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Ibovespa se descola do exterior e tem alta de 1%, mas dólar sobe forte com Copom e BCE

Índice ganha força na reta final do pregão e encerra o dia em sua máxima do dia

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Se descolando do cenário externo, o Ibovespa engatou um movimento de alta durante a tarde desta quinta-feira (13), apesar da volatilidade, indicando que ainda não há forte sustentação ou confiança para garantir uma valorização mais expressiva. No câmbio, a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) e a fala do presidente do BCE, Mario Draghi, definiram a alta da moeda.

Em meio a esse cenário, o Ibovespa registrou alta de 0,99%, aos 87.837 pontos, com o volume financeiro atingindo R$ 10,743 bilhões. Enquanto isso, o dólar comercial teve forte alta de 0,72%, cotado a R$ 3,8802 na venda. "O que temos visto é baixo nível de convicção do mercado e bastante ceticismo", destaca a equipe da XP Research em nota.

No câmbio, o real seguiu o movimento de outras moedas e caiu contra o dólar de olho na fala do presidente do BCE (Banco Central Europeu), Mario Draghi, que fez um alerta sobre a economia europeia mesmo após a autoridade manter os juros em 0% e anunciar o fim do programa de compra de ativos no final de dezembro.

O euro perdeu força contra o dólar já durante a manhã após Draghi alertar para riscos ao crescimento da zona do euro listando como preocupações questões geopolíticas, protecionismo comercial e volatilidade dos mercados.

Ainda no exterior, nos mercados asiáticos, o dia foi de ganhos com novos sinais de diminuição na tensão comercial, mas que não foi suficiente para gerar ânimo para as demais praças. Ontem, circulou notícia de que a China planeja substituir uma política industrial muito criticada pela Casa Branca por um programa que garantirá maior acesso a companhias estrangeiras.

Também foi confirmado hoje que os chineses voltaram a comprar soja dos EUA, como parte de um compromisso de Pequim de ampliar importações de produtos agrícolas americanos. O gigante asiático também estaria reduzindo ambições na área tecnológica para amenizar choques com EUA.

Antes disso, o presidente dos EUA, Donald Trump, já havia sinalizado nesta semana que está disposto a fechar um acordo comercial com a China, depois da trégua de 90 dias acertada com o presidente chinês, Xi Jinping, no último dia 1º.

Na agenda econômica, a China atraiu US$ 13,6 bilhões em investimento estrangeiro direto (IED) em novembro, 27,6% menos do que em igual mês do ano passado, segundo dados publicados hoje pelo Ministério de Comércio do país.

De volta à Europa, os mercados também refletem o cenário no Reino Unido, com a libra avançando após a premiê Theresa May conseguir vencer votação para permanecer como líder do Partido Conservador, permitindo que ela retorne ao front do Brexit.

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Copom "dovish"
Voltando ao Brasil, no mercado de juros futuros a sessão foi de queda para os contratos mais líquidos, como o com vencimento em janeiro de 2020 com baixa de 8 pontos-base, para 6,62%, enquanto o com vencimento em 2023 caiu 14 pontos-base, a 8,93%. 

O movimento ocorre após o Copom "dovish" (brando). Na véspera, o Comitê manteve a taxa básica de juros em 6,50%, em linha com o esperado e BC vê arrefecimento do risco de frustração com reforma. De acordo com economistas, o comunicado apontou adiamento de eventual ciclo de alta e deve retirar prêmio da curva de juros.

O comunicado informou que aumentou o risco de a ociosidade da economia brasileira manter a inflação em níveis baixos e que diminuiu o risco da não aprovação de reformas estruturais. Segundo a nota, o cenário internacional continua desafiador para os países emergentes, com a possibilidade de alta de juros em países avançados e de agravamento de tensões comerciais.

 Altas e baixas

A sessão foi de queda para as ações da Petrobras com a virada do petróleo, que teve baixa de cerca de 1%. Enquanto isso, a Vale subiu, assim como siderúrgicas, em meio à alta de 1,6% do minério de ferro negociado em Qingdao.

Outro destaque, a Gol teve fortes ganhos após o presidente Michel Temer assinar uma medida provisória autorizando o aumento de capital estrangeiro nas companhias aéreas para até 100%.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 GOLL4 GOL PN N2 22,00 +5,26 +50,68 184,07M
 JBSS3 JBS ON 12,00 +4,26 +22,98 81,06M
 SUZB3 SUZANO PAPELON 37,57 +3,53 +101,99 184,51M
 USIM5 USIMINAS PNA 9,65 +3,10 +6,51 197,94M
 BBDC3 BRADESCO ON EJ 34,26 +2,88 +18,37 53,05M

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 KROT3 KROTON ON 9,54 -2,65 -46,32 84,45M
 B3SA3 B3 ON 27,70 -1,60 +24,36 249,78M
 BRKM5 BRASKEM PNA 48,65 -1,52 +18,37 83,96M
 RADL3 RAIADROGASILON 63,14 -1,42 -30,77 49,25M
 UGPA3 ULTRAPAR ON 49,30 -1,40 -32,64 102,90M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN N2 23,36 +0,26 1,44B 1,96B 50.622 
 VALE3 VALE ON 50,60 +0,46 740,92M 1,14B 38.093 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN 35,78 +1,76 580,71M 610,07M 32.007 
 BBAS3 BRASIL ON EJ 44,08 +2,56 345,29M 500,59M 19.357 
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 38,84 +2,64 302,86M 554,23M 19.319 
 B3SA3 B3 ON 27,70 -1,60 249,78M 239,75M 21.044 
 USIM5 USIMINAS PNA 9,65 +3,10 197,94M 157,78M 16.297 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 16,35 +2,51 196,84M 308,27M 22.958 
 BBSE3 BBSEGURIDADEON ED 27,29 +0,48 187,65M 112,76M 15.289 
 SUZB3 SUZANO PAPELON 37,57 +3,53 184,51M n/d 14.089 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
IBOVESPA

Noticiário político
Na agenda do presidente eleito Jair Bolsonaro, ele vai de Brasília para São Paulo para nova avaliação médica. A cirurgia para a retirada da bolsa de colostomia está marcada para 19 de janeiro. Mas ele disse que pretende adiar a operação para poder participar do Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, de 22 a 25 de janeiro de 2019.

Ontem, em live nas redes sociais, o presidente eleito que pretende propor, via Itamaraty, mudanças ao Acordo de Paris. "Se não mudar, sai fora. Porque temos de ficar? É um acordo possivelmente danoso para a nossa soberania", afirmou. Ele voltou a criticar "a indústria de multas abusivas e extorsivas do Ibama" e disse  que escolheu seus ministérios sem interferência politica. 

Os últimos dias do ano legislativo também ganham destaque. O presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), disse nesta quarta que deixará de votar o Orçamento federal e manterá o Congresso Nacional em funcionamento, caso o governo federal decida vetar um projeto que prorroga benefícios fiscais para empresas instaladas nas áreas de atuação das superintendências do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), do Nordeste (Sudene) e também cria novos para as instaladas no Centro-Oeste (Sudeco). Eunício Oliveira é autor do projeto e recebeu apoio dos parlamentares ao anunciar sua retaliação à equipe econômica. 

Enquanto isso, de olho na governabilidade,  dono da segunda maior bancada para a Câmara, com 52 parlamentares eleitos, o PSL não deverá disputar o comando da Casa em 2019. A afirmação foi feita pelo atual líder da bancada, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (SP). 

"Eu acho muito difícil [o PSL lançar candidato a presidente da Câmara], acredito que vá ser uma pessoa de outro partido. Essas articulações estão acontecendo dentro do Congresso, estão ventilando, todos que estão ali estão se articulando publicamente ou nos bastidores", disse em conversa com jornalistas após o encontro. 

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