O Ibovespa fechou com alta de 1,72%, aos 93.613 pontos, com o volume financeiro atingindo R$ 16,523 bilhões. O contrato de dólar futuro com vencimento em fevereiro teve queda de 0,90%, a R$ 3,684, enquanto o dólar comercial recuou 0,75%, cotado a R$ 3,6878, renovando sua mínima em dois meses.

Já o contrato de juro futuro com vencimento em janeiro de 2021 subiu 1 ponto-base, para 7,37%, ao passo que o contrato para janeiro de 2023 teve queda de 2 pontos, a 8,40%. O otimismo com Brasil levou o CDS (Credit Default Swaps) à sexta queda consecutiva. Conhecido como “seguro-calote”, o CDS é uma das principais referências de risco utilizadas pelos investidores estrangeiros.

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O primeiro bom sinal para o mercado veio do governo brasileiro, com o aceno a uma reforma da Previdência mais robusta do que a sinalizada por Jair Bolsonaro dias atrás, o que agrada aos investidores. A avaliação é de que a proposta de idades mínimas “mais dentro do ideal” (62 anos mulheres e 65 anos homens) e um ciclo mais curto de transição, seria a melhor reforma em diversos aspectos.

“Dá no mínimo um alívio de curto prazo na questão fiscal, ao menos 4 anos e com a nova regra de capitalização, abre um espaço de no mínimo uma década para a rediscussão do tema”, avalia Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset.

O segundo bom sinal veio do exterior, com o otimismo em relação à negociação entre EUA e China sobre a guerra comercial. Em comunicado, o gabinete do Representante de Comércio dos EUA  disse que a China prometeu comprar “um volume substancial” de bens e serviços agrícolas, energéticos e manufaturados dos EUA.

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Em comunicado que deu poucos detalhes sobre resultados específicos, o gabinete disse que ambos os lados discutiram “maneiras de alcançar equidade, reciprocidade e equilíbrio nas relações comerciais entre nossos dois países”.

Já o terceiro fator foi a disparada do petróleo, com o barril tipo WTI saltando 4,90%, a US$ 52,22, enquanto o brent avançou 4,44%, para US$ 61,33. O movimento é puxado principalmente pelo plano da Arábia Saudita de cortes nas exportações de 7,2 milhões de barris por dia para 7,1 milhões de bpd.

Por fim, animou os mercado, fazendo principalmente o dólar cair mais, as falas de integrantes do Federal Reserve, além da ata da última reunião do Fomc.

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O presidente da distrital do Fed em St. Louis, James Bullard, disse que teme que o país entre em recessão se a instituição seguir adiante com sua campanha de aumentos das taxas de juros. Já o líder da autoridade de Atlanta, Raphael Bostic, afirmou que uma paralisação prolongada das atividades do governo dos EUA pode afetar a previsão de crescimento que o Fed projetou.

Já no fim do dia, a ata do Fomc mostrou que alguns dirigentes do Fed foram contra a alta de juros nos EUA, defendendo a manutenção da política monetária em meio ao aumento da volatilidade do mercado financeiro.

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No futuro, “muitos” dirigentes disseram que o Fomc poderia ser “paciente” quanto a novas políticas, diz o documento. Em geral, eles julgaram que “uma quantidade relativamente limitada de aperto adicional provavelmente seria apropriada”.

Destaques de ações
As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 CSAN3 COSAN ON 38,82 +8,16 +16,02 132,40M
 ESTC3 ESTACIO PARTON 26,71 +7,10 +12,42 152,26M
 SUZB3 SUZANO PAPELON 38,37 +5,99 +0,76 248,59M
 BTOW3 B2W DIGITAL ON 44,42 +5,76 +5,71 220,05M
 RADL3 RAIADROGASILON 61,11 +5,09 +6,93 114,97M

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

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 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 BBSE3 BBSEGURIDADEON 26,65 -3,16 -3,41 183,91M
 FLRY3 FLEURY ON EJ 21,08 -1,50 +7,25 94,90M
 HYPE3 HYPERA ON 30,60 -0,97 +1,32 103,52M
 JBSS3 JBS ON 12,20 -0,81 +5,26 76,33M
 SMLS3 SMILES ON EJ 41,60 -0,64 -4,64 41,56M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN N2 25,48 +2,08 1,78B 1,91B 81.454 
 VALE3 VALE ON 53,69 +2,44 1,48B 1,05B 61.931 
 BBAS3 BRASIL ON 47,80 -0,27 799,86M 439,79M 37.631 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN ED 38,09 +1,52 769,06M 690,11M 47.739 
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 41,90 +1,72 717,85M 602,86M 47.362 
 BRDT3 PETROBRAS BRON 26,01 +0,23 475,46M n/d 25.785 
 B3SA3 B3 ON 28,01 +0,47 409,96M 345,45M 33.702 
 ITSA4 ITAUSA PN 13,05 +1,32 407,43M 270,85M 46.873 
 CMIG4 CEMIG PN 13,59 +1,57 310,63M 164,78M 44.016 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 16,38 +1,42 270,01M 294,26M 36.875 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)
IBOVESPA

Bolsas mundiais
As bolsas asiáticas encerraram em alta movidas pelas expectativas otimistas com o desfecho da guerra comercial entre China e Estados Unidos. As negociações em Pequim de representantes dos dois países encerraram nesta quarta-feira (9), um dia depois do esperado. 

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Além disso, influenciou positivamente o fato de a China planejar medidas para estimular o consumo de automóveis e de eletrodomésticos e o governo central do país avisou que ampliará investimentos em infraestrutura.

O otimismo anima as bolsas europeias, que também sobem, mas os investidores seguem de olho no Brexit. A primeira-ministra britânica, Theresa May, sofreu uma derrota no Parlamento ontem. Parlamentares contrários à saída do Reino Unido da União Europeia sem um acordo venceram uma votação, criando mais um obstáculo para um Brexit sem acordo.

Os índices dos Estados Unidos também sobem com o otimismo global. Na noite de ontem, o presidente Donald Trump fez um pronunciamento oficial defendendo a construção do muro na divisa com o México, impasse que mantém uma queda de braço entre o governo e os democratas no Congresso e resultou no “shutdown”, com a paralisação do financiamento de diversos serviços públicos que já chega ao seu 19º dia. 

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Trump disse que há uma crise humanitária e de segurança na fronteira e apelou: “quanto sangue americano terá que ser derramado até que o Congresso aprove?”. A maioria da Câmara dos Estados Unidos é democrata e se posiciona contra a construção do polêmico muro. 

O maior apetite ao risco global influencia também o mercado de commodities e os preços do petróleo também operam em alta. O dólar cai em relação a maior parte de seus pares.

Reforma da Previdência

O governo deve enviar ao Congresso em fevereiro uma proposta de reforma da Previdência mais robusta, com alterações sobre o atual regime das aposentadorias, mas também com a criação de um novo modelo capitalização para os trabalhadores que ainda entrarão no mercado de trabalho. 

Os ministros da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e da Economia, Paulo Guedes, sinalizaram que a visão da equipe econômica de uma reforma mais duradoura deve prevalecer na versão que será apresentada ao presidente Jair Bolsonaro na próxima semana.

Bolsonaro ainda vai bater o martelo sobre o desenho final, e a equipe econômica ainda terá de convencê-lo de que o Congresso Nacional é capaz de digerir a proposta de uma reforma mais dura e de longo prazo. Na semana passada, o presidente havia acenado com uma proposta mais “light”, apenas para seu mandato, o que gerou apreensão entre economistas, uma vez que não representaria uma solução definitiva para o grave desequilíbrio nas contas públicas.

Nesta manhã, o presidente confirmou a revogação da adesão do Brasil ao Pacto Global para Migração Segura, Ordenada e Regular. Na sua conta no Twitter, ele afirmou que a iniciativa foi motivada para preservação dos valores nacionais. “O Brasil é soberano para decidir se aceita ou não migrantes”, disse o presidente. “Não ao pacto migratório.”

Noticiário político 

O ministro da Economia, Paulo Guedes, confirmou que a medida provisória antifraudes em benefícios previdenciários e assistenciais será enviada nesta quarta-feira (9) para o presidente Jair Bolsonaro. Guedes voltou a dizer que o efeito fiscal da medida deve ficar entre R$ 17 bilhões e R$ 20 bilhões por ano – inclusive 2019.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, os ministros confirmaram que a proposta da reforma da Previdência será apresentada a Bolsonaro na próxima semana e deve ser enviada ao Congresso – junto com a criação de um novo modelo de capitalização – em fevereiro.

O ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, afirmou que o decreto que flexibiliza a posse de armas de fogo deve estar pronto na próxima semana. O assunto foi tratado pelo presidente durante reunião ministerial ontem no Palácio do Planalto.

Outros temas seguem a todo vapor no governo de Bolsonaro. Sua equipe estuda mudar o modelo de concessão de rodovias federais. Segundo a Folha de S. Paulo, em vez de exigir pedágios mais baratos, o Ministério de Infraestrutura avalia cobrar outorgas bilionárias nos próximos leilões.

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O sistema, semelhante ao adotado pelos governos tucanos no estado de São Paulo desde os anos 1990, abandonaria as concessões que privilegiavam o critério de menor pedágio, que vigorava nas administrações Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff e que sofreram críticas pela inviabilidade econômica que demonstraram na prática.

Caso a proposta vá adiante, o dinheiro arrecadado abastecerá um fundo rodoviário nacional com o objetivo de implementar melhorias e duplicações nas demais vias para que também sejam concedidas.

(Com Agência Estado e Agência Brasil)

Rodrigo Tolotti

Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.