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Ibovespa perde força com exterior e dólar sobe quase 1% após fala de Mario Draghi

Mercado fica atento à decisão de política monetária do BCE e também nos desdobramentos da tensão comercial entre EUA e China, além de repercutir o Copom

Plataforma de petróleo
(Divulgação)

SÃO PAULO - Ainda encontrando barreiras para engatar um movimento de alta mais expressivo, o Ibovespa perde força no início da tarde desta quinta-feira (13) acompanhando o movimento dos índices em Wall Street e das bolsas europeias, que ficam oscilando entre a estabilidade e ganhos leves em contraponto ao dia de maior alta no mercado asiático.

Em meio a esse cenário, o Ibovespa registrava alta de 0,19%, a 87.143 pontos, às 14h15 (horário de Brasília), enquanto o dólar comercial tem alta de 0,90%, cotado a R$ 3,8869 na venda. "O que temos visto é baixo nível de convicção do mercado e bastante ceticismo", destaca a equipe da XP Research em nota.

No câmbio, o real segue o movimento de outras moedas e cai contra o dólar de olho na fala do presidente do BCE (Banco Central Europeu), Mario Draghi, que fez um alerta sobre a economia europeia mesmo após a autoridade manter os juros em 0% e anunciar o fim do programa de compra de ativos no final de dezembro.

O euro perdeu força contra o dólar durante a manhã após Draghi alertar para riscos ao crescimento da zona do euro listando como preocupações questões geopolíticas, protecionismo comercial e volatilidade dos mercados.

Ainda no exterior, nos mercados asiáticos, o dia foi de ganhos com novos sinais de diminuição na tensão comercial, mas que não foi suficiente para gerar ânimo para as demais praças. Ontem, circulou notícia de que a China planeja substituir uma política industrial muito criticada pela Casa Branca por um programa que garantirá maior acesso a companhias estrangeiras.

Também foi confirmado hoje que os chineses voltaram a comprar soja dos EUA, como parte de um compromisso de Pequim de ampliar importações de produtos agrícolas americanos. O gigante asiático também estaria reduzindo ambições na área tecnológica para amenizar choques com EUA.

Antes disso, o presidente dos EUA, Donald Trump, já havia sinalizado nesta semana que está disposto a fechar um acordo comercial com a China, depois da trégua de 90 dias acertada com o presidente chinês, Xi Jinping, no último dia 1º.

Na agenda econômica, a China atraiu US$ 13,6 bilhões em investimento estrangeiro direto (IED) em novembro, 27,6% menos do que em igual mês do ano passado, segundo dados publicados hoje pelo Ministério de Comércio do país.

De volta à Europa, os mercados também refletem o cenário no Reino Unido, com a libra avançando após a premiê Theresa May conseguir vencer votação para permanecer como líder do Partido Conservador, permitindo que ela retorne ao front do Brexit.

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Copom "dovish"
Voltando ao Brasil, no mercado de juros futuros a sessão é de queda para os contratos mais líquidos, como o com vencimento em janeiro de 2021 com baixa de 6 pontos-base, para 7,67%, enquanto o com vencimento em 2023 caiu 2 pontos-base, a 9,05%, amenizando as baixas com relação à abertura. 

O movimento ocorre após o Copom "dovish" (brando). Na véspera, o Comitê manteve a taxa básica de juros em 6,50%, em linha com o esperado e BC vê arrefecimento do risco de frustração com reforma. De acordo com economistas, o comunicado apontou adiamento de eventual ciclo de alta e deve retirar prêmio da curva de juros.

O comunicado informou que aumentou o risco de a ociosidade da economia brasileira manter a inflação em níveis baixos e que diminuiu o risco da não aprovação de reformas estruturais. Segundo a nota, o cenário internacional continua desafiador para os países emergentes, com a possibilidade de alta de juros em países avançados e de agravamento de tensões comerciais.

 Altas e baixas

A sessão é de queda para as ações da Petrobras com a virada do petróleo, que tem baixa de cerca de 1%; enquanto isso, a Vale avança cerca de 1%, assim como siderúrgicas, em meio à alta de 1,6% do minério de ferro negociado em Qingdao.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 CVCB3 CVC BRASIL ON EJ 62,53 +3,75 +31,83 40,96M
 CPLE6 COPEL PNB 32,28 +2,67 +29,91 30,76M
 JBSS3 JBS ON 11,75 +2,09 +20,42 29,58M
 SUZB3 SUZANO PAPELON 36,96 +1,85 +98,71 112,95M
 ENBR3 ENERGIAS BR ON 13,93 +1,83 +3,23 14,57M

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 SMLS3 SMILES ON 42,91 -2,12 -40,50 10,78M
 BRKM5 BRASKEM PNA 48,50 -1,82 +18,01 45,58M
 EMBR3 EMBRAER ON 20,66 -1,71 +3,86 21,81M
 WEGE3 WEG ON 17,06 -1,39 -6,66 26,32M
 ECOR3 ECORODOVIAS ON 9,28 -1,28 -18,65 9,89M
* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)

Noticiário político
Na agenda do presidente eleito Jair Bolsonaro, ele vai de Brasília para São Paulo para nova avaliação médica. A cirurgia para a retirada da bolsa de colostomia está marcada para 19 de janeiro. Mas ele disse que pretende adiar a operação para poder participar do Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, de 22 a 25 de janeiro de 2019.

Ontem, em live nas redes sociais, o presidente eleito que pretende propor, via Itamaraty, mudanças ao Acordo de Paris. "Se não mudar, sai fora. Porque temos de ficar? É um acordo possivelmente danoso para a nossa soberania", afirmou. Ele voltou a criticar "a indústria de multas abusivas e extorsivas do Ibama" e disse  que escolheu seus ministérios sem interferência politica. 

Os últimos dias do ano legislativo também ganham destaque. O presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), disse nesta quarta que deixará de votar o Orçamento federal e manterá o Congresso Nacional em funcionamento, caso o governo federal decida vetar um projeto que prorroga benefícios fiscais para empresas instaladas nas áreas de atuação das superintendências do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), do Nordeste (Sudene) e também cria novos para as instaladas no Centro-Oeste (Sudeco). Eunício Oliveira é autor do projeto e recebeu apoio dos parlamentares ao anunciar sua retaliação à equipe econômica. 

Enquanto isso, de olho na governabilidade,  dono da segunda maior bancada para a Câmara, com 52 parlamentares eleitos, o PSL não deverá disputar o comando da Casa em 2019. A afirmação foi feita pelo atual líder da bancada, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (SP). 

"Eu acho muito difícil [o PSL lançar candidato a presidente da Câmara], acredito que vá ser uma pessoa de outro partido. Essas articulações estão acontecendo dentro do Congresso, estão ventilando, todos que estão ali estão se articulando publicamente ou nos bastidores", disse em conversa com jornalistas após o encontro. 

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