Em mercados / acoes-e-indices

Das TVs à bolsa: como "Roma" e "Bird Box" refletem o sucesso da estratégia da Netflix

Altos investimentos e grande quantidade de produções dão fruto no fim de 2018 e Netflix encerra como uma das queridinhas dos analistas na bolsa

Bird Box
(Divulgação)

SÃO PAULO - Mesmo cheio de altos e baixos, 2018 terminou com um ótimo cenário para a Netflix, que conseguiu agradar o público, críticos, analistas e investidores. Mesmo diante da forte queda das bolsas dos Estados Unidos e com o lançamento de alguns filmes e séries de qualidade questionável, a empresa tem muito o que comemorar.

No mercado, a qualidade dos filmes e séries ou mesmo o seu desempenho de audiência não é o que define a alta ou queda das ações, mas é inegável a comparação do bom momento da empresa na bolsa com seus lançamentos de fim de ano, dois em especial: Bird Box e Roma.

O primeiro, protagonizado por Sandra Bullock, se tornou a melhor estreia da Netflix em seus quase 12 anos ao ser visto por 45 milhões de assinantes em apenas sete dias (vale ressaltar que esta foi a primeira vez que a empresa divulgou seus números de audiência). Tudo isso mesmo com críticas apenas medianas por parte dos especialistas.

Do outro lado, Roma, dirigido por Alfonso Cuarón, se tornou um enorme sucesso de crítica, vencendo o Leão de Ouro do Festival de Veneza. Mesmo que não sendo tão falado entre o público em geral, suas avaliações são altíssimas e a expectativa é que ele chegue forte para disputar o Oscar.

Estas duas produções originais são exemplo das recentes políticas adotadas pela companhia de streaming. De um lado, focar em grandes produções, com atores conhecidos e que ajudem a elevar a audiência. Do outro, dar espaço para diretores produzirem seus filmes com liberdade artística, focando em marcar o nome da empresa também nas grandes premiações.

Esta estratégia deu seus frutos. Para citar outros exemplos, "Black Mirror: Bandersnatch" se tornou fenômeno na internet com suas diferentes opções de finais, enquanto "A Balada de Buster Scruggs", novo filme dos irmãos Coen, não chamou tanta atenção, mas tem ganhado o título de um dos melhores filmes da Netflix em 2018.

A companhia tem diversos desafios pela frente, desde a necessidade de otimizar sua produção - hoje a empresa tem sido muito criticada pela grande quantidade de filmes e séries lançadas, o que derruba a média de qualidade - até se preparar para o aumento da concorrência, em especial com o serviço próprio de streaming da Disney.

Quer investir com corretagem ZERO na Bolsa? Clique aqui e abra agora sua conta na Clear!

Diante disso tudo, a Netflix tem conseguido se fixar como a maior em seu setor e ampliando sua vantagem antes de ganhar concorrentes de peso, e isso tem agradado os investidores.

Mesmo acumulando perdas de 36% no segundo semestre - contra queda de 10% do S&P 500 -, seguindo o cenário de pânico generalizado no mercado norte-americano, os papéis da companhia de streaming fecharam o ano passado com valorização de 36%.

Este foi o melhor desempenho dentre as empresa do grupo de gigantes chamado FAANG (Facebook, Apple, Amazon, Netflix e Google). Para se ter uma ideia, o Facebook desabou 25%, a Apple caiu 5%, enquanto a Amazon subiu 28% e o Google ficou praticamente estável.

Apesar do desempenho bem pior que os dos principais índices da bolsa norte-americana, a Netflix já mostra uma forte recuperação, saltando 11% no acumulado dos últimos 5 pregões - contra menos de 1% de alta do Dow Jones e do S&P 500. E este deve ser apenas o começo.

Em relatório divulgado nesta sexta, o Goldman Sachs reiterou sua recomendação de compra para as ações da empresa e colocou um preço alvo de US$ 400, o que representa uma alta de cerca de 50% sobre os US$ 271 de fechamento da véspera.

E todo esse otimismo se dá exatamente pelos esforços de produção de conteúdo e ganho de mercado da companhia. "Continuamos a acreditar que o investimento da Netflix em conteúdo, tecnologia e distribuição continuará a impulsionar o crescimento dos assinantes bem acima das expectativas de consenso tanto nos EUA como internacionalmente", avaliam os analistas.

Para o Goldman, a Netflix ainda tem espaço "significativo" para crescer nos mercados dos EUA e Europa, apesar dos níveis relativamente altos de uso nessas regiões. "Acreditamos que o quarto trimestre será apenas o começo da recompensa dos gastos acelerados da Netflix e da produção de originais cada vez mais robusta, e que o consenso continua a subestimar significativamente os impactos financeiros dessas dinâmicas", completam.

Aumentar a produção pode até elevar a chance de vermos filmes e séries ruins, mas também é uma estratégia que tem começado a trazer um forte resultado de audiência e credibilidade, levando a Netflix a sonhar cada vez mais em ganhar prêmios como o Oscar. É cada vez mais difícil encontrar alguém que não seja assinante do seu serviço, mas ainda há muito espaço para crescer, e 2019 deve ser marcado por isso.

Quer investir com corretagem ZERO na Bolsa? Clique aqui e abra agora sua conta na Clear!

 

Contato