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Ibovespa destoa de disparada de 9% do petróleo e fecha em queda com "ressaca" de Natal

Na reabertura pós-feriado, índice reverbera recuo dos ADRs e não encontra forças para acompanhar recuperação de Wall Street

Mercado em queda
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Após dois dias sem operações em função do feriado de Natal, o Ibovespa teve uma sessão de ressaca nesta quarta-feira (26), encerrando o pregão entre o sell-off dos mercados internacionais na última segunda-feira (e o consequente mergulho dos ADRs) e o presente movimento de recuperação de Wall Street e do petróleo, que subiu mais de 9%. O benchmark da bolsa brasileira acumulou perdas de 0,65%, a 85.136 pontos. O giro financeiro negociado na B3 foi de R$ 9,56 bilhões, o equivalente a 2/3 da média dos últimos 21 dias.

Nesta sessão, os investidores continuam atentos aos próximos passos da política monetária norte-americana promovida pelo Federal Reserve, que sinaliza redução em seu balanço e trabalha com a possibilidade de duas elevações nos juros no ano que vem, e os atritos entre o presidente Donald Trump e a autoridade monetária do país. O novo episódio recolocou no centro das preocupações as condições de autonomia do BC local no atual governo. Também chamou atenção dos agentes econômicos o shutdown, que mantém serviços não essenciais fechados no país e um impasse político entre o presidente e o parlamento.

Confira os destaques do pregão:

Destaques da Bolsa

Apenas 6 das 64 ações que compõem a carteira teórica do Ibovespa fecharam em alta superior a 1% nesta sessão. No campo negativo, puxando a sessão negativa do índice, o destaque ficou para as ações de bancos e companhias dos setores de mineração, siderurgia e varejo. No sentido oposto, as ações da Petrobras (PETR4) viraram para o campo positivo com a disparada dos preços do petróleo no mercado internacional.

As ações do Grupo Pão de Açúcar (PCAR4) chamaram atenção entre as perdas do dia, após a notícia de que a companhia deve se desfazer da participação sobre a Via Varejo até o fim do ano que vem. Caso não encontre um comprador para as ações, processo que se arrasta desde 2016, o grupo venderá sua posição no mercado, o que poderá pressionar os papéis em função da forte oferta. O processo de saída começa nesta quinta-feira, quando serão vendidas em bolsa 50 milhões de ações, o que equivale a 3,86% do capital acionário da companhia.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Ibovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 KROT3 KROTON ON 8,60 -5,18 -51,61 105,19M
 PCAR4 P.ACUCAR-CBDPN 77,76 -5,01 +0,26 152,10M
 BTOW3 B2W DIGITAL ON 38,00 -3,85 +85,37 55,93M
 SMLS3 SMILES ON 43,50 -3,33 -39,68 24,54M
 MGLU3 MAGAZ LUIZA ON 176,76 -3,28 +120,95 142,69M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Ibovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 MRFG3 MARFRIG ON 5,56 +4,12 -24,04 28,16M
 PETR4 PETROBRAS PN ERJ N2 21,68 +3,46 +40,36 1,62B
 PETR3 PETROBRAS ON ERJ N2 24,58 +1,83 +46,77 308,42M
 NATU3 NATURA ON 43,90 +1,57 +34,08 65,03M
 UGPA3 ULTRAPAR ON 50,19 +1,19 -31,42 49,41M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o Ibovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN ERJ N2 21,68 +3,46 1,62B 1,85B 76.223 
 VALE3 VALE ON 50,44 -0,83 669,74M 1,15B 28.031 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN EJ 33,73 -2,18 645,05M 643,93M 45.009 
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 36,60 -1,32 482,23M 521,38M 32.645 
 BBAS3 BRASIL ON 44,38 +0,66 323,50M 444,57M 17.355 
 PETR3 PETROBRAS ON ERJ N2 24,58 +1,83 308,42M 348,92M 28.322 
 ITSA4 ITAUSA PN EJ 11,60 -1,28 222,90M 264,46M 26.123 
 B3SA3 B3 ON EJ 26,05 -1,94 212,21M 269,05M 20.092 
 ABEV3 AMBEV S/A ON EJ 15,14 -0,20 174,27M 306,65M 18.784 
 PCAR4 P.ACUCAR-CBDPN 77,76 -5,01 152,10M 124,58M 10.243 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
IBOVESPA

Bolsas mundiais

O mercado viveu seu pior pregão natalino da história na última segunda-feira (24) nos Estados Unidos e contaminou as principais bolsas mundiais, com os investidores demonstrando preocupação com os caminhos a serem seguidos pelo Federal Reserve em sua política monetária e os atritos com o presidente Donald Trump. O índice Dow Jones Industrial Average mergulhou 653 pontos em um dia volátil, enquanto o S&P 500 recuou 2,7% e entrou tecnicamente em bear market -- mercado de baixa, considerando uma queda acumulada de ao menos 20% em relação às recentes altas.

O movimento dos mercados se deu em resposta ao noticiário de Washington no fim de semana. Diversas reportagens noticiaram que o presidente dos Estados Unidos estaria discutindo sobre a possibilidade de como remover Jerome Powell da posição de chairman do Fed. Em resposta aos boatos, o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, chegou a organizar calls com os seis maiores bancos do país no fim de semana, com o objetivo de acalmar os ânimos. Mas Trump reiniciou os ataques à autoridade monetária na segunda-feira pelo Twitter. "O único problema que nossa economia tem é o Fed. Eles não têm consideração pelo mercado", publicou o presidente.

Com o dia negativo no mercado, todos os 11 setores representados no S&P 500 agora amargam perdas em dezembro, no quarto trimestre e no acumulado do ano. Além dos atritos alimentados por Trump e as incertezas quanto à institucionalidade e o nível de autonomia do BC no país oriundas do episódio, os investidores também se preparam para os próximos passos do Fed, que promete reduzir seu balanço e mantém no radar duas altas de juros para o ano que vem, a despeito do ambiente mais desafiador da economia mundial.

Nesta quarta-feira, porém, o clima foi de recuperação para alguns dos principais índices acionários globais. O Dow Jones disparou 700 pontos (+3%) e apagou as perdas da pior véspera de Natal da história de Wall Street. Já o S&P500 saltou mais de 3% e se afastou do estado de bear market -- que consiste em uma queda acumulada de pelo menos 20% em relação às altas recentes. O Nasdaq superou os 4% de alta.

No mercado de commodities, o petróleo teve um dia de disparada. Os barris tipo WTI encerraram o dia em alta de 9,64%, cotados a US$ 46,63, ao passo que os barris tipo brent avançaram 8,82%, a US$ 54,92. O movimento da commodity segue uma redução nas preocupações do mercado com o ritmo de produção, após um esforço dos produtores aliados, conhecidos como OPEP+, para reduzir a oferta. A ideia seria reduzir a produção em 1,2 milhão de barris por dia em 2019, medida que pode ser intensificada a depender do que advogam alguns ministros.

ADRs no feriado

Os papéis das principais empresas brasileiras negociados no mercado norte-americano tiveram uma sessão negativa na segunda-feira, acompanhando o mau humor dos investidores em meio aos ataques de Donald Trump ao Federal Reserve. O índice Brazil Titans 20, que reúne 20 ADRs (American Depositary Receipt) brasileiros, caiu 1,56%, fechando a 21.057 pontos, ao passo que o índice EWZ recuou 1,37%, a US$ 36,63. Os papéis da mineradora Vale foram um dos destaques negativos da sessão, ao fecharem em queda de 2,33%, a US$ 12,60.

Agenda econômica

Pela agenda de indicadores, o IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor Semanal), divulgado pela FGV (Fundação Getulio Vargas), mostrou uma inversão no sinal de queda de 0,03% na segunda leitura de dezembro, para alta de 0,10% na terceira quadrissemana do mês.

No período, cinco das oito classes de despesa que compõem o indicador registraram acréscimo em suas taxas de variação, com destaque para Habitação (-0,36% para -0,13%), cujo item "tarifa de energia elétrica residencial" arrefeceu a velocidade de baixa de 3,51% na segunda medição para recuo de 2,37%.

Destaque de acréscimos também foi registrado nos grupos: Educação, Leitura e Recreação (0,83% para 1,09%) e Saúde e Cuidados Pessoais (0,03% para 0,10%). Nestes conjuntos de preços, houve encarecimento em passeios e férias (4,91% para 6,48%) e artigos de higiene e cuidado pessoal, cuja variação saiu de queda de 1,28% para recuo menos intenso, de 1,02%, respectivamente. 

Na direção contrária, os conjuntos de preços de Educação, Leitura e Recreação (1,09% para 0,98%), Comunicação (0,11% para 0,05%) e Despesas Diversas (0,25% para 0,19%) reduziram o ritmo de elevação da segunda para a terceira quadrissemana de dezembro.

Também na agenda econômica nacional, destaque para os dados de estoque da dívida pública federal, que subiu 1,69% em novembro e chegou a R$ 3,826 trilhões, segundo o Tesouro Nacional. Em outubro, o estoque estava em R$ 3,763 trilhões. A correção de juros no estoque foi de R$ 29,02 bilhões em novembro, ao passo que as emissões totalizaram R$ 52,013 bilhões e os resgates, R$ 17,334 bilhões -- o que resultou em emissão líquida de R$ 34,68 bilhões.

A parcela da DPF a vencer em 12 meses caiu de 16,49% em outubro para 16,37% em novembro, segundo o Tesouro Nacional. Já o prazo médio da dívida caiu de 4,24 anos em outubro para 4,19 anos no mês passado. O custo médio acumulado em 12 meses do estoque da DPF passou de 10,06% ao ano em outubro para 10,11% ao ano em novembro. Apesar do aumento, o custo médio das emissões dos títulos da dívida interna em novembro caiu e ficou em 7,70%, de acordo com os dados do Tesouro Nacional.

Também nesta quarta-feira, o Banco Central informou que o fluxo cambial líquito total do ano até 21 de dezembro está positivo em R$ 2,646 bilhões. Em igual período do ano passado, o resultado era positivo em US$ 4,167 bilhões. A saída líquida de dólares pelo canal financeiro no período foi de US$ 44,605 bilhões. Este resultado é fruto de entradas no valor de US$ 515,694 bilhões e de envios no total de US$ 560,299 bilhões.

Já no comércio exterior, o saldo anual acumulado ficou positivo em US$ 47,251 bilhões, com importações de US$ 176,448 bilhões e exportações de US$ 223,699 bilhões.

Noticiário político

Às vésperas da posse do presidente eleito Jair Bolsonaro, o otimismo do brasileiro com a economia bate recordes, mostra a pesquisa do Datafolha. Segundo o instituto, 65% dos entrevistados acreditam que a situação econômica do país vai melhorar nos próximos meses, contra 23% na pesquisa passada, realizada em agosto deste ano. É o maior índice da série histórica, que teve início em 1997.

Também chama atenção dos investidores notícia de que técnicos da Câmara dos Deputados levaram aos articuladores políticos do governo uma manobra legislativa para acelerar a votação de reformas constitucionais, como a tributária e a da Previdência Social. Conforme noticia o jornal Valor Econômico, a estratégia seria apresentar uma nova PEC (Proposta de Emenda à Constituição) sobre o assunto, anexá-la às que já estão prontas para votação no plenário usando como base decisões anteriores de presidentes da casa.

Isso permitiria ao governo de Jair Bolsonaro aproveitar textos apresentados por Michel Temer, com a possibilidade de alterá-los para além de emendas apresentadas ou pareceres votados em comissões. Na prática, ganha-se tempo para avançar com as medidas, aproveitando o período de maior força política do governo eleito.

Apesar de haver precedentes em outras legislaturas, a manobra é polêmica, já que o regimento interno proíbe "apensar" dois projetos em diferentes fases de tramitação, para evitar a aprovação de mudanças que foram pouco discutidas. Mesmo assim, será difícil para a oposição contestar tal movimento, já que a prática já foi adotada em momentos em que a casa foi presidida por Arlindo Chinaglia (PT-SP), Eduardo Cunha (MDB-RJ) e Rodrigo Maia (DEM-RJ), por exemplo.

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